
Por Flaviana Serafim
Do Sindicato dos Jornalistas de SP
O processo de desmonte da Rádio e TV Cultura se aprofunda a cada ano e, em 2016, o sucateamento, capitaneado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), vem atingindo em cheio justamente aqueles que mais se dedicam ao importante caráter público da Fundação Padre Anchieta (FPA) – seus trabalhadores e trabalhadoras.
Nesta quinta-feira (21), a repórter Claudia Tavares, do programa Repórter Eco da TV Cultura, foi demitida ilegalmente pela direção da FPA. Além de mais de 20 anos dedicados à emissora, a jornalista acabou de encerrar seu mandato na Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa) e tinha direito de estabilidade de um ano, como garante o Artigo 165 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
“O Sindicato vai tomar todas as medidas cabíveis porque não se trata nem de reverter, mas de anular essa demissão por ser uma medida totalmente ilegal”, afirma Paulo Zocchi, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo.
Claudia começou sua trajetória na TV Cultura no telejornal 60 Minutos e, nos últimos 18 anos, se dedicou à reportagem no Repórter Eco, além de apresentar o programa eventualmente. Nesse período, foram várias as premiações em reconhecimento à qualidade do programa, sendo a mais recente o Prêmio Chico Mendes de Jornalismo Socioambiental, como Melhor Programa de TV, recebido pela jornalista em 29 de novembro. Ela também realizava reportagens em alguns sábados por mês para o Jornal da Cultura e estava escalada para o plantão deste Natal.
A última reportagem da jornalista foi ao ar no Jornal da Cultura da neste 20 de dezembro, narrando a tragédia ocorrida segunda-feira (19) num mercado de natal em Berlim, na Alemanha, quando um ataque terrorista deixou doze mortos e quase 50 feridos. Claudia é gaúcha e começou sua carreira televisiva na RBS TV e também trabalhou na Rede Globo antes de iniciar na TV Cultura.
Mobilização e engajamento
Os jornalistas da FPA estão sem reajuste salarial desde dezembro de 2013 e os radialistas desde maio de 2014. Isso porque há três anos a direção da Cultura deixou de aplicar a Convenção Coletiva das emissoras de rádio e TV com a justificativa de se tratar de uma fundação pública. Porém, a FPA também não garante direitos do serviço público aos profissionais, como estabilidade de emprego.
Diante dessa situação, as categorias se uniram e cruzaram os braços numa greve histórica entre os dias 8 e 13 de setembro, e a repórter sempre esteve ao lado de seus companheiros e companheiras jornalistas e radialistas, tanto na paralisação conjunta quanto na mobilização por melhores condições de trabalho para quem permanece na Rádio e TV Cultura.
O dissídio foi à julgamento no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) no último dia 9 de novembro, resultando na conquista de um Acordo Coletivo específico que garantiu cláusulas sociais para os profissionais da FPA. Entretanto, na sentença os desembargadores decidiram não apontar nenhum reajuste salarial ou de cláusulas econômicas alegando que, por se tratar de fundação pública, a FPA não pode ser obrigada a destinar recursos não previstos no orçamento público e, assim, os jornalistas e radialista seguem na Justiça do Trabalho lutando pela correção de seus salários.
Escrito por: Flaviana Serafim – Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo
bonobo de oliveira, severino
23 de dezembro de 2016 5:59 pmO desmonte de tudo o que é de interesse público.
O desmonte da TV Cultura é apenas um exemplo do amplo programa neoliberal de destrução de toda e qualquer forma de serviço público. Um dos golpes disparados pelo Alchinochio foi colocar na direção de um dos principais programas de entrevistas, o Roda Viva, um canalha que já tem sua ficha conhecida desde os tempos do velho Estadão, quando podia ser chamado de Jornal. Augusto Nunes foi na época de glória do Estadão homenageado por Ruy Mesquita com essas palavras:
“Não gosta de trabalhar, só de aparecer. Mais: disse a ele numa reunião com meus primos e meus irmãos, além do Elói Gertel e do Sandro Vaia, que o problema dele não era o que estávamos discutindo naquela hora, mas sim que ele é um desprovido completo de uma coisa que qualquer homem sério tem: caráter”.
