As versões contraditórias sobre os negócios do doleiro com os Marinho

As operações de Messer são dos anos 90, período em que nenhum dos irmãos ocupava cargo de direção e nem se davam bem com o próprio pai. Na época, Roberto Marinho colocou Miguel Pires Gonçalves no comando do grupo.

Os irmãos Marinho se entregaram na resposta à revista Veja, na reportagem sobre a delação do doleiro Dario Messer.

Confira a nota da Veja

Apesar disso, o doleiro sustenta em depoimento que os destinatários do dinheiro seriam os irmãos Roberto Irineu (Presidente do Conselho de Administração do Grupo Globo) e João Roberto Marinho (vice-presidente do Grupo Globo).

Em nota encaminhada à redação de VEJA, a assessoria de Roberto Irineu Marinho e João Roberto Marinho negou as informações dadas por Messer: “A respeito de notícias divulgadas sobre a a delação de Dario Messer, vimos esclarecer que Roberto Irineu Marinho e João Roberto Marinho não têm nem nunca tiveram contas não declaradas às autoridades brasileiras no exterior. Da mesma maneira, nunca realizaram operações de câmbio não declaradas às autoridades”.

Vamos ao jogo dos erros.

Erro 1 – uma confusão cronológica da revista, ao ressaltar o cargo de Roberto Irineu (presidente do Conselho de Administração) e João Roberto Marinho (vice-presidente do grupo).

Até eu entrei nessa confusão, admitindo ser inverossímil que donos de grupos de mídia precisassem recorrer a doleiros para receber dinheiro no Brasil.

Depois, uma fonte carioca me chamou a atenção.

As operações de Messer são dos anos 90, período em que nenhum dos irmãos ocupava cargo de direção e nem se davam bem com o próprio pai. Na época, Roberto Marinho colocou Miguel Pires Gonçalves no comando do grupo. Algum tempo antes, no período de crise do Plano Cruzado, alguns de seus executivos, próximos aos filhos, se meteram em embrulhadas sobre importação de café da Tailândia usando indevidamente o nome de Roberto Marinho. Foi um período de grandes tacadas com alimentos, similar ao que ocorreu agora com saúde. O arroz da Tailândia seguia na trilha de um golpe com feijão do México, articulado por Jorge Murad, genro de Sarney. Foi um período, também, em que a Globo recorreu fortemente ao mercado paralelo de dólar, devido às aventuras de Marinho em Monte Carlo e às dificuldades em remeter dólares pelo câmbio oficial.

O episódio afastou ainda mais os filhos da frente dos negócios do pai.

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Na ocasião a pessoa influente junto a Marinho era Jorge Sarpa, detestado pelos filhos, aliás, devido a essa proximidade.

Erro 2 – em pelo menos três episódios, aparecem contas dos Marinho no exterior: as contas da HSBC, as contas offshore no escritório Mossak Fonseca; e as contas offshore em um condomínio de luxo na Bahia.

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