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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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  1. Vânia

    23 de maio de 2014 4:23 am

    As mentiras que contam sobre nós
    Desconstruir o mito de que mulheres são todas inimigas é um passo importante no combate ao machismo. Por Aline Valek, no blog Escritório Feminista Amigas

    Inimigas. Invejosas. Recalcadas. Fofoqueiras.

    Foi isso que nos ensinaram: que não poderíamos confiar umas nas outras. Cochicharam em nossos ouvidos que mulher é tudo falsa. Nos disseram que as outras eram interesseiras, traiçoeiras, que roubariam nossos namorados, que tentariam chamar mais a atenção, que eram vagabundas, sempre uma ameaça.

    Ensinaram a lição e mostramos que aprendemos quando dizemos que “mulher trabalhando junta não presta”, ou quando nos orgulhamos ao dizer “não tenho amigas mulheres”, ou quando odiamos aquela garota sem motivo algum, ou todas as vezes que julgamos a sexualidade da colega ou ainda quando atacamos, humilhamos ou desprezamos a outra apenas para buscar as migalhas da aprovação masculina.

    Como pudemos acreditar nessas mentiras por tanto tempo?

    É tentador acreditar que “somos diferentes das outras” para tentar colher as recompensas por ser uma “boa garota”. Eu sei. O problema é que essas recompensas nunca virão. Se hoje odiamos as outras mulheres e não hesitamos em julga-las, atacá-las ou exclui-las, nada impede que amanhã os dedos que apontam para elas se voltem para nós mesmas. Hoje, a vagabunda é a “outra”; amanhã pode ser eu ou você. Nenhuma de nós está imune – e por isso mesmo, por mais diferentes que sejamos, há muito mais em comum entre nós do que você possa imaginar.

    Colocaram entre nós essa espessa cortina de rivalidade para que não sejamos capazes de nos enxergar de verdade. Para nos isolar. Para que, divididas, nos enfraqueçam. Consegue imaginar a quem isso possa interessar? Se eu e você sempre nos considerarmos inimigas, vamos poder esquecer de combater as estruturas da sociedade feitas para nos manter nos nossos devidos lugares. Se eu e você nunca nos considerarmos aliadas, seremos mais facilmente vencidas. Parece até teoria da conspiração, mas basta olhar ao seu redor. Basta olhar para a sua própria vida.

    Então está na hora de tentar ver além dessa cortina e, ao invés de olhar para o que nos difere, tentar encontrar aquilo que nos aproxima. Talvez você se surpreenda ao encontrar do outro lado não esse estereótipo odioso que nos venderam, mas uma mulher igual a você. Um ser humano tão único, multifacetado, com falhas e atributos positivos, assim como você mesma.

    Mas tome cuidado: transpor essa cortina, apesar de simples, é algo tão poderoso que vai deixar muita gente nervosa. Terão ataques de raiva, vão querer te ridicularizar, te calar, fazer você voltar para o seu estado anterior. Para muita gente, nada que mude pode ser algo bom. Mas você pode imaginar o motivo, né? Normal que essa gente fique tão insegura. Afinal, quando descobrimos que não precisamos lutar umas com as outras, podemos fazer coisas incríveis.

    Imagine quanta coisa pode ser diferente se, ao invés de cerrarmos os punhos, estendermos a mão para aquela outra mulher. Imagine poder olhar para nossas irmãs negras, brancas, indígenas, jovens, velhas, cissexuais, transsexuais, heteros, bi, lésbicas, magras, gordas, com ou sem deficiência, baixas, altas e ver que mesmo com tantas diferenças há algo profundo que nos conecta.

    Com essa simples mudança de atitude e de pensamento vamos rasgar em mil pedacinhos e ainda sapatear em cima de uma das mais perversas mentiras que contam sobre nós. E, de quebra, ainda podemos conhecer novas amigas. Mulheres com quem vamos poder nos divertir, compartilhar momentos e contar com elas para o que der e vier.

    Que possamos mandar um recado para as outras mulheres e não seja de ódio, desprezo ou julgamento; mas um “estamos juntas”. Porque juntas somos mais fortes para combater as armadilhas machistas do nosso mundo. Porque só juntas sobreviveremos.

    http://www.cartacapital.com.br/blogs/escritorio-feminista/as-mentiras-que-contam-sobre-nos-2270.html     

     

  2. Vânia

    23 de maio de 2014 4:25 am

    Céu nublado, sujeito a chuvas e trovoadas… no PSoL

    Luciana Genro sairá de chapa à presidência se PSOL não lançar Safatle em SP

     

    Psolista publica carta dura ao partido e seus militantes ameaçando não ser mais a pré-candidata a vice presidente se o filósofo não for, novamente, o candidato ao governo paulista.“Não podemos perder este tempo em lutas internas e em polêmicas não construtivas”

    Por Igor Carvalho

    Na noite da última quinta-feira (22), Luciana Genro publicou uma carta destinada ao PSOL e seus militantes, afirmando que renunciará ao seu cargo de pré-candidata a vice presidência do partido se o filósofo Vladimir Safatle não for recolado na condição de pré-candidato ao governo de São Paulo.

    Luciana demonstrou insatisfação com a troca de Vladimir Safatle pelo professor Gilberto Maringoni e pediu que a direção do partido, em São Paulo, “reconsidere sua decisão e escute os apelos de todos os militantes”, que segundo a psolista anseiam pelo retorno do filósofo.

    “Para que minha disposição e vontade de construir o PSOL e a unidade da frente de esquerda não se resuma a palavras e a apelos, quero apresentar minha disposição em renunciar ao lugar de pré-candidata a vice presidente”, afirmou Luciana Genro.

    Ainda na carta, a psolista demonstra preocupação com a nova candidatura apresentada pelo partido para São Paulo. “Como todo o respeito que devemos ter por [Gilberto] Maringoni, seu nome divide o PSOL, inviabiliza a frente com o PSTU e a frente de esquerda e não tem condições de se apresentar como um pólo alternativo ao PT e ao PSDB.”

    Luciana encerra o documento dando ao partido o prazo de um mês para que o imbróglio se resolva. “Mas não podemos perder este tempo em lutas internas e em polêmicas não construtivas.”

    Foto de capa; Reprodução/Facebook de Luciana Genro

     http://www.spressosp.com.br/2014/05/23/luciana-genro-saira-de-chapa-presidencia-se-psol-nao-lancar-safatle-em-sp/

     

  3. Assis Ribeiro

    23 de maio de 2014 8:53 am

    A retórica do ódio avança

    Teori Zavaski, ministro do Supremo Tribunal Federal, manda soltar os presos da operação “Lava Jato”. Uma torrente de críticas.

    Teori atende aos argumentos do juiz federal Sergio Moro, muda de opinião e decide manter as prisões. Uma torrente de críticas.

    Quem hoje critica Teori porque mandou soltar, aplaudia quando o ministro Gilmar Mendes mandava soltar Daniel Dantas.

    Quem criticou Gilmar Mendes por mandar soltar Dantas, hoje acha bacana Teori mandar soltar presos.

    O juiz Moro era criticado por quem queria Dantas solto. Hoje é aplaudido pelos que o criticavam. Que agora torcem pela manutenção das prisões.

    A lógica binária segue conquistando adeptos. Ou é isso ou é aquilo. E ai de quem crê em muito mais, ou em muito menos.

    Entre os que usam viseira, uns vibram com cada ponto a mais na inflação, pregam o nãovaitercopa e por tudo avacalham o Brasil.

