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Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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  1. Osvaldo Ferreira

    20 de maio de 2014 3:57 am

    Jeferson do Dilma Bolada denuncia esquema barra pesada de Aécio
    Publico post-bomba do Jeferson Monteiro divulgado há pouco em sua página no Facebook. Amanhã, em horário mais apropriado, vamos buscar apurar melhor a história. DILMA BOLADA: NÃO ESTÁ A VENDA!Pois bem, como todos sabem há 4 anos eu criei a Dilma Bolada. Desde então minha vida mudou muito devido a isso. Conheci diversas pessoas, lugares e aprendi um monte de coisa. A minha personagem trouxe uma releitura da vida cotidiana da mulher que governa o nosso país, o tom pessoal sempre foi o mesmo, a exaltação e exacerbação da figura de poder de Dilma. Dilma essa que eu sempre admirei, ainda quando Ministra do Presidente Lula, e que resolvi lá em 2010 criar uma conta fake para assegurar o nome de usuário para que terceiro não o usassem de má fé. Bem, o resto dessa história vocês já sabem.Tudo ocorrera muito bem até que a repercussão e a influência da Dilma Bolada começou a ganhar destaque na mídia de uma forma geral. Isso acabou atraindo a atenção de pessoas que não simpatizavam com a Dilma verdadeira, a Presidenta. Em meados do ano passado, eu tive um sério problema com uma pessoa chamada Pedro Guadalupe(que hoje trabalha para o PSDB). Pra quem não sabe, Guadalupe é um auto-intitulado “marketeiro digital” que atua em Minas Gerais(mas na verdade a especialidade dele é mesmo comprar uns bots, inflar páginas, spam, umas montagens ~engraçadas~ toscas tudo com o engajamento tendendo a zero). Ele já trabalhou para o PT e agora está com o PSDB. Pois bem, ano passado esse mesmo Pedro Guadalupe criou uma página também chamada “Dilma Bolada” e ameaçou dizendo que caso eu não me juntasse a ele e apoiasse quem ele apoiava, ele iria tomar o nome “Dilma Bolada” de mim e derrubar a minha solicitação de registro no Instituto Nacional de Propriedade Industrial(INPI), ele não apenas me mandou mensagens dizendo como expôs isso no Twitter onde todos puderam ver o caráter do sujeito. Eu, obviamente, ignorei e tudo que ele falara foi de fato um blefe.Dito isto, vamos aos fatos:
    Há algumas semanas uma agência de publicidade entrou em contato comigo para conversar. Eu naturalmente aceitei porque é normal as agências procurarem blogueiros e influenciadores para parcerias, eventos, etc. Então, um dos diretores então marcou uma reunião por videconferência e me explicou do que se tratava: a agência que administra diversas páginas aqui no Facebook disse que estava interessada em me convidar para o “casting” deles pois viam em mim um “potencial muito grande”. Primeiramente eles quiseram saber se eu estava coordenando ou tinha algum contato com a direção do PT, ao negar eles foram direto ao assunto: a agência tinha um plano de venda de apoio político das suas páginas para as Eleições Presidenciais deste ano. Ou seja, diversas páginas que todos curtem, gostam e recebem conteúdo diários, iriam fazer campanha eleitoral para o candidato que fechasse um contrato milionário com eles e iria assim difamar os opositores, praticamente um “mensalet”. Na hora que ele me disse isso, eu fiquei meio que sem reação. A naturalidade com que tudo era dito, era realmente inacreditável. Quando eu pedi para que me fosse detalhado o plano, ele me adiantou que já havia tentado fazer acordou ou reunião com a Equipe do PSB(Eduardo Campos) e PT(Dilma Rousseff) mas que não obtivera sucesso. Contudo, ele afirmou que o PSDB de Aécio Neves ficou muito interessado na transição e que havia chances de fecharem com eles. Eu concordei e disse que era bem o estilo tucano de ser e que provavelmente obteriam sucesso nas negociações.Ao fim da conversa, ele perguntou se eu toparia fazer parte dos “talentos” dele para que fosse feita a negociação com a turma do PSDB. Para a supresa dele eu aceitei. Por sua reação ele provavelmente deu pulos de alegria. Ele não estava acreditando que já tinha o maior trunfo nas mãos: eu, com a Dilma Bolada, para o ninho tucano. (HAHAHA – SABE DE NADA INOCENTE!)Aos finalmentes: uns dias depois, o cara me retorna o contato dizendo que falou com o Pedro Guadalupe, membro da equipe digital de Aécio Neves, que por sua vez queria falar comigo. Nem deu tempo d’eu responder: o próprio Pedro Guadalupe me enviou um e-mail ansioso se fazendo de amigo, no melhor estilo “lobo em pele de cordeiro” num cinismo sem igual e como se nunca tivesse feito nada pra mim, querendo saber se era mesmo verdade que Dilma Bolada, estava a venda para aproveitar a personagem e usar o seu “capital político/poder para mudar opiniões” dos internautas. Confirmei que eu tinha falado com a Agência e que tudo deveria ser tratado por via dela. A tal agência, por sua vez, disse que eles queriam que eu assinasse um CONTRATO DE EXCLUSIVIDADE para garantir uma amarra da Dilma Bolada a eles e que pudessem efetuar a transação com os tucanos. Eu, é claro, não assinei coisa alguma. Fui em frente, levando a coisa só pra saber até onde ia a cara de pau. Informei que só assinaria após que estivesse tudo acertado e depois que falassem de como seria de fato o tal esquema. Diante disso, na semana passada, a Agência combinou com Pedro Guadalupe uma reunião com os dirigentes responsáveis pelo veredicto final…Pra mim foi o bastante. Eu, como vocês podem ver, não esperei o tal veredicto. Resolvi expor tudo isso aqui porque eu há mais de 1 ano venho sido constantemente atacado por pessoas dessa corja. Sujos e cínicos que têm a capacidade de inventarem mentiras absurdas que vão desde histórias de que mantenho “ligação direta com a Presidenta” até “de sou pago com o dinheiro público e recebo R$120 mil/mês” como foi dito recentemente num blog de simpatizantes tucanos. Não Pedro Guadalupe, eu não quero o dinheiro sujo de vocês. Diferentemente de você eu tenho caráter. Mas é esse o tipo de gente, que Aécio que diz com a maior cara de pau do mundo que “não vai tolerar campanha suja na internet” mantém na equipe, em contato constante com sua irmã, fazendo o possível e impossível para atacar a honra das pessoas e espalhar todo esse chorume de desinformação na internet. É lamentável que tenhamos chegado a um ponto tão baixo.Por fim, eu queria dizer que nem todo mundo tem seu preço. E que eu e nem a minha criação estão a venda, nunca estiveram. Eu esperei ansiosamente pra escrever isso: vocês podem comprar quem quiserem mas a mim não. O que eu faço não há dinheiro no mundo que pague. Vocês deveriam ter sido um pouquinho mais espertos e terem tido o feeling pra saber que eu não sou e nunca vou ser como vocês. Lealdade não se compra e nem se vende.
    RALA TUCANADA!

  2. Assis Ribeiro

    20 de maio de 2014 9:23 am

    Alstom conseguiu mudar

    Alstom conseguiu mudar licitação do Metrô

    Durante gestão de Geraldo Alckmin (PSDB), estatal lançou novo edital da linha 2, após concorrência, para atender a pedidos do ex-diretor da multinacional francesa Wagner Ribeiro; mudanças incluíram a estação Ipiranga e novas especificações das escadas rolantes e sinalização, que não estavam previstas no projeto original 

    A Alstom conseguiu mudar uma licitação do Metrô, em 2004, para incluir na linha 2-verde de São Paulo uma estação que não estava prevista na concorrência original.

    A alteração foi confirmada, em janeiro de 2005, por troca de e-mail interna do ex-diretor da multinacional francesa Wagner Ribeiro: “Estamos trabalhando junto ao pessoal técnico do Metrô para tentar aliviar’ as Specs [especificações] de escadas rolantes e sinalização. Quanto ao orçamento, sugiro que seja modificado o objeto da licitação, por exemplo, retirando a reforma do trecho em operação e incluindo a estação Ipiranga”.

    O Metrô então anulou a concorrência feita em outubro de 2004 por “razões técnicas e econômicas” e, no dia 15 de janeiro de 2005, lançou novo edital. As mudanças foram feitas no governo de Geraldo Alckmin (PSDB). 

    O consórcio formado por Alstom e Siemens levou o contrato por R$ 143 milhões.

    Leia aqui a matéria da Folha sobre o assunto.

    http://www.brasil247.com/pt/247/sp247/140256/Alstom-conseguiu-mudar-licita%C3%A7%C3%A3o-do-Metr%C3%B4.htm

  3. Assis Ribeiro

    20 de maio de 2014 9:24 am

    STF: decisão anterior sobre

    STF: decisão anterior sobre trabalho externo pode influenciar presos da AP 470

    Em 2011, ministros concederam benefício para que condenado trabalhasse como autônomo, executando serviços de eletricista, mesmo não tendo como comprovar local e horário de trabalho

    Uma decisão tomada pelos ministros da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) em 2011 flexibilizou a fiscalização de trabalho externo a um condenado por estupro e atentado violento ao pudor. Na ocasião, os ministros concederam o benefício para que o condenado trabalhasse como autônomo, executando serviços de eletricista, mesmo não tendo como comprovar local e horário de trabalho.

    Os ministros julgaram um habeas corpus em favor de Fernando Ribeiro, condenado a 25 anos de prisão. Ele iniciou o cumprimento da pena em 2004 e progrediu para o regime semiaberto em 2009. Mesmo preenchendo os critérios definidos pela lei, a Justiça do Rio Grande do Sul rejeitou a concessão do trabalho externo, por entender que Fernando não tinha como apresentar relatórios de frequência e de desempenho.

