Veja “revela” ameaça “ecoterrorista” que GGN denunciou em 2018

Somente agora, cinco meses depois após o grupo despontar nas redes sociais com ameaças ao governo Bolsonaro, é que a polícia está "caçando" os responsáveis

Jornal GGN – A revista Veja publicou com “exclusividade” uma reportagem sobre um grupo autodenominado “ecoterrorista” que faz ameaças a Bolsonaro desde o ano passado. O GGN antecipou informações sobre o modo de atuação do grupo em matéria do dia 31 de dezembro de 2018.

Segundo Veja, somente agora, cinco meses depois após o grupo despontar nas redes sociais, é que a polícia está “caçando” os responsáveis pelas ameaças. Um dos alvos atuais da chamada “Sociedade Secreta Silvestre” é o ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles.

Leia abaixo a reportagem do GGN para saber mais sobre o grupo:

Por Luis Nassif

Exclusivo: como atuam os ecoterroristas da bomba em Brazlândia

O grupo que deixou um artefato explosivo no Santuário Menino Jesus em Brazlândia e, depois, enviou um manifesto ao jornal online Metrópoles (https://www.metropoles.com/distrito-federal/pf-e-pcdf-buscam-grupo-terrorista-que-ameacou-bolsonaro) tem raízes nos movimentos anarco-terroristas que nascem a partir dos atentados de Theodore Kaczynski, o “Unabomber”.

O movimento brasileiro se autodenomina “Sociedade Secreta Silvestre”. O site do grupo está no endereço https://maldicaoancestral.org. E a revista “Anhangá” é um dos veículos de comunicação do grupo (https://goo.gl/1LycJp). Há um movimento Maldição Ancestral em outros países, aparentemente uma facção dos eco-anarquistas.

A edição no 2 do Anhangá tem um editorial anunciando a conspiração eco-extremista.

(…) Esta edição nasce de um tremendo esforço cúmplice de manos e minas afins do Sul e Norte. O período entre a primeira publicação e esta é marcado por uma significativa expansão dos grupos ocultos aderentes a ITS (Individualidades Tendiendo a lo Salvaje, com atuação no México), que além de rugidos e mais acometidas pelo Sul, surgiram e cresceram também nas terras do Velho Continente, aquele onde pisaram os bárbaros, os vikings, que com ferocidade e paganismo implantaram o terror no cerne das civilizações europeias. Os esporos do eco-extremismo foram levados por fortes ventos e cruzaram as grandes águas até caírem nos solos da Grécia, onde caminha agora Seita Iconoclasta e Caçadores Noturnos; Reino Unido, terra maldita de Misanthropos Cacoguen e Espanha, extensões de Criminosos Animistas. Já pelo Sul e Norte o ânimo dos guerreiros não se detém, contamos com proximamente uma dezena de mortes em mais de 50 diversificados ataques; pacotes incendiários e explosivos abandonados

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No pé da edição, uma foto com matéria do Sun sobre suposto reportagem do The Sun acerca de um atentado que o grupo teria promovido nas Olimpíadas.

O Unabomber

O referencial máximo desse grupo é Theodore Kaczynski, o “Unabomber”.

Um autor mencionado na Revista Anhanguera é John Jacobi, professor do Instituto Vanderbilt de Energia e Meio Ambiente, com bom currículo. Jacobi possui um blog que não é atualizado desde 31 de julho de 2017. Um de seus artigos é sobre o Projeto Vontade Selvagem, aparentemente na origem do movimento, e Ted Kaczynski, analisando o início do grupo, em 1995, sob o codinome FC.

Seu primeiro ato foi um manifesto enviado ao New York Times, com a proposta: se fosse publicado, se comprometiam a não enviar bombas a personalidades anti-natureza. O manifesto era intitulado “Sociedade Industrial e seu Futuro”. Pouco depois, o FC enviou uma bomba a um lobista da indústria madeireira. Foi a terceira morte atribuída ao Unabomber. Em seguida, dois Prêmios Nobel receberam cartas com ameaças, se não interrompessem suas pesquisas em genética.

Segundo Jacobi, Kaczynski era um gênio que foi aceito em Harvard com apenas 16 anos. Fez mestrado na Universidade de Michigan e sua tese de doutorado resolveu várias problemas complexos de matemática, relacionados às “funções de fronteira” (entenda aqui o que vem a ser),

Logo depois, deixou Berkeley e se mudou para uma cabana, em uma área remota de Montana, sem água e sem eletricidade. Hoje em dia, cumpre pena perpétua em Florence, Colorado.

Todos os anarco-terroristas nascem dessa árvore do Unabomber.

O movimento no México

Um dos países que abrigou esse movimento foi o México.

No site Maldição Ancestral há uma página sobre Abe Cabrera, estudioso que analisou o fenômeno do anarco-terrorista no México. Seu estudo provocou reações indignadas dos membros brasileiros do grupo.

No dia 14 de outubro passado publicaram um alerta aos “caguetas da 325” (um site de movimento rival), envolvidos com Abe.

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Pela última vez os anarco-frades se pronunciaram contra nós eco-extremistas com a intenção de nos prejudicar de alguma maneira. Vocês da ONG 325 e seus consortes pagarão caro pelas delações contra a suposta pessoa por trás do teórico eco-extremista Abe Cabrera que sequer faz parte de ITS e por difamar e tentar entregar informações de Misanthropos Cacoguen (Nota: um aco-anarquista) à polícia do Reino Unido. Olho por olho, dente por dente.

