5 de junho de 2026

Incêndios florestais podem criar clima próprio, com relâmpagos secos e tempestades de fogo

Queimadas fazem com que ar seco ascenda na atmosfera e encontre com o ar frio, resultando em ventos erráticos que espalhem ainda mais o fogo
Crédito: Agência Brasil

Engana-se quem pensa que as queimadas provocadas, em sua maioria criminalmente, afetam apenas a qualidade do ar e que, além da destruição dos biomas, os danos acabam com as chuvas. 

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Kyle Hilbirn, pesquisador especializado em Ciência Atmosférica na Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, constatou que os incêndios florestais têm o potencial de criar o próprio clima, composto por relâmpagos secos e tempestades de fogo.  E, mais do que preocupante, esta realidade está se tornando comum nos Estados Unidos. 

O pesquisador explica que incêndios florestais fora do controle dos bombeiros fazem com que a queima da vegetação libere grandes quantidades de calor. O ar quente, mais leve em comparação ao frio, sobe e faz com que o ar frio se precipita para preencher o vazio deixado pelo ar quente. Este fenômeno resulta em padrões próprios de vento resultante das queimadas. 

Dependendo da estabilidade e da umidade da atmosfera, o ar quente continuará subindo até que se forme uma nuvem conhecida como pyrocumulus ou flammagenitus. Esta nuvem é composta de partículas de água líquida e congelada, em que as partículas colidem e podem gerar descargas elétricas. 

Como a área de devastação normalmente tem baixa umidade e as condições na baixa atmosfera estão secas, cria-se o relâmpago seco. 

Tornados de fogo

Outro fenômeno climático produzido pelas queimadas é o tornado de fogo, que resulta do encontro do ar quente com ventos em diferentes direções na atmosfera. 

Neste caso, os redemoinhos de fogo podem ter ventos fortes, que espalham o fogo e criam novas áreas de incêndio. 

“Quando os incêndios criam seu próprio clima, seu comportamento pode se tornar mais imprevisível e errático, o que apenas amplia a ameaça às pessoas residentes na área e aos bombeiros que estão combatendo o incêndio. Antecipar as mudanças no comportamento do fogo é importante para a segurança de todos”, informou o pesquisador em artigo publucado no site The Conversation.

As mudanças climáticas, as ondas de calor e a interferência humana potencializam a frequência com que os incêndios florestais e suas consequências acontecem. 

Hilbirn afirma que satélites já são capazes de detectar queimadas e avisar os bombeiros rapidamente. Porém, caberá também à comunidade se tornar mais segura e menos suscetível aos danos causados por incêndios, a partir de casas mais seguras e da construção de aceiros, que são faixas livres de vegetação para conter o fogo.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

2 Comentários
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  1. ed.

    12 de setembro de 2024 6:59 pm

    Estamos vivendo a 2a. parte do filme “Não Olhe Para Cima” (Don’t Look Up). Agora é:
    “Não Olhe Para As Florestas”…
    A míRdia, como se fosse um incômodo de fim de semana, fala em tudo menos nas causas e ameaças destes incêndios eminentemente criminosos.
    A cada vez mais breve falta de chuvas (água!) regulares (enchentes também são nocivas) não só para a própria agropecuária como para os rios e o abastecimento das cidades.
    Temperaturas e ares poluídos beirando o insuportável para a VIDA. Afetarão cada vez mais milhões de pessoas que talvez nem tenham tempo de “se dar conta”
    Se sempre houve alguns incendiários malucos, imagine-se agora quando milhares de incentivados idólatras fanáticos e negacionistas ou poderosos interessados agirem com um mero riscar de fósforo em mais de 8 milhões de km2 de outrora ricas florestas e amplas diversidades que podem se transformar em poucas décadas em áridos e semi-mortos “biomas”, digo, “necromas”.
    Destruições trágicas de dias ou semanas e recuperações só possíveis em décadas! Algumas irreversíveis!
    Tudo para atender a ganância, mesquinhez e ignorância de poucos, que prejudicarão até a si e seus próprios descendentes.
    Um futuro mais sombrio do que as névoas que já cobrem campos e metrópoles.

  2. Rui Ribeiro

    13 de setembro de 2024 8:40 am

    Acabo de ver uma notícia que produtores afetados por incêndios vão receber apoio financeiro do governo. Isso é um incentivo aos incêndios criminosos pelos próprios proprietários, a fim de receberem apoio financeiro do governo

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