1.
quando eu nasci
ninguém me viu.
eu era uma tropa sem rumo
um mar de lama no São Francisco.
2.
a tragédia é a Vale
e seus donos do ouro
e da praga
seus donos do dólar
e da morte
sua semântica crua
de destruição e engodo.
quantos infernos saem
desta boca agourenta
de malandros mundiais?
3.
dura terra que me come
com umas valas de ferro
a fazer meu caminho:
sobra o direito da morte
onde a vida sempre falta.
4.
as carnes não deixarão rastros
e o ferro das ruínas
não caberá no poema.
romério rômulo

Jose mestre Carpina
30 de janeiro de 2019 9:57 amQuem…
Com ferro fere, com ferro será ferido;
Roberto Monteiro
30 de janeiro de 2019 11:38 amPermita-me, Romério
usar seu espaço para também expressar minha indignação neste espaço. A tempo: obrigado por mais esta obra-prima de extrema sensibilidade.
Aos humanos sem títulos (nem doutores, nem excelentíssimos, muito menos meritíssimos)
Do barro nascereis
ao pó voltareis
mas, oh! deus dos homens
por que deixaste
impingir sobre nossas almas
tanta lama, tanta infâmia
não perdoando nem criança
muito menos os pais
as mães destas infâncias
interrompidas na flor da idade
enquanto o papel, o vil
o devil metal, diabólico papel
corre mundo coberto, imundo
não de lodo, mas
de sangue, de lágrimas
nem vale, nem planalto
muito menos o muro
a rua, mausoléu infame
das esperanças humanas
depositadas agora
sob sete palmos, muitas palmas
muitos pés, muitas bocas
cheias de terra seca
ignoradas sobejamente
por corações vazios, cheios de grana
nem aí para a miséria
que é viver à espera da morte
chegar em previsível
cruel aluvião de dor.