    Fazem de conta que o país é só o que conseguem enxergar; mesmo que não enxerguem quase nada. O que presta são “eles”. O que não presta são os “outros”.

    Assim fazem porque capturados pela retórica do ódio que alimenta a expectativa de poder.

    Outros são a favor da Copa e temem alta na inflação. Mas, sem muito segredo, torcem para que falte água, cada vez mais, e siga a violência em São Paulo.

    (Como é, a violência, no Brasil todo.)

    O fazem por crer que assim comprovarão suas teses. E porque prisioneiros da mesma retórica do ódio.

    Mas há, claro, dezenas e dezenas de milhões de brasileiros que ainda querem crer em algo. Só não sabem em que ou em quem.

    Porque na briga pelo poder os binários apontam os erros, e apenas os erros, de todos. E todos dizem que todos são ladrões.

    Parece não sobrar nada e nem ninguém. E assim falta, e faltará autoridade.

    A polícia faz greve… linchamentos se espalham…sindicatos autofágicos param a maior cidade do país… valem o “primeiro o meu” e o vale-tudo nas manchetes.

    Nas ruas, e no ar, violência. E perplexidade. A retórica do ódio avança e corrói as instituições.

    http://terramagazine.terra.com.br/bobfernandes/blog/2014/05/22/a-retorica-do-odio-avanca/

  4. Assis Ribeiro

    23 de maio de 2014 8:55 am

     O acordo entre Rússia e

     O acordo entre Rússia e China sublinha… a fragilidade do Financial Times

    O FT havia previsto, de modo peremptório, de que Vladimir Putin, nesta sua visita à China, sairia de mãos abanando, sem conseguir a assinatura do acordo.

    O editorial de hoje (quinta-feira, 22 de maio) do Financial Times afirma que o acordo de 400 bilhões de dólares, prevendo o fornecimento de 30 bilhões de metros cúbicos de gás anualmente, durante 30 anos, da Rússia para a China, “sublinha a fraqueza” do primeiro parceiro desta dupla.

    Chega ao ponto de, ao final, dizer que a Rússia torna-se assim o “junior partner” da China, como fornecedora da matérias primas, e que, portanto, a situação é “humilhante” para o povo russo.

    Entretanto, a assinatura deste acordo mostrou, no fundo, a fragilidade de algumas análises que ora abundam no periódico britânico, porta-voz oficioso da City londrina. Dias atrás, em sua coluna/blog a múltiplas mãos, FT Alphaville, de comentários sobre os mercados mundiais (mais precisamente na segunda-feira, 19 de maio) aparecera o vaticínio peremptório de que Vladimir Putin, nesta sua visita à China, sairia de mãos abanando, sem conseguir a assinatura do acordo, que já demorava dez anos. O comentário era vigoroso; faltou no entanto combinar a profecia, cheia de “wishful thinking” com os presidentes Vladimir Putin e Xi Jinping.

    O acordo abre uma nova era não só nas relações entre os dois países – mais complicadas sob o comunismo e a Guerra Fria do que agora, no triunfo do capitalismo – mas também nas relações dos dois com os Estados Unidos. Se este país e a Europa brincam com fogo na questão ucraniana, a Rússia também se mostra disposta a brincar – não invadindo a Ucrânia (pelo menos até agora), ao contrário do que vaticinam todos os dias as bruxas de Macbeth da mídia ocidental – mas anunciando manobras militares conjuntas com a China perto das ilhas Senkaku, o arquipélago em disputa entre esta e o Japão, que tem o apoio ostensivo dos Estados Unidos.

    Há outros aspectos ainda a considerar nas bordas do acordo do gás – entre a Gazprom russa e a CNPC chinesa. Haverá a construção de um gasoduto de 4 mil quilômetros, por Vladivostok, em que a Rússia investirá 55 bilhões de dólares e a China, 20. Este gasoduto poderá ser o primeiro passo para novos acordos de fornecimento de gás russo para, por exemplo, o Japão, Vietnã, e outros países da Ásia. Além disso, outros analistas britânicos ressaltam que o próprio acordo com a China poderá ser ampliado nas décadas vindouras.

    O Financial Times insinua que a Rússia erra ao privilegiar a China ao invés de seu diálogo com o Oeste e a Europa, porque, entre outras coisas, o fornecimento de gás àquele país será apenas de 25% do que a primeira fornece ao continente europeu, que continuará assim sendo o principal parceiro da “estagnada” economia russa na questão do gás. Entretanto, outros analistas na capital londrina e em outros países da Europa já exalam o temor de que o acordo com os chineses venha a encarecer ainda mais o fornecimento de gás para a combalida… economia europeia, que depende entre 25% e 30% (os números variam de acordo com a fonte) para seu consumo de energia da Gazprom.

    Nisto tudo, manifesta-se uma constante que vem progredindo de modo alarmante em toda a mídia europeia. Tradicionalmente, esta mídia se mostrava sempre mais equilibrada e plural do que a nossa velha mídia oligárquica brasileira e latino-americana de um modo geral. Entretanto nos últimos tempos vem proliferando a contaminação daquela mídia por práticas comuns da nossa.

    Dois exemplos ilustram a contaminação

    No caso da Ucrânia, o renascimento da Guerra Fria reativou um padrão de editorializar matérias e comentários em cores maniqueístas, demonizando a Rússia e Putin, e fazendo vista grossa para a presença dos neofascistas nas hostes de Kiev. Ainda assim, continua a haver espaço para relatos de repórteres in loco que vez por outra relativizam esta simplória atitude editorial.

    E há o caso do Brasil, onde as críticas se sucedem sem que haja contraditório visível. Multiplicam-se os ataques ao Brasil, inclusive por brasileiros que conseguem espaço nesta cada vez mais também “velha mídia”europeia, como foi o caso recente de Paulo Coelho, Ney Matogrosso e Luiz Ruffato. Foi coincidência, por certo, a saída da revista alemã Der Spiegel, com a capa abstrusa onde uma bola de fogo cai sobre o Rio de Janeiro, externando os vaticínios de que o circo irá pegar fogo no Brasil (leia-se Rio de Janeiro)  durante a Copa, no dia em que aconteceu o ataque a pedradas contra a Embaixada do Brasil em Berlim. Foi coincidência, mas sabemos que de coincidências o inferno está cheio, porque elas são no mais das vezes significativas.

    Não se trata de cercear críticas, mas de reivindicar o direito ao contraditório com igual destaque, sobretudo no caso de reportagens. Ou até mesmo de informações mais completas. No último dia em que houve manifestações anti-Copa no Brasil, consideradas um fracasso pela própria velha mídia anti-governo do Brasil, mais uma vez a torcida dos Gaviões da Fiel foi convocada para “proteger o Itaquerão”, em São Paulo. Mas isto não saiu aqui em lugar nenhum. A cobertura restringiu-se às tradicionais cenas de coquetéis Molotov e ao “bate-bola” violento que termina acontecendo com a polícia.

