4 de junho de 2026

A banalização da longevidade, por Alberto Dines

do Observatório da Imprensa

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MARCHA DO TEMPO > “O GLOBO”, 90

A banalização da longevidade

Por Alberto Dines 
 
Ufa !!!! A festa dos 90 anos do “Globo”, felizmente, encerrou-se nesta quarta feira, 29 de Julho. Dos três jornalões sobreviventes — ditos nacionais — o antigo vespertino carioca é o caçula. E os caçulas são geralmente mimados, impertinentes, abusados. Acham que podem tudo, principalmente quando sozinhos em casa. O jornal fundado por Irineu Marinho em 1925 é praticamente dono da praça do Rio (acompanhado pelo valente “O Dia”, o “Expresso” além do engraçado “Meia Hora”) e o carro-chefe de um dos maiores grupos midiáticos do ocidente.

A festança durou uma eternidade e embaralhou completamente o noticiário. O jornal ficou irreconhecível, chatíssimo, ególatra, absolutamente autocentrado e, como sói acontecer, mais manipulado do que o normal.

O interminável retrospecto confundiu-se com a rememoração dos 450 anos da fundação da cidade e passou ao leitorado a impressão de que o “Globo” é o centro do mundo, espelho da cidade e, de certa forma do Brasil, já que até meados dos anos 70 o Rio ainda vivia a fantasia de ser capital da República.

Em grandes ocasiões, grandes jornais brindam os leitores com caprichados cadernos especiais — um convite para guarda-los como lembrança. A infeliz opção de dispersar os textos festeiros ao longo do jornal por tantos dias (30 ? 40 ? 50?) banalizou-os, tirou-lhes qualquer importância e credibilidade.

Quando em 1991 o JB completou um século de existência, ou quando, há pouco, o “Estadão” comemorou os seus gloriosos 140 anos e a “Folha” os seus 90 (agora está com 94) as lantejoulas foram exibidas com mais discrição e compostura. Com mais classe.

O “Globo” excedeu-se nas libações retro-festivas, esbanjou poderio, ostentou o pouco que tem e misturou-o com o que não tem. Confrontou o próprio estilo austero de Roberto Marinho. Se tivesse um concorrente no mesmo segmento e de igual porte teria sido mais contido e reservado — por vontade própria ou forçado pela inevitável zombaria.

No último embate jornalístico com o “Jornal do Brasil” quando decidiu romper a praxe e invadiu o apetitoso domingo reservado aos matutinos, o “Globo” foi fragorosamente batido. Mesmo usando e abusando do rolo compressor da TV.

Sozinho em campo, “The Globe” perdeu o senso de medida, inebriado consigo mesmo. Assim não se faz gol, perguntem lá em cima ao Armando Nogueira. Dirá ele que a festinha dos 90 anos foi gol contra, goleada no estilo alemão. Tantas foram as lambanças historiográficas cometidas durante esta temporada que em breve nas escolas de jornalismo será fácil pinçar a manipulação perfeita, o factoide padrão FIFA, a mentira em estado puro.

Isso não impede que este observador lembre aos amigos e camaradas da redação do “Globo” o sábio bordão do inesquecível Ibrahim Sued: os cães ladram, a caravana passa. Bola pra frente, a demã !

 

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

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2 Comentários
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  1. João de Paiva

    13 de agosto de 2015 2:18 pm

    Artigo velho. Já foi

    Artigo velho. Já foi publicado e comentado aqui.

  2. Luiz Santana

    13 de agosto de 2015 3:34 pm

    sem assunto
    Grande Alberto Dines! Sempre inteligente e perspicaz nos artigos que aborda a imprensa brasileira. Não tenho dúvida de que a emissora dos Marinhos vai dia a dia perdendo o poder de manipulação da opinião pública.

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