A Novo Nordisk e o lobby dos remédios para emagrecimento

A Novo Nordisk NVO, da Dinamarca, é velha conhecida dos brasileiros. Teve papel central na escandalosa política de insulina da gestão José Serra, no Ministério da Saúde, que levou à venda da Biobrás, uma tentativa brasileira de fabricar o produto. É uma história que ainda não foi suficientemente contada.

Depois, pelas maneiras que encontrou para burlar as restrições da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) através de matérias obviamente pagas na revista Veja.

Hoje, no Washington Post, há uma boa matéria sobre suas tentativas de utilizar a insulina contra a obesidade.

As capas médicas de Veja eram basicamente sobre diabetes, distúrbios da coagulação e distúrbios do crescimento, as três áreas cobertas pela Novo Nordisk.

Na época, publicamos vários posts denunciando as capas de Veja.

https://jornalggn.com.br/noticia/a-pseudociencia-de-veja/

https://jornalggn.com.br/midia/as-capas-medicas-de-veja-e-os-laboratorios/

https://jornalggn.com.br/midia/a-prescricao-veja-para-remedios-antiaids/

Aqui, a escandalosa história do pipeline, de José Serra, que prorrogou as patentes vencidas no país. E a maneira como a Ministra Carmen Lúcia consumou a manobra

Xadrez de Cármen Lúcia, uma cidadã acima de qualquer suspeita, por Luis Nassif

E post de 2011

Hora de enquadrar publicidade disfarçada de remédios

Por Luis Nassif -05/10/2011

Tenho dito há tempos: Veja tornou-se a maior ameaça aos interesses da velha mídia.

Sua falta de limites em todos os campos tem aberto vulnerabilidades crescentes na barricada que a mídia criou sobre a suposta liberdade de imprensa absoluta.

Tome-se a questão da publicidade dos remédios. Em qualquer país do mundo trata-se de um setor sujeito à supervisão das autoridades sanitárias. No caso do Brasil, da Anvisa. Só que a indústria farmacêutica encontrou um modo de burlar a fiscalização, através do expediente da matérias (com claros indícios de serem) pagas. E isso na revista de maior circulação do país.

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Veja tem uma vasta tradição de relações comerciais obscuras com a indústria farmacêutica. São freqüentes as matérias encomendadas para divulgar tipos de medicamentos ou medicamentos específicos. Ao não caracterizar como publicidade, de um lado burla-se a legislação que regula a publicidade dos remédios; de outro, torna muito mais nociva a divulgação, por passar ao leitor a ideia de que as informações têm base científica e análise neutra.

Na revista encontra-se de tudo, de capas frequentes sobre remédios milgarosos, até absurdos como  “recomendar” ao Ministério da Saúde determinadas substâncias para o coquetel antiaids.

Sua última capa – sobre o remédio para diabetes que ajuda no emagrecimento – foi uma ameaça à saúde pública. E, com sua arrogância sem limites, abre uma brecha para a ampliação da fiscalização sobre publicidade farmacêutica: a Anvisa terá que olhar não apenas para a publicidade formal, mas para matérias com indícios de terem sido pagas pela indústria. E, tendo sido constatada na última capa de Veja a ameaça à saúde pública, não se pode ficar apenas em uma nota oficial – com muitissimo menos abrangência do que as capas de Veja. Ou se inicia um inquérito formal ou se desmoralizam todos os princípios de regulação da publicidade de remédios.

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5 comentários

  1. “…Veja tornou-se a maior ameaça aos interesses da velha mídia…” Somente agora a Velha Mídia tornou-se tóxica? Somente agora José Serra tornou-se este pária? Quantos não trabalharam para Veja? Onde você trabalhou? Em Folha’s, Estadão, Civitta’s? Quando esta Imprensa perdeu o pelo mas não o vício, caro Mino? “Quer ter opinião compre um Jornal”, já nos avisava o Estado Absolutista Ditatorial Caudilhista Fascista. Como não criamos uma Democracia forte? Não sabemos. José Serra não é o Perseguido Político do Regime Militar que teve que fugir para o Chile? O Presidente da UNE. Mas sabemos, PSDB não é Esquerda. De Curso Universitário incompleto para os Jardins. Milagres Brasileiros AntiCapitalistas. José Serra na busca da Presidência, ameça dos Laboratórios Internacionais revelando a mamata da importação da Matriz, com superfaturamento de materiais para Medicamentos, que superavam a casa dos 1.000% em Preços Internacionais Dolarizados. Mantido os Preços até passar as Eleições (perdidas) tudo voltou à normalidade tupiniquim de exploração internacional com aprovação, parceria e cumplicidade do Governo Brasileiro. Quantos anos, quantas décadas atrás, José Serra foi Ministro da Saúde? Vejam atualmente, o espetáculo das milhares de Farmácias em todas esquinas do país. Muita coisa mudou durante todo este tempo? Enxergamos. Bilhões e bilhões de dólares retirados da saúde e miséria brasileira minando a Indústria Nacional, seu Empregos, ampliando nossa Pobreza, nossa submissão, nosso Atraso Nacional com AntiCapitalismo de Estado, defendendo Interesses MultiNacionais Estrangeiros. Somente agora José Serra?!! Somente agora a Velha Imprensa?!! Como será que criamos este QuintoMundismo desde 1930, replicados em 40 anos de farsante Redemocracia? Não sabemos? Pobre país rico ( Agora Famílias, Filhos, Netos, Cidadania, High School’s, Harvard’s, Cambridge’s, Residências, Investimentos, Bolsa de Valores de NY, Futuro em Canadá, EUA, Europa, Portugal, França… não é mesmo, Tiburi?) Mas de muito fácil explicação.