    Seguindo o voto do ministro Ricardo Lewandowski, relator do habeas corpus, Gilmar Mendes e o ministro aposentado Ayres Britto concederam o pedido para que o condenado pudesse exercer as funções de eletricista autônomo, apresentando notas fiscais dos trabalhos prestados. Fernando abriu uma pequena empresa para oferecer os serviços.

    O entendimento da Segunda Turma do STF diverge das decisões do presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, no que diz respeito à fiscalização do trabalho externo dos condenados na Ação Penal 470, o processo do mensalão. Além de entender que os condenados devem cumprir um sexto da pena para deixarem o presídio durante o dia para trabalhar, Barbosa cassou a concessão dos benefícios autorizados pela Vara de Execução Penal por entender que os empregadores não são capazes de fiscalizar as atividades.

    Na semana passada, o primeiro condenado a ter o benefício externo suspenso foi o ex-deputado Romeu Queiroz. O presidente da Corte entendeu que ele não pode trabalhar na  própria empresa, onde a fiscalização não pode ser “executada com eficiência e impessoalidade”.

    No caso do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, Barbosa cassou a proposta de emprego na Central Única dos Trabalhadores (CUT) por entender que “não se sabe os requisitos para o controle da produtividade” nem registro de frequência e jornada de trabalho.

    A CUT discorda das argumentações de Barbosa e defende que a proposta de trabalho cumpre todas as exigências legais, como o controle das atividades. “A CUT protocolou na Vara de Execuções Penais do Distrito Federal todas as folhas de frequência do sr. Delúbio Soares, que são comuns a todos os funcionários da CUT, de acordo com o Item 4 do Termo de Compromisso do Empregador e prestou todas as informações solicitadas pela VEP [Vara de Execuções Penais], inclusive durante as visitas regulamentares de fiscalização do Poder Público em nossa sede. A CUT sempre esteve e estará à disposição da fiscalização das autoridades competentes”, declarou a entidade.

    O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu nem chegou a deixar o Presídio da Papuda em Brasília para trabalhar no escritório de advocacia de José Gerardo Grossi. “O proponente do emprego, por ser advogado, não permanece no interior do escritório durante todo o período de trabalho que deverá ser executado pelo condenado, o que evidentemente inviabiliza a fiscalização do cumprimento das normas, que é da essência do cumprimento de uma sentença criminal”, decidiu Barbosa.

    O advogado de Dirceu, José Luis Oliveira Lima, recorreu na sexta-feira (16) ao plenário do STF e disse que o fato de o trabalho ser em um escritório de advocacia não impede a fiscalização do juiz da Vara de Execuções Penais (VEP). Segundo a defesa, a própria VEP e a Procuradoria-Geral da República (PGR) haviam dado aval para o trabalho externo de Dirceu. “Não se trata evidentemente de um trabalho de fachada ou de uma suposta troca de favores. Não há espaço para opiniões pessoais em decisões judiciais, principalmente quando não se encontram respaldadas em qualquer elemento dos autos”, acrescentou o advogado.

    O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal (OAB/DF), Ibaneis Rocha, também discorda da decisão de Barbosa por entender que a medida afronta o princípio da ressocialização do preso. Como presidente também do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Barbosa deveria incentivar a contratação de condenados em regime semiaberto para que, efetivamente, tenham a chance de voltar à sociedade “pela porta da frente”.

    De acordo com a Lei de Execução Penal, a concessão do trabalho externo deve seguir requisitos objetivos e subjetivos. A parte objetiva da lei diz que o condenado deve cumprir um sexto da pena para ter direito ao benefício. “A prestação de trabalho externo, a ser autorizada pela direção do estabelecimento, dependerá de aptidão, disciplina e responsabilidade, além do cumprimento mínimo de 1/6 da pena”, informa o Artigo 37.

    Porém, a defesa dos condenados no processo do mensalão alega que o Artigo 35 do Código Penal não exige que o condenado a regime inicial semiaberto cumpra um sexto da pena para ter direito ao trabalho externo.

    Desde 1999, após uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), os juízes das varas de Execução Penal passaram a autorizar o trabalho externo ainda que os presos não cumpram o tempo mínimo de um sexto da pena para ter direito ao benefício. De acordo com a decisão, presentes os requisitos subjetivos, como disciplina e responsabilidade, o pedido de trabalho externo não pode ser rejeitado. No entanto, Joaquim Barbosa afirma que o entendimento do STJ não vale para condenações em regime inicial semiaberto. Para justificar a aplicação integral do Artigo 37, Barbosa cita decisões semelhantes aprovadas em 1995 e em 2006, no plenário da Corte.

    A controvérsia será resolvida somente quando o plenário da Corte julgar o recurso impetrado pela defesa de Dirceu. A data do julgamento depende da liberação do voto de Barbosa.

    http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2014/05/stf-decisao-anterior-sobre-trabalho-externo-pode-influenciar-presos-da-ap-470-3736.html

  4. Assis Ribeiro

    20 de maio de 2014 9:26 am

    O silêncio ao

    O silêncio ao redor

    Intelectuais que sempre fizeram o contraponto progressista reagem agora entre a indiferença e a prostração. Jorge Furtado, pergunta: quando o Brasil foi melhor?

    A impressão de que o governo fala sozinho, cercado por um jogral ensurdecedor, ora raivoso, ora repetitivo, mas de qualquer forma  onipresente,  não é  fortuita.
    É isso mesmo,  se a percepção se basear  apenas na emissão veiculada pelos jornais, tevês e emissoras de rádio que  ecoam o monólogo  do ‘Brasil aos cacos’.

    Mas já foi diferente?  Em 1989, talvez, quando o Jornal Nacional editou o famoso debate final da campanha, às  vésperas do voto? Ou em 2002, quando  George Soros assegurava, com exclusividade para a Folha,  que era  Serra  ou o caos?

    Talvez em 2006, sob o cerco do ‘mensalão’? Ou então em 2010, quando a Folha se lambuzou na ficha falsa da Dilma e Serra convocou  Malafaia como procônsul para assuntos relativos a moral e aos bons costumes?

    Então o que mudou para que o ar pareça tão mais carregado, a ponto de ser necessário, às vezes, cortar com faca o noticiário para  enxergar  além da derrocada iminente que se anuncia?

    Algumas coisas.

    Vivemos uma transição de ciclo econômico.

    Em parte pela reversão do quadro internacional, em parte pelo esgotamento de suas dinâmicas  internas, o desenvolvimento brasileiro  terá que se repensar para retomar uma trajetória de longo curso.

    Trata-se de recompor  as condições de financiamento da economia. E  depurar  prioridades  em direção à maior eficiência logística e melhor qualidade de vida.

    Não é café pequeno.

    A expectativa provoca arrepios nas  carteiras graúdas.

    Não será  mais possível, por exemplo,  prosseguir apenas com o impulso das exportações de commodities, cujos preços triplicaram  no mundo desde 2003  –os do petróleo quadruplicaram, mas  os agrícolas cresceram mais de 50%.

    Tampouco a liquidez internacional promete ser tão generosa  a ponto de dissipar as contradições internas  em um jorro de  crédito apaziguador que tudo sanciona.

    Os donos do dinheiro precificam as ameaças incrustradas nesse  duplo esgotamento, que escancara a natureza paralisante da hegemonia rentista sobre  o país.

    Dispostos a não ceder, operam a plenos decibéis para sufocar a evidência de que seu privilégio entrou na alça de mira de uma encruzilhada histórica.

    Aconteceu antes, em 32 e 53 – quase como uma revolução burguesa à revelia das elites; foi resolvido com o patrocínio do capital estrangeiro em 55; reprimido em 64; ordenado ditatorialmente  nos anos 70 e terceirizado aos livres mercados nos anos 90.

    A seta do tempo ensaia  um novo estirão.

    O desafio, antes  de mais  nada,  é de natureza política.

    A coerência macroeconômica da  travessia será  dada por quem reunir  força e consentimento para assumir a hegemonia do processo.

    Não por acaso, na abertura do 14º Encontro dos Blogueiros e Ativistas Digitais, nesta 6ª feira, Lula  resumiu tudo isso em uma frase:

    ‘Sem reforma política não faremos nada neste país’. 

    E ela terá que ser construída pela rua.  ‘Por uma Constituinte exclusiva’, adicionou o ex-presidente da República:  ‘Porque o Congresso que está aí pode mudar uma vírgula aqui, outra ali. Mas não a fará’.

    Não é um capricho ideológico.

    Trata-se de dar  consequência institucional às demandas e protagonistas que iniciaram a longa viagem à procura de um outro país, a partir das greves metalúrgicas do ABC paulista, nos anos 70/80.

     E que agregaram mais 60 milhões de brasileiros pobres a esse percurso desde 2003.

    Um passaporte da travessia consiste em regenerar a base industrial brasileira.

    E tampouco aqui  é contabilidade.

    Para a economia gerar empregos e salários de qualidade, ademais de receita fiscal compatível com as urgências sociais e logísticas, é vital recuperar o  principal polo irradiador de produtividade em um sistema econômico.

    O pressuposto  para um aggiornamento  industrial é  juro baixo,  câmbio desvalorizado e controle de capitais.

    Grosso modo, esse é o  tripé que afronta o outro, da  alta finança, baseado em arrocho fiscal, câmbio livre e juro alto.

    Todo o círculo de interesses que orbita em torno do cassino  está  mergulhado até o pescoço na guerra preventiva contra o risco de uma reciclagem subjacente à eleição de outubro.

    Essa é uma singularidade  que distingue e radicaliza a presente disputa sucessória  –feita em condições internacionais adversas–  a ponto de tornar o ar quase irrespirável.

    Por trás dos ganidos emitidos pelo colunismo isento (ideológicos são os blogueiros)  há um cachorro grande a soprar seu bafo sobre o cangote da sociedade.

    O capital rentista.

    Ele lucrou,  limpo, acima da inflação, 18,5% em média, ao ano, no segundo governo FHC.

    Faturou  11,5%, em média, no segundo governo Lula.

