As críticas de Gilmar Mendes e os desastres à vista das Forças Armadas, por Luis Nassif

Resumindo, duas áreas centrais para a segurança nacional - saúde e Meio Ambiente - estão sob responsabilidade de militares sem nenhuma experiência no setor (caso da saúde) ou com uma visão oposta à missão que foram incumbidas (o meio ambiente).

O Ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, acusou os militares de estarem promovendo um genocídio no país, pelo descontrole na área da saúde. Os militares reagiram, através de nota conjunta do Ministro da Defesa e do Comandante das Forças Armadas, mostrando o envolvimento das FFAAs em ações por todo o país, de combate ao coronavirus.

Ambos os lados têm razão. Mas a razão invocada pelas FFAAs não responde às críticas de Gilmar.

Uma coisa é seu envolvimento com questões de saúde, montando hospitais de campanha, chegando aos mais distantes rincões do país. 

Em várias pandemias passadas, montaram ações de inegável importância regionais e social, articuladas com o Ministério da Saúde. Mas obedeciam a uma estratégia sanitária, desenvolvida por especialistas em saúde, com grande conhecimento de causa. Essa estratégia foi responsável por projetar o Brasil como referência no combate às grandes pandemias.

O que está ocorrendo agora é diferente. Trata-se da apropriação do Ministério da Saúde por um oficial da ativa –  general Eduardo Pazuello – que está promovendo o desmanche da equipe técnica e a ocupação de cargos por outros militares. Está militarizando a saúde, sem ter conhecimento sobre o tema, em um campo que mexe com o destino de milhões de brasileiros.

É esse o tema, e as FFAAs não podem fugir desse assunto.

Poderiam poderiam alegar que não têm nada com isso, que é decisão pessoal do Presidente da República. É argumento falacioso. Se o Presidente convoca militares, que empregam militares, que ocupam cargos para os quais não têm nenhuma experiência, e essa ocupação resulta em desarticulação das ações de saúde e aumento da morte de brasileiros, é uma questão militar, sim. Envolve diretamente a imagem das FFAAs, e os interesses da corporação, mesmo que esses militares obedeçam a um comandante desnaturado – o Presidente da República.

A melhor resposta do Alto Comando seria soltar um comunicado regulando de forma clara a ida de militares ao governo. E deixando de forma clara os limites de sua responsabilidade no combate ao Covid-19.

O general Pazuello foi indicado como interventor do Ministério da Saúde por ser militar, não por seus atributos de especialista em saúde – que, decididamente, não é. Seu currículo foi dourado com a informação de que é especialista em logística. Tal especialidade o torna apto para trabalhos de logística, não para planejamento da saúde. E poderia ser de grande utilidade se fizesse o meio campo com as FFAAs para maior sinergia com as ações de saúde. Em outras pandemias, havia essa colaboração, mas sob o planejamento de técnicos especializados em saúde.

Até o governo Temer, a Saúde nunca foi território político ou de partidos. Todos os Ministros pós-Constituinte eram especialistas ligados à bancada da saúde, mesmo alguns tendo feito carreira política. E a política de saúde foi sendo implementada no país através do mais bem sucedido pacto federativo contemporâneo, articulada com o Conselho de Secretários Estaduais de Saúde, definindo papéis claros para estados e municípios, organizando programas de apoio à saúde da família.

O início da destruição desse arcabouço começou no governo Temer, com a entrega do Ministério ao deplorável deputado Ricardo Barros, e foi ampliada no governo Bolsonaro, com o fim injustificável do Mais Médicos. 

Responsável por esse transtorno, no entanto, a partir de determinado momento o Ministro Luiz Eduardo Mandetta se cercou de quadros técnicos da Saúde. E montou um eficientíssimo sistema de comunicação com o público, que poderia ter transformado o Ministério em um agente de coordenação das ações de estados e municípios contra o coronavirus.

Foi defenestrado por Bolsonaro e a estratégia ruiu. 

Com Pazuello, o quadro deteriorou de vez, fruto de características militares típica, essenciais para a guerra, inadequadas para a governança civil, ainda mais em um país federativo.