    É pena. Para parte da velha mídia do Velho Continente, a bússola do bom jornalismo trincou.

    http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/O-acordo-entre-Russia-e-China-sublinha-a-fragilidade-do-Financial-Times/6/30982

  5. Assis Ribeiro

    23 de maio de 2014 8:56 am

    Ferrovia Norte-Sul desata nó

    Ferrovia Norte-Sul desata nó logístico brasileiro

    Presidente Dilma Rousseff participa nesta quinta-feira (22), em Anápolis (GO), da inauguração do trecho de 855 quilômetros da linha férrea entre a cidade goiana e Porto Nacional (TO); obra recebeu investimentos de R$ 4,2 bilhões do Programa de Aceleração do Crescimento; para especialistas, a nova opção de escoamento de produção será um grande fator de desenvolvimento do país

    A presidente Dilma Rousseff participa nesta quinta-feira (22), em Anápolis (GO), da inauguração do trecho de 855 quilômetros da Ferrovia Norte-Sul (FNS) entre a cidade goiana e Porto Nacional (TO). A obra recebeu investimentos de R$ 4,2 bilhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

    Edson Tavares é diretor superintendente da Porto Seco Centro Oeste, empresa de logística e transporte de cargas que trabalhará na ferrovia. Para ele, a nova opção de escoamento de produção será um grande fator de desenvolvimento do país.

     “Essa ferrovia vai desenvolver todo um nó logístico brasileiro. Esse terminal é um dos mais modernos do Brasil, um dos mais inteligentes, e já nasce com viabilidade econômica. Vai permitir que nós levemos carga para o Norte e descer carga para o Sul. A nossa produção agrícola da região, nós vamos poder escoá-la em um volume muito grande na ferrovia. Nós vamos encurtar distâncias”.

    Para Edson, a ferrovia também vai beneficiar tanto empresários quanto o consumidor final.

     “Esses atacadistas aqui da região de Goiânia, Anápolis e Aparecida vão poder alimentar o Norte agora com custos mais baratos. Isso significa redução do custo Brasil, preço melhor para o consumidor, para o trabalhador lá na ponta. É redução de custo. Essa ferrovia muda o perfil. Nós temos uma história antes da Ferrovia Norte-Sul e uma história depois da Ferrovia Norte-Sul”, afirmou Edson.

    O diretor de operações da Valec, Bento José de Lima, classificou a inauguração do novo trecho como um marco na história do sistema ferroviário brasileiro. Para ele, a Ferrovia Norte-Sul gera outro cenário para o setor econômico brasileiro, onde a competição levará a queda dos preços das tarifas e o incremento da qualidade dos serviços prestados.

     “Esse trecho que vai ser colocado em funcionamento é, no meu ponto de vista, um marco na história do sistema ferroviário brasileiro porque é o primeiro passo no sentido de transformar o sistema ferroviário brasileiro num sistema competitivo, onde a Norte-Sul é o eixo que vai possibilitar que portos venham a concorrer com portos, canais de logística venham a concorrer com canais de logística, operadores ferroviários venham a concorrer com operadores ferroviários”, analisou Bento José.

    (Com informações do Blog do Planalto)

    http://www.brasil247.com/pt/247/goias247/140730/Ferrovia-Norte-Sul-desata-n%C3%B3-log%C3%ADstico-brasileiro.htm

  6. Assis Ribeiro

    23 de maio de 2014 8:59 am

    Menos elitismo na burocracia

    Menos elitismo na burocracia e mais participação na democracia

    A discrepância salarial e de espaço na administração não é coerente com as novas funções esperadas da burocracia, mas acompanha uma senha elitista.

    Representantes do funcionalismo federal insatisfeitos com salários e condições de trabalho ameaçam engrossar o caldo anti-Copa, com greves e paralisações apoiadas por policiais civis e militares. Mas manter o funcionalismo público pacificado deveria depender menos de chicanas que influenciam a disputa eleitoral, e mais no resultado alcançado com servidores motivados, capacitados e estáveis na administração pública.

    Medidas importantes para dar mais equilíbrio remuneratório e recomposição do quadro de serviço público federais foram promovidas em 2008 e 2010. Depois disto a gestão de pessoal encontrou barreiras e formaram-se conflitos sindicais intransponíveis por conta de uma visão equivocada do papel do servidor público no Estado brasileiro.

    Em 2012 muitas categorias de servidores públicos acordaram com o Governo Federal um plano de reposição da inflação válido até 2015. O prazo visou poupar a campanha de reeleição da presidenta Dilma dos arranhões que poderiam ser ocasionados por greves e paralizações. O Ministério do Planejamento exaltou o sucesso nas negociações em que todos os servidores receberam o mesmo aumento remuneratório de 5%, previsto para 2013, 2014 e 2015, ou 15,9% acumulados até 2015.

    Contudo, 5% de reajuste para quem recebe R$ 2.500 mensais é muito menos do que o aumento de 5% para quem já recebia R$ 14 mil. Ou seja, a medida ampliou ainda mais a diferença entre os patamares remuneratórios, mas beneficia desproporcionalmente os servidores com rendimento mensal superiores a 20 salários mínimos (mais de R$ 14.480,00), que compõem a parcela de 1% das pessoas de referencia da família e que formam a elite econômica brasileira, o chamado 1%.

    Esta elite da burocracia constitui casta superior no serviço público federal, pertencentes ao seleto núcleo das “carreiras típicas de Estado”. Por serem consideradas fundamentais para a administração pública no poder executivo, possuem uma remuneração mais elevada, é maior a estabilidade no cargo, e eventuais avaliações de desempenho não afetam a remuneração mensal, também recebem elevados investimentos em capacitação e ocupam muitos cargos de confiança. Mesmo a contra gosto, recebem o apelido de ‘sangue azul’.

    A implantação de uma alta burocracia se fundamentou quando Luiz Carlos Bresser Pereira (ministro entre 1995 e 1998), no delírio neoliberal de formação do Estado Mínimo, promoveu uma reforma parcial que resultou na distinção entre os servidores públicos. Haveria uma parcela que deveria persistir sob qualquer circunstância, “essenciais à própria existência e funcionalidade do Estado”, como disse Ayres Brito, ex-Ministro do STF. Pesquisa de opinião de 1997 revelou que o Plano Diretor da Reforma do Aparelho de Estado de Bresser havia sido aprovado por 80% dos altos funcionários, claro, o Plano fortalecia o núcleo estratégico onde as decisões governamentais seriam tomadas por políticos e estes mesmos altos funcionários. Os demais servidores consistiam um excesso momentâneo, atenderiam uma demanda circunstancial ou secundária, estão na ‘vala-comum’ no jargão sindical, e são subalternos, mal remunerados podem ser terceirizados e, em tese, seriam potencialmente dispensáveis a depender da circunstância.

    Em nota, a presidenta Dilma afirmou que “em um país como o Brasil, de dimensões continentais, com uma população de 200 milhões de habitantes e em pleno processo de redução de suas desigualdades, a prestação de serviços públicos de qualidade possui especial relevância. Principalmente para os brasileiros mais pobres e vulneráveis, para os quais a atuação do Estado é decisiva para a garantia de seus direitos básicos”. Tornou-se anacrônico que nesta missão apenas parte dos servidores sejam indispensáveis e que outras carreiras especializadas em política de infraestrutura, meio ambiente ou políticas sociais sejam tratadas como se fossem menos importantes, numa função assessória.

    Este encastelamento da burocracia se sustenta na falta de uma política salarial que dialogue de forma permanente com todos os servidores e com a própria população, e é aguçada na dificuldade de implementar instrumentos básicos de gestão de pessoal. Pode ser mais fácil contratar consultores externos, para o deleite de gestores paraquedistas, que movimentar um servidor de uma sala para outra onde ele seja mais produtivo. Ao contrário, é preciso avançar na formação de um quadro de servidores públicos aptos ao fomento da participação social.

