21 de maio de 2026

Caso Marcelo Dantas: o dia em que o terror da Lava Jato dobrou o Supremo, por Luis Nassif

Ex-procurador, ex-desembargador no Tribunal Regional Federal da 5ª Região, Marcelo Dantas até então era uma unanimidade. Culto, preparado, garantista, sua indicação havia recebido até o aplauso de Rodrigo Janot.

Mencionado por Gilmar Mendes na entrevista à Folha-UOL, o episódio em que foi delatado o Ministro Marcelo Navarro Dantas, do Superior Tribunal de Justiça (STJ) foi um marco na implantação do regime de terror no país pela Lava Jato, com participação direta do ex-Procurador Geral da República Rodrigo Janot.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Primeiro, houve o convencimento para que o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, gravasse conversas com políticos visados pela Lava Jato, em um ensaio do futuro grampo da JBS em Michel Temer.

Por alguma razão, a divulgação de trechos selecionados dos grampos alarmou o então relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, que autorizou a prisão do senador Delcidio Amaral, líder do governo. O que levou Teori a tal atitude foi o vazamento de trechos nos quais Delcídio se gabava da influência sobre alguns ministros do STF.

O quadro era efetivamente intimidador. O episódio Sérgio Machado mostrava que qualquer conversa de autoridade estava exposta a grampos clandestinos e à exploração midiática de qualquer frase fora do contexto.

Na sequencia, a Lava Jato, ai não mais os procuradores de Curitiba, mas a tropa sob o comando de Janot, arranca de Delcídio uma das delações mais improváveis de toda a operação.

Delcídio tentava atribuir a Lula a intenção de impedir a delação de Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras. Depois, se descobriu que o único interessado em impedir as revelações de Cerveró era o próprio Delcídio. Mas, àquela altura, estava em pleno andamento a escalada de abusos visando o impeachment de Dilma Rousseff.

Foi nesse quadro que sobrou para Marcelo Dantas.

Ex-procurador, ex-desembargador no Tribunal Regional Federal da 5ª Região, Marcelo Dantas até então era uma unanimidade. Culto, preparado, garantista, sua indicação havia recebido até o aplauso de Rodrigo Janot.

Em sua delação, Delcídio garantiu que havia um pacto com Dilma e o Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, para que Dantas fizesse o contraponto ao punitivismo cego com que a operaçao era conduzida. Mesmo sem provas, a delaçao recebeu ampla repercussão nos jornais amigos.

As provas apresentadas eram ridículas.

A aprovação de Dantas passava pelo Senado. Delcídio era o líder do governo no Senado. Nada mais natural que tivesse reuniões com Dantas para combinar a estratégia de aprovação. Delcídio limitou-se a apresentar sua agenda, com as reuniões marcadas. Apenas isso e as declarações de Delcídio, de que Dantas tinha se comprometido a lutar contra a Lava Jato. As reuniões foram apresentadas como encontros clandestinos para práticas criminosas. E foram aceitas por Janot, desprezado a biografia de  Dantas.

A comprovação da cumplicidade de Dantas foi um voto (vencido) que deu em determinado processo relacionado à Lava Jato. Escondeu-se o fato de que Dantas poderia ter concedido o habeas corpus em voto monocrático, mas decidira pelo julgamento da turma.

A partir dali, a ameaça de chantagem da Lava Jato paralisou completamente o STJ.

Algum tempo depois, um procurador do Distrito Federal entrou com pedido para anular a delação de Delcídio, por ter sido comprovado que mentiu.

A morte de Teori impediu que se esclarecesse o que o teria levado ao recuo em relação aos abusos da Lava Jato a ponto de encaminhar o caso para o Conselho Nacional de Justiça.

O GGN prepara uma série de vídeos que explica a influência dos EUA na Lava Jato. Quer apoiar o projeto? Clique aqui.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.
luis.nassif@gmail.com

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

4 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Marcos Videira

    16 de setembro de 2019 10:53 am

    Como diz Gilmar Mendes, a República de Curitiba é o nome de uma organização criminosa que tem um projeto de poder político.

  2. Lúcio Vieira

    16 de setembro de 2019 11:44 am

    Apesar de pedida por muitos, a tal autocrítica da imprensa partícipe no golpismo brasileiro, jamais ocorrerá. São vexatórias demais o que fica revelado pela VazaJato e se dizer enganado, só nos faz aumentar as dúvidas sobre suas morais pouco retas. Indubitavelmente, nada seria o que foi, sem a imprescindível cumplicidade da mídia suja e indecente que deu ampliação e ajudou a criar clima contra pessoas, empresas e a nação. São ainda parceiros desta desgraceira em que foi colocado o país. Por exemplo, uma coisa é um general dar sua opinião através de sua conta de twitter. Outra BASTANTE diferente e multiplicável à milésima potência é um telejornal dar vulto àquela mensagem, com intuito de gerar o terror e a miséria – agir com o intuito maligno. Se o Glenn mencionou que “a Globo é sócia, agente e aliada de Moro e Lava Jato” não nos assustemos pelo que ainda virá adiante. Aos jornalistas golpistas, que escolheram ir pelo caminho difamatório, inverossímil e abjeto, só sobram mesmo o vexame de serem expostos pelos males cometidos e só possível, graças a colocarem ao dispor do golpismo contra a nação, seus nomes e famas. Qua a cada vez que se sentirem indignados ou envergonhados pela imagem atual do país, sempre se lembrem de sua participação pessoal para que se tenha chegado até ali.

  3. Maria Luisa

    16 de setembro de 2019 1:21 pm

    Foi importante o Gilmar Mendes falar sobre esse caso especifico. De que me lembro, foi uma “gritaria” na imprensa e nas redes sociais contra a conspiração de Dilma e governo e esses ministros do STJ e depois de mais um desgaste do governo Dilma falou-se pouco, às vezes nada, das invenções de Delcidio para sair da prisão. Foi todo um jogo de domino, em que um ia caindo atras do outro, por conta de Janot e a Lava Jato. E ainda eles têm a coragem de dizer que não ha nada de errado com a Lava Jato e que essas revelações não são provas de seus crimes.

  4. Dermeval Santos Lopes Junior

    16 de setembro de 2019 2:00 pm

    Quer dizer que os filhos de Roberto Marinho,definitivamente eles não possuem nomes próprios,Silvio Santos,o jacaré,Edir Macedo,o mascate de Deus,Johnny Saad,para burro só faltam as asas,Marcelo Oliveira,discipulo “in pectore” de Carlo Gambino,Os Irmão Frias e Quentes,Os Mesquitas da quarta geração,todos desenganados pelos medicos,os herdeiros de Robert Xchiiivita,reprovados diretos na Escola Vito Corleone,inclusive o Pai,a Quanto´É,e você coloca isso como “Jornais e ou TV’S amigas”? Pelo amor de Deus seu Nassif, me faça uma garapa de limão balão.

Recomendados para você

Recomendados