A visão militar é do comando unificado. Tem que haver uma hierarquia e um comando cego às ordens que vêm de cima. Só se confia em agentes da própria força. E há uma solidariedade total com os companheiros alvos de ataques. Aliás, não há outra maneira de conduzir uma guerra.  Informações são armas estratégicas, que devem ser tratadas como tal. É o oposto de políticas de saúde, nas quais a boa informação é o melhor agente coordenador de ações.

Quando se traz essa visão para o terreno da gestão pública, é um desastre. Especialmente na gestão da Saúde, há a necessidade imperiosa de se articular com a ponta – estados e municípios – e se embasar em argumentos técnicos, fundados em informações confiáveis.

O próximo desastre 

Não apenas na saúde. O próximo capítulo de desmoralização das FFAAs ocorrerá na ação comandada pelo general Hamilton Mourão, de defesa do meio ambiente.

Mourão montou um conselho da Amazônia composto apenas por militares. Não há governadores, prefeitos, ONGs ambientais, especialistas da Universidade. Isso porque quer controle absoluto sobre a estratégia.

Pior, Mourão compactua com a  mesma visão do Ministro Ricardo Salles, do Meio Ambiente, de exploração da Amazônia, de abertura para o garimpo e para a pecuária. E enxerga  na defesa do meio ambiente uma estratégia de apropriação da Amazônia por interesses externos.

É significativo o apoio dado por Mourão ao Ministro Ricardo Salles.

No ano passado, Salles indicou para superintendente regional do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente) no Pará, o coronel da Polícia Militar Evandro Cunha dos Santos. Ele foi exonerado tempos depois por ter cometido uma inconfidência: recebera ordens de Brasília para não mais destruir equipamentos de garimpeiros retidos pelo órgão. Sua informações jamais foi desmentida.

Meses atrás, Salles demitiu Renê Luiz de Oliveira, coordenador-geral de fiscalização ambiental, e Hugo Ferreira Neto Loss, coordenador de operações de fiscalização, logo após uma operação de combate ao garimpo ilegal na Amazônia. Para o lugar de Oliveira, Salles indicou Walter Mendes Magalhães Júnior, coronel da reserva da Polícia Militar de São Paulo, e ex-comandante da ROTA.

É esse o Ministro abertamente defendido por Mourão.

Como dois e dois são quatro, Mourão montará algumas políticas para evitar queimadas. Mas fechará os olhos para o desmonte da fiscalização, para o afrouxamento das regras ambientais, para a invasão do garimpo. Mais à frente, quando se tornarem mais nítidos os sinais dessa política, o país será jogado definitivamente no limbo das nações civilizadas.

Resumindo, duas áreas centrais para a segurança nacional – saúde e Meio Ambiente – estão sob responsabilidade de militares sem nenhuma experiência no setor (caso da saúde) ou com uma visão oposta à missão que lhe foi conferida (o meio ambiente).

O passivo cairá na conta das FFAAs. E não adiantará mostrar cenas de militares na Amazônia, em operações contra queimadas, ou em rincões, em operações de apoio à saúde. 

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Leia também:  Com hospitais em colapso, Líbano teme aumento de casos da Covid-19 em Beirute

42 comentários

  1. a se parafrasear gilmar mendes: bem que as forças armadas (poder?) poderiam articular a saída ministro do stf, via house of lords. o ministro havia achado engraçado uma anedota de guedes: a de que boçalnaro havia tirado moro de Curitiba e, portanto, do judiciário.

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  2. Que gente cega toma conta do país. Na questão do meio ambiente, esse governo está atacando o setor que na prática é que vem pagando as contas do país, já que indústria está em fase terminal: o agronegócio. A tendência é o mundo ocidental parar de comprar produtos agrícolas brasileiras pelo desrespeito ambiental – e também para orgasmos dos agricultores de outros países, que não terão que ter mais concorrência com o agronegócio brasileiro. E nesse caminho, o único jeito do agronegócio não colapsar e ir pra cima de Bolsonaro é o Brasil se tornar mais dependente do país que dia sim dia não Ernesto Araújo ataca: a China, já que o establishment chinês tem como prioridade 1, 2, e 3 alimentar uma população de quase 1,5 bilhão de pessoas – sem preocupando muito pouco se o alimenta que o governo compra foi obtido a custas de um desmatamento monstro.