    E, já impaciente, entre 3,5% e 5% agora, sob a gestão Dilma.

    Estamos falando de massas de forças nada modestas.

    Diferentes modalidades de  fundos  financeiros  somaram  um giro acumulado de R$ 2,4 trilhões no Brasil em 2012.

    O valor equivale a mais da metade do PIB em direitos sobre a riqueza real  –sem triscar o pé no chão da fábrica.

    Não é um país à parte. Mas se avoca   mordomias  equivalentes às desfrutadas pelas tropas de ocupação.

    Entre elas, rendimentos sempre superiores  à variação do PIB, portanto, em detrimento de fatias alheias. E taxas de retorno inexcedíveis  — dividendos  permanentes de dois dígitos, por exemplo–   a impor um padrão de retorno incompatível com a urgência do novo ciclo de investimento que o Brasil reclama.

    Não se mantém uma tensão desse calibre sem legiões armadas.

    Pelotões de estrategistas, exércitos de consultores, artilharias  acadêmicas, bancadas legislativas, cavalarias midiáticas  e aliados  internacionais  operam  a  seu serviço. 

    O conjunto  entrou  em prontidão máxima.

    Um pedaço da hegemonia que vai ditar  o novo  arranjo macroeconômico  será decidido nas eleições de outubro.

    O embate  escorre do noticiário especializado (isento como uma nota de três reais)  para os espaços onde os cifrões são traduzidos em duelos entre o bem e o mal, entre  corruptos e salvadores da pátria,  intervencionistas e liberais, desgoverno  e eficiência.

    Daí  são mastigados para o varejo do martelete conservador.

    Nesse ambiente de beligerância em que o governo  parece falar sozinho, a explosão de demandas  que buscam  carona na  visibilidade  da Copa do Mundo, apenas reafirma uma transição de ciclo, incapaz de ser equacionado por impulsos corporativos ou bandeiras avulsas, ainda que justas  (leia mais sobre esse tema no blog do Emir).

    ‘Não vai ter Copa’  figura como o arremedo de uma unidade tão frágil quanto a aritmética subjacente à ideia de que os males do país se resolvem com os  R$ 8 bilhões financiados às arenas do torneio  –que serão pagos, ressalte-se.

    No evento da sexta-feira, em São Paulo, Lula lembrou aos blogueiros que desde que começaram as obras  da Copa, em 2010, o governo investiu  R$ 825 bi em saúde e educação.

    E, todavia, a escola pública e o SUS persistem com as lacunas sabidas.

    O buraco  é mais amplo.

    O Brasil se confronta com o desafio de realizar  grandes reformas  que lhe permitam  erguer as linhas de passagem entre o inadiável  e o viável  num novo ciclo de crescimento.

    Menos que isso é  dar  à edição conservadora  suprimentos  para martelar  a ideia de uma sociedade  em decomposição.

    Durante muito tempo a percolação desse veneno  teve na comunicação do governo um filtro complacente.

    Agora se sabe que essa inércia escavou também um corredor contagioso no ambiente cultural, a ponto de tornar adicionalmente  opressivo  o ar desta sucessão presidencial.

    Um pequeno exemplo ilustra  os demais.

    Em entrevista recente à televisão portuguesa, o cantor Ney Matogrosso esboçou um cenário de terra arrasada  para descrever o Brasil. https://www.youtube.com/watch?v=DqJ0kF1_oL0. De sobremesa, soltou agudos de visceral rejeição à política, aos políticos e  ao PT.

    O problema não é um  cantor  deblaterar contra o governo.

    O problema é a ausência de contraponto  ao redor, num momento em que interesses graúdos se empenham em vender a tese de que a melhor saída para o Brasil é andar para trás.

    Em diferentes capítulos  da história do país,  o prestígio de seus  intelectuais e artistas  foi decisivo no repto ao cerco asfixiante  com o qual o conservadorismo  tentava, como  agora, legitimar, ou impor,  a receita de arrocho subjacente as suas propostas para os impasses nacionais.

    Antes tarde do que nunca, o PT e suas maiores lideranças correm contra o tempo para corrigir o gigantesco erro político que foi subestimar  o papel  de uma mídia  plural na luta pela ampliação da democracia  brasileira .

    Passa da hora de acordar também para a necessidade de reativar o diálogo com círculos intelectuais e artísticos, cujo protagonismo  foi  igualmente subestimado por uma concepção   mecânica e economicista de desenvolvimento.

    O sequestro  da opinião pública pelo denuncismo conservador   –que radicalizou um clima de indiferença e prostração semeado pelo próprio recuo do PT no ambiente intelectual — evidencia o  tamanho do equívoco cometido.

    Leia, abaixo, a manifestação do cineasta Jorge Furtado (diretor do recém  lançado ‘Mercado de Notícias’ e Urso de Prata em Berlim, em 1990, com ‘Ilha das Flores’)  sobre  esses acontecimentos, que marcam e vão marcar o ar pesado da disputa eleitoral de 2014.

    ‘A mim não enrolam’ , diz o diretor gaúcho que questiona em  seu blog a tese de que o Brasil  nunca esteve tão mal: pior em relação a quando e, sobretudo, para quem, argui. http://casacinepoa.com.br/)

    O desafio do campo progressista é expandir essa argúcia solitária. 

    A íntegra do texto de Jorge Furtado:

    “Fico triste ao ver artistas brasileiros, meus colegas, tão mal informados.

    Imagino que, com suas agendas cheias, não tenham muito tempo para procurar diferentes fontes para a mesma informação, tempo para ouvir e ler outras versões dos acontecimentos, isso antes de falar sobre eles em entrevistas, amplificando equívocos com leituras rasas e impressionistas das manchetes de telejornais e revistas ou, pior, reproduzindo comentários de colunistas que escrevem suas manchetes em caixa alta, seguidas de ponto de exclamação.

    Fico triste ao ler artistas dizendo que não dá mais para viver no Brasil, como se as coisas estivessem piorando, e muito, para a maioria. Dizer que não dá mais para viver no Brasil logo agora, agora que milhões de pessoas conquistaram alguns direitos mínimos, emprego, casa própria, luz elétrica, acesso às universidades e até, muitas vezes, a um prato de comida, não fica bem na boca de um artista, menos ainda de um artista popular, artista que este mesmo povo ama e admira.
     
    Em que as coisas estão piorando? E piorando para quem? Quem disse? Qual a fonte da sua informação?

    Fico triste ao ouvir artistas que parecem sentir orgulho em dizer que odeiam política, que julgam as mudanças que aconteceram no Brasil nos últimos 12 anos insignificantes, ou ainda, ruins, acham que o país mudou sim, mas foi para pior.
     
    Artistas dizendo que pioramos tanto que não há mais jeito da coisa “voltar ao ‘normal ‘”, como se normal talvez fosse ter os pobres desempregados ou abrindo portas pelo salário mínimo de 60 dólares, pobres longe dos aeroportos, das lojas de automóvel e das universidades, se “normal” fosse a casa grande e a senzala, ou a ditadura militar. Quando o Brasil foi normal? Quando o Brasil foi melhor? E melhor para quem?

    A mim, não enrolam. Desde que eu nasci (1959) o Brasil não foi melhor do que é que hoje. Há quem fale muito bem dos anos 50, antes da inflação explodir com a construção de Brasília, antes que o golpe civil-militar, adiado em 1954 pelo revólver de Getúlio, se desse em 1964 e nos mergulhasse na mais longa ditadura militar das américas. Pode ser, mas nos anos 50 a população era muito menor, muito mais rural e a pobreza era extrema em muitos lugares. Vivia-se bem na zona sul carioca e nos jardins paulistas, gaúchos e mineiros. No sertão, nas favelas, nos cortiços, vivia-se muito mal.

    A desigualdade social brasileira continua um escândalo, a violência é um terror diário, 50 mil mortos a tiros por ano, somos campeões mundiais de assassinatos, sendo a maioria de meninos negros das periferias, nossos hospitais e escolas públicos são para lá de carentes, o Brasil nos dá motivos diários de vergonha e tristeza, quem não sabe? Mas, estamos piorando? Tem certeza? Quem lhe disse? Qual sua fonte? E piorando para quem?”

    http://www.cartamaior.com.br/?/Editorial/O-silencio-ao-redor/30954

  5. Assis Ribeiro

    20 de maio de 2014 9:28 am

    Canseira cívica
    A campanha

    Canseira cívica

    A campanha eleitoral já está em curso. As favelas estabelecidas – hoje chamadas de comunidades – passam a ser visitadas pelos candidatos. Todos se tornaram humanos e despretensiosos.

    É uma satisfação inusitada se ver tantas gentilezas com o povo. Trata-se de antevéspera de pleito eleitoral. Um imenso cinismo envolve o ambiente. Todos se tornaram cidadãos prestantes. E idôneos.

    A democracia perde com as campanhas eleitorais nativas. Rompem-se os liames de boa convivência. A mentira toma o lugar da verdade. A respeitabilidade é lançada ao esquecimento.

    Há uma profunda frustração popular. Por toda a parte, a pergunta é sempre a mesma: onde vamos parar? Ninguém tem a resposta. As facções políticas exorbitaram na prática de ilícitos.

    Isto levou a uma profunda descrença nas pessoas e, o que é pior, nas instituições. Ninguém oferece exemplo de austeridade e respeito à coisa pública.

    As exibições de malfeitos se espalham por todos os cenários. Nos municípios, estados e na federação uma aluvião de investigações se acumulam.

    Não há, salvo em raras ocasiões, respostas do Judiciário às ações propostas pelo Ministério Público. Os promotores e procuradores trabalham incansavelmente. As polícias investigam.

    A resposta corriqueira: a declaração de ocorrência de prescrição. Assim, réus são liberados e acusações terminam em lamentável arquivamento. O processo penal brasileiro é agente de desmoralização da Justiça.

    Todos estes fatos levam a uma canseira cívica sem precedentes. Um dia acreditou-se em novos lideres. Aceitaram-se novas propostas de convivência política e social.

