29 de junho de 2026

Correção: A funcionária do BNDES que defendeu a moralidade pública e o procurador que se calou, por Luis Nassif

Esta semana foi afastada uma funcionária do BNDES, porque queria impedir prejuízos para o banco.

Correção: o procurador que ordenou a condução coercitiva é Ivan Marx, e não Anselmo Lopes. Foi feita a correção no texto

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O visitante vai a uma rinha assistir uma briga de galo e resolve apostar. Pergunta para um dos presentes quem era o galo bom, para ele apostar. O sujeito aponta um galo branco. Começa a briga e o galo preto acaba com o galo branco.

O visitante reclama:

– Uai, você não disse que o galo branco era o bom?

– Disse. Ele é o galo bom. Mas quem ganha as brigas sempre é o galo malvado.

O galo bom se chamava José Eduardo Cardozo. A cada avanço da Lava Jato, dizia que era republicano, que não iria intervir, que o governo Dilma nada devia em relação à corrupção, que a operação livraria o país e o governo dos corruptos.

Com o galo bom comandando o terreiro, os pintinhos se alvoroçaram e passaram a cantar de galo. Não apenas os pintinhos do Ministério Público, mas do Tribunal de Contas, da AGU, da CGU, da Polícia Federal. E apoiaram a eleição do galo malvado.

Aí, entrou o galo malvado e os pintinhos se recolheram.

Nos tempos do galo bondoso, alguns pintinhos, no auge da falta de limites, pediram – e foi concedido pelo juiz carijó – a condução coercitiva de quarenta funcionários do BNDES. Uma humilhação pública com a cobertura ostensiva da Globo, sem que nenhuma irregularidade deles fosse identificada.

Esta semana foi afastada uma funcionária do BNDES, porque queria impedir prejuízos para o banco. O presidente ordenou a venda de todas as participações acionárias do BNDES. Há duas maneiras de fazê-lo. A primeira, desovando gradativamente no mercado para impedir a depreciação das cotações. A segunda, fazer uma venda pública. Aí contrata-se um banco ou corretora, paga-se comissão, obtém-se um preço menor.

A primeira alternativa é boa para o banco; a segunda, boa para os intermediários. A técnica que foi contra a operação é funcionária de carreira. O presidente, que insiste na operação prejudicial ao banco, é homem de mercado cujo maior mérito é ser amigo dos Bolsonaro.

Compare essa moça com os procuradores que ordenaram a condução coercitiva dos funcionários do BNDES. Não tem poderes de Estado. Está submetida a um presidente de banco ligado aos Bolsonaro. Paira sobre os funcionários do banco as ameaças do próprio Ministério Público Federal, com seus ataques indiscriminados que levaram o banco ao chamado “apagão das canetas”, o receio de assinar qualquer coisa que pudesse ser criminalizada pela ignorância rotunda dos procuradores.

Mesmo assim, demonstrou absoluta responsabilidade institucional, recusando-se a avalizar uma operação prejudicial ao banco. Aliás, funcionário de BNDES é concursado, o que torna mais difícil a demissão. Imagine-se no que se transformaria o banco – e o serviço público – com o fim dos concursos e da estabilidade.

Pergunto, quem foi mais corajoso e responsável em relação ao combate à corrupção: a funcionária anônima do BNDES ou o procurador Ivan Marx, que tentou criminalizar todas as operações do BNDES, humilhou publicamente quarenta funcionários e, agora, se cala ante essa investida contra a moralidade do banco?

No artigo “Justiça de transição para juiz, procurador e Fantástico por assassinato de reputação”, descrevi dois assassinatos de reputação infames: um, a prisão dos quarenta funcionários do BNDES; outro, a criminalização de um funcionário aposentado do BNDES, visto como agente infiltrado da JBS.