    • Será que precisamos mesmo de Forças Armadas ?
      Informa-se que são 3.000 (três mil) militares ocupando cargos no governo federal. São mais visíveis os do Ministério da Saúde. Observem: são 3.000 oficiais que deixaram seus postos no Exército e ninguém sentiu falta deles.

      • Do jeito que está, Marcos, não. Em um país normal, Forças Armadas servem pra duas coisas = em casos excepcionais, defender o país ( e tenho certeza que o Brasil não venceria um conflito contra Venezuela e Colombia, os dois maiores exércitos do cone sul. A comprovação foi a entrada quase imediata no Mourão na crise com a Venezuela, pois ele sabia que se o país iniciasse um conflito contra os venezuelanos como pau-mandado dos EUA, Bolsonaro tinha grande chance de acabar como Galtieri ) e no dia a dia ajudar no desenvolvimento tecnológico do país – e nem pra isso ultimamente serve: ao contrário, está ajudando a desmantelar o que foi conquistado a duras penas na parte de tecnologia, como concordar com a venda da Embraer por troco de pinga. E como cereja de bolo, o governo começa a usar para combater crime – e o resultado é o que vemos hoje no México, que há 10 anos fez esse idiotice de colocar exército pra combater tráfico de drogas e o resultado é que criou o cartel mais poderoso do mundo. No caso brasileiro,além de traficante, se mistura com miliciano. Nossa elite tá fazendo tudo pro país ser um Haiti da dinastia Duvalier.

  3. O Brasil, daqui algum tempo, vai precisar de um pensador – um mix de Darwin e Lévi-Strauss – para explicar esse espécimen de saúvas verde-olivas que assola a coisa pública faz pelo menos 120 anos.

    Não adianta a generalada bater o pé e tentar entortar a realidade: contra fatos, não há argumentos. E a autoimagem ediapiana absolutamente descolada do mundo real atrapalha mais ainda.

    Salvadores da pátria? Guardiões dos valores fundamentais da sociedade? Longe, muito longe disso.

    Sem falar na formação dessa gente… Outro mito que se esvai pelo esgoto.

    No mais, #ficaadica para o próximo livro do Nassif, continuação do já clássico ‘Os cabeça de Planilha’: Os Cabeça de Apostila.

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  4. De Bolsonaro, a Mourão indo até o último bolsonarista raiz se vê o seguinte projeto pro Brasil = transformá-lo numa imensa Serra Pelada, cada uma tendo seu Curió no comando e impondo leis que tornam, por comparação, o velho oeste americano um civilizado Canadá. Bons tempos em que Chico cantava que o ideal de nosso país era virar um imenso canavial.

  5. Fico impressionado com o silêncio dos dirigentes dos órgãos representativos da classe médica com a militarização do Ministério da Saúde. Na época do PT, especialmente do Mais Médicos, tudo era motivo para se manifestarem

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  6. Não sei de onde tiraram o mito de que militar tem mais competência que civil. Tire por Bolsonaro, um mau militar, segundo Geisel, deputador medíocre e péssimo presidente…

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  7. O problema, a grande questão, é o apoio irrestrito das Forças Armadas (às ações tresloucadas, de desgoverno, de desnacionalização, de risco direto aos cidadãos, à pátria brasileira) ao Bolsonaro que foi, aliás um mal militar. Nunca as Forças Armadas foram tão tisnadas como agora…

