Jean Paul Prates, demitido ontem do cargo de presidente da Petrobras, tinha conflitos recorrentes com o presidente da Câmara, Arthur Lira. Por trás dos embates, interesses de grandes grupos em ampliar a participação de termoelétricas na matriz energética nacional, defendido pelo Ministro das Minas e Energia Alexandre Silveira e pelo Ministro-Chefe da Casa Civil, Rui Costa. E também as pinimbas recentes sobre a distribuição de lucros extraordinários.
Ainda não estão claros os motivos de sua queda. Mas a indicação de sua sucessora, a engenheira Magda Chambriard, sinaliza uma mudança total na política atual da Petrobrás, de ampliar a participação na produção de petróleo e retomar setores que haviam sido privatizados no período Temer-Bolsonaro.
Além de atuar como consultora no mercado privado, através da empresa Chambriard Engenharia e Energia, fundada em 2018, Magda é defensora intransigente da parceria com as grandes petrolíferas mundiais.
Em fins de 2022, seu nome já era ventilado. Na época, o presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras (AEPET), Felipe Coutinho, fez um relatório mostrando as principais ideias de Magda.
Ela trabalhou na Petrobras de 1980 a 2002. Depois, tornou-se assessora de diretoria da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) entre março de 2012 a dezembro de 2016.
No seu período, ela promoveu quatro leilões de campos de petróleo, entre os quais o primeiro leilão do pré-sal, na área do campo de Libra. Tornou-se defensora da maior participação das petrolíferas estrangeiras no país. Segundo Coutinho, elogiou quando o governo Temer facilitou para que a estatal norueguesa Statoil (atual Equinor) assumisse o campo de Carcará, explorado pela Petrobras. Na sua saída da ANP criticou o período anterior, em que não houve leilões.
No leilão de Libra, houve o pagamento de 41,65% do óleo retirado e a Petrobras participou com apenas 40% do bloco vencedor, que foi controlado pela Shell, Total e estatais chinesas, com 20% cada. Na época, o ex-diretor da Petrobras Ildo Sauer taxou o leilão da Libra de “a maior privatização da história do Brasil”.
A Shell já tentara explorar Libra, sem sucesso. Voltou depois que a Petrobras descobriu o petróleo do pré-sal e mostrou dominar a tecnologia de exploração.
Quando houve suspeitas de redução do preço da privatização da refinaria da Petrobras na Bahia, devido à mudança de preços na Petrobrás, saiu em defesa da operação. “É importante que o governo passe a mensagem clara de que não tem como subsidiar o Diesel”.
Em seu perfil no Linkedin, ela defende a ampliação do mercado de gás no país, como forma de fortalecer a industrialização. Uma pessoa próxima explica que Magda conhece tudo da Petrobras, além do ambiente regulatório e privado. E enfatiza: “Privado de verdade, primeira linha: frequenta a casa de big players”.
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Antnio Cezar perin
15 de maio de 2024 8:26 amMais do mesmo: pessoas do Mercado a Governar uma Empresa Estatal que deveria ser 100% nossa. Falta ao Lula recomprar as ações e NCIONALZIAR essa Empresa que é nossa.
ed.
15 de maio de 2024 8:48 amSei não, se ficar o bicho pega, se correr o bicho come.
Desde os fernandos e suas prioridades neoliberais exógenas, o braZil só perde e nós, óó…
Vladimir
15 de maio de 2024 8:51 amO essencial é que a Petrobrás volte a ser uma companhia voltada para os interesses da população brasileira e não de meia dúzia de investidores que não enxergam o amanhã.
Uma empresa com o porte da Petrobrás pode é deve ser utilizada como indutora do desenvolvimento.
Cabe a nova predidenta saber que é representante do governo e,portanto, seu cargo é político e não pode,como seu antecessor, ter a boca mole para querer agradar o mercado especulador.
Assis
15 de maio de 2024 8:58 amPelo texto parece que trocamos seis por meia dúzia. Prates era lobista. Não defendia os interesses do Brasill. O Nassif alertou anos atrás a manobra dele, para virar lei o PPA no governo Bozo. Ontem fiquei feliz com a queda de Prates, agora depois deste artigo, volto a chorar.
Avel Alencar
15 de maio de 2024 9:02 amEntregaram a Petrobrás para uma entreguista.