    Ademais, o debate não está restrito ao custo da folha no gasto público. Enquanto se justifica o arrocho à plebe na falta de margem fiscal, carreiras formadas majoritariamente por advogados, fiscais e auditores fazem uma discussão por cima e, por exemplo, emendam o Projeto de Emenda à Constituição – PEC nº 443/2009 para alçar o teto salarial a 90,25% do salário atual dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), R$ 29.462,25. O foco policialesco e a judicialização das políticas públicas precisam ser estancados, ou então patinaremos no controle da corrupção, que equivocadamente, dizem ser o mal do país.

    Marcio Pochmann foi preciso em avaliar que um sintoma da dificuldade do Brasil aproveitar o atual ciclo econômico e, fazer valer um bloco de investimento sólido para o crescimento se sustentar, é o fato de auditores e fiscais receberem mais do que aqueles que são responsáveis pela boa formulação e execução de políticas públicas. A ideologia elitista está na contramão de uma democracia mais participativa. De que forma a população e o funcionalismo de segunda categoria participarão da gestão pública se as decisões forem circunscritas a tal núcleo estratégico?

    A discrepância salarial e de espaço na administração não é coerente com as novas funções esperadas da burocracia, mas acompanha uma senha elitista de raiz antiprogressista. Na agenda política se impõem desafios para propiciar a participação social na gestão pública, que dependem de transparência, controle social, rastreamento de decisões tomadas pelos burocratas distantes e impessoais, mas exige o compartilhamento de informações e adoção de mecanismos e ferramentas que proporcionem oportunidades para a população formular e participar da tomada de decisão de interesse público.

    Nesta quarta-feira, dia 21 de maio de 2014, a presidenta Dilma Rousseff lançará o decreto que institui a Política Nacional de Participação Social (PNPS), o Sistema Nacional de Participação Social, o Compromisso Nacional pela Participação Social, o portal Participa.br, e o decreto que altera as regras para a prestação de contas das organizações da sociedade civil. O lançamento acontece na abertura da Arena da Participação Social, evento promovido pela Secretaria-Geral da Presidência da República, em Brasília.

    São duas facetas relacionadas, o governo federal deve reestruturar carreiras públicas ao tempo que aprofunda e aperfeiçoa a participação social como método de governar. O elitismo e a tecnocracia se fundiram a partir de uma visão acanhada do Brasil e do brasileiro, e será superada se houver um firme propósito de consolidar a ampliação da abrangência e qualidade da gestão pública mais participativa, resultado obtido somente se um amplo contingente de servidores for valorizado e melhor aproveitado.

    http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Menos-elitismo-na-burocracia-e-mais-participacao-na-democracia/4/30968

  7. Assis Ribeiro

    23 de maio de 2014 9:02 am

    O futebol e a construção de

    O futebol e a construção de mitos ideológicos no século 21

    A lógica do movimento ‘não vai ter Copa’ é, no mínimo, estranha. As comparações mais esdrúxulas são feitas, sustentadas por um discurso e retórica vazias.

    Os brasileiros adoram esportes. Somos excelentes no futebol, basquete, vôlei, judô, vela, tênis, atletismo, natação, e outros menos votados.  Até em alguns esportes considerados inicialmente “estranhos”, fora das competições olímpicas, assumidos como invenções  brasileiras – o futebol de salão –  e dos  cariocas: futebol e vôlei de praia, futevôlei temos mostrado a nossa aptidão em competições internacionais.
     
    Nós, brasileiros, sabemos citar de cabeça nomes de patrícios que se destacaram nessas modalidades. Recitamos a escalão completa das nossas seleções, campeãs de 58 e 70.  E o futebol  sempre foi o orgulho nacional. Afinal somos penta campeões, cinco taças  do mundo  conquistadas ao longo do tempo em competições duríssimas, nas quais mostramos a nossa arte e a nossa fibra.

    Organizar a disputa de uma Copa do Mundo de Futebol no século 21 seria motivo de grande orgulho para o país, esperava-se. Além de mostrar ao Mundo a nossa arte e capacidade competitiva com a bola nos pés, ficaria evidente a capacidade de organização de um torneio de futebol que se tornou um desafio para os países-sede  na era da globalização.  Da sociedade de consumo de massas e do espetáculo.  Mais ainda, seria uma forma de apagar as complicadas lembranças do “Maracanazo”, encravadas  até hoje na alma dos brasileiros que amam o Futebol : a decepção da final da Copa de 1950, na qual, jogando em casa e pelo empate, fomos derrotados pela seleção uruguaia.

    Com todo o acervo de conquistas nas áreas econômica – somos a 6ª economia do Mundo – e social , com o consistente processo de inclusão dos desfavorecidos, teria chegado “a hora dessa gente bronzeada mostrar o seu valor”. Na cadência e no repique  do samba e da malemolência. Imaginaram os brasileiros crédulos e ingênuos. Não ocorre assim, entretanto.

    O que teria acontecido para que estejam ameaçadas as conquistas da Copa?  Estaria  havendo a prevalência do discurso ideológico sobre os fatos reais? Em pouco mais de um ano houve uma mudança no sentimento de segmentos específicos da sociedade brasileira sobre a Copa do Mundo de 2014. Afinal, uma festa de congraçamento mundial através do futebol. Uma forma de promover a paz e o entendimento entre povos e nações.  A essa altura seria correto indagar: a quem interessa o fracasso da Copa? Por que essa espécie de ódio ao futebol, construído e disseminado em tão curto tempo? Sentimento esse propagado por gente de elevado poder aquisitivo, com grande repercussão nos meios de comunicação, vocalizado por pessoas do âmbito artístico e cultural, mais ou menos famosas. Deixando transparecer algum tipo de articulação  mais ampla no discurso e nas ações desses  outrora considerados formadores de opinião?

    Talvez  seja importante rememorar os acontecimentos. A partir do primeiro semestre  de 2013 as redes sociais foram surpreendidas pela participação de moças e rapazes que dirigiam mensagens aparentemente inocentes aos internautas brasileiros. Falando um inglês perfeito, com legendas, insistiam para que repetissem uma espécie de mantra sobre a próxima Copa do Mundo: – “a Copa não é importante. Não interessa ao Brasil. O país tem que investir recursos em educação, saúde , mobilidade urbana, segurança pública”. E reforçavam:  “- não discutam, não argumentem, apenas repitam. Logo, todos irão entender”! Vieram, em seguida as  surpreendentes “manifestações de junho”. Estranhas em seus objetivos e ainda carentes de análises mais sólidas  e de  interpretações com profundidade política e sociológica.

    O que se pode inferir desse estranho movimento na tentativa de desconstrução de um evento de tanta importância   para todos os povos amantes do esporte e com tanto significado esportivo e cultural? E tendo como alvo o chamado “país do futebol”? Além dos ousados objetivos de politização /partidarização de um evento esportivo de tal magnitude, percebe-se os indisfarçados movimentos para a construção de mais um mito ideológico da atualidade. Desta feita envolvendo a maior competição esportiva do planeta. Como entender tamanha ousadia? Ou seria tão somente a aposta segura na ingenuidade política dos brasileiros? Repetindo aquele magnata do jornalismo internacional: -“ não perde quem aposta na infantilidade incurável dos seus leitores!”