    • MILITARES-VESTEM-A-CARAPUCA-DO-GENOCIDIO-DE-QUE-GILMAR-FALOU

      Tijolaço – Fernando Brito – 13/07/2020

      É um autêntico “vestir a carapuça” a iniciativa do Ministério da Defesa de pedir que a Procuradoria Geral da República se pronuncie sobre uma ação judicial contra o Ministro Gilmar Mendes por ele ter dito que a imagem das Forças Armadas estão sendo prejudicadas pela usurpação da área da Saúde, colocando um general à frente do Ministério da Saúde e que isso faz com que o Exército seja associado a um genocídio.
      É que a nota da Defesa, além do esperado protesto contra as expressões fortes do ministro do Supremo – o que seria natural – levanta uma questão que demonstra a preocupação da cúpula militar com o fato de que genocídio é “um crime gravíssimo, tanto no âmbito nacional, como na justiça internacional, o que, naturalmente, é de pleno conhecimento de um jurista”.
      Sinal de que há temor de que os governantes brasileiros – e muitos militares estão associados a ele – podem vir a ser responsabilizados em tribunais internacionais, sobretudo se Donald Trump perder as eleições norte-americanas.
      Há previsão no Estatuto de Roma, que tem força de lei brasileira desde o governo Fernando Henrique Cardoso de que são crimes contra a humanidade atos que “afetem gravemente a integridade física ou a saúde física ou mental” (artigo 7°, 1, e) e que podem ser responsabilizados perante o Tribunal Penal Internacional as pessoas que, “no caso de crime de genocídio, incitar, direta e publicamente, à sua prática”.
      Convém lembrar que, com a designação do general Hamilton Mourão e a criação de uma “Operação de Garantia da Lei e da Ordem” para uma suposta preservação da Amazônia, o mau-humor mundial para o com o Brasil e seus militares está nas alturas.
      Com medidas “geniais” como a de demitir a responsável pela análise de dados de satélite sobre as queimadas amazônicas, repetindo a dose do ano passado, quando o diretor do Instituto de Pesquisas espaciais, Ricardo Galvão, não há dúvida de que estamos na fogueira perante a opinião pública mundial faz tempo e, quem sabe, nossos militares, pela ambição de uma cúpula que viu em Bolsonaro seu passaporte para o poder, acabem saindo mais que chamuscados.

      https://www.tijolaco.net/blog/militares-vestem-a-carapuca-do-genocidio-de-que-gilmar-falou/

  8. Tudo bastante estranho. Ministro do stf dando pitaco em um governo que enfia os pés pelas mãos que, como não entende de nada, enfia milico em tudo quanto é lugar. Não é papel de ministro do stf.
    Quanto aos milicos, sinceramente, vamos ter que reduzir o tamanho disto para poder caber no orçamento. Nos eua são usados para manter uma caríssima industria de ponta hiper subsidiada, mas a perda de supremacia em setores de ponta e de informação tem demonstrado que há limites. Isto nunca aconteceu no Brasil, neste aspecto, também totalmente inúteis. STF e forças armadas, um tem que acabar o outro tem que ser reduzido a sua real importância e papel.

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    • Qualquer pessoa sabe que o atual ocupante do cargo de ministro da saúde não sabe nada de saúde. Critique o artigo se tiver argumentos não quem simplesmente quem disse o óbvio.

      • Caro Maestri,
        Ministro da saúde é cargo político, não tem que saber nada de saúde, tem é que ter um ótimo quadro de apoio, e não é só de técnicos na área da saúde, mas voltados para.
        O problema é um ministro do stf, que também não entende nada de saúde, ficar ficar fazendo declarações como se fosse seu dever, dever dele é ficar calado. Para mim suas ações foram de passar por cima da lei em claras ações políticas, o caso da indicação de Lula p ministro, reuniões com golpistas na calada da noite etc.
        O problema é que esta porcaria de governo não tem nem quem o critique, fica todo mundo olhando assustado com o chipanzé abobalhado obrando em cima da mesa. Tá faltando oposição, o stf, não é oposição, não é presidente da câmara, não é lider da oposição. Juiz tem que se manifestar nos autos, já chega de moros, dallagnhois e gilmares, e o estrago atual tem dedo deles sim.

  9. Para os olhos suinos de Mourão nada mais adequado do que o chafurdar na lama dos garimpeiros. Só que Mourão chafurda também sobre os corpos de milhares de indigenas que sua adesão ao garimpo tem por objetivo exterminar. E o consideram melhor do que Bolsonaro!
    GENOCIDA.

  10. Antes, Trump foi à sede do Comando Sul das forças americanas , num subúrbio de Miami, para as mesmas ameaças, agora incluindo China, e para saudações aos “parceiros” Colômbia e Brasil. Seu secretário de Defesa, Mark Esper, apresentou então:
    “Nosso novíssimo acréscimo ao nosso quartel general: general David, um dos mais afiados nas forças armadas brasileiras. Novamente, brasileiros pagando para ele vir aqui e trabalhar para mim [work for me] para fazer diferença em segurança.”
    “Say hello”, falou então Trump ao general brasileiro, que nada falou.
    https://www1.folha.uol.com.br/colunas/nelsondesa/2020/07/brasil-paga-para-general-trabalhar-para-mim-diz-secretario-dos-eua.shtml