    O resultado se concretizou em uma imensa frustração. Agora, como nunca antes, os candidatos mostram-se pouco propensos a criar esperanças na coletividade.

    Repetem o mesmo do mesmo. Nada de novo. Nenhuma posição inteligente e auspiciosa. Tudo é uma imensa pasmaceira. A canseira popular explode aqui e ali em manifestações espontâneas.

    São compreensíveis e alentadoras. No entanto, apresentam a contra face. Esta se espelha no desespero dos que querem se deslocar pelas vias das cidades.

    Não há possibilidade de deslocamento. Os custos psicológicos são imensos. Os econômicos seguem o mesmo caminho. Perde-se saúde e dinheiro, nas manifestações desarrazoadas.

    Não há a presença da autoridade em nossas cidades. Invadem-se estabelecimentos. Ferem-se pessoas. Violam o direito de livre locomoção. As autoridades se mantêm em absoluto silêncio.

    Não estão nem ai. Querem vencer as eleições. Com este objetivo, mostram-se inócuas e acovardadas. Triste democracia em que por um cargo público a autoridade se perde.

    Os políticos, em campanha, deviam deixar de lado seus marqueteiros e incógnitos saírem pelas cidades e campos. Captariam a realidade social efetiva.

    Iriam perceber que o cansaço atinge alto grau de insatisfação. A sociedade se apresenta exausta. Humilhada. Os safados superaram sua própria safadeza.

    O civismo tornou-se cinismo.

    http://terramagazine.terra.com.br/blogdoclaudiolembo/blog/2014/05/19/canseira-civica/

  6. Assis Ribeiro

    20 de maio de 2014 9:33 am

    A crise é maior do que a

    A crise é maior do que a chuva

    Ainda que pouco eficiente a esta altura, a tentativa do governo de São Paulo de circunscrever as causas da falta de água a fatores meteorológicos busca evitar o questionamento das políticas produtoras dessa crise, que vêm sendo concretizadas há décadas

    A atual situação extremamente crítica de escassez de água nas regiões metropolitanas de São Paulo e de Campinas foi prevista há pelo menos uma década por técnicos da área e nos planos elaborados para os recursos hídricos regionais, visto que o consumo superaria a água disponível. Na prática, suas consequências na redução do suprimento já eram sentidas há muito tempo, em vários municípios e áreas periféricas dessas regiões, condição que agora se estende para outros locais, com a persistência da estiagem. Era evidente a impossibilidade de manter o suprimento para quase a metade da metrópole de São Paulo, com a água retirada da região de Campinas, via transposição pelo Sistema Cantareira, considerando o aumento da demanda populacional, industrial e agrícola de todas essas regiões.

    Agora, o agravamento da estiagem torna inevitável a adoção de medidas mais drásticas, que devem alcançar os segmentos de maior renda, tradicionalmente isentos de sacrifícios e mais influentes na mídia. Ainda que pouco eficiente a esta altura, a tentativa do governo de São Paulo de circunscrever as causas a fatores meteorológicos busca evitar o questionamento das políticas produtoras dessa crise, que vêm sendo concretizadas há décadas.

    Importantes estudos, em todo o mundo, apontam como maiores ameaças à água a expansão urbana, industrial e agrícola, as intervenções nos cursos de água (canalizações, transposição de bacias, barragens e desvios), a perda de áreas úmidas e o desmatamento, além do aumento do consumo de água e da poluição hídrica. Trazendo esses fatores para as regiões analisadas, é inevitável reconhecer que não apenas eles se aplicam completamente, como são considerados sinônimo de desenvolvimento.

    A Macrometrópole Paulista1 é frequentemente saudada nos documentos oficiais e na imprensa como um fenômeno urbano cujo nível de desenvolvimento se equipara ao dos países europeus. Isso seria bom, não fosse este um país posicionado na periferia do capitalismo, cujos desequilíbrios e passivos sociais e ambientais aqui produzidos não podem ser transferidos para colônias distantes. Contudo, verifica-se uma contínua transferência da pobreza, dos resíduos e dos esgotos para regiões e municípios periféricos, concentrando renda fundiária e imobiliária nas áreas centrais. No entanto, a água consumida nesses centros provém dos mesmos locais desvalorizados e degradados por receberem os rejeitos metropolitanos. Assim, muitos recursos são mobilizados na tentativa de adequar essa água ao consumo, além daqueles empregados na sucessiva busca de novas fontes, invariavelmente distantes e já utilizadas para importantes finalidades econômicas, sociais e ambientais.

    Esses elementos ameaçadores da água, como a expansão industrial, agrícola e urbana, superam os níveis de crescimento populacional e suas demandas essenciais e dependem de expressivos investimentos públicos e privados. Os interesses em seus resultados vão além das ambições políticas de determinados grupos e se originam nos maiores beneficiários das grandes obras, da especulação imobiliária, financeira e da produção de veículos, entre outros protagonistas da formação desse espaço cada vez mais amplo, vulnerável e degradado.

    Os desafios a serem enfrentados no resgate da água limpa, nesse contexto, podem ser comentados em dois grupos de problemas interligados. O primeiro é o intenso desperdício de água nesta sociedade de consumo, além das alterações do clima provocadas pela formação das chamadas “ilhas de calor” nas áreas intensamente urbanizadas, agora potencializadas com os efeitos das mudanças climáticas globais nos recursos hídricos. O segundo aglutina as políticas de recursos hídricos e de gestão das águas aplicadas na região afetada pela crise e no restante do estado de São Paulo, compreendendo: a degradação dos mananciais que deveriam garantir a produção e qualidade de água; a mercantilização da água e a privatização da empresa de saneamento; a inexistência de ações para redução de demanda; e, por último, o abandono da gestão integrada e participativa dessas águas.

    Consumo e desperdício nas atividades produtivas

    O modelo econômico vigente apoia-se na produção, consumo e descarte crescentes de mercadorias e recursos, como água, enquanto forma de viabilizar permanentemente o acúmulo de capital. Assim, ele inclui mercadorias supérfluas e descartáveis, em detrimento do que é básico e essencial para a população, numa dinâmica que é estimulada pela oferta de crédito e intensa publicidade.

    A imposição de crescentes “necessidades” de consumo para aumentar as vendas acelera a exaustão das reservas hídricas, principalmente quando sua disponibilidade está no limite, como é o caso das regiões metropolitanas de São Paulo e Campinas. A suposição de que esse modelo deve continuar se expandindo apoia as projeções realizadas para a Macrometrópole Paulista, que concentra as regiões de quase 80% da população do estado, estimando-se que o consumo de água proveniente apenas de captações diretas em rios e mananciais, por parte do setor industrial, deverá crescer ainda 24% até 2035.2

    Mudanças climáticas globais e locais

    O aquecimento global e, principalmente, a formação de “ilhas de calor” nas áreas intensamente urbanizadas vêm sendo apontados como responsáveis por desestabilizações climáticas registradas nos últimos anos. Dados apresentados pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) e pelo Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC) concluem que essas transformações tendem a provocar um agravamento dos extremos, desencadeando precipitações e estiagens acentuadas.

    Essa nova realidade exige o controle da expansão urbana, a introdução de políticas adaptativas e o fortalecimento da resiliência dos sistemas naturais, por meio da ampliação de programas que os protejam, garantindo a prestação de serviços ambientais.

    Mananciais, qualidade e quantidade das águas

    A Lei de Proteção de Mananciais criada na década de 1970 não foi efetivamente aplicada pelo estado ou pelos municípios, exceto em alguns curtos períodos, quando operaram programas integrados de fiscalização. Na Bacia do Alto Tietê, os mananciais legalmente protegidos se situam em áreas elevadas do extremo norte, sul e leste da Grande São Paulo, à época caracterizadas pela abundância de chuvas. Nesses locais, as ocupações clandestinas foram organizadas por loteadores para atender à população de baixa renda que buscava alternativas de moradia, fora dos espaços valorizados pelo mercado. Iniciativas de rever a legislação partiram do governo na década de 1980, para torná-la mais “eficiente e adequada”, e, em 1997, ela foi efetivamente alterada e passou a valer para todo o estado de São Paulo (Lei n. 9.866/1997).

    A despeito de avanços como a possibilidade de participação dos municípios e da sociedade civil em sua gestão, essa lei foi menos restritiva aos usos urbanos, não alterou a precariedade na fiscalização nem impediu a instalação de projetos governamentais de grande porte, como o Rodoanel, que atraem mais ocupantes e atividades econômicas incompatíveis com os mananciais. Como resultado, essas áreas protegidas continuam a se deteriorar com o desmatamento, os esgotos domésticos e industriais, o lixo e os processos erosivos, que resultam do avanço da urbanização.

    Mesmo investimentos elevados para recuperar essas áreas, como os efetuados para as bacias do Guarapiranga e Billings, têm mostrado resultados inexpressivos por se concentrarem no saneamento de algumas favelas, sem ampliar áreas protegidas ou prevenir a expansão urbana. Em vez de serem considerados áreas livres para a realização de negócios imobiliários, esses territórios necessitam do reconhecimento prático de sua importância estratégica na depuração e reservação das águas para suprir a população, com regularidade e segurança.

    Mercantilização da água e privatizações

    O saneamento da região submetida à escassez é promovido principalmente pela Sabesp, uma empresa de economia mista controlada pelo governo de São Paulo, que tem 51% das ações. A partir de 2002, suas demais ações passaram a ser negociadas na Bovespa e, em seguida, na Bolsa de Nova York. Em 2008, a Sabesp passou a se dedicar também a outros serviços, como os de águas pluviais, limpeza urbana, resíduos sólidos, além daqueles ligados à energia, em outras regiões do país e no exterior. A descaracterização de sua função pública prosseguiu com a criação3 da Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp), quando pôde assumir participação e controle de capital com outras empresas, formando subsidiárias, nacionais ou internacionais.

