Neste sábado (14), completam-se oito anos do assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes. Familiares, amigos e apoiadores celebraram a memória de ambos com uma missa na Igreja Nossa Senhora do Carmo, no Centro do Rio, como parte da programação do “Março por Marielle e Anderson Gomes”.
Anielle Franco, irmã de Marielle e ministra da Igualdade Racial, reforçou o lado humano da vereadora e o legado político que permanece vivo. “Onde quer que ela esteja hoje, está orgulhosa do amor, do carinho, da nossa luta. Se estivesse aqui, seria mais uma voz por todos nós”, afirmou.
As homenagens seguem ao longo do mês, incluindo a exposição “Mulher Raça, o legado de Marielle Franco”, no CCBB, e o Festival Justiça por Marielle e Anderson, com debates, shows e atividades culturais no Circo Voador.
O julgamento não encerrou a história
Embora o STF tenha condenado os irmãos Brazão como mandantes, a narrativa oficial — ancorada quase exclusivamente na delação do assassino Ronnie Lessa — ainda soa como um arranjo de conveniência. O GGN aponta que, sob a superfície da sentença unânime, as lacunas são abismos:
- O mistério do interfone: O depoimento do porteiro do Vivendas da Barra, que ligou o carro dos assassinos à casa de Jair Bolsonaro, foi abafado por uma retratação sob pressão, sem que a PF de Sergio Moro quisesse ir além da intimidação à testemunha.
- O álibi de Carlos Bolsonaro: Ao tentar se defender, o vereador expôs registros do condomínio que o colocavam em casa às 17h53 – exatamente o momento em que os executores partiam para o crime -, derrubando sua versão de que estaria em sessão na Câmara.
- A sombra da GLO: O contexto da intervenção federal, o silêncio de Braga Netto e o subsequente pacto político entre generais e o bolsonarismo sugerem que Marielle foi alvo de um tabuleiro muito mais complexo do que uma disputa imobiliária por terrenos de milícia.
O desfecho do caso, oito anos depois, consolida-se como o retrato de uma falência sistêmica. Entre perícias sumárias e a eliminação física de figuras-chave, as instituições brasileiras parecem ter optado por uma solução de compromisso: a condenação de mandantes intermediários para preservar os estratos superiores do poder.
Marielle e Anderson tornam-se, assim, símbolos de uma democracia que, para manter sua estabilidade aparente, resignou-se a uma verdade protocolar e incompleta.
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