  11. Então os milicos estão de biquinho com Gilmar?
    Gilmar continua o mais canalha do STF mas é o mais valente.
    Os milicos dessa vez sem censura,mostram ao Brasil e seu POVO sua incompetência em gerir.
    Foram e são os mais corruptos no poder.
    Mourão,Heleno são exemplos de ladrões e desmandos éticos e morais.
    Sempre foram assim; corrupção,ignorância,arrogância,sadismo,experts em torturas e assassinatos nada além disso!
    Essa gente NÃO PRESTA e deles o Brasil não precisa.

  12. Penso que não podemos ser complacentes com as Forças Armadas. O Executivo é comandado por um governo de militares que está destruindo o Brasil em todos os aspectos (econômico, social, sanitário, ambiental).
    Se o Brasil não é uma potência nuclear, então não tem força suficiente pra impor sua soberania pela via militar.
    Portanto, deve-se perguntar: para quê servem as Forças Armadas ?

  13. A instituição vai perdurar. O pior será, que os atuais membros ficarão marcados por terem participado do governo que levou o país ao assombro e tornou uma crise, mais profunda e difícil de sair. E terem de justificar que estavam desfrutando dos bons salários de cargos públicos massivamente, sem estar apto para tanto. As decisões políticas do que fazer na crise, não eram deles, mas serão julgados pelo comodismo da permanência no cargo. E ficarão com a história pessoal manchada, por terem prejudicado a instituição, em troca do benefício individual

  14. Não esqueçam do ministro da saúde José Serra. Quanto a eficiência de comunicação do ex ministro deixou a desejar enquanto ministro. O que fez durante um ano na pasta? Continuou a descontrução do SUS.

  15. O Ministro da Defesa e o Comandante das Forças Armadas deveriam acordar e constatar a presenças das Forças Armadas, em especial do Exército, neste governo fraco, suspeito e desastrado está denegrindo e ridicularizando toda a Instituição Militar. As críticas diversas recebidas e a sua participação pífia e sem uma justificativa plausível que a enalteça, realmente permite que todos nos manifestemos para o que as Forças Armadas não quer entender, apesar de saber perfeitamente que estão dando muito mais prejuízos com o somatório das subvenções que recebem, do que qualquer vantagem para o país e a população através de suas presenças em cargos estratégicos, que não lhes dizem respeito. Para ser honesto eu concordo com uma citação de que o único beneficiado por suas presenças é Jair Bolsonaro, que explora a presença como forma de que está sendo totalmente apoiado pelas Forças Armadas em tudo que faz, seja certo, errado, legal ou ilegal, afinal os Generais e demais militares estão representando sim, a Instituição das Forças Armadas no governo dele. Sendo assim, eu entendo que além do Ministro Gilmar Mendes, o Ministro da Defesa e o Comandante das Forças Armadas terão ajuizar também muitos outros, como por exemplo: a grande maioria da população, alguns oficiais militares da ativa e reserva que emitiram opiniões criticando enfaticamente suas presenças no governo, muitas entidades de classe no Brasil e em todo mundo.

  16. Perfeita análise, Nassif.

    Complementaria ainda que as Forças Armadas se deixaram ser arrastadas e confundidas (por interesse, ingenuidade ou deslumbramento) com o governo mais desastrado, despreparado e irresponsável da história por:
    a) ter diversos generais e demais oficiais compondo além da vice-presidencia e da cúpula do governo os seus primeiros e segundo escalão;
    b) O ex-comandante do exército, gen. Villas Boas, ter atuado politicamente, inclusive durante a campanha, em favor do governo;
    c) as forças armadas não estabelecerem uma diferenciação clara e intransponível em relação a este agrupamento político, sobretudo quando reiteradamente o governo apoiou (se não organizou) atos reivindicando intervenção das forças sob o comando do presidente; e
    d) quando não censuraram seus ex-dirigentes (dois ex-generais, Heleno e Azevedo) que compõem a cúpula deste governo quando em duas ocasiões manifestaram, implicitamente, que as forças armadas não aceitariam que os outros poderes limitassem as loucuras do governo (colocando em risco a democracia)

    No meio disso, em meio à maior crise econômica, de saúde pública e ambiental do país o governo que faz a gestão mais desastrada, destrutiva e vergonhosa da nossa história coloca militares no comando da saúde e do meio ambiente, como bem apontado por você, enquanto a floresta queima e população morre na maior tragédia da nossa história.