    Este movimento anti-Copa talvez se insira em ações semelhantes, desencadeadas na primeira década deste século, por instituições governamentais e multinacionais, tendo como objetivo a construção de mitos ideológicos, capazes de justificar  a criação de preconceitos arraigados e intervenções ,diretas ou indiretas, contra nações,  povos e etnias.

    Nesse sentido, é oportuno lembrar a estigmatização dos povos árabes como componentes do “eixo do mal”, de acordo  com editos do governo americano (período do ex-presidente Bush Jr), conceitos logo repercutidos pela mídia mundial, ressoando  a “ameaça islâmica”. Conceitos que tiveram sequência, como o  mito da posse de armas químicas pelo Iraque e da urgente necessidade de destruí-las, justificativa para a invasão militar do país pelas forças armadas americanas, também no governo Bush Jr. Mais recentemente, a publicação do livro  “Eurábia”, o qual trata da “invasão” da Europa,  que estaria sendo perpetrada por árabes e muçulmanos, com o objetivo de  gangrenar (sic) o continente europeu  para depois dominá-lo.  Esse disparate foi assumido como verdade por políticos e intelectuais e tornou-se um dos argumentos do discurso da extrema direita europeia, após sistemática repetição  pelos eficientes meios de comunicação e persuasão do Velho Continente. Não é sem razão, portanto, que se fala na “2ª Guerra Fria”.

    Voltando ao movimento “Não vai ter Copa”. Toda a lógica do movimento é no mínimo estranha. As “graves acusações” sobre gastos financeiros,  repetidas como ponto de percussão pelos meios brasileiros de comunicação e persuasão, embora não sustentadas em fatos concretos, são assumidas como verdades incontestes.
     
    As comparações mais esdrúxulas são feitas, sustentadas por um  discurso e retórica vazias, aparentemente estúpidas, mas capazes de mobilizar corações e mentes de brasileiros que acreditam , conforme lhes é ensinado, nos “graves prejuízos” que a realização da Copa trará, certamente ,ao Brasil. Tudo isso em um  país que, segundo Nelson Rodrigues, “não apenas joga futebol, mas vive futebol.”

    Dia desses, assistindo ao debate sobre a Copa, ouvi do professor Antonio Lassance, da Universidade de Brasília, a frase que, pelo seu bom senso, deveria desestimular  alguns ímpetos anti-Copa : “NÃO SE BOICOTAM EVENTOS ESPORTIVOS”. Tornam-se ações inúteis do ponto de vista político. E são coisas  ultrapassadas, características da 1ª Guerra Fria.

    http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/O-futebol-e-a-construcao-de-mitos-ideologicos-no-seculo-21/4/30975

  8. Assis Ribeiro

    23 de maio de 2014 9:35 am

    Imperdível

    A mãe de todos os piquetes: a greve do capital

    Sem remover esse obstáculo com uma nova hegemonia progressista, reivindicações avulsas trazidas para as ruas podem conduzir a desfechos inesperados.

    O golpe militar consumado na Tailândia nesta 5ª feira, o 18º da história do país (11 bem sucedidos), parece  confirmar a eficácia de um protocolo de validade mais ampla.

    À falta de melhor nome ele tem sido denominado de ‘golpe suave’.

    Depende muito do que se entende por suavidade.

    No caso tailandês, a proclamação militar foi antecedida de 28 mortes e centenas de feridos em meses de conflitos de rua.

    Abstraído o sangue e demais singularidades, a plasticidade da superfície poderia se confundir com a realidade política em marcha lenta em outras latitudes.

    Não tão distantes assim, diga-se.

    Antes que o rosto do general Prayuth Chan-Ocha surgisse nos monitores de tevê desta 5ª feira, para proferir o clássico ‘viemos por ordem na casa’, o país viveu um processo tão linear que parece, de fato, como acusam alguns, ter saído de um manual.

    Aquele atribuído à norte-americana Fundação Albert Einstein, supostamente de estreitas relações com a CIA. 

    Seu principal ‘estrategista’, um  certo Gene Sharp, seria o autor de livretos instrutivos. Entre eles, ‘A política da ação não violenta’, no qual elenca 198 técnicas para golpes em câmera lenta.

    Sob  risco de cometer injustiça com o rico repertório do senhor Sharp, poderíamos fundir essa versátil suavidade em três momentos encadeados:

    I) Promoção de fatores de mal estar: escalada de denúncias de corrupção, de criminalidade, de autoritarismo e incerteza econômica; o martelete do descontrole inflacionário deve disputar as esquinas com as manchetes do  colapso iminente em áreas de abastecimento e/ou de serviços essenciais. Tudo aspergido de frequentes ‘evidências’ de ameaças à liberdade de imprensa. Em resumo, a crispação de um intolerável quadro de  desgoverno, sancionado por pesquisas de opinião, reportagens e análises reiterativas.

    II) O mal-estar vai às ruas: bandeiras legítimas, exacerbadas pelo ultimatismo e desprovidas de coerência estratégica,  fomentam uma espiral de protestos, conflitos e mobilizações insolúveis. Tudo magnificado pela lente de aumento das manchetes e câmeras de tevê. Bloqueios de rodovias e avenidas, assim como a tomada de instituições públicas, esticam as linhas de tensão para a etapa seguinte.

     III) Ruptura institucional:  a intensificação das manifestações inaugura uma rotina pontuada por enfrentamentos de violência crescente, respingados de escaramuças armadas. A engrenagem autopropelida  leva à paralisia dos grandes centros urbanos. Um  ponto de fuga converge então para a  campanha pela renúncia de governantes ‘impopulares’, com prometida antecipação de eleições.
     
    Pronunciamentos militares preenchem o ar rarefeito da paralisia política. Sugere-se uma referência de autoridade e ordem a uma democracia agonizante . O conjunto inocula uma progressiva familiaridade com a ideia de um golpe suave, tornado inevitável e até mesmo ansiado por uma sociedade exausta e assustada.

    É possível enxergar traços de vários  processos em curso na América Latina nesse filme que inclui cenas  de outros ciclos golpistas, modulados agora pela supremacia da guerra midiática.

    O episódio tailandês  forma um compacto de ilustração pedagógica.

    Nele se combinam oito meses de protestos contra um governo supostamente ‘populista’, descarnado progressivamente, em fatias, sob  acusação de corrupção, usurpação de poderes etc.

     Rejeitado pela elite e o funcionalismo, que gravita em torno da monarquia, ele conta, todavia, com apoio da parcela majoritária da população, que se concentra no norte tailandês e na área rural.

    A elite local, sugestivamente liderada por um magnata das comunicações,  na verdade rejeita a solução eleitoral, que lhe  tem sido sistematicamente adversa.
    Opta assim pelo ‘caminho suave’, que desembocou na fala imperativa do general Prayuth Chan-Ocha, nesta 5ª feira.

    Os elementos ostensivos desse percurso, planejado ou apenas inerente ao impacto da transição de ciclo mundial nas nações em desenvolvimento, não devem iludir.
    Sobretudo, não devem  alimentar simplificações mecanicistas na avaliação do quadro brasileiro.

    Há algo mais grave do que os motins de ônibus atravessados nas grandes avenidas metropolitanas.

    A mãe de todos os piquetes que bloqueiam as artérias  do crescimento brasileiro é a greve do investimento.

    Desequilíbrios macroeconômicos reais explicam uma parte dos braços cruzados do capital diante das urgências do país.

    Um exemplo entre outros: o câmbio valorizado.

