Aproximação entre Lula e Ciro não chega a 2022, dizem Lupi e Jaques Wagner

Presidente do PDT diz que não está no DNA do PT aceitar ser vice de Ciro Gomes. Já Wagner afirma que Ciro busca aliança com centro e direita, não com o PT

Jornal GGN – Apesar de Lula e Ciro Gomes terem se reunido em setembro passado para aparar as arestas deixadas pela eleição de 2018, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, e o senador Jaques Wagner (PT), afirmam que “dificilmente” haverá uma chapa com os dois partidos juntos na corrida presidencial de 2022.

Segundo Lupi, o PDT não abre mão de candidatura própria em 2022, e não está no DNA do PT aceitar ser vice de Ciro Gomes. “Acho pouquíssimo provável (uma aliança), porque o PT não vai aceitar ser vice da gente e nós, do PTD, não vamos abrir mão da candidatura própria. Vai ser o Ciro, isso não tem volta. O PT tem uma linha comportamental que não aceita apoiar ninguém, até hoje é assim”, disse ele ao jornal O Globo.

Em entrevista ao jornal Diário do Grande ABC, nesta última semana de outubro, Lula disse que o PT pode ter candidato próprio em 2022 porque ele não acredita no antipetismo como fator determinante para a derrota de 2018. Mas também afirmou que o PT pode apoiar um aliado, e citou Flávio Dino e Ciro Gomes neste contexto.

Já Jaques Wagner falou à revista Piauí da dificuldade de uma frente de esquerda, mas apontando que o PDT de Ciro Gomes já mostra, nas eleições de 2020, que está buscando alianças no campo do centro e direita.

“É público o movimento que ele (Ciro) está fazendo para ser candidato de centro, centro-direita, na aproximação com o DEM”, disse Wagner. “Na estratégia dele, se o PT lança candidato próprio, o eleitorado de centro, centro-esquerda (tende a votar no petista), então ele tem que procurar outro nicho.”

Para Wagner, a conversa entre Lula e Ciro “é bem-vinda, mas não acho que tenha sido para organizar nada para 2022, e sim para estabelecer uma convivência positiva. O foco era mais tirar as feridas de um relacionamento antigo.”

Em entrevista ao programa Roda Viva, na última segunda (26), o ex-marqueteiro do PT João Santana disse que a chapa ideal para derrotar Jair Bolsonaro em 2022 junta Ciro Gomes como candidato a presidente e Lula como vice.

Na visão de Santana – que elegeu 8 presidentes pela América Latina, inclusive Lula após o Mensalão e Dilma Rousseff nas duas vezes – Lula, após a Lava Jato, não deveria se arriscar a ser o candidato a presidente, mas ser o “vice perfeito”, reeditando o que Cristina Kirchner e Alberto Fernandez fizeram na Argentina.

Nesta semana, a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, disse que a reaproximação com Ciro passa por um “pedido de desculpas público a Lula e ao PT”. Segundo O Globo, Lula desautorizou a fala da deputada.

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