    Pergunte aos militares se eles aceitariam que um profissional da saúde assumisse o posto de marechal durante uma guerra e se aceitariam a boa vontade dele como desculpa para a tragédia que se sucederia…

  17. Esclarecendo: jamais poderemos esquecer do josé serra como desministro-das-ambulâncias; quanto ao mourão-de-banhado, hoje foi exonerada a cientista responsável pelo monitoramento e informações das queimas e desmatamento no INPE, apenas, por dar publicidade aos recordes quebrados e superados da ação criminosa de sempre que a tal comissão mourística não chega nem perto.
    Quanto ao genocídio, talvez os militares altos-coturno não estejam acompanhando o logístico general-sem-saúde, sobre os mais de 70.000 mortos pela falta de qualquer ação pública de combate à epidemia: esconder os números (ou tirar o sofá-gilmar da sala) não ajuda em nada. Se mais de 70.000 mortos, com a previsão, otimista de passar de 100.000 mortos não for política genocida… Haja.

  18. Todos os Ministros *COF COF* pós-constituinte *COF COF* especialistas não, teve o Çerra que ficou 4 anos incumbido apenas de a) montar sua campanha a presidente em 2002 e b) parar de roubar – temporariamente.

    Não conseguiu nenhum dos dois e até acho que o Fernando Enrico Camisa-Listrada se ~esqueceu~ de avisá-lo desses objetivos, apenas a observar o parvo Chirico a se meter em “polêmicas” inúteis até com a Xuxa.

  19. De onde o Nassif tirou a frase: “Todos dois têm razão”?
    E há um pedido que só pode ser atendido.
    A outra frase foi terrível, nem ouso repetí-la, mas infelizmente irrespondível.
    As providência a se tomar são evidentes. Tomem-na.

  20. Ministro do STF não deveria emitir opinião sobre isto.
    Matéria que a Corte deve julgar.
    Se a opinião está certa pouca importa, ele não pode opinar.

  21. Os Abacates estão no encalço do Gigi Mendes porque eles não se associaram ao genocídio, ou porque não há genocídio, ou porque as questões relativas à saúde pública não devem ser assunto de especialistas mas de leigos?

  22. É uma pena que o ministro Gilmar talvez não leia artigos como este do Nassif. Pois se lesse poderia ter muito mais argumentos para esfregar nas fuças desses milicos que, cafajestemente, agem corporativamente sem querer enxergar a desgraceira toda que os fardados estão fazendo na saúde e no meio ambiente, principalmente com essa topeira que enverga o título de vice mas não passa de um asno fardado. E é muito mais pena, ainda, que o TSE só enrole o tempo todo e não casse a chapa dos ladrões eleitorais,conforme demonstrado pela imprensa sobre a cafajestice de ganharem eleição graças aos disparos de fake news financiados por empresários mais cafajestes ainda. O boçal e sua toupeira de vice não têm vergonha na cara e continuam aí, desgraçando com o país, com as vidas de muita gente. E daí não querem que a gente deseje um câncer para cada um…..que os consuma até chegarem ao inferno. M a l d i t o s. E o ministro Gilmar devia mais é mandar os cafajestes calarem a boca, pois quem recebe polpudo aumento salarial em plena época de proibir reajuste salarial a funcionários públicos, esses fardados de alta patente não têm vergonha na cara, ganham reajuste que não merecem e ainda vem querer cantar de galo. Cafajestes, que o capeta os consuma em fogo lento.Tomem vergonha na cara e admitam que vocês são incompetentes até para vigiar fronteiras deste país…..são incompetentes até para ficarem de quatro frente a um asno como o boçal quefoi um péssimo exemplo de militar e vocêws puseram na presidência……malditos. Olhem-se no espelho, cafajestes.