    A lucratividade da Sabesp é obtida com o fornecimento de água e a prestação de serviços de esgotos, o que a impele a vender quantidades cada vez maiores de água, cobrando tarifas vantajosas, mesmo dos serviços de esgotamento, que não são prestados para boa parte dos usuários. Além disso, ela não paga os encargos pelo uso de patrimônios públicos, como os reservatórios Guarapiranga e parte das represas do Alto Tietê. Esse conjunto de procedimentos expressa uma política privatizante, que se opõe à consideração da água como um bem público e recurso vital para a população. Essa é a bandeira de luta internacional dos movimentos sociais que querem assegurar a universalização do acesso à água.

    Políticas de gestão da demanda

    A gestão da demanda tem como objetivo ajustar o consumo da água à sua disponibilidade, e nas condições de escassez, como as atuais, sua importância e prioridade devem crescer, ao contrário do que ocorreu. É importante lembrar que as iniciativas para reduzir o consumo de água fazem parte de um programa da Organização Mundial da Saúde (OMS) destinado a contribuir para a saúde pública, avançando no tratamento de esgotos, na manutenção da integridade de ecossistemas e no uso sustentável da água.

    Entre as medidas recomendáveis para ajustar a demanda destacam-se as de redução de perdas na rede; a diminuição do consumo doméstico nos condomínios, incentivada pela instalação de hidrômetros individualizados e pela substituição dos equipamentos sanitários que consomem muita água; e o reúso da água em domicílios, indústrias, estabelecimentos comerciais etc.

    Alternativas de suprimento

    Embora as águas subterrâneas não constituam a principal fonte de abastecimento, elas podem complementar as captações em águas superficiais. Sua qualidade, em geral, é satisfatória e vem sendo explorada como fonte principal em grande número de condomínios, indústrias e outros empreendimentos. Apesar de sua exploração necessitar de uma autorização (outorga), o grau de clandestinidade é elevado, o que ameaça essas águas de duas formas: com a contaminação, pelo reduzido cuidado na manutenção dos poços, e com o rebaixamento do nível dos poços, pela exploração acima da capacidade de recarga, em especial considerando a impermeabilização do solo nas áreas urbanas, onde essa água é mais demandada.

    No atual quadro de escassez é necessário que essas águas sejam destinadas, prioritariamente, para o abastecimento público, revertendo a situação de descontrole em sua exploração privada.

    Gestão de recursos hídricos

    O atual sistema de gestão, que resulta de intensa mobilização de setores técnicos e organizações sociais, constitui um modelo democrático, descentralizado e participativo que permite equacionar conflitos pelo uso da água e todos os projetos que interferem nela, permitindo tomar decisões embasadas em planos de bacia. No entanto, na Bacia do Alto Tietê, onde os problemas de água são os mais graves do estado, o respectivo comitê foi paulatinamente esvaziado, reduzindo as possibilidades de controle social das políticas do setor e da indicação das ações e investimentos que garantam o uso prioritário do abastecimento diante dos demais. Paradoxalmente, os acionistas da empresa de saneamento, situados em países distantes, detêm um poder de decisão sobre o destino das águas onde ela opera maior que o dos participantes do comitê e o dos consumidores submetidos a racionamento por falta de investimentos. Isso ocorre porque os recursos desses investimentos, gerados no pagamento das tarifas (indevidas no caso dos esgotos), são utilizados para pagar dividendos a esses acionistas.

    Como se vê, a “democracia” do capital vem superando todas as demais, com a ajuda de governos voltados a clientes preferenciais. Isso aponta a necessidade de evitar a perda do espaço minimamente democrático de gestão de recursos hídricos, buscando ampliá-lo para um verdadeiro fórum das águas, capaz de promover soluções criativas e agregar parcelas maiores da sociedade nas decisões.

    Evitando-se pressionar demasiadamente nossos governantes, ou as modernas e agora globais empresas de saneamento, há duas ações prioritárias para recuperar a água que nos falta. Elas dependem apenas da aplicação de dois artigos do Código Sanitário Estadual de 1894, o 173 e o 313, que estabelecem, respectivamente, que, “na falta de canalização de esgotos, os resíduos poderão ser lançados nos rios, mas depois de purificados” e que “as matas existentes nas cabeceiras [dos mananciais] deverão ser conservadas do melhor modo possível”.

    http://www.diplomatique.org.br/artigo.php?id=1638

  7. Sérgio T.

    20 de maio de 2014 9:52 am

     “Ficar atrelado ao Mercosul

     

    “Ficar atrelado ao Mercosul é afundar o Brasil”

     

    Para Vera Thorstensen, da FGV, o Mercosul hoje é a prova da incompetência brasileira no comércio internacionalpor Carlos Drummond na Carta Capital    Vera Thorstensen

     

    As maiores apostas do Brasil no setor comercial são a Organização Mundial do Comércio e o Mercosul, mas a primeira é um foro ultrapassado para a ampliação do comércio internacional e o segundo não passa de um acordo para proteger montadoras multinacionais. Este é o diagnóstico de Vera Thorstensen, coordenadora do Centro de Comércio Global e Investimento da FGV-SP sobre a posição internacional do Brasil. Nesta entrevista a CartaCapital, Thorstensen critica o que chama de “escândalo” do Mercosul, a proteção dada pelo bloco às multinacionais automobilísticas, as “maiores exportadores de recursos daqui”, e defende acordos comerciais com países desenvolvidos, como os Estados Unidos e os da União Europeia. “Não adianta casar com pobre”, diz ela.

    CartaCapital: A senhora vem de uma experiência na OMC.

    Vera Thorstensen: Estive por cinco anos no Centro para Estudos Europeus de Políticas Públicas, em Bruxelas, no Banco Interamericano de Desenvolvimento, em Washington e fui assessora econômica da Missão do Brasil em Genebra de 1995 a 2010. Presidi o Comitê de Regras de Origem da Organização Mundial do Comércio. Criei um centro que está indo muito bem, com seis advogados e dois economistas, nas áreas de regulação de comércio externo. A OMC como instituição está muito bem. O mais importante é que tem o tribunal. E este tribunal atua nos painéis, que são disputas, interpreta regras e resolve conflitos. A OMC como rodada (de Doha) está mal, mas como instituição está lá funcionando.

    O que eu faço aqui: regulação. Há também uma área fortíssima de modelagem. E depois tem uma área de câmbio. Outra área é a de acordos regionais. Trabalho tudo com sistema multilateral de comércio, os sistemas regionais – e aí você põe desde os tratados Transpacífico e Transatlântico (Transatlantic Trade and Investment Partnership – TTIP, entre Estados Unidos e União Europeia, e o Trans-Pacific Partnership – TPP entre Estados Unidos, Austrália, Brunei, Canadá, Cingapura, Chile, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Peru e Vietnã) –, os grandes parceiros (India, China, Brics) e depois o Brasil. Em tudo que examino, analiso o que está acontecendo nos grandes parceiros.

    CC: Qual a situação do Brasil em relação aos acordos comerciais?

    VT: Política de comércio externo no Brasil não existe, virou apêndice de uma política industrial inexistente. Você não pode separar política industrial da comercial; como não tem a primeira, a segunda virou um remendo. Sintomas de que as coisas não estão bem: uma exportação que está diminuindo, uma importação que está subindo. O que o Brasil exporta é puramente commoditie para a China. Industrializados, o que conseguia exportar para o mundo não exporta mais, só para o Mercosul porque tem a preferência.

    CC: Com quais países o Brasil deve fazer acordo?

    VT: Com os grandes, não adianta casar com pobre. Ficar isolado é se afundar cada vez mais. Há o exemplo da Argentina. Para mim, ficar atrelado ao Mercosul é a morte, é afundar o Brasil de vez. Onde estão os problemas da indústria internamente? Falta de competitividade, excesso de impostos, de encargos trabalhistas em comparação com outros países, custos de energia dos mais altos, custos do atraso da infraestrutura. Como sai disso? Enterrar a cabeça no chão como a avestruz não resolve.

    CC: E os acordos?

    VT: Vamos ver o que está acontecendo com o mundo. Você tem 160 membros na OMC e a negociação parou. Por que? EUA e UE disseram: é muito complicado com 160 países e vamos fazer a “OMC Transatlântica”. Estão criando o TTIP, que é uma OMC transatlântica. O que o americano faz? As regras que tem na OMC já estão estão ultrapassadas, porque desde 1994 não tem negociação. Eles tentaram fazer alguma coisa em Doha, já desistiram e estão jogando tudo na Transatlântica. Há necessidade de criar regras novas de investimento, meio ambiente, de concorrência, trabalhistas, economia e comércio digitais, é tudo novidade e não vai sair na OMC. Os EUA não conseguem fazer isso em Doha porque ela está muito mais preocupada com os países em desenvolvimento. Então chamaram a Comunidade Europeia para a definição de um novo patamar de comércio. E tem propriedade intelectual (querem passar para 90 anos) e aí o pessoal chia, quebra de patentes e a cláusula investidor Estado. Tudo isso.

    CC: Há impactos enormes para o Brasil.

    VT: Brutais. Propriedade intelectual é um tema sensível para a gente e outro é o problema da cláusula investidor-estado. Leva o investidor estrangeiro aqui no Brasil para julgamento contra o Estado. O investidor tem direito a ressarcimento porque você mudou uma lei. O americano inventou isso por causa do México.

    CC: É uma regra do Nafta…

    VT: Mas a Austrália já disse que no TTP ela não aceita isso. Você não fazer nada com medo disso, não aceito esse argumento. O Brasil é forte e grande o suficiente. Se a Austrália conseguiu, porque nós não conseguiríamos? Os dois grandes acordos mencionados estão mudando a geopolítica. Não contêm só visão de comércio, há uma visão geopolítica também. O TTP é claramente Estados Unidos dizendo aos países para não ficarem amarrados à China. Eles produzem componentes, a China monta e exporta para o resto do mundo. Portanto a China foi fator para o TTP e o é para o TTIP, porque está tirando todo mercado de produtos industrializados da Europa nos Estados Unidos.