Francisco de Assis
15 de maio de 2024 9:51 amEmbaixadora do Tazuni Elizabeth Bagley, em entrevista na Foia Paulista:
“O ministro [da Fazenda] Fernando Haddad e a secretária do Tesouro, Janet Yellen, têm conversado sobre o tema. Eles realmente se respeitam e gostam um do outro, e ela sente muito fortemente que o Brasil deveria fazer parte [do nearshoring].”
“Não acho que o Brasil seja um candidato para investimento em semicondutores, mas minerais críticos certamente são. Teremos um grande anúncio no G20, na cúpula de líderes em novembro, sobre minerais críticos, infraestrutura e cadeia de suprimentos. O ministro Haddad e a secretária Yellen estão negociando.”
Como se vê, Haddad, o mais novo canalha neoliberal brasileiro e um revelado gansgster contra velhos aposentados, está se tornando o novo “bambino d´oro” do império, aspirante a feitor e novo presidente da colonia pau-brasil, fornecedora de minerais críticos para os patrões do império.
O vagabundo disfarça bem com sua cara de bom-moço (lembra FHC), mas a embaixadora revela agora parte do seu jogo sujo secreto, às escondidas, com altas figuras do império.
Lula, a nova rainha da inglaterra do Brasil, diz ter conversado com Dilma sobre a indicação de Magda Chambriard para a Petrobras. Mas, certamente, não antes de receber o aval do mandante Haddad.
evandro condé
15 de maio de 2024 6:40 pmCuriosidade, o que vc pensa sobre o que o governo deveria fazer para atrair as indústrias de semicondutores para que não optassem nem pela Europa nem EUA? Estou acreditando que leu sobre o pacote de bondades que estão oferecendo para as empresas lá se instalarem (nem entro na questão de mão de obra qualificada e expertise já existente).
E se o problema é a saída de minério, vamos segurar nosso ferro e atrair siderúrgicas?
Francisco Santos
15 de maio de 2024 10:14 amEla é a favor da exploração na foz do Amazonas
O problema não é explorar o petróleo na foz do Amazonas
O problema é a petrobras fazer todo o o trabalho de exploração e vir um governo de direita e entregar a exploração por 10% do valor de mercado com todos os riscos ambientais gerados pelo descaso da iniciativa privada
Sérgio T.
15 de maio de 2024 10:21 amOu seja, ao invés de aumentar nossa autonomia no setor de petróleo, tiraram um meio entreguista e botaram a empresa na mão de uma três quartos entreguista. Dureza!
cezar perin
15 de maio de 2024 3:40 pmO melhor esclarecimento que vi até agora
evandro condé
15 de maio de 2024 11:33 amDesde Sarney tivemos 27 presidentes da Petrobrás. Deve haver algo errado nas escolhas, ou no que se quer que o presidente faça. Será que não se combina antes das escolhas?
clovis.mauricio da rocha
15 de maio de 2024 6:09 pmPorque o Lula fica fazendo rodeios?
Não creio que o Sr. Lula ainda consiga enganar alguém, principalmente depois que quem o prendeu o soltou e colocaram seu vice.
Afinal, quem escolheu Alckmin?
Foi a Vitória Nuland naquela visita prá lá de esquisita que ela fez? Ela autorizou (Alckmin já tina sido escolhido por aqui?) ou “indicou”, é o Alckmin?
Respeito muito o Evo Morales, encarou todo mundo e voltou pra por ordem na casa, eu respeito essa coragem.
Lula deveria deixar seus falsos princípios de lado e trazer de novo o Pedro Parente de vez.
Sem rodeios, sem mimimi, direto e definitivo.
fabricio coyote
15 de maio de 2024 9:38 pmÉ atribuído a Carl Schimitt, Filósofo e Jurista do reich: “Soberano é quem decide sobre o estado de exceção”.
Jicxjo
18 de maio de 2024 10:36 pmFoi esse o pedágio, cobrado do governo pelo Centrão, para a candidatura do lobista do gás Elmar Nascimento à presidência da Câmara em 2025, apoiada por Arthur Lira, não fechar com o PL? Os que ainda não entenderam: um novo presidente da Câmara que una Centrão e bolsonarismo aprova um impeachment já em fevereiro, convenientemente bem no início do terceiro ano de Lula, sem nova eleição direta (e ainda por cima tentando mudar a nomeação do novo presidente do BC, com o efusivo patrocínio da turma da bufunfa…). Crime de responsabilidade? Não é mais necessário, já sabemos.