Defesa de Lula diz que editorial do Estadão é “curandeirismo jurídico”

 
Jornal GGN – Para os advogados Cristiano Zanin Martins e Valeska Teixeira Zanin Martins, que atuam na defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Estado de S. Paulo voltou “a praticar curandeirismo jurídico” no editorial publicado nesta terça-feira (28), que diz ser inevitável a condenação de Lula.
 
Segundo a defesa, o jornal apresenta fragilidade de argumentos ao sustentar, no editorial, que “se os processos contra Lula forem analisados somente no âmbito jurídico, a derrota do petista é certa”.
 
“O próprio jornal, no entanto, não apresentou qualquer argumento jurídico para sustentar sua posição e a tese que pretende reforçar junto aos leitores. A realidade é bem diversa daquela exposta pelo jornal”, apontam.
 
Os advogados lembram que as denúncias feitas contra Lula, até agora, também carecem de provas. Em uma delas, citam eles, o Ministério Público Federal (MPF) valeu-se de “espalhafatoso e indigno uso de um Powerpoint que chocou a comunidade jurídica nacional e internacional”, para defender que o ex-presidente organizou o esquema de corrupção e que seria ele “o comandante” dos crimes.
 
O produto desse suposto ilícito, narra a defesa, pela tese dos procuradores da Lava Jato do Paraná, seria a “compra de governabilidade”,  – “daí o aumento da base parlamentar em seu governo -, acrescentam e benefícios pessoais que Lula teria obtido, como o suposto triplex do Guarujá e o pagamento das obras para guardar parte do acervo presidencial.
 
Por outro lado, o que mostra o andamento das investigações é justamente o contrário da tese defendida pelos procuradores. “As 65 testemunhas ouvidas, até o momento, nessa ação – sendo 27 selecionadas pelo Ministério Público Federal – quebraram a espinha dorsal da acusação”, lembraram.
 
“Nenhuma, inclusive os notórios delatores da Lava Jato, fez qualquer afirmação que pudesse vincular Lula a qualquer desvio na Petrobras, à propriedade do triplex ou ainda a recursos utilizados para a armazenagem do acervo presidencial. Ao contrário, os depoimentos apontaram a colossal distância entre esses supostos ilícitos na petroleira – que não foram identificados, diga-se de passagem, por qualquer órgão de controle interno ou externo – e o ex-Presidente Lula”, completaram.
 
 
Com base nisso, os advogados Cristiano e Valeska Zanin criticam o editorial do jornal que diz haver argumentos irrefutáveis contra o ex-presidente: “Quem acompanha o que acontece na 13ª Vara Federal de Curitiba – presencialmente ou pelas gravações realizadas – sabe a distância  entre o que afirma O Estado de S.Paulo e a condução real das audiências pelo magistrado responsável pelos processos”.
 
Destacam que “são rotineiramente desrespeitadas expressas disposições legais, como aquelas que asseguram às partes o direito de gravar as audiências independente de autorização judicial”.
 
“O jornal confunde a combatividade de nossa atuação – que deveria nortear a conduta de qualquer advogado – com tentativas de “irritar o magistrado”, deixando evidente a falta de seriedade de sua análise e a conivência do diário com as ilegalidades praticadas naquele órgão judiciário”, afirmaram.
 
 
“Esse balanço é suficiente para mostrar as impropriedades cometidas pelo jornal, em seu editorial de hoje, sob o disfarce de uma análise jurídica para a qual sequer dispõe de expertise e isenção para realizar. Sintomática igualmente a afirmação ali contida de que ‘sobram provas’ contra Lula, mas nenhuma foi apontada, exatamente porque não existem! São apenas fruto de construções grosseiras, que O Estado de S.Paulo insiste em reverberar, com a divulgação constante de erros factuais em sua pretensa cobertura jornalística ‘isenta'”, concluíram.
 
 

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