Luis Nassif
Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.
romério rômulo
16 de agosto de 2014 4:47 ama sonegação da GLOBO
http://www.ocafezinho.com/2014/08/15/vazou-tudo-sonegacao-da-globo-esta-na-web/
romério
IV AVATAR
16 de agosto de 2014 4:51 am“As raposas políticas tem mais compostura”
O mau gosto e a indiscreta excitação da mídia com a morte de Eduardo Campos
Ao adotar o exercício da atividade partidária paralela ao jornalismo, a imprensa tornou-se mais pragmática do que as raposas políticas. Colunistas e editores mandam às favas o escrúpulopor Helena Sthephanowitz, na RBA REPRODUÇÃO
Reprodução de cena do desenho ‘Mogli, o Menino Lobo’, da Disney, em que os personagens refletem ‘colé a jogada’
Quem teve estômago forte para ver as manchetes dos principais jornalões, e o entusiasmo incontido de alguns de seus colunistas e chargistas, percebeu a dose de satisfação diante da morte de Eduardo Campos – ante a possibilidade de mudanças no cenário eleitoral.
As candidaturas de oposição estavam estagnadas nas pesquisas eleitorais. A chance de a eleição ser resolvida no primeiro turno crescia, com a entrada do horário eleitoral na TV, já que a coligação em torno da presidenta Dilma Rousseff dispõe de maior presença na TV. A possibilidade da entrada de Marina Silva na corrida presidencial causou excitação nas redações alinhadas à oposição, por surgir como um fato novo que pode causar alterações no cenário eleitoral.
Com a tragédia da morte do terceiro colocado, Marina desponta como candidata natural da coligação liderada pelo PSB, mas há resistências internas. Campos representava expectativa de poder para o PSB e de crescimento do partido. Se não vencesse em 2014, se projetaria como nome forte para 2018. Marina representa outro projeto, de seu próprio partido, a Rede Sustentabilidade. O PSB de protagonista na coligação vira coadjuvante.
Sob esse ponto de vista, a candidatura deixa de ser tão natural assim. Se Marina perder, o PSB corre o risco de sair da eleição menor do que entrou. Mesmo se ganhar, não comandará o governo, ficando no papel de base de apoio que já exerceu nos governos Lula e Dilma. Romper com o governo Dilma para lançar candidatura própria tinha uma lógica. Para apoiar outra candidatura de terceiros, há pessebistas que perguntam se não seria trocar seis por meia dúzia. Há dois caminhos a escolher: lançar Marina Silva ou escolher outra liderança fiel ao projeto do PSB para fortalecer o partido, demarcando posições.
Enquanto o PSB não se define, até por respeito ao tempo de render homenagens Campos, a mídia tradicional deflagrou campanha aberta por Marina Silva.
A Folha de S.Paulo estampa em manchete principal de primeira página que “Família de Campos quer candidatura de Marina”. De fato, o irmão do ex-candidato, Antônio Campos, escreveu uma carta aberta, defendendo essa posição pessoal e como membro do PSB. Mas é questionável se, entre dezenas de declarações, a família gostaria de ser retratada como articulando candidatura antes mesmo do reconhecimento do corpo, como mostrou na manchete. Certamente, se consultada, preferiria uma manchete que homenageasse o legado e qualidades pessoais de Campos.
Mas nenhum jornal superou a O Globo, pela exploração política da morte e pelo mau gosto. Na manchete principal procura incitar seus leitores com uma interpretação deturpada e venenosa. Diz “PT pressiona para rachar PSB de Eduardo Campos”. No subtítulo diz que “Lula e Dilma ligaram para presidente do partido, ligado a petistas”. Não há nada no texto da notícia que indica ter havido qualquer tipo de pressão, a não ser a livre imaginação de quem escreveu.
Telefonemas entre pessoas, seja para condolências, seja para colocar-se à disposição, seja para simplesmente conversar com quem tenha afinidades em momentos de perplexidade, são normais, e nos meios políticos não é diferente. A própria Marina Silva deve ter feito seus telefonemas. Certamente o candidato Aécio Neves (PSDB), também fez telefonemas a lideranças do PSB com quem tem afinidades; Geraldo Alckmin deve ter conversado com seu vice do PSB, e nem por isso caberia uma manchete “PSDB pressiona…” O que não é normal é um jornal que deveria ser sério e fiel aos fatos fazer coisas que só marqueteiros fazem em campanhas eleitorais quando apelam para a baixaria.
Mas O Globo não parou na manchete. Se esmerou também no mau gosto da charge da capa. Colocou Marina Silva com olhos azuis (a cor dos olhos de Campos), soltando lágrimas que atingem Aécio e Dilma assustados, com o título “E de repente, olho azul é a cor mais quente para candidato a presidente!” Sem graça, de mau gosto, inconveniente, fora de hora e panfletária.
Desde que a mídia tradicional adotou o exercício da atividade política em paralelo ao jornalismo, tornou-se mais pragmática do que as chamadas raposas políticas dos partidos. Colunistas e editores mandam às favas o escrúpulo e colocam em prática com inédito imediatismo o ditado popular “Rei morto, rei posto”. As raposas políticas têm mais compostura.
IV AVATAR
16 de agosto de 2014 4:55 amMarina pode atropelar os tucanos
O sonho dos tucanos (leia aqui) é que Marina Silva apareça forte na próxima pesquisa, mas que depois seja desidratada para abrir passagem a Aécio Neves. Falta combinar com os eleitores.
por Rodrigo Vianna
Com o olhar compungido, Marina Silva surge numa sala apertada, para o primeiro pronunciamento depois da morte de Eduardo Campos. Não fala de temas eleitorais, oferece “apenas” conforto à família do candidato morto. Não tem pompa nem pose, não quer parecer uma “estadista”…
Assisto à cena na Redação. Uma colega, menos afeita aos temas da política, pergunta: “quando será que ela começa a campanha pra valer? Precisa esperar uns dias, né?”.
Outro jornalista, mais experiente, responde rápido: “a campanha dela já começou; isso aí que você tá assistindo é o primeiro pronunciamento de campanha”.
Poucas horas depois, converso com outro colega – raposa velha em coberturas eleitorais: “o que você achou da fala da Marina?”. E ele: “importa pouco o que ela disse; importa muito mais a maneira como aