Enviado por Jair Fonseca
Che Guevara, para se despedir da mulher, gravou (belissimamente bem) o poema “Los Heraldos Negros”, de Cesar Vallejo. O poeta peruano é provavelmente o maior de língua espanhola do século XX. Mas é pouco conhecido, infelizmente. Los Heraldos negros foi o primeiro livro publicado por Vallejo, em 1918. Imagens do doc Che, un hombre nuevo, de Tristán Bauer.
https://www.youtube.com/watch?v=gjTPSdlldKQ width:639 height:390
Assis Ribeiro
18 de maio de 2014 12:10 pmSensacional.
Sensacional.
Zanchetta
18 de maio de 2014 1:03 pmEle costumava recitar isto,
Ele costumava recitar isto, enquanto executava uns e outros…
Maira Vasconcelos
18 de maio de 2014 1:23 pmDiscordo sobre ser C. Vallejo o maior..
do século XX, em lingua espanhola, está excelente sua poesia, claro. Mas Nicanor Parra é criador do antipoema, fico com Nicanor. Deve existir uma diferença de idade aí; o Nicanor é vivo, e mora ainda no Chile. Além do mais, a argentina Alfonsina Storni é do século XX, e também a considero muito mais rica que Vallejo.
Jair Fonseca
18 de maio de 2014 2:33 pmClaro que isso de ser “o
Claro que isso de ser “o maior” varia de acordo com os pontos de vista. César Vallejo viveu apenas 40 anos, e deixou poucos livros. Mas sua poesia é extraordinária justamente por sua concentração de imagens e sons macerados pela angústia social e existencial, em ritmo e significado enigmáticos. Não teve a popularidade e o reconhecimento de um Neruda e sua poesia caudolosa, ou mesmo desses citados por você, nem o de um Lorca, que também esteve na guerra civil espanhola, como Vallejo. A poesia de Vallejo nos deixa tão atônitos que certamente ainda será reconhecida em outros tempos que virão.
Excelente sítio, com informações e muitos poemas de Vallejo, traduzidos e no original:
http://www.antoniomiranda.com.br/iberoamerica/peru/cesar_vallejo.html
Maira Vasconcelos
19 de maio de 2014 2:34 amClaro, os pontos das vistas.
Ele é enormidade mesmo. São muitos os grandes da poesia de lingua espanhola. Sabe que não tenho um só livro do Neruda? Viva Nicanor! E olha os pontos das vistas, de novo. Acabei pegando o livro que tenho do Vallejo, e li alguns versos com esse ponto-maior da sua vista, e o vi maior realmente, naquele momento. Mas continuo com os meus pontos, se é que se entende.
Jair Fonseca
18 de maio de 2014 1:54 pmOs arautos negros
Há golpes na vida tão fortes… Eu nem sei!
Golpes como do ódio de Deus; como se ante eles
a ressaca de quanto foi sofrido
se empoçara na alma… Eu nem sei!
São poucos, porém são… Abrem sulcos escuros
no rosto mais fero e no lombo mais forte.
Serão talvez os potros de bárbaros átilas;
ou os arautos negros que nos manda a Morte.
São as caídas fundas dos Cristos da alma,
de alguma fé adorável que o Destino blasfema.
Esses golpes sangrentos são as crepitações
de algum pão que na porta do forno se queima.
E o homem… Pobre… pobre! Volve os olhos, como
quando por sobre os ombros nos chama uma palmada;
volve os olhos loucos, e todo o vivido
se empoça, como charco de culpa, na mirada.
Há golpes na vida tão fortes… Eu nem sei!
Tradução de Fernando Vianna