  23. “Malandro é o Pazuello que nem Lattes tem, viu meia dúzia de episódios de Grey’s Anatomy, se tanto, e tá há mais de um mês na Saúde.”
    Humor genial no twitter. @arigorseriaisso

  24. Que desgraça. Foram á política e patrocinaram o desastre bolsonaro.
    avalizaram tudo de ruim que o bolsonaro promoveu.
    Militar em política é desastre certo, como é, como sempre foi, mas parece que nunca aprendem.
    Voltem aos quartéis e tirem seu aval deste desastre bolsonaro.

  25. Gilmar 7 a 1 no militares.
    Pior, todos os gols do Gilmar foi gol contra dos militares. Não podem nem reclamar.
    Um dos gols contra está na foto acima quando os militares estão apagando o fogo para não avançar sobre as pastagens e nitidamente, o que se queima são as matas derrubadas.

  26. NÃO QUEREM SER GENOCIDAS ? OLHEM O QUE FAZEM, GENERAIS

    Por Fernando Brito – Tojolaço – 13/07/2020

    Os generais governistas estão incomodados com o que disse Gilmar Mendes ao falar que o Exército Brasileiro está sofrendo um desgaste de imagem com a ocupação do Ministério da Saúde durante a pandemia e que, por isso, serão associados ao genocídio, deveriam passar em revista ao que se fez desde que assumiram o comando (?) da política sanitária do país.

    Qual foi a primeira providência do general Eduardo Pazuello ao assumir o Ministério da Saúde? Baixar um protocolo de uso da cloriquina que só tinha como aval “científico” a opinião de Jair Bolsonaro e de Donald Trump.

    Logo a seguir, tentou-se o “apagão” de dados estatísticos, uma manobra tola e fracassada, que não resistiu três dias e se desmanchou como a tolice que era.

    O que mais fez o general?

    Formulou alguma política de ‘lockdown’? Formulou uma politica de reabertura das atividades sociais? Estabeleceu uma política de testes que permitisse um critério claro e transparente de avaliação da evolução da doença que desse Norte ao seu combate? O que mais além de algum trabalho de distribuição de equipamentos de proteção individual e de respiradores? Fosse assim, seria melhor termos uma transportadora e não um ministério.

    Recomenda-se, então, aos militares que se queixam das opiniões de Gilmar Mendes, que revisem seus próprios atos, que não têm sido tratados como algo que o próprio comandante do Exército, general Edson Pujol, disse ser “a missão de nossa geração”.

    Se é mesmo isso, general, os senhores a estão perdendo – e feio – a batalha. E sem a decência de saber recuar, reagrupar e fazer a coisa certa.

    Ainda bem que o nosso inimigo , nesta guerra, é um vírus que, embora letal, não raciocina. Porque com generais assim, nem é guerra: é genocídio.

  27. OS CRIMES AMBIENTAIS DE RICARDO SALLES E BOLSONARO *

    DCM – 13/07/2020

    A relação entre o forte aumento do desmatamento na Amazônia e a redução da fiscalização pública, em especial o desmonte do Ibama e do ICMBio, neste ano e a queda do papel fiscalizador resultou na ação de improbidade administrativa de doze procuradores contra o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, por “desestruturação dolosa” da política ambiental. O processo tramita na 8ª Vara Federal de Brasília e pede o afastamento imediato do ministro.

    As infrações, de acordo com os representantes do Ministério Público Federal (MPF), estão em quatro grupos: desestruturação das normas de proteção ambiental, de políticas de transparência, do orçamento de órgãos ambientais e das estruturas de fiscalização no combate ao desmatamento. O ministro já era tido como inadequado para a pasta, mas sua fala na reunião de 22 de abril, difundida no bojo da crise da saída do ex-ministro da Justiça Sérgio Moro, agravou a situação.

    Segundo Salles, o governo deveria aproveitar a crise do coronavírus para aprovar projetos e mudar resoluções. “Precisa ter um esforço nosso aqui enquanto estamos nesse momento de tranquilidade no aspecto de cobertura de imprensa, porque só fala de Covid, e ir passando a boiada e mudando todo o regramento e simplificando normas”, recomendou.

    Para os doze procuradores, Salles deve ser impedido de ocupar cargos públicos pelo período de cinco anos, além de ser obrigado a ressarcir financeiramente o Estado, com multas. O ministro é acusado de práticas que “apontam para uma direção contrária à efetivação do projeto constitucional para o meio ambiente”. Os dados sobre a gestão de Salles dão inteira a esse diagnóstico.