    Ademais de incentivar importações baratas, ele atrofia a exportação, subtrai demanda  à indústria local e leva a uma integração desintegradora diante das cadeias globais de suprimento e tecnologia.

    Em vez de investir, fabricantes trocam máquinas por guias de importação.

    O conjunto explica em grande arte os impasses da economia nos dias que correm.
    Mas não explica tudo.

    Se esquematismos conspiratórios devem ser rejeitados quando se analisa a exacerbação conservadora, o extremo oposto tampouco ajuda a entender a raiz do que está em jogo.

    Quem vê no capitalismo apenas  um sistema econômico, e não a dominação política intrínseca a sua encarnação social, derrapa no economicismo.

    Ele subestima aspectos  cruciais da atual encruzilhada.

    Destravar um novo ciclo de investimento no Brasil envolve uma disputa para mudar a correlação de forças na sociedade e uma mudança na sua inserção no sistema financeiro internacional.

    Ademais dos constrangimentos macroeconômicos,  a greve do investimento reflete a conveniência de um capital que aderiu à ciranda rentista e dela não abdicará tão facilmente. 

    Ao contrário do que aconteceu no caso das cadeias industriais, nisso o Brasil atingiu o estado das artes.

    A coagulação rentista da sociedade, com uma elite perfeitamente integrada ao circuito da alta finança global, amesquinha a democracia, recusando-lhe instrumentos para dar à riqueza sua finalidade social.

    O lockout do capital é o sintoma de uma corrosão profunda nos laços da sociedade.

    O economista Thomas Piketty, autor do elogiado ‘O capital no século XXI’, demonstra como a regressividade inerente à hegemonia rentista está promovendo uma mutação da sociedade em nosso tempo.

    As conquistas sociais dos últimos 12 anos  –o crescimento do emprego e do salário, na contramão da restauração neoliberal,  não  livraram o Brasil da lógica denunciada pelo autor.

    Ela  resulta em um ‘murchamento’ produtivo, coroado por uma desigualdade crescente, hereditária, quase um atributo biológico.

    Ganhos financeiros sempre superiores  ao crescimento médio da economia deslocam à cepa dos  rentista fatias progressivamente  mais gordas da riqueza  social.

    Cristaliza-se  assim uma nova oligarquia aleitada na teta dos juros.

    Como tem demonstrado Carta Maior, a evolução da taxa de juro real no Brasil, no período entre 1995 e 2012, ou seja, por 17 anos, só ficou abaixo da variação do produto  uma única vez, em 2010 (6,2% e 7,5%, respectivamente).

    No segundo governo FHC, para um crescimento médio do PIB da ordem de 2%, a taxa de juro real ficou em 18,5%.

    No segundo governo Lula, para um PIB médio de 4,5% a taxa de juro real foi da ordem de 11,7%.

    Nos três primeiros anos de Dilma  (2010-2013), o PIB médio foi da ordem de 2%: a taxa de juro real chegou a um piso de 3,3%; está em 5% atualmente.

    A rebelião contra a  ‘Dilma intervencionista’, nesse sentido, é, em grande parte, uma reação da república rentista  à tentativa de se desbloquear a avenida do investimento com a remoção do juro alto.

    Mas não se trata apenas de reduzir a Selic.

     É pior que isso.

    A maximização do retorno financeiro contaminou todas as dimensões do cálculo econômico submetendo as demais instancias do mercado aos padrões de retorno da ganância rentista.

    Em entrevista recente ao jornal Valor, o economista francês Pierre Salama  aponta uma derivação dessa lógica : a explosão dos dividendos se transformou, ela também, em um torniquete ao investimento produtivo.

    Pressionados a entregar fatias crescentes do lucro aos acionistas, dos quais dependem em última instância no cargo, os ‘managers’ corporativos atendem à demanda em detrimento do lucro retido para investimento.

    A observação de Salama desvela uma dimensão pouco discutida da desindustrialização brasileira:

    ‘Isso explica os efeitos indiretos sobre a primarização da economia’, diz ele;  (ademais da) ‘produtividade média bastante baixa no Brasil’, adverte o economista francês que alerta para um aspecto contemplado na agenda presidencial conservadora: ‘Se você não tem uma melhora no nível da produtividade em geral porque você não tem uma taxa de investimento importante, a única maneira de obter melhor competitividade é favorecendo a queda do salário direto e o indireto – por piora (no sistema) da saúde e da aposentadoria dos trabalhadores. A maneira de sair de tudo isso’, replica, como se fosse uma aula da alternativa  consequente aos gêmeos ideológicos Aécio & Campos:  ‘é limitar a financeirização. Isso implica uma mudança bastante grande em nível de controle de capitais e também em nível de sistema tributário, para que o capital pague mais imposto do que hoje paga –isso poderia limitar a importância dos acionistas’, diz ele.

    No Brasil, ao contrário do que apregoa Salama, as remessas de lucros do capital estrangeiro (US$ 32 bilhões em 2013), bem como lucros e dividendos de pessoa física, ademais de transferências patrimoniais (heranças etc) e investimentos estrangeiros em títulos públicos são isentos de imposto de renda.
     
    Não se fabula aqui uma narrativa ideológica. O diagnóstico de Salama, em linguagem menos contundente, foi endossado esta semana pelo ex-ministro Delfim Netto.

    Em artigo na Folha, na 4ª feira,  Delfim, que foi ministro da Fazenda, do Planejamento e Agricultura na ditadura– cita pesquisas de economistas brasileiros, ideologicamente muito distantes do colega francês, mas que chegaram a conclusões idênticas às dele.

     Debruçados em balanços de empresas brasileiras de capital aberto (com ações em Bolsa) eles constataram que a queda na poupança do país se deve , sobretudo, ‘à redução do importante fluxo dos lucros retidos, fundamental para financiar os investimentos’, cita Delfim. E completa:

    ‘A conclusão mais importante é que “as empresas abertas não financeiras reduziram sua poupança e investimento (…) E que, “em geral, optaram em reduzir os investimentos, manter a distribuição de dividendos, reduzir a participação de recursos próprios e aumentar suas dívidas para financiar os menores investimentos”, o que terá graves consequências sobre o crescimento futuro’, conclui o ex-ministro no texto sugestivamente intitulado,‘Tragédia’ .

    Esse é o grande piquete atravessado na garganta do Brasil.

    Seria aconselhável  que os demais bloqueios e protestos tivessem o discernimento do que isso significa para a sua causa.

    Sem remover esse obstáculo-matriz, as reivindicações trazidas para as ruas, justas, em sua maioria, não terão lastro capaz de torna-las  sustentáveis por uma dinâmica de  ganhos progressivos baseada em crescimento e produtividade.
     
    O risco, involuntariamente, é o de conduzir a sociedade a um percurso tão ‘suave’ quanto aquele que levou o general tailandês, Prayuth Chan-Ocha, a convocar uma cadeia nacional de televisão nesta 5ª feira para anunciar, em seguida à lei marcial:

    ‘Em nome da lei e da ordem, assumimos os poderes’.

    http://www.cartamaior.com.br/?/Editorial/A-mae-de-todos-os-piquetes-a-greve-do-capital/30995

  9. drigoeira

    23 de maio de 2014 12:14 pm

    Campanha política em SP

    Petista reuniu-se com facção criminosa em cooperativa de ônibus, diz polícia

    ROGÉRIO PAGNAN
    GUSTAVO URIBE
    DE SÃO PAULO

    23/05/2014  02h00Ouvir o texto Mais opções

    O deputado estadual Luiz Moura (PT) participou de uma reunião, em março deste ano, em que estavam presentes ao menos 13 integrantes da facção criminosa PCC, segundo informações obtidas pela Folha com a cúpula da polícia.