Em toda empresa em que o BNDES se torna sócio, ganha o direito de nomear um membro no conselho de administração. O BNDES nomeou um funcionário aposentado. Era um representante do BNDES na JBS. Os procuradores informaram o Fantástico que se tratava de um representante da JBS para influenciar o BNDES. O funcionário era apicultor. Simularam uma entrevista com ele, sobre abelhas, para o apresentarem como criminoso para dezenas de milhões de pessoas. Quando percebeu a armadilha, o funcionário virou as costas e saiu indignado. E a câmera acompanhando, registrando a fuga do “criminoso”. Não foi em passado remoto. Foi outro dia mesmo, 21 de maio de 2017.           

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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24 Comentários
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  1. CezarR

    9 de outubro de 2019 11:51 am

    Nasiff, os empregados do BNDES são celetistas e não tem estabilidade.

    1. Anônimo

      9 de outubro de 2019 6:34 pm

      Acesso à informação – Empregados
      O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES é uma empresa pública federal, com personalidade jurídica de direito privado e patrimônio próprio, vinculado ao Ministério da EconomiaBNDES – imagem ilustrativa.
      Conforme consta no Artigo 27 do seu Estatuto, as relações entre o BNDES e seu pessoal são regidas pela C.L.T., ou seja, o regime jurídico estabelecido pela legislação vigente para as relações de emprego privado. Portanto, os empregados do BNDES não são caracterizados como servidores, embora o seu ingresso na empresa ocorra sempre por meio de processos seletivos públicos.

      Veja em Trabalhar no BNDES as informações referentes aos últimos processos seletivos realizados pelo BNDES.

    2. Eliani SantosConcursados

      10 de outubro de 2019 1:18 am

      Concursados em empresas públicas tem estabilidade, mesmo sendo celetistas.

  2. Stalingrado

    9 de outubro de 2019 12:12 pm

    Cardozo não era o galo bom, era o galo traidor.
    Ele sabia exatamente o que estava acontecendo e foi conivente com o Golpe.
    Me espanta Dilma e Lula ainda darem crédito a este verme.

  3. Naldo

    9 de outubro de 2019 12:15 pm

    Vem aí a reforma administrativa e a reforma tributária, ambas verdadeiro assaltos aos trabalhadores, com o mesmo discurso furado da economia de recursos, só não dizem que estão querendo economizar em salários e políticas públicas para jogar o montante no mercado financeiro….e vejam quem eles tanto gostam de entrevistar para abonar o assalto? O mesmo instituto que o professor dá aulas ….sei ……

    Em um país mais acima bastou um pouco para a revolta popular….aqui, sapateiam em cima das nossas cabeças…..

    Alguém um dia terá que explicar por que somos um povo tão bovino….

    1. Carlos

      9 de outubro de 2019 12:50 pm

      Somos a maior nação cristã do planeta!? Ou apenas a maior nação de ignorantes covardes!?

  4. Jossimar

    9 de outubro de 2019 1:05 pm

    Os equatorianos têm demonstrado ter MUITO mais vergonha na cara e sangue nas veias do que os brasileiros.
    Somos um povo ignorante, covarde e burro.
    temos o governo que merecemos.

    1. Ricardo Godinho

      9 de outubro de 2019 4:41 pm

      Perdoe-me, Jossimar. Somos um povo ignorante, concordo. Mas covarde e burro, isso não.
      Não somos covardes. Somos um povo em que a maioria, mais de 50% com certeza, vem das senzalas, vem do chicote e da agressão ao menor sinal de dissonância.
      Demora, demora muito até as pessoas aprenderem de novo que são pessoas.

      1. evandro condé

        9 de outubro de 2019 8:21 pm

        Sem contar que, se olharmos os votos, mais de 50% favorável. Podem até não saber de nada, mas apóiam.

  5. Maria Luisa

    9 de outubro de 2019 1:06 pm

    Mas agora eles têm que lidar com os bolsonaro e uma turba miliciana voltam a piar baixinho. Que bom saber que apesar das pressões e ameaças ha gente de costas eretas, que não abaixam a cabeça para essa turba ai. Mesmo de terno e gravata eles são perversos. E triste é viver esses tempos, onde aquilo que foi construido com sangue, suor e perseverança de uns é destruido por outros, sem nenhum comprossimo com a nação… E que nação!

  6. Moacir Carlos de Souza

    9 de outubro de 2019 1:21 pm

    Há um engano aí, em política não existem “galos bons” ou “galos malvados” e sim ” galos covardes e trairas” e galos valentes que honram os votos recebidos; só isso.

  7. Sonia

    9 de outubro de 2019 1:29 pm

    Acusar José Eduardo Cardozo de conivente com o golpe é uma tremenda irresponsabilidade! Ele é uma pessoa ética que lidou com corruptos e canalhas! Talvez não tenha avaliado o grau do potencial ofensivo da quadrilha!

    1. CezarR

      9 de outubro de 2019 2:47 pm

      Acho que você não entendeu a alegoria “galo bom”

    2. Naldo

      9 de outubro de 2019 4:15 pm

      Não o conhecia, quando assisti a uma mesa de debates no qual ele participava, na época quente do mensalão…..meu Deus!!, quase entrei no tubo de tv……o cidadão não defendeu por um minuto o próprio partido……sem sangue nenhum nas veias…….não a toa Dilma caiu, a pf fazia o governo de gato e sapato e tudo desaguou no impeachment…..e ainda quer se candidatar a cargos majoritários….sei…….meu voto nunca terá…..

    3. Ricardo Godinho

      9 de outubro de 2019 4:35 pm

      José Eduardo Cardoso é prenhe da mesma ética do Roberto Barroso.
      Se tivesse sido nomeado para o STF – como acho que era seu sonho – hoje seria só mais outro escarrando no prato em que comeu…

    4. Bonobo de Oliveira, Severino

      10 de outubro de 2019 3:54 am

      O histórico de trairagem do Zé Cardozo vem sendo escrito há tempos bem mais remotos, anteriores à sua recente conivência com a bandidagem que emergia dentro dos quadros da alta burocracia estatal.Ele manteve um palhaço, Leandro Daiello, à frente da sedição que se formava na Patifaria Federal – PF, fazendo de conta que não tinha nada a ver com a esculhambação crescente a olhos vistos. Porque, como todo traíra, pensava que aquela esculhambação removeria o que restara no partido mais importante do país, depois da sangria que o STF realizou no Mensalão. Removendo as estrelas a sua opacidade planetária poderia finalmente brilhar. O mesmo que fez em 2008 quando compareceu às famigeradas Páginas Amarelas da revista detrito para emprestar credibilidade à tese estapafúrdia e fraudulenta que sustentava a denúncia de compra de votos no Congresso, baseada apenas em depoimento de um bandido chamado Roberto Jeferson.
      Isso é HISTÓRIA factual escrita e documentada. Não pode ser rotulada como irresponsabilidade.
      https://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/veja-2-8211-o-mensalao-existiu/

  8. Mario

    9 de outubro de 2019 2:29 pm

    Não concordo com essa pegação no pé do Cardozo (ele fez o que tinha que fazer). Não queira ter homens públicos da estirpe dos implacáveis caçadores de pedaladas fiscais. Mas enfim, o meu comentário é só mesmo para dizer que apesar de toda liquidação de ativos públicos promovidas por Temer e Bolsonaro, a Divída Pública Federal (DPF) passou de 2,8 trilhões na saída da Dilma para 4 trilhões agora, e anda vai piorar….muito!

  9. Jorge Neto

    9 de outubro de 2019 5:55 pm

    e o haddad vai pelo mesmo caminho

    ainda hoje ele confirmou a participação em evento organizado por golpistas onde a maior estrela é o Temer.

    PQP, tem uma tucanada no pete que me da vontade de dar na cara

  10. Cesar Bonaventura

    9 de outubro de 2019 7:02 pm

    Sei…Não demora as? RATAZANAS-BOLSONARISTAS…vir ao? GGN …e pôr ?COMENTÁRIOS…e dzr; quê,,,a culpa desse “DESGOVERNO TRAGI-CÔMICO… e ESSA “TRAGI-TRAGEDIA-DANTESCA”,,,Q @i está ser ela?CULPA DELES DA ESQUERDA”assim tem feito eles..ao fzr comparações entre…BRASIL…CUBA…e VENEZUELA”,,,esqueçendo de ACLARAR AOS DESAVISADOS QUÊ NESSES DOIS(02)PAÍSES…OU…NAÇÕES”,,,QUÊ…QUÊM GOVERNA…SÃO ELES DA “EXTREMADIREITA”,,,ou conmo dicen ellos? Lá “ECXTREMA-DERECHA”…ÉS LÔS “MANDATÁRIOS”

  11. Renato Lazzari

    9 de outubro de 2019 10:00 pm

    Não dá… privatista cuidando de recurso público é raposa cuidando dos ovos. Sempre.

    Acho que essa onda de enaltecimento da iniciativa privada cuidando do que é público, essa moda de dizer que tudo que é estatal é comunista, ainda leva um tempo para passar…

    Ciclo da classe média:
    Passo 1: classe média ganha dinheiro e a vida melhora sob governo socialista
    Passo 2: se sentindo elite, classe média rejeita socialista e vota em privatista
    Passo 3: privatista no governo enriquece a elite e empobrece a classe média
    Passo 4: classe média vota num socialista e… volte ao passo 1.

    Para sair do círculo, consciência de classe.

  12. Dermeval Santos Lopes Júnior

    9 de outubro de 2019 10:13 pm

    Zé Cardoso era ou é um galo bom?Nassif depois que se recuperou da enxaqueca,virou um brincalhão.Zé Cardoso tem mais pinta de Cokar.Com k mesmo.

  13. Anônimo

    10 de outubro de 2019 10:00 am

    É importante frisar que em todas as privatizações ou fracionamento de empresas estatais, quem tem ganho são os intermediários, que são sempre os mesmos grupos. XP, BTG, Credit Suisse, Bradesco, Itau… Em outras palavras não é apenas idiotice do novo gestor do BNDES, mas apenas a continuidade dos interesses da banca financeira para quem Guedes trabalha. O indicado por Bolsonaro neste caso não o foi por motivos religiosos ou militares mas apenas financeiros. O MP continua calado e não abriu nenhuma investigação sobre as coincidências na lista de intermediários, nem sobre vendas sem licitação

    1. Bonobo de Oliveira, Severino

      10 de outubro de 2019 8:18 pm

      Como diz o Eduardo Moreira sobre o mercado nunca sr solução, pois é o problema, o mesmo pode se dizer das organizações sindicalistas ministeriais dos concurseiros do MP. São um problema. Junto com o judiciário corrupto constituem a guarda pretoriana da rapinagem internacional. Um câncer a ser extirpado do cenário institucional brasileiro na primeira reforma constitucional em que o povo brasileiro possa estar minimamente representado. A PF – Patifaria Federal é um mal menor que pode ser posto nos trilhos por um mandatário que ocupe a presidencia da república e não se omita em cumprir as atribuições de poder inerentes a esse cargo.

  14. Antônio Mário Mourão

    29 de dezembro de 2025 11:53 pm

    Até que enfim falamdo galo bom José Eduardo Cardoso. Só que, para mim,embora sem provas, mas baseado no cargo e nos conhecimentos jurídicos próprios, fica difícil aceitar só “galo bom”, perante tantos descalabros jurídicos e atos bandidos cometidos pela Lava Jato. Fico até pensando se não há outra “festa da cueca”, não nos moldes, mas com comprometimentos individuais e/ou políticos.

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