Verdades inconvenientes, por Gustavo Gollo

O acrônimo “AIDS” refere-se a duas doenças similares, mas distintas, uma causada pelo vírus HIV-1, outra pelo HIV-2. A segunda manteve-se, por longo tempo, circunscrita à África, onde encontra-se bastante disseminada; no Brasil, essa doença é relativamente rara e recente. Os 2 vírus são originários de diferentes espécies de macacos africanos.

A AIDS pandêmica, causada pelo HIV-1, emergiu nos EUA nos anos 80, tendo-se espalhado de lá para o mundo, e difere da AIDS africana, causada pelo HIV-2. Nas linhas a seguir, tratarei somente da AIDS pandêmica, a mais comum fora da África.


A versão conveniente

Análises comparativas indicaram que o HIV-1, o causador da AIDS pandêmica, originou-se de um vírus que infecta Chimpanzés. Em vista disso, assumiu-se que a AIDS pandêmica teria surgido na África, onde os casos ter-se-iam mantido circunscritos até os anos 60, ou 70. Foi sugerido, além disso, que a transposição do vírus para a espécie humana teria ocorrido provavelmente no início do século XX. O incidente teria sido causado pela caça ao primata.

Essa versão consiste na explicação mais usual sobre a origem da AIDS e é favorecida pela confusão decorrente do mesmo nome atribuído às doenças causadas pelo HIV-1 e HIV-2.

Um paradoxo inconveniente

A AIDS pandêmica, no entanto, foi observada clinicamente pela primeira vez em 1981, nos Estados Unidos, e logo associada aos 4 H’s: haitianos, homossexuais, hemofílicos e heroinômanos.

A composição dos grupos de risco acabou explicada por transfusões de sangue comuns aos hemofílicos, pela troca de sangue nas seringas compartilhadas por heroinômanos, e nas relações sexuais, especialmente as anais, entre homossexuais. O realce dos haitianos enquanto grupo de risco sugere fortemente que em 1981 a AIDS já se havia difundido amplamente no Haiti, país da América Central onde não existem chimpanzés.

A constatação sugere fortemente que o foco inicial da AIDS pandêmica tenha ocorrido no Haiti e não na África, onde encontram-se os chimpanzés originários do vírus.

Ocorre que o fluxo populacional entre o Haiti e a África, localidades distantes e pobres, é bastante reduzido. Se a infecção original das primeiras pessoas se deu na África, em decorrência da caça do animal, como e por que ela teria chegado aos haitianos antes que a povos ricos cujos fluxos migratórios com a África eram muitíssimo superiores ao do povo do Haiti?

A questão é bastante inconveniente. Profissionais de saúde baseiam suas conclusões e ações, muito frequentemente, em conveniências, fundamentando-se mais nelas que em fatos ou argumentos.

A explicação plausível para a origem haitiana da AIDS pandêmica é suficientemente inconveniente para transformá-la em tabu, omitindo-a de quase todas as divulgações encontradas sobre o assunto.

A AIDS teria sido levada de uma espécie animal para os haitianos através de uma vacina fabricada com plasma sanguíneo dos primatas.


Inconveniências, racionalidade, moralidade, criminalidade e aspectos correlatos

A conclusão acima parece simples e banal. A mim parece bastante óbvio que a versão oficial da origem da AIDS justifica-se apenas por conveniências, não por argumentos racionais. A admissão da causa iatrogênica da doença, no entanto, reforçaria desconfianças relativas a vacinas e medicamentos que poderiam reduzir em bilhões os lucros dos gulosos laboratórios, sendo esse, obviamente, o fator impeditivo mais forte ao uso de abordagens racionais sobre a questão.

A naturalidade com que se permitem que considerações sobre conveniências se imiscuam sobre questões de saúde me soa pérfida.


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