    Entre eles estava um dos criminosos acusados de participar do furto do Banco Central, no Ceará, em 2005, quando foram levados R$ 164,8 milhões, além de um procurado da Justiça por roubos a bancos.

    A reunião ocorreu na sede da Transcooper, zona leste na capital, em que, em tese, estariam sendo discutido temas de interesse dos cooperados.

    Porém, segundo investigação da Polícia Civil, desses suspeitos de ligação com PCC, 11 não tinham ônibus ou qualquer ligação com a cooperativa que justificasse a presença deles ao local.

    A operação policial na sede dessa cooperativa foi revelada na tarde de quarta-feira (15) durante entrevista do subsecretário de Comunicação do governo Alckmin, Márcio Aith, ao programa de José Luiz Datena, na TV Band.

    O subsecretário rebatia críticas feitas do secretário municipal de Transporte, Jilmar Tatto, ao trabalho da polícia durante a greve dos motorista de ônibus que terminou na quinta-feira (16).

    Tatto disse haver “passividade” da PM ao tratar com os protestos do setor.

    Aith, sem citar nomes ou partidos do deputado, citou a operação policial e cobrou de Tatto explicações sobre a participação de um aliado dele nesse reunião –o deputado petista Luiz Moura.

    O deputado petista, ligado à Transcooper, foi um dos aliados na administração Marta

    A Polícia Civil foi até a sede da cooperativa durante investigação dos ataques a ônibus no início do ano, quando mais de 70 veículos tinha sido incendidos durante protestos em várias partes da capital.
    Os policiais acreditam que a facção criminosa esteja por trás de parte dos ataques.

    Moura foi procurado ontem, mas quis dar entrevista sobre o encontro. Por meio de sua assessoria, disse que esteve na sede da cooperativa para tratar de assuntos de interesses da categoria. O assunto para ele está encerrado, segundo sua assessoria.

     Apu Gomes-16.out.2011/Folhapress O deputado estadual pelo PT, Luiz Moura, em Lajeado, na zona leste de São PauloO deputado estadual pelo PT, Luiz Moura, em Lajeado, na zona leste de São Paulo

    ASSALTO

    O deputado foi eleito pelo PT em 2010 com mais de 100 mil votos. No início da década de 1990, ele foi preso e condenado por assalto a mão armada no Paraná.

    Chegou a ficar preso por um ano e meio, mas conseguiu fugir. Ele ficou foragido por cerca de dez anos.

    As condenações de Moura no Paraná foram reveladas pelo jornal “O Estado de S. Paulo” no ano passado.

    Em 2006, o deputado conseguiu da Justiça sua reabilitação (quando suas dívidas com a lei passavam a ser consideradas quitadas) e, no mesmo ano, filiou-se ao PT.

    De assaltante de supermercados, Moura conseguiu construir um patrimônio de R$ 5 milhões, segundo declarou à Justiça Eleitoral em 2010.

    Entre os bens mais valiosos estavam uma empresa de ônibus e postos de gasolina.

    Já em 2012, ao disputar à Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos, Moura declarou ter bens em torno de R$ 1 milhão. 

     

  10. André Paulistano

    23 de maio de 2014 12:54 pm

    Ônibus lotados e bolsos cheios

    Em 1 ano, lucro líquido de empresas de ônibus de SP aumentou em até 2.056%

     

    Alessandra Duarte (Email · Facebook · Twitter)

    Carolina Benevides (Email · Facebook · Twitter)

    Publicado:19/08/13 – 8p7Atualizado:19/08/13 – 15p8
Em São Paulo, população enfrenta problemas no transporte público, enquanto empresas têm lucros astronômicos
Foto: Marcos Alves / Globo/28-06-2013

    Em São Paulo, população enfrenta problemas no transporte público, enquanto empresas têm lucros astronômicos Marcos Alves / Globo/28-06-2013

    RIO – Entre 2011 e 2012, empresas de ônibus da cidade de São Paulo chegaram a aumentar seu lucro líquido em até 2.056%. Planilhas de custo das empresas que operam o serviço de transporte urbano na capital, disponíveis em arquivos da Secretaria municipal de Transportes e divulgadas também pelo Fórum de Transparência e Controle Social de São Paulo, apontam o lucro líquido de cada empresa em 2012 e 2011. No caso da Viação Santa Brígida, por exemplo, que opera na área 1 da cidade, demonstrações dos resultados dos exercícios da empresa nos dois anos mostram que seu lucro líquido passou de R$ 340.735 em 2011 para R$ 7.346.690 em 2012, variação de 2.056%.

    Outro exemplo que pode ser citado é o da Viação Campo Belo, que explora o serviço na área 7 de São Paulo. Seu lucro líquido foi de R$ 3.981.603 em 2011 para R$ 39.680.300 em 2012 — variação de 896%. No caso da Transpass, que opera na área 8, o lucro líquido variou 165%: foi de R$ 3.972.964 em 2011 para R$ 10.543.859 em 2012. E a Cidade Dutra, da área 6, teve lucro líquido de R$ 1.065.093 em 2011; no ano seguinte, passou para R$ 2.570.074, o que equivale a uma variação de 141%. Segundo a SPTrans, órgão responsável pelo transporte urbano na cidade de SP, a margem de lucro das empresas do setor é de cerca de R$ 400 milhões por ano.

    Foi o Fórum de Transparência e Controle Social de São Paulo quem pediu à Câmara municipal que a nova licitação que seria feita na cidade este ano, quando vencia a atual licitação, fosse cancelada. Os contratos atuais acabaram prorrogados por mais um ano, para que fosse debatido um novo modelo de licitação para o transporte urbano na capital. A nova licitação deve sair somente após as conclusões dos trabalhos da CPI atualmente instalada na Câmara municipal sobre os transportes em São Paulo.

    Ontem, O GLOBO mostrou que metade das capitais não tem licitação de ônibus urbano, e que empresas e empresários do ramo estão inscritos na dívida ativa da União com um montante de quase R$ 3 bilhões em dívidas previdenciárias e tributárias; apesar disso, parte continua a ganhar licitações.

    A supervisão do transporte público também é um problema. Em matéria publicada hoje, O GLOBO revela que a fiscalização do transporte urbano apontam deficiências e desafios para o setor nas capitais brasileiras. Secretários de Transportes da cidade do Rio e do Distrito Federal, além do diretor do Detro, que responde pelas linhas intermunicipais do Estado do Rio, incluindo as da Região Metropolitana, reconhecem que o número de agentes para fiscalizar os mais de 21 mil ônibus que circulam nessas regiões é insuficiente.

    Em Belo Horizonte, o presidente da BHTrans, órgão responsável pelo transporte urbano na capital, também afirma que os 18 agentes que cuidam exclusivamente da fiscalização in loco dos ônibus não são suficientes para a frota de 3.054 veículos, mas ressalva que a prefeitura tem investido em fiscalização eletrônica, presente em todos os ônibus e responsável pela maior parte das multas ao sistema.

    Em São Paulo, o valor das multas aplicadas na Região Metropolitana da capital este ano até junho — R$ 2,34 milhões — já é maior do que a soma das multas de todo o ano passado; lá, são 167 fiscais para 4.897 ônibus espalhados por 39 cidades.