    CC: Assim como tira mercado do Brasil na Argentina…

    VT: Claro. Então você tem dois acordos novos que são importantes e estão estabelecendo as regras e o Brasil só está na OMC. Há uma proliferação dos acordos regionais e o Brasil está fora. O Mercosul estáshrinking, diminuindo. Há um acordo que nem ratificou com a África do Sul e envolve 400 produtos, outro com a Índia envolvendo 460 produtos de cada lado. Desde quando países em desenvolvimento conseguem exportar uns para os outros? Não conseguem, porque produzem as mesmas coisas. Então é dificílimo conseguir algum resultado significativo, esse é que é o problema. O Chile faz com os Estados Unidos porque são muito complementares, os africanos fazem com a UE. Mas Brasil e Índia não sairão desses 460 produtos, o restante é sensível demais. Como é que fica?

    CC: Se bem que com o Mercosul funcionou bem depois da crise de 2008.O comércio do Brasil com o Mercosul caiu menos que com o resto do mundo.

    VT: Não exportamos mais para o resto do mundo. Depois de quatro anos iniciais de boom, que não devem ser considerados em nenhuma estatística como alguns fazem, acabou-se a alegria, a preferência zero valeu. O correto é analisar logo depois de 1994, quando estabilizou. As exportações de manufaturados brasileiros estão desabando no resto do mundo, só sobem na Argentina e alguém acha isso uma maravilha? Isso apenas prova que só conseguimos exportar para a Argentina e não temos competitividade para exportar para nenhum outro país. É isso o que está acontecendo. O Mercosul hoje é a prova da incompetência brasileira. É muito mais sério do que se imagina. Não temos competitividade para exportar para mais nenhum lugar. O Mercosul não agrega nada. A gente exportava um monte de componentes de automóvel para os EUA, parou de exportar tudo. Alguma coisa está errada. O segundo grande desafio hoje são as cadeias globais de valor. O mundo inteiro, o que faz? Importa e reexporta. A China é exemplo, todos os asiáticos, a Europa inteira. E nesse quesito, o Brasil está lá na rabeira.

    CC: Só tem uma empresa integradora, que é a Embraer.

    VT: Vamos nos integrar ou não? O problema é trazer tecnologia. Quem é que manda nas cadeias globais? São as transnacionais. No momento em que você se integra nessas cadeias consegue trazer alguma tecnologia. E o Brasil, com algumas exceções, está muito atrás em termos de inovação tecnológica .

    CC: Você tem tudo aqui, expertise de montadoras e autopeças.

    VT: O problema é o seguinte, esta é a decisão: você quer que o Brasil seja um país exportador de agrobusiness, que vai muito bem, obrigada? Se essa é a decisão do governo, então abre a tarifa para tudo e zera de uma vez para importar o resto.

    CC: O Brasil não é o Chile.

    VT: O Brasil não é o Chile, tem que ter indústria, tem que ter agrobusiness e tem que ter serviço.

    CC: E tem uma indústria.

    VT: Claro. E olha que eu posso lhe dizer com a autoridade de quem foi Cepalina [referência à Comissão Econômica para a América Latina] e trabalhou no Befiex [programa brasileiro de incentivo à exportação]. No tempo em que estava no CNPq, trabalhei na lei de informática. Temos que reconhecer que não deu, tentamos mas não deu. Analisemos a exportação do Mercosul. 50% é o que? É automóvel e autopeça. É uma vergonha, o Brasil é um tratado que está defendendo multinacional, os maiores lucros das multinacionais são mandados para fora. Elas arrancam tudo do governo, por causa do emprego, teoricamente. No fundo, são os maiores exportadores de recursos daqui. Entra no Mercosul para ver o que é: é um acordo setorial, em que se protege as montadoras. Que são ineficientes, os carros brasileiros estão entre os mais caros do mundo, é um escândalo total. Você está defendendo um acordo de multinacional, primeiro. E segundo: o restante da pauta é máquina de lavar, linha branca. Porque não há competitividade para mais nada. Como dizer que o Mercosul é uma maravilha? E a China vai entrando, porque comprou uma quantidade imensa de títulos argentinos, e está enfiando muito dinheiro no petróleo em Vaca Muerta, a principal ocorrência de petróleo shale do pais. Hoje o investimento chinês na Argentina é um dos maiores, 15 bilhões de dólares por ano.

    Eu participei da criação do Mercosul, com o todo idealismo possível e imaginável, acreditávamos que era importante. Era em primeiro lugar uma questão de segurança, vamos parar de enterrar as nucleares todas. Funcionou no início, depois parou de funcionar. Pior ainda, o Mercosul está com problemas, há pouca competitividade, os argentinos perceberam a atratividade dos negócios com os chineses. Ficamos brigando com a Argentina, conseguimos fazer uma aliança com a Venezuela, mas perdemos a Colômbia, o Peru. O Chile tem 50 acordos, o México tem 50 acordos. O Brasil está isolado no Mercosul.

    CC: O Chile não é referência para nós.

    VT: Nunca foi.

    CC: Nem o México.

    VT: Mas já perdemos Colômbia, Peru. O conceito do Mercosul está ultrapassado, é preciso fazer umaggiornamento [uma atualização]. Achar que a prioridade do Brasil é a América do Sul, não dá. Olha a tragédia: você está com pouca competitividade, um monte de problemas, e esses países todos estão fazendo acordos. A China chegou ao Peru, está fazendo investimentos maciços lá. Na Colômbia, está construindo um outro “canal do Panamá”.

    CC: Concorrente do original?

    VT: Exatamente. O resultado é que a China vai pegar esses países que exportam os minérios que ela quer e fazer o que? Vai enfiar toda a produção por esses países. E aí chego ao meu outro tema, o câmbio. A China está há 20 anos com o câmbio hiperdesvalorizado. Então todos os instrumentos e regras jurídicas que a gente inventou não funcionam mais. Tem que refazer. Por quê? Todos esses países já entram no Brasil com tarifa nula. Então você está no pior dos mundos.

    CC: A China já tomou parte do mercado do Brasil na Argentina.

    VT: O último ponto é o que fazer. O Brasil está na situação de se ficar o bicho come, se correr o bicho pega. A gente está vivendo isso. Quais são as opções no mundo? Abrir ou fechar. Fechar, aumentar tarifas, esse tipo de coisa, é ir na contramão.

    CC: Países desenvolvidos, no início, protegeram seus mercados.

    VT: A China em todas as fronteiras organizou zonas francas. Investimento estrangeiro e tecnologia foram para lá. O roteiro de exportação da China, o Brasil não fez, que é abrir toda a fronteira e condicionar o investimento estrangeiro à exportação e à transferência de tecnologia.

    CC: Que são as Zonas Econômicas Especiais

    VT: É isso aí.

    CC: Começaram com quatro, hoje são muitas.

    VT: E é economia de estado, em todas as províncias.

    CC: O governo controla toda moeda estrangeira.

    VT: Outra coisa, China não é economia de mercado, é uma economia híbrida. E nós, fazemos o quê? Ficamos só com a Argentina e afundamos junto? Ou abrimos à chinesa? A estratégia que eu defendo é fazer acordo, não com pobre, não adianta fazer acordo Sul-Sul, sinto muito. Porque acordo com a Índia não dá, a Índia não quer abrir, porque a gente exporta as mesmas coisas. Com a África do Sul, o acordo é ridículo, são pouquíssimos produtos. Fez com o Egito, maior, mas não ratificou. O Brasil não tem acordo nenhum, gente. Sul-Sul não funciona. E qual é o problema do Sul-Sul? É muito de dominação, o Brasil acha que vai dominar, você não consegue tecnologia. Temos que fazer um aggiornamento rapidíssimo de tecnologia. E como é que você faz isso? Casando com pobre? Não. Obrigar multinacional a vir para cá e trazer tecnologia? Não fai fazer. Então o que é que tem de fazer?  Tem de abrir, via acordos e fazer o quê? Fazer acordos com países ricos. O acordo do Mercosul com a União Europeia é a coisa mais prioritária. Só que metade do governo quer, metade não quer, porque a UE não vai abrir para a nossa agricultura. Não vai abrir muito mais do que isso, e você tem de pensar que o que queremos não é só agricultura. Se não fizermos acordo com a UE, perderemos as cotas europeias, os EUA são mais poderosos e vão comer as nossas cotas de laranja, soja, carne. Aí estaremos no pior dos mundos.

    Deram um chega pra lá e a proposta está aqui. Agora, o que está acontecendo é que o governo está dividido, tem gente que acha que não deve fazer, eu acho um erro não fazer. Porque você ainda consegue pegar a tecnologia alemã, tecnologia francesa, tem países que podem ajudar o processo. De quê? De aumentar a produtividade e fazer o Brasil voltar a ter uma pauta exportadora mais decente. Caso contrário, vai exportar soja e minério de ferro, que é o que a China quer. Que incompetência política a nossa, de não conseguir exportar nada além do complexo de soja e do de minério de ferro. Eu acho isso uma grande incompetência, a gente não conseguir fazer isso com um grande parceiro.

    CC: Tem como concorrer?

    VT: Tem que chamar a China e dizer: exportar soja não, queremos exportar óleo. Há outro problema. Há lógica em fazer um acordo do Mercosul só com a União Europeia se esta faz um acordo transatlântico? EUA, Europa, estes dois estão casados. O mais importante para o comércio hoje não são as tarifas. Tarifa o câmbio come, a flutuação do câmbio é mais importante do que a tarifa. Essas tarifas de 10%, não valem nada. Estamos há 15 anos negociando, Brasil e UE, focando na briga por tarifa. Muito mais importante é barreira técnica e fitossanitária. Esta é a base dos grandes acordos e os Estados Unidos e a União Europeia estão se harmonizando nessa área. Já são 10 mil produtos na lista dos harmonizáveis. Acertam padrões de alguns produtos, por exemplo: a camisa não pode soltar tinta, etc. E em relação a outros, vão fazer equivalência no nível de proteção. E há os famosos reconhecimentos mútuos, que é a coisa mais importante. O europeu vai no instituto de lá, certifica que o produto foi bem feito e exporta sem ter de certificar nos EUA. São muitos milhares de dólares economizados.

