Amigos para sempre, por Izaías Almada
No ano recém-terminado, 2023, resolvi que deveria dar vida às minhas memórias. Exercício maravilhoso para quem gosta de escrever. Tem o título (provisório) de “Travessia”, pois a caminhada já é longa e por todo o percurso convivi, como todos nós, experiências das mais variadas.
E penso que o denominador comum a todas essas experiências e vivências, o que de mais importante elas revelam, são os amigos que surgem desde o leite materno até o momento em que escrevo essa crônica.
Uma caminhada que tem no débito de sua conta aproximadamente 29930 dias que se iniciaram em meio à Segunda Guerra Mundial e que, espero, possa me permitir ainda aumentar a contagem de muitos outros, desde que os idiotas, insanos e gananciosos não comecem a Terceira Guerra.
Amigos aparecem e desaparecem e não estou a me referir àqueles que “passam dessa para a outra”, para usar o lugar comum. Refiro-me aos que, como eu, sobrevivem.
Os que já se foram, com toda a certeza, nos olham lá de cima com um copo de cerveja ou de um bom vinho verde na mão a dar boas gargalhadas por verem como caminha a humanidade. Ou o amigo leitor considera que vivemos no melhor dos mundos?
Com a invenção do computador, dos laptops, dos celulares e das redes sociais, o relógio do tempo continua a marcar os segundos, os minutos e as horas sem se preocupar em absoluto com qualquer um de nós.
Atrás do vil metal e do enriquecimento a qualquer preço, o homem vai pouco a pouco destruindo a natureza e nessa caminhada resta-nos, aos sobreviventes, encontrar alternativas para enfrentar o apocalipse. E uma delas, talvez a mais importante, é a amizade.
Fazer amigos de verdade em que possamos confiar e ajudar, retribuindo a ajuda e a confiança. Sonhar o sonho impossível. Combater os moinhos de vento da ignorância, da miséria, da hipocrisia.
Amigos para sempre!
Izaías Almada é romancista, dramaturgo e roteirista brasileiro nascido em BH. Em 1963 mudou-se para a cidade de São Paulo, onde trabalhou em teatro, jornalismo, publicidade na TV e roteiro. Entre os anos de 1969 e 1971, foi prisioneiro político do golpe militar no Brasil que ocorreu em 1964.
Selma Luchesi
3 de fevereiro de 2024 8:22 amGosto muito de seus textos ! Abraço afetuoso