     

    1. André Paulistano

      23 de maio de 2014 12:58 pm

      Data errada

      A matéria do Globo foi publicada hoje.

      A data abaixo do nome dos autores deve estar errada.

  11. CB

    23 de maio de 2014 1:13 pm

    http://www.rodrigovianna.com.

    http://www.rodrigovianna.com.br/plenos-poderes/editora-da-folha-vai-se-declarar-impedida-marido-dela-trabalha-para-aecio.html

    …Otavio Cabral, jornalista da revista “Veja” disse “sim” aos tucanos…
    …Cabral é casado com a editora da coluna ”Painel” da “Folha” – dedicada a temas da Política. A tal editora (Vera Magalhães) vai-se declarar impedida para publicar qualquer nota sobre a eleição presidencial? Bobagem. A mulher de Ali Kamel (Patricia Kogut) assina a coluna de TV de “O Globo”. E não há qualquer impedimento. Tudo se resolve em casa. Mirem-se no exemplo daquelas mulheres… …

  12. Dario Lenza

    23 de maio de 2014 1:16 pm

    Lá vem o assunto de aborto outra vez!

    Para quem estava com saudades do Serra, a Folha ressuscita o assunto. Vai dar o que falar nos meios religiosos.

    http://colunaesplanada.blogosfera.uol.com.br/2014/05/23/governo-oficializa-aborto-e-paga-r-443-pelo-sus/

  13. Gão

    23 de maio de 2014 5:23 pm

    Máfia dos transportes

    Alckmin estaria por trás da greve dos ônibus em São Paulo?

     

    A foto em destaque é do governador Geraldo Alckmin com o atual presidente do Sindicato dos Condutores de São Paulo, Valdivan Noventa. Durante todo o processo eleitoral do sindicato, o governador recebeu tanto Noventa quanto o ex-presidente e membro da atual diretoria Edvaldo Santiago, que eram candidatos da chapa de oposição. O histórico desses sindicalistas é público e certamente Alckmin sabia a quem emprestava sua imagem. Edivaldo, por exemplo, já foi preso pela Polícia Federal e é acusado de assassinato do ex-presidente do Sindicato dos Condutores de Guarulhos, Maurício Cordeiro.

    Edvaldo Santiago também era o presidente do sindicato quando houve a greve de nove dias que transformou a cidade num caos durante o governo Luiza Erundina. E liderou a resistência contra a implantação do Bilhete Único e da licitação do sistema na gestão Marta Suplicy. É uma liderança acostumada a dinamitar com movimentos supostamente de cunho social administrações progressistas.jornal onibus

    Pela conversa que este blogue teve com um observador político que conhece a ação desse grupo, essa atual paralisação combina a revolta contra a direção do sindicato, que prometeu índices bem maiores de reajuste e negociou com os patrões sem ouvir a categoria, com uma manobra de Edvaldo para desestabilizar Noventa, o atual presidente do sindicato.

    A Santa Brigida, onde a greve continua, por exemplo, é a garagem de origem de Edvaldo. E ele mantém excelente relação com os donos da empresa. Por isso, não se pode descartar que essa viação e a Gato Preto tenham interesse em desestabilizar o acordo que foi assinado pelo setor empresarial.

    O quadro é bem mais complexo do que parece. Não é, como alguns gostariam, uma greve articulada por um grupo de trabalhadores mais indignados e de luta.

    Além dessa disputa interna na direção da entidade, há um jogo de empresários e ainda há possibilidade concreta de que interesses político-partidários estejam vitaminando essa ação de desestabilização do governo Haddad. A foto de Alckmin com os sindicalistas que estão no meio dessa história e a sua declaração de que a greve é culpa da prefeitura podem significar muito mais do que a vã filosofia pode explicar.

    http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2014/05/22/alckmin-estaria-por-tras-da-greve-dos-onibus-em-sao-paulo/

     

  14. Rui Daher

    23 de maio de 2014 8:43 pm

    CartaCapital

    O pessimismo da mídia no agronegócio, por Rui Daher

    http://www.cartacapital.com.br/economia/o-pessimismo-da-midia-no-agronegocio-4377.html

     

  15. Jurandir Paulo

    24 de maio de 2014 12:49 am

    E nada no PIG sobre o encontro dos BRICS no Rio

    No Globo acharam mais interessante a chamada para “As máquinas de vendas mais interessantes do mundo”

     

    vejam  do PHA:

    http://www.conversaafiada.com.br/politica/2014/05/23/brics-so-o-estado-impede-desigualdade%e2%80%8b/

  16. Alessandre de Argolo

    24 de maio de 2014 2:33 am

    InternacionalMarine Le Pen se

    Internacional

    Marine Le Pen se convierte en la mejor defensa de Putin en Europa

    Juan Pedro Quiñonero / corresponsal en parísDía 19/05/2014 – 10.17h 

    La presidenta del FN es uno de los raros líderes europeos en apoyar abiertamente la diplomacia armada del Moscú

    Marine Le Pen se convierte en la mejor defensa de Putin en EuropaafpMarine Le Pen, en un acto de campaña electoral de las Europeas 

    Marine Le Pen, presidenta del Frente Nacional (FN, extrema derecha) se ha convertido en una apasionada defensora de Vladimir Putin, elogiando sin reservas su «gran patriotismo», su «energía» y su defensa de «nuestros valores tradicionales, comunes».

    Jean-Marie Le Pen, líder histórico de la extrema derecha francesa, ya subrayó hace tiempo su «simpatía» por Putin. El estallido de la crisis ucraniana ha permitido a Marine Le Pen confirmar su solidaridad política de fondo con el presidente ruso.

    Marine Le Pen ha sido recibida en varias ocasiones, en Moscú, por los hombres de Putin, con quienes ha trabado una alianza táctica, que se ha manifestado de manera muy llamativa en Crimea y Ucrania, donde la presidenta del FN es uno de los raros líderes europeos en apoyar abiertamente la diplomacia armada del Moscú.

    Marine Le Pen saludó como una victoria justa la anexión de Crimea. Y sostiene muy activamente la posición de Putin en Ucrania, que justifica por razones históricas, políticas y culturales.

    «Vladimir Putin es un patriota»

    En una entrevista concedida a la prensa austríaca, este fin de semana, con motivo de las elecciones europeas, Marine Le Pen ha relanzado de manera llamativa su apoyo sin falla al presidente ruso, declarando: «Vladimir Putin es un patriota. Es lógico que esté muy apegado a la soberanía de su pueblo. Putin es muy consciente que defendemos valores comunes. Son los valores de la civilización europea».

    En boca de la familia Le Pen, «los valores de la civilización europea» tienen una dimensión muy aleatoria. Jean-Marie Le Pen ha sido condenado jurídicamente, en varias ocasiones, por sus equívocos juegos de palabras relacionados con los hornos crematorios de los campos de concentración nazis.

    En materia de «valores», Marine Le Pen, por su parte, choca de manera significativa con los católicos que orquestaron la gran campaña contra el matrimonio homosexual. A juicio de esos grupos de católicos conservadores, Marine Le Pen tiene una posición «muy equívoca» que «roza lo pagano» en materia de convicciones espirituales.

    Para defender a Putin, Marine Le Pen no duda en evocar la «herencia cristiana» que, según ella, defiende Vladimir Putin, no solo en Ucrania.

    Fonte: http://www.abc.es/internacional/20140519/abci-marine-entrevista-putin-201405182056.html

     

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