    De acordo com o MapBiomas – plataforma online que mapeia o uso das terras brasileiras –, o Brasil foi o país com maior desmatamento no mundo em 2019, perdendo o equivalente a mais de um campo de futebol de florestas por hora. Além de descaso com o desmatamento ilegal, a ação de grileiros tem sido sistematicamente ignorada, e até estimulada, com o afrouxamento da fiscalização.

    Em abril, o Ministério do Meio Ambiente exonerou funcionários do Ibama responsáveis por operações de fiscalização e combate a crimes ambientais. Outros integrantes da instituições perderam seus cargos após uma reportagem do “Fantástico”, da TV Globo, revelar uma ação realizada para combater garimpos ilegais e proteger aldeias indígenas como as de Apyterewa, Cachoeira Seca e Bacajá. Houve demissões também no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

    Segundo os procuradores, dois meses após as demissões no Ibama o desmatamento e a degradação teriam aumentado em ao menos três das terras indígenas que vinham sendo fiscalizadas pela equipe. Um levantamento do jornal Folha de S. Paulo revela que houve uma queda de 60% na aplicação dos chamados termos de embargo – o instrumento mais eficaz do Ibama para barrar o desmatamento – nos seis primeiros meses deste ano, em comparação a igual período de 2019.

    Não satisfeito em se portar de modo irresponsável e negligente diante da pandemia da Covid-19, Bolsonaro é conivente e omisso diante de crimes ambientais, com graves consequências para o Brasil. Essa situação de descalabro na gestão ambiental resultou também na reação de um grupo de investidores que reuniu-se com o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, para cobrar resultados na área ambiental como condição para destinarem recursos ao Brasil. Ou seja: além da perda de um patrimônio ambiental de valor inestimável, o país sofre retaliações internacionais.

    * Matéria originalmente publicada no Vermelho

  28. https://blogs.oglobo.globo.com/bernardo-mello-franco/post/os-generais-e-o-genocidio.html

    OS GENERAIS E O GENOCÍDIO

    14/07/200

    Os militares toparam assumir o Ministério da Saúde de um governo que nega a ciência e sabota o combate à pandemia. Agora se irritam com quem aponta as consequências da decisão.
    No sábado, o ministro Gilmar Mendes disse que o Exército está se associando a um “genocídio” ao endossar o desgoverno na Saúde. “Isso é péssimo para a imagem das Forças Armadas”, acrescentou.

    O supremo ministro pode ter carregado no tom, mas disse uma obviedade. Ontem o general Fernando Azevedo, ministro da Defesa, ameaçou processá-lo. Foi apoiado pelo general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional.

    Em nota enfeitada com o brasão da República, Azevedo se disse “indignado” com a fala de Gilmar. “Trata-se de uma acusação grave, além de infundada, irresponsável e sobretudo leviana”, sentenciou. Os comandantes de Exército, Marinha e Aeronáutica também assinaram o documento. Eles controlam 390 mil homens armados e não deveriam se meter em disputa política.

    Desde a chegada do coronavírus, Jair Bolsonaro forçou a saída de dois ministros da Saúde. O cargo foi entregue ao general da ativa Eduardo Pazuello, que cumpre as ordens do chefe sem reclamar. Quando ele assumiu a pasta, o Brasil contava 14 mil mortos na pandemia. Hoje registra quase 73 mil. Isso significa que o Exército já se associou a um saldo de 59 mil cadáveres.

    No futuro, caberá aos tribunais e aos livros de História dizer se o desgoverno do Capitão Corona ficará lembrado como um genocídio. A crônica desses dias vai registrar que a gestão de Pazuello tentou maquiar estatísticas para esconder mortes de brasileiros.

    Se estivesse preocupado com a imagem das Forças Armadas, o ministro Azevedo aconselharia o presidente a trocar o general por um médico. Sem isso, sua nota soa como corporativismo e tentativa de intimidação.
    A boa notícia do episódio está nas entrelinhas. Desta vez, os militares informaram que vão pedir à Procuradoria-Geral da República que tome “medidas cabíveis” contra Gilmar. Até a prisão de Fabrício Queiroz, as notas da caserna sugeriam uso de tanques e golpe de Estado.

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