4 de junho de 2026

TSE começa a julgar Bolsonaro nesta quinta, às 9h; serão três sessões até a decisão

Ação pede a inelegibilidade de Jair Bolsonaro e de Walter Braga Netto, candidatos à Presidência da República nas Eleições 2022

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) inicia nesta quinta-feira, às 9 horas, o julgamento que pode tornar o ex-presidente Jair Bolsonaro inelegível por oito anos. A decisão dos ministros deve ser finalizada até a semana que vem.

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A Corte reservou três sessões ordinárias para a análise do processo; além desta quinta, outras duas estão agendadas neste mês para os dias 27, a partir das 8 horas, e 29, a partir das 9 horas, tal como a primeira. 

A Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) 0600814-85, impetrada pelo PDT, pede a inelegibilidade de Jair Bolsonaro e de Walter Braga Netto, candidatos à Presidência da República nas Eleições 2022.

No argumento para justificar a ação, o PDT trata de uma reunião convocada pelo então presidente Jair Bolsonaro, em 18 de julho de 2022, para propagar notícias falsas a embaixadores de dezenas de países. 

Bolsonaro apresentou uma série de mentiras sobre as urnas eletrônicas, colocou sob suspeita o processo eleitoral no Brasil, atacou ministros do TSE e repetiu diversos argumentos que vinha levantando antes do evento.

O ex-presidente e Braga Netto são alvo de 16 ações de Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) e a Corte eleitoral vem dando mostras de como deve agir diante dos processos.

Passo a passo do julgamento

O relator da ação é o corregedor-geral eleitoral, ministro Benedito Gonçalves. Ele é quem abrirá a sessão com a leitura do relatório que contém o resumo da tramitação da ação na Corte.

No informe estão as diligências solicitadas, os depoimentos tomados, bem como as perícias e as providências requeridas pelo relator na etapa de instrução processual.

Logo após a leitura, a palavra será concedida aos advogados de acusação e aos de defesa, exatamente nessa ordem, das partes envolvidas na ação. Eles terão 15 minutos de fala cada. 

Encerrada a etapa, o representante do Ministério Público Eleitoral vai emitir o parecer do órgão. Após o parecer, o ministro relator fará a leitura de seu voto e, na sequência, os ministros começarão a proferir seus votos.  

Votam os ministros Raul Araújo, Floriano de Azevedo Marques, André Ramos Tavares, a vice-presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, o ministro Nunes Marques e, por último, o presidente, ministro Alexandre de Moraes.

Os pontos da ação

“É inegável que o Senhor Jair Messias Bolsonaro aproveitou-se do evento para difundir a gravação do discurso com finalidade eleitoral, indissociável ao pleito de 2022″, diz o pedido inicial da ação. 

E segue: “isso porque o ataque à Justiça Eleitoral e ao sistema eletrônico de votação faz parte da sua estratégia de campanha eleitoral”. 

Dessa forma, o julgamento terá como foco uma possível violação ao Estado Democrático de Direito ao se atacar o sistema de votação do Brasil, ainda que o tema possa aparecer lateralmente nos votos de ministros. 

A ação do PDT afirma que Bolsonaro incorreu em duas condutas que levam à inelegibilidade, de acordo com lei eleitoral: abuso de poder econômico e uso indevido de meios de comunicação social.

Contexto mais amplo

No dia 14 de fevereiro, o TSE manteve a minuta golpista encontrada na casa de Anderson Torres, ex-ministro da Justiça, como prova na ação que acusa Bolsonaro de promover uma desordem informacional nas eleições de 2022.

Ou seja, não apenas a reunião com os embaixadores pode levar à inelegibilidade do ex-presidente. Os ministros permitiram ainda que fatos e documentos possam ser anexados nas ações de inelegibilidade das eleições de 2022. 

Na prática, há uma série de sinais sobre como a Corte deve prosseguir com as ações que discutem o futuro político de Bolsonaro: e esse futuro começa a ser definido com o julgamento iniciado nesta quinta. 

O que diz Bolsonaro

Mesmo com aliados e o próprio ex-presidente descrentes de que Bolsonaro se livre da inelegibilidade, a defesa pretende usar o julgamento de 2017 da chapa Dilma/Temer como argumento a favor do ex-mandatário. 

Nesta quarta-feira (21), Bolsonaro se pronunciou e pediu ao TSE para não utilizar “novos fatos” no julgamento que pode deixá-lo inelegível por oito anos, assim como foi feito, segundo ele, no julgamento de Dilma/Temer há 5 anos. 

Como o PSDB havia impetrado a ação contra a chapa em 2015, o TSE definiu que novas provas apensadas para o julgamento de 2017 não teriam validade. No entanto, são ações com conteúdos distintos e implicações relacionais distintas.

Bolsonaro, em um tom diferente com relação às acusações que costumava fazer, afirmou que só por isso, a decisão do TSE de 2017, Alexandre de Moraes se tornou ministro: a Corte permitiu que a chapa seguisse na Presidência e, com o impeachment de Dilma, Temer se tornou presidente e indicou Moraes. 

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Renato Santana

Renato Santana é jornalista e escreve para o Jornal GGN desde maio de 2023. Tem passagem pelos portais Infoamazônia, Observatório da Mineração, Le Monde Diplomatique, Brasil de Fato, A Tribuna, além do jornal Porantim, sobre a questão indígena, entre outros. Em 2010, ganhou prêmio Vladimir Herzog por série de reportagens que investigou a atuação de grupos de extermínio em 2006, após ataques do PCC a postos policiais em São Paulo.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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