(…)  Jamais há perdão, cagueta paga com a vida. A traição e a delação são comportamentos repugnantes onde quer que seja, inclusive entre os anarcos, e o que fizeram terá um preço. (…)

Segundo Abe, em 2011 o grupo ITS  inaugurou os ataques eco-terroristas no México. Enviou bombas pelo correio a várias instituições de pesquisa e assassinou um pesquisador de biotecnologia em Cuernavaca, Morelos.

Cada ataque era acompanhado de comunicados explicando o raciocínio por trás do ato. Em 2014, a ITS juntou-se a outros grupos similares e alterou o nome para “Wild Reaction” (Reação Selvagem). Segundo Abe, o grupo se autodefinia como “sabotadores niilistas, nômades incendiários, delinquentes individualistas, anarco-terroristas”.

Abe não conseguiu levantar o tamanho da ITS/RS. Mesmo debruçando-se sobre o tema, admitiu que o caráter secreto da organização dificultava a identificação do grupo e de suas influências.

Com o tempo, o ITS/RS passou a condenar qualquer forma de ação coletiva, tornou-se um crítico do esquerdismo, e ampliou a combate à civilização técno-industrial, ameaçando não apenas empreendimentos, como cientistas, especialmente os que estudavam nanotecnologia e genética.

Dizia sobre o esquerdismo:

Acima de tudo, o esquerdismo é impulsionado pela necessidade de poder, e o esquerdista busca o poder em uma base coletiva, através da identificação com um movimento de massa ou uma organização. É improvável que o esquerdismo desista da tecnologia, porque a tecnologia é uma fonte valiosa de poder coletivo.

Nessa caminhada, passaram a descrer até da “revolução”. Seu único objetivo passou a ser os atentados terroristas, sem nenhuma utopia de futuro.

Nós não esperamos por “revolução”, nem pela “crise mundial”, nem pelas “condições ideais”. A única coisa que esperamos é que depois de um ataque, saímos intactos com nossa vitória individualista, com nossas mãos cheias de experiências para os próximos passos, que serão ainda mais constantes, destrutivos e ameaçadores. 

Outros atentados

Há denúncias de atentados similares. Movimento similar no Chile chamou a sia a responsabilidade por um atentado que incendiou um caminhão (https://goo.gl/PBREzY). Segundo o manifesto:

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Colocar fogo em um caminhão está atacando as mega-máquinas e estruturas que contribuem para a devastação da Terra, está incendiando as idéias de progresso e civilização, é nossa contribuição para a contínua agitação contra o projeto IIRSA-COSIPLAN e construção de milhares de quilômetros de estradas que destroem ecossistemas para facilitar o trânsito de caminhões cheios de mercadoria e acelerar o avanço da cidade que contamina nossa vida.

Pode haver muita piração nesses movimentos que se articulam nos porões da Internet. Mas, de qualquer modo, há um histórico demonstrando que, em muitos casos, a piração evoluiu para ações concretas.

A prisão de cinco membros da organização, pela Polícia Federal, ajudará a identificar a extensão do movimento no Brasil, se tudo não passa das libações de fanáticos pela Internet, ou de um terrorismo que avançou para além do virtual..

Construção coletiva

Que tal vocês ajudarem na construção do tema, trazendo mais links e mais informações sobre o tema. Inclusive ajudando a conferir as fontes consultadas.

Aqui, parte dos links consultados para esse levantamento.

  1. PDF – ia802805.us.archive.org
  2. PF e PCDF buscam grupo que fez ameaça terrorista à posse de Bolsonaro
  3. Em direção à selvageria: desenvolvimentos recentes no pensamento eco-extremista no México – Abe Cabrera
  4. PDF – www.sober.org.br
  5. Santiago, Chile: Caminhão incendiado para dezembro negro por incendiários Complicit in Sabotage FAI-FRI
  6. 325
  7. PDF – evelynbrooks.com
  8. Ted Kaczynski and Why He Matters – Dark Mountain
  9. John Jacobi
  10. Ted Kaczynski and Why He Matters – Dark Mountain
  11. Wildism.org
  12. Not Our Comrades: ITS Attacks on Anarchists – It’s Going Down
  13. Abe Cabrera | Maldição Ancestral

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5 comentários

  1. Pelo que entendo dos seres que são aniquilados por sua fragilidade social, não vejo perigo…
    não há perigo em os fanáticos pensarem fora do eu de cada um deles

    no máximo idealismo extremo e inconsequente

    leiam atentamente a revista e vejam que a realidade consciente não é a deles, é a de um ídolo

    é como em qualquer filme a pessoa se identificar com o protagonista principal, uma fantasia que usam como ameaça

    muitos games na cabeça dá nisso

  2. Parabéns ao GGN, veículo novo na imprensa brasileira, mas que desponta com credibilidade e, dentro da minha especialidade, a economia, não há nada melhor no jornalismo econômico brasileiro do que a dobradinha Nassif-André.

  3. São esses extremistas que acabam favorecendo o contrário. Há uma definição incorreta, que os chama de radicais, mas radical é ir ao fundo do problema, portanto, visualiza-lo na íntegra. Quanto ao extremismo, é situar-se na extremidade do dito; e pelo movimento rotatório dos elementos, ele acaba do lado oposto do que queria alcançar, se perdendo em um movimento indefinido de alcance das ações.

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