Bolsonaro foi responsável por 58% dos ataques recebidos pela imprensa em 2019

Fenaj registrou 208 ataques a jornalistas e veículos de comunicação, 54% acima do registrado em 2018; presidente foi responsável por 121 registros de violência contra profissionais de imprensa

O presidente Jair Bolsonaro durante entrevista coletiva no Rio de Janeiro - Foto: Tomaz Silva/Ag. Brasil (via fotospublicas.com)

Jornal GGN – O Brasil registrou 208 ataques a veículos de comunicação e jornalistas apenas no ano de 2019, um aumento de 54% em relação ao visto em 2019. Sozinho, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi responsável por 58% de tais ataques, chegando a 121 registros. Os dados constam de balanço elaborado pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).

Do total de ataques ocorridos, 114 casos foram de descredibilização da imprensa e 94 de agressões diretas a profissionais.  Além dos ataques, a Federação registrou dois assassinatos, 28 casos de ameaça e intimidação, 15 agressões físicas, 10 casos de censura ou impedimento do exercício profissional, 5 ocorrências de cerceamento à liberdade de imprensa por ações judiciais, 2 casos de injúria racial e 2 ações de violência contra a organização sindical da categoria.

A região Sudeste se manteve como a região brasileira com mais casos de violência direta contra jornalistas, mantendo a tendência dos últimos seis anos. Ao todo, foram 44 ocorrências (46,81%). Em seguida, ficou a região Centro-Oeste com 18 casos (19,15%) com destaque para o Distrito Federal com 13 (13,83%) ocorrências. O Sul do país contou com 15 casos (15,96%), o Nordeste com 11 (11,70%) e o Norte com 6 (6,38%).

Em 2019, 35 jornalistas de TV foram vítimas de agressão direta, sendo o segmento mais agredido pelo segundo ano consecutivo. Em segundo lugar, foram os jornalistas de jornais. Ao todo, 33 profissionais foram agredidos. Em terceiro lugar estão os jornalistas de mídia digital (portais, sites e blogs) com 23 casos de agressão registrados em 2019.

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O relatório aponta ainda para 8 casos de agressão contra profissionais de revista, 6 casos contra jornalistas de rádio, 3 assessores de imprensa e 1 profissional em agência de notícias.

Os políticos foram os principais autores de ataques a veículos de comunicação e jornalistas em 2019, totalizando 144 ocorrências, sendo a maioria de tentativa de descredibilização da imprensa (114), mas também registrando agressões diretas aos profissionais (30). Apenas Jair Bolsonaro, por exemplo, foi responsável por 121 das agressões.

Esta foi a primeira vez que a Fenaj registrou tentativas de descredibilização da imprensa em seu relatório.  Segundo a federação, a modalidade tornou-se a principal forma de ameaça à liberdade de imprensa no Brasil e foi incluída no relatório diante da institucionalização da prática por meio das falas e discursos do presidente da República, e essa postura mostra que a liberdade de imprensa está ameaçada. A íntegra do relatório da Fenaj pode ser consultada aqui.

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