    CC: Fale mais um pouco sobre esse ponto dos reconhecimentos mútuos.

    VT: Como é que você exporta um alimento pela primeira vez? É preciso provar que o seu suco de laranja não tem inseticida, adubo, químico. A carne brasileira não pode ser tratada com hormônio. Há especificações que equipamentos supersofisticados detectam. Hoje, a cada partida você tem que provar que aquele gado é são, que está dentro daquelas normas etc. Mas se há um acordo de reconhecimento mútuo, você vai aqui num laboratório conhecido teu, que já está reconhecido nos EUA e ele dá o certificado. Não tem que mandar toda a sua carga de tantas em tantas toneladas para aquele laboratório, o que demora, atrasa, fica parado no porto. Um inferno.

    E tem toda parte de TBT. Você tem que pegar a mesa, o plástico e provar que não é cancerígeno. Quer dizer, se você, a cada partida, tem que provar, custa milhões para fazer isso. Toda parte que a gente chama de barreira técnica é isso, estabelecer e certificar que isso tem glúten, etc. Normalmente se faz a certificação aqui e tem de fazer lá também. São milhares e milhares de dólares gastos.

    É mais complicado fazer tudo isso com os EUA porque os Estados têm autonomia. A Europa, não, a comunidade europeia é mais condensada. É difícil, mas eles vão fazer. Estão conseguindo trabalhar não por harmonização, mas por equivalência. Eu faço diferente, mas garanto que a sanidade é a mesma. Eles estão estabelecendo equivalências de controle. Com isso você tira de 10% a 15% do custo da exportação. A tarifa na média não chega a isso.

    CC: Isso entre eles.

    VT: Entre Europa e Estados Unidos. E nós estamos ainda no tempo do onça, negociando um acordo com a Comunidade Europeia baseado só em tarifas. O mundo mudou. Há duas coisas que destroem tarifa, barreira não tarifária, que é muito mais importante e câmbio.

    CC: No caso do Brasil, que tamanhos têm as barreiras não tarifárias e tarifas?

    VT: A média das tarifas brasileiras é de 10%, fora o pico de 35% para brinquedos e automóveis. Isso vai ter que baixar em 10 anos. Agora, o restante já está baixo. Você pode com a Comunidade Europeia tranquilamente fazer negociação, para alguns produtos dá já, em dois, três anos zera, e depois vai esticando, põe lá para alguns setores 15 anos; teoricamente o teto seria de 10 anos, mas você negocia.

    CC: A quanto equivalem as barreiras não tarifárias?

    VT: A redução de custo com diminuição de barreiras não tarifárias pode chegar a 20% ou até mais. No estudo Ecolys, sobre barreiras tarifárias, não tarifárias e alfandegárias, há setores em que a redução chega a 30%.

  8. Sérgio T.

    20 de maio de 2014 10:34 am

    Marqueteiro de Aécio tenta comprar perfil “Dilma” Bolada no Face

     

    Marqueteiro de Aécio tenta comprar perfil “Dilma” Bolada no Facebook 

     

    20 de maio de 2014 | 03:07 Autor: Fernando Brito

    beijinhonoombro

    Num post publicado no final da noite de ontem, Jeferson Monteiro, o jovem e talentoso criador do perfil satírico Dilma Bolada, um grande sucesso da internet, revela as propostas que recebeu de um grupo que tem à testa Pedro Guadalupe, apontado pela Folha como “marqueteiro digital” de Aécio Neves.

    Procurado por alguém para conversar sobre uma proposta comercial, Jeferson “deu conversa” e, como ele narra, “o cara me retorna o contato dizendo que falou com o Pedro Guadalupe, membro da equipe digital de Aécio Neves, que por sua vez queria falar comigo.”

    “Nem deu tempo d’eu responder: o próprio Pedro Guadalupe me enviou um e-mail ansioso se fazendo de amigo, no melhor estilo “lobo em pele de cordeiro” num cinismo sem igual e como se nunca tivesse feito nada pra mim, querendo saber se era mesmo verdade que Dilma Bolada, estava a venda para aproveitar a personagem e usar o seu “capital político/poder para mudar opiniões” dos internautas.
    Guadalupe, conta Monteiro, já havia ameaçado tirar o “domínio” Dilma Bolada no Facebook.

    A resposta de Jeferson Monteiro é pública, postada em seu Facebookpessoal:

    “Resolvi expor tudo isso aqui porque eu há mais de 1 ano venho sido constantemente atacado por pessoas dessa corja. Sujos e cínicos que têm a capacidade de inventarem mentiras absurdas que vão desde histórias de que mantenho “ligação direta com a Presidenta” até “de sou pago com o dinheiro público e recebo R$120 mil/mês” como foi dito recentemente num blog de simpatizantes tucanos. Não Pedro Guadalupe, eu não quero o dinheiro sujo de vocês. Diferentemente de você eu tenho caráter. Mas é esse o tipo de gente, que Aécio que diz com a maior cara de pau do mundo que “não vai tolerar campanha suja na internet” mantém na equipe, em contato constante com sua irmã, fazendo o possível e impossível para atacar a honra das pessoas e espalhar todo esse chorume de desinformação na internet.”

    Guadalupe – que já tentou arranjar encrenca com este Tijolaço quando mostramos que, dois anos antes de se oferecer para a marquetagem de Aécio, escrevia artigos em seu site chamando-o de “O abominável homem dos Neves” e acusando-o de manipular a imprensa – vai ter que carregar as lições de um guri que não confunde ter talento humorístico com ter um caráter que seja uma lastimável piada como o seu:

    “(…)eu queria dizer que nem todo mundo tem seu preço. E que eu e nem a minha criação estão a venda, nunca estiveram. Eu esperei ansiosamente pra escrever isso: vocês podem comprar quem quiserem mas a mim não. O que eu faço não há dinheiro no mundo que pague. Vocês deveriam ter sido um pouquinho mais espertos e terem tido o feeling pra saber que eu não sou e nunca vou ser como vocês. Lealdade não se compra e nem se vende.

     

  9. IV AVATAR

    20 de maio de 2014 12:51 pm

    Sobre o poder de manipulação da imprensa

     

     Movimento Direito Para Quem11 h · 

    “A imprensa é tão poderosa no seu papel de construção de imagem que pode fazer um criminoso parecer que ele é a vítima e fazer a vítima parecer que ela é o criminoso. Esta é a imprensa, uma imprensa irresponsável. Se você não for cuidadoso, os jornais terão você odiando as pessoas que estão sendo oprimidas e amando as pessoas que estão fazendo a opressão.”

    Malcolm X

     

  10. Rorgério Marco Antonio Silva

    20 de maio de 2014 2:01 pm

    Vítimas da imprensa: Mário Gomes

     

     

    A história que deu origem a um dos boatos mais longevos do mundo artístico – o de que o ator teria sido internado num hospital, em 1984, em decorrência de uma cenoura enfiada no ânus. Sobre a lendária história, que este mês está completando 30 anos, ele fala sem rodeios. “A matéria foi uma cilada plantada por vingança porque eu e Betty Faria nos apaixonamos”, afirma.


    O tal boato da cenoura está fazendo 30 anos. O que ficou dessa história?

    Não imaginei que fosse prejudicar meu trabalho, mas aquilo atrasou minha vida. Minha ingenuidade me levou a sérios descaminhos, mas está tudo superado.

    http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/bruno-astuto/noticia/2014/05/trinta-anos-depois-de-boato-da-cenoura-bmario-gomesb-vai-estrelar-peca-autobiografica.html

  11. Maria Luisa

    20 de maio de 2014 5:01 pm

    Operação Ararath : PF prende José Riva em MT

     

    PF prende deputado ficha-suja e faz buscas na casa de governador de MT

     Operação investiga desvio de recursos e lavagem de dinheiro; ex-secretário da Copa também foi presoParlamentar José Riva responde a mais de 100 processos e é considerado o maior ficha-suja do BrasilEnviarImprimir 

    ANSELMO CARVALHO PINTO(EMAIL)

    Publicado:20/05/14 – 10p5Atualizado:20/05/14 – 12p6O deputado estadual José Riva Foto: Divulgação/Assembleia Legislativa do Mato Grosso

    O deputado estadual José Riva Divulgação/Assembleia Legislativa do Mato Grosso

    CUIABÁ – A Polícia Federal prendeu na manhã desta terça-feira o deputado estadual José Riva (PSD) e o ex-secretário da Copa de Mato Grosso Éder Moraes. Eles são os principais alvos da quinta fase da operação Ararath, que investiga um esquema de desvio de recursos e lavagem de dinheiro.

    Considerado o maior ficha-suja do Brasil, Riva é ex-presidente da Assembleia Legislativa, de onde foi afastado em razão de um dos mais de 100 processos a que responde.

    Além de dirigir a Secopa, Eder Moraes foi secretário de Fazenda e da Casa Civil na administração do ex-governador Blairo Maggi (PR). Não está claro se os crimes investigados têm relação com a Copa do Mundo.

    A operação também realizou busca e apreensão no apartamento e no gabinete do governador Silval Barbosa (PMDB).

    O esquema começou a ser investigado com a descoberta de que uma factoring de Cuiabá, de propriedade do empresário Gérsio Marcelino Mendonça Filho, realizava operações de crédito com políticos e empresários sem autorização do Banco Central.

    Os agentes federais também fizeram buscas na casa e no gabinete do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Sérgio Ricardo. Quando era deputado estadual, Ricardo se revezava com Riva na presidência e na primeira secretaria da Assembleia, os dois principais cargos do Legislativo estadual.