(in “Nascidos para perder”, de Mylton Severiano, pág.209, editora Insular).
alfredo sternheim
23 de dezembro de 2016 6:34 pmO silêncio sobre a TV Cultura
Nada a favor da demissão da jornalista. Mas tudo contra o amplo espaço a um caso individual típico do demosnte da TV Cultura de SP e contra a total ausência de crítica na mídia a esse desmonte na relação com o público que paga a conta. A programação atual é pífia, a divulgação canhestra. Vejam o site, vazio em informações, confuso. E isso desde março, quando reclamei diretamente,me disseram que estava em fase de transição e logo iria ressurgir eficiente. Se quero ter informações sobre o programa Clássicos, por exemplo, pouco ou nada encontro. Por corporativismo ou outra razão, a imprensa em geral se omite sobre esse descalabro, esse excesso de reprises. E não questiona os altos custos da emissora, sustentada pelo governo do estado (o povo)e e por publicidade. A dramaturgia perdeu espaço na emissora , não acontecem mais os teleteatros que utilizavam aqueles amplos estúdios, não há quase vez para o cinema brasileiro, mas há horário para séries estrangeiras. Ou seja, o povo paulista sustenta, as vezes com as beneses da lei roaunelt, os criadores de Downton Abbey, por exemplo, série exibida a exaustão na TV paga e disponível em DVD. E além de não se conhecer os gastos da TV Cultura, nada se sabe sobre a sua audiência. POr que essa conspiração de silêncio a seu favor ao mesmo tempo que uma única demissão (outras ocorreram lá) é ressaltada nas redes sociais e áqui?
wilson yoshio.blogspot
23 de dezembro de 2016 7:27 pmÉ a meriTucanocracia na Tv CultuCana.
Ou a AlCkRiminocracia? ou meritucAlCkminocracia?
Heloísa Coellho
23 de dezembro de 2016 8:36 pmJustiça do Trabalho
Certamente, irá à Justiça do Trabalho, onde será reintegrada e reveberá indenização por danos morais, esta desnecessária e paga pelos contribuintes paulistas.
Ruben
23 de dezembro de 2016 8:47 pmDesmonte da TV Cultura
Será que o Jornal da Cultura e o Roda Viva vão continuar a defender o tucanato?
Ruben
23 de dezembro de 2016 8:49 pmDesmonte da TV Cultura
Será que o Jornal da Cultura e o Roda Viva vão continuar a defender o tucanato?
alfredo sternheim
23 de dezembro de 2016 10:53 pmO demonste ignorado pela mídia
Enviei antes um comentário, mas creio que se perdeu. Dizia que, mais grave que a demissão da jornalista é a falta de espaço na mídia para o desmonte da TV Cultura, a total falta de transparência para os gastos dessa emissora pública. Sustentada pelo povo paulista, tem empreguismo , tem uma programação pífia e se relaciona de forma horrível com o o público. O site é pouco esclarecedor. Preguiçoso, não informa detalhes dos programas, tem grandes espaços em branco. Reclamei em março, me responderam que estava em fase de transição e logo ira surguir novo e melhor. Não é verdade. Com muita publicidade paga (o que contraria o estatuto de sua criação), a emissora já não dá vez para a dramaturgia. Não há teleteatros e nem espaço para os filmes nacionais. Mas há para seriados estrangeiros, como Downton Abbey que, segundo a Folha, custou a emissora cerca de 700 mil. E tem lei Rouanelt nisso. Uma vergonha a TV Cultura de Sp , uma vergonha ignorada pelos críticos de TV da grande mídia,por este site e por outras vozes. Mas basta uma só conduta individual errada e injusta (a demissão da jornalista) para os espaços sobre a emissora se abrirem na mídia. Haja seletividade.
Ruben
23 de dezembro de 2016 11:19 pmDesmonte da TV Cultura
Será que o Jornal da Cultura e o Roda Viva vão continuar a apoiar o tucanato?