A Comissão Geral de Investigações*, versão Curitiba, comandada por arqui-inimigos políticos de Lula, avança sobre a família do ex-presidente como retaliação contra a ação da vítima na ONU. É o que denunciam os advogados de Lula. A julgar por este argumento, estamos diante de uma clara tentativa de intimidação, de uma demonstração de força e arbítrio; o que em nenhum país com o estado de direito preservado seria permitido. As atitudes persecutórias empreendidas pela turma de Curitiba, conforme vêm denunciando insistentemente os advogados de Lula, são o reflexo de um país que perdeu o rumo, com justiça partidarizada e jornalismo de campanha sem freios éticos.
Não foram poucos os exemplos de comportamento abusivo durante a operação Lava Jato; visando o espetáculo midiático, numa associação promíscua entre servidores públicos, agentes do estado, e grandes e bilionárias empresas de comunicação.
O delegado que intimou dona Marisa é o mesmo que, há dois anos, chamava Lula de anta, em plena campanha eleitoral, de que tomou parte como simpatizante de Aécio Neves.
Se o governo Dilma tivesse um mininstro da Justiça mais severo, o destino de um alguns delegados da operação Lava Jato seria algum cantão do país longe dos holofotes.
Mas não. José Eduardo Cardoso aceitou até brincadeiras de tiro ao alvo contra Dilma. Aceitou escutas clandestinas, aceitou campanha política na corporação, aceitou violações de direito e espetáculos deprimentes de exposição mediática de presos (e por isso mesmo vai entrar na história como um dos maiores culpados pela deterioração da democracia). Enfim, assistiu passivamente à criação de um monstro.
Definitivamente, estes servidores públicos (o juiz acusador Sérgio Moro, a ala partidarizada da PF e os boys de Janot, à frente de uma PGR ideologizada) se tornaram a cabeça de ponte de uma armada que visa tirar de Lula o sossego, a liberdade e a condição eleitoral.
È cassação política pura e simplesmente, típica de uma democracia em frangalhos, em que juizes heróis fabricados pela mídia, procuradores partidários e policiais desrespeitosos partem para cima de suas vítimas como leões de chácara a serviço das forças ultraconservadoras que agoram usurpam o poder.
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* A Comissão Geral de Investigações foi o setor criado na ditadura para perseguir inimigos políticos (e aliviar os amigos) em nome do combate à corrupção. Em março de 2014, O Globo trouxe uma reportagem mostrando como o ex-governador Leonel Brizola, por exemplo, teve sua vida devassada, e políticos amigos, como José Sarney, foram tratados de forma cúmplce. Coincidência ou não, na mesma época começava a operação Lava Jato. Supostamente, para combater a corrupção. Que hoje sabemos nunca foi o objetivo último.
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