    Outro alvo da operação é o prefeito de Cuiabá Mauro Mendes (PSD), que também é um dos empresários mais ricos de Cuiabá, com patrimônio declarado de R$ 116 milhões. Agentes da PF estiveram dentro da prefeitura atrás de documentos.

    Os policiais chegaram à casa e ao gabinete de Riva no início da manhã. Depois de fazer as buscas, o gabinete foi lacrado por agentes federais. Até as 9p0, uma equipe ainda permanecia na casa do parlamentar.

    Seus assessores de imprensa confirmaram a operação. Nas próximas horas, deverá ser elaborada uma nota de esclarecimento.

    A primeira fase da operação Ararath foi desencadeada em novembro do ano passado, com o cumprimento de 11 mandados de busca e apreensão. Na época, o principal alvo foi o empresário Gércio Mendonça Júnior. Os primeiros passos da operação se concentrou em empresários. Agora é a vez do braço político do esquema.

    Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/pf-prende-deputado-ficha-suja-faz-buscas-na-casa-de-governador-de-mt-12540108#ixzz32HAzHT4C 
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  12. Fiódor Andrade

    20 de maio de 2014 5:12 pm

    Há 34 anos, Lula era libertado
    Há 34 anos, Lula era libertado mudamais.com 

    No dia 19 de abril de 1980, Luiz Inácio Lula da Silva  foi preso pelo DOPS, a polícia política do governo ditatorial.  Seu crime? A liderança sindical, a capacidade de mobilizar trabalhadores, de ser a voz dos operários, de incomodar o status quo. Foi acusado de ferir a Lei de Segurança Nacional. Lula estava em seu segundo mandato como presidente do Sindicato de Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema. Além de Lula, foram presos também outros líderes do movimento sindical, como Djalma de Souza Bom, Rubens Teodoro de Arruda e Enilson Simões de Moura, o Alemão.

    Foram 31 dias preso devido ao que foi conhecido como “Greve dos 41 Dias”, maior paralisação de trabalhadores no Brasil até então, por mais salários, mais direitos trabalhistas e condições mais dignas de trabalho. Lula estava na cadeia por lutar por justiça e por respeito.

    No dia 1º de maio de 1980, mesmo com os principais líderes sindicais presos, 120 mil trabalhadores do ABC paulista se reuniram em comício. No dia 5, como forma de pressionar para retomada das renegociações trabalhistas, Lula e seus companheiros iniciam greve de fome, que duraria seis dias.  No dia 11, a greve acaba após demissões sumárias e forte repressão policial.

    Dia 12 de maio, Eurídice Ferreira de Melo, D. Lindu, mãe de Lula, morre de câncer. No dia seguinte, Lula é escoltado por policiais para ir ao enterro da mãe –  onde o aguardam 2 mil trabalhadores em sinal de apoio e respeito à luta. Finalmente, em 20 de maio de 1980, Lula é libertado. No ano seguinte, ele é condenado a 3 anos e 6 meses de prisão – sentença que nunca chega a cumprir, uma vez que, tentando desfazer a injustiça cometida,  o Superior Tribunal Militar anulou seu processo. 

    Em 1986, Lula foi o deputado constituinte mais votado.  Em 1989, 1994 e 1998, concorreu nas eleições à presidência da república, sem sucesso. Finalmente , em 2002, Lula tornou-se o primeiro presidente operário  do Brasil, sendo reeleito em 2006 e deixando a presidência com índices recordes de aprovação. Ousar lutar, ousar vencer!

    Source: http://mudamais.com/divulgue-verdade/ha-34-anos-lula-era-libertado

  13. Gão

    20 de maio de 2014 7:27 pm

    CIA nunca mais usará campanhas de vacinação falsas

    CIA nunca mais usará campanhas de vacinação como cobertura das suas operações

     

    20/05/2014 – 17:10

    Promessa foi feita pela Casa Branca, após protesto de universidades. Disfarce foi usado para identificar casa de Bin Laden.

    Vacinação no Paquistão acompanhada de polícia, na zona de Peshawar Fayaz Aziz/REUTERS  

    A Casa Branca prometeu que os agentes da CIA nunca mais se farão passar por profissionais envolvidos em campanhas de vacinação, como aconteceu no Paquistão, nas operações para chegar até ao esconderijo de Osama bin Laden. É a resposta a uma intensa chuva de críticas e responsabilização pelos ataques contra os trabalhadores de saúde pública naqueles países da Ásia Central e até mesmo pelo ressurgimento da poliomielite como uma ameaça global, quando estava praticamente erradicada.

    A promessa é uma resposta de Lisa Monaco, assistente do Presidente Barack Obama para a Segurança Interna e Contra-Terrorismo, a uma carta enviada em Janeiro pelos reitores de 12 das mais importantes faculdades de Saúde Pública norte-americanas, entre as quais os das universidades de Columbia, Harvard e Johns Hopkins. Nesta carta protestavam contra o precedente aberto pela agência de espionagem norte-americana ao ter feito com que um cirurgião paquistanês, Shakil Afridi, se introduzisse na residência de Bin Laden, em Abbottabad, sob o falso pretexto de estar a conduzir um inquérito sobre a cobertura da imunização contra a hepatite.

    Afridi acabou por ser condenado por traição pela justiça paquistanesa e foi condenado a 23 anos de prisão. “Usar os esforços humanitários e de saúde pública como cobertura para a espionagem teve consequências colaterais graves que afectam a comunidade de saúde pública”, escreveram os reitores na carta, citada pelo The Washington Post. “Esta falsa campanha de vacinação excedeu os limites de danos” que podem ser aceitáveis pelas necessidades de segurança da nossa sociedade, acrescentam.

    Pelo menos nove profissionais de saúde que participavam em campanhas de vacinação contra a poliomielite no Paquistão – onde resistiam ainda algumas bolsas do vírus que causa a paralisia infantil – foram mortos desde então e o esforço de imunização foi muito diminuído. Além disso, como muitos dos combatentes internacionais que estão na Síria recebem treino nas zonas de fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão, a doença alastrou à Síria.

    A falta de condições de saúde na Síria, um país destruído pela guerra, e a fuga dos refugiados fizeram alastrar a poliomielite para mais de uma dezena de países, até ao ponto de a Organização Mundial de Saúde (OMS) ter já este mês declarado um estado de emergência mundial, pedindo aos diferentes países uma “acção coordenada” no combate à disseminação do vírus.

    A Europa, que recebe muitos refugiados sírios, é uma zona onde o vírus se pode espalhar – no entanto, também é uma área do mundo onde há uma boa cobertura da vacinação, por isso não é de esperar que as pessoas fiquem doentes.

    http://www.publico.pt/mundo/noticia/cia-nunca-mais-usara-campanhas-de-vacinacao-como-cobertura-das-suas-operacoes-1636756

  14. Gilberto .

    20 de maio de 2014 7:39 pm

    79 anos de Pepe Mujica

    Do El Observador (Uy)

     

    El mundo saluda a Mujica por su cumpleaños

     

     

    Usuarios de redes sociales de todas partes del mundo, en varios idiomas, enviaron mensajes al presidente que hoy cumple 79 años

     

     + – 20.05.2014, 13:05 hs – ACTUALIZADO 13:22 

     

    Tuits cumpleañeros

    View image on Twitter

    rui borges @homo_viator

    “The only good addiction is , forget everything else.” Happy 79th birthday, presidente !

    7:26 AM – 20 May 2014

     

  15. Osvaldo Ferreira

    20 de maio de 2014 10:38 pm

    Aécio Neves “confunde” regulação da mídia com censura

    O Cafezinho: Aécio e a concentração da mídia

    Tucano contrapôs Lula, que em encontro com blogueiros defendeu regulação do setor.

    20 de maio – 9:20

    Por Miguel do Rosário, O Cafezinho

    Num evento em Curitiba, o presidenciável Aécio Neves criticou Lula por defender a regulação da mídia. Por uma dedução lógica, então posso dizer que Aécio é a favor do oligopólio dos meios de comunicação.

    Segundo publicado no site do Globo, ao comentar entrevista de Lula a blogueiros na semana passada, Aécio afirmou:

    – É incrível que o PT, defensor da volta da democracia, queira trazer a agenda da censura para a discussão.

    Segundo o senador mineiro, “a liberdade de imprensa é inegociável, é um valor inalienável” e não pode ser usada por um governo como “instrumento” de manutenção do poder.

    Com isso, Aécio rechaça qualquer “mudança” que pretenda oferecer ao Brasil. Sua resposta foi previsível. Se fizesse uma observação minimanente crítica à absurda concentração dos meios de comunicação no país, teria ganho pontos com muita gente. Fosse mais inteligente, mencionaria conceitos caros à democracia, como pluralidade de opiniões e respeito a diversidade.

    É uma excelente oportunidade para Dilma marcar um golaço. Se ela der uma declaração inteligente, dizendo que não é contra censura, mas que o Brasil deveria debater, democraticamente, uma regulamentação dos meios de comunicação, nos moldes do primeiro mundo, ajudaria a desmanchar a imagem conservadora renhida que tem erodido rapidamente sua popularidade, até mesmo por ser incoerente com a expectativa da população.

    Os eleitores de Dilma votaram numa mulher aguerrida, de esquerda, dona de opiniões fortes, nacionalista, com um histórico de luta contra a ditadura. Em sua biografia, destaca-se a frase: “da vida o que se pede é coragem”. O eleitorado se ressente de gestos que remetam a essa coragem. A popularidade de Dilma atingiu os píncaros quando ela enfrentou os bancos e impôs fortes redução do spread.

    Está na hora de se aproveitar da deixa de Lula e emitir também uma opinião sobre a regulamentação da mídia. As pessoas querem mudança. Se apenas o Lula ousar falar em mudança, o movimento “volta Lula” vai continuar crescendo.

    – See more at: http://www.ocafezinho.com/2014/05/20/aecio-afirma-ser-a-favor-da-concentracao-da-midia/#sthash.ju6o5QLp.dpuf

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