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  2. Então.
    Ontem, tarde chuvosa, fui ao supermercado, por absoluta necessidade. Um garoto, de uns 12 anos, comprava inquieto todos os tipos de doces, chicletes, gomas, snacks, e voltava na caixa para fazer as contas.
    Tinha ele nas mãos R$30,00. Interferi perguntando se ele tinha acabado de receber a mesada.
    Ele disse que sim, e que ia comer tudo aquilo. Pedi que ele sorrisse. Seus dentes eram estragados.
    Perguntei-lhe se sua mãe trabalhava fora e quem ficava com ele.
    Disse-me que sua avó cuidava dele.
    Sugeri-lhe que a sensação de guardar um dinheirinho podia ser boa.
    Não, disse ele, vou receber outra mesada, preciso gastar tudo.
    Comentei com a caixa do supermercado que as avós estragavam os netos com as suas concessões carinhosas.
    MAS, não pude me furtar da constatação dolorosa de que, na verdade, não era a avó que estava estragando o garoto. Era o governo.
    Com que diabos um governo que preza os seus cidadão permite que se fabrique e se dê para comer aqueles lixos para as nossas crianças?
    Do que o menino escolheu para comer, não havia uma, uma sequer substância natural.
    Era tudo aromatizante, edulcorante, pasta, gordura, uma “comida” inacreditável, que só iludia o paladar.
    Concluí que o governo odeia as criancinhas, os jovens, os adultos e os velhos.
    O governo é ódio puro, porque ódio dá lucro.
    Criança doente é jovem e adulto doente, é velho caduco, gente com desvios de toda sorte, apto a toda a série de infortúnios inclusive de falta de percepção da própria realidade.
    Diante de países civilizados, como vi certa vez numa reportagem com crianças alemãs e brasileiras, os doces que nossas as crianças comem, as outras nem chegam perto, pelo próprio senso desagradável que os sabores artificiais lhes trazem.
    O bom disso tudo é que quem fabrica os docinhos que engordam e os produtos “dietéticos” são os mesmos que fabricam remédios.
    Quem engorda o porco logo, tem pressa de comer torresmo.

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    • Liberalismo é isso: liberdade de comer o que quiser né? Agora vai melhorar mais um pouco, já que Moro quer liberar propaganda para crianças.

  3. No neoliberalismo a ética some e a hipocrisia vai reinando. Uma indústria ajuda a criar e enriquecer (basta ver a lista dos mais ricos no Brasil) ao facilitar o adoecimento popular com a epidemia da obesidade. Ai aparecem outras áreas chamadas por “da saúde” (que lucra e prospera pelas más condições de saúde, má alimentação da população) e traz seus suplementos milagrosos que o único milagre que cria é o da multiplicação dos lucros. A mídia tradicional em falência dos meios “honestos” de publicidade e que tiram dinheiro do povo, seja vendendo espaço para pregadores-pedintes, trapaceiros nos jogos e curandeiros maliciosos.
    Só por isto já é danoso, já que cura ninguém garante, se não há e a coisa fica melhor ainda quando aparecem políticos oportunistas e com sua lide neoliberalista-desumanista “inventa” meios para supermercados lucrarem (ou diminuírem prejuízo) através de associação com ongs ditas humanitárias que se oferecem para dar um jeito na comida prestes a estragar (data de vencimento rompida) e criar um composto em pó para a merenda e alimentação de pobres.
    É lógico que num contexto assim é importante manter uma NECESSÁRIA massa de crédulos, pobres, espertos, doentes e idiotas.

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