A revista Veja abalou o mundo político ao publicar uma entrevista com o empresário e ex-deputado paranaense Tony Garcia, que alega ter gravado ilegalmente diversas figuras a pedido do ex-juiz Sergio Moro.
As gravações eram feitas sob coação e a troco de promessas de benefícios na Justiça. Com os grampos, Moro pretendia atingir alvos selecionados. Segundo Garcia, seu trabalho era discutido com o ex-juiz e ex-procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato, como Deltan Dallagnol e Carlos Fernando dos Santos Limpa.
Segundo a publicação, Tony Garcia mantinha a “parceria” com Moro escondida até mesmo de seus advogados. Por outro lado, Moro não só vem negando o conluio com Garcia e o Ministério Público, como disse em nota que o empresário é um “criminoso que foi condenado”
Mas quem é Tony Garcia?
O empresário Antônio Celso Garcia, conhecido como Tony Garcia, disputou a vaga de senador pelo Paraná em três oportunidades: em 2002, pelo PPB; em 1994, quando perdeu para Roberto Requião e Osmar Dias; e em 1990, quando tentou se eleger pelo PRN do então presidente Fernando Collor, e perdeu a eleição para José Eduardo de Andrade Vieira.
Tony Garcia também perdeu a eleição para a prefeitura de Curitiba em 1992 para Rafael Greca.
A única eleição em que ele conseguiu sucesso foi nos anos 2000, quando conseguiu um cargo de deputado estadual. Contudo, ele foi detido em processo que tinha o hoje senador Sergio Moro como juiz, e condenado a seis anos de prestação de serviço comunitário em 2008.
Garcia chegou a ser preso pela Polícia Federal no ano de 2014, acusado de gestão fraudulenta do Consórcio Garibaldi, negando inclusive ser o verdadeiro dono da empresa.
Ele agora alegou que foi pressionado pela Lava Jato a fazer delação contra políticos do PT, com a promessa de deixar a cadeia.
Pivô da prisão de Beto Richa
Como lembra o jornal Folha de Londrina, Tony Garcia foi pivô da prisão preventiva do ex-governador Beto Richa e de outras 14 pessoas. O empresário realizou gravações que foram usadas para basear denúncia de fraude em licitação realizada pelo governo estadual.
O então delator afirmou às autoridades que chegou a ser amigo de Richa, mas que um desentendimento colocou tudo a perder.
A partir dessa briga, Garcia passou a usar seu Facebook para efetuar diversas postagens a respeito do cenário político e eleitoral do Paraná, assim como comentários sobre operações como a Lava-Jato, sempre com indiretas a Richa e a seus aliados.
Em 2018, Garcia afirmou em delação homologada que levou uma sacola com R$ 220 mil em dinheiro ao apartamento de Richa, que seria usado para pagamento de propina em troca de favorecimento a empresas em licitação para manutenção de estradas rurais.
Em troca dessa delação, o empresário ganhou o benefício de não ser denunciado pelo que contou, como lembra o portal G1.
Pode-se dizer que a prisão de Richa também teve participação de Moro, que voltou atrás da atribuição de julgar Richa mesmo depois de abrir mão de tal atribuição.
A detenção foi possível por conta de acordo de delação premiada fechada por Garcia – o que favoreceu o então candidato ao Senado Flávio Arns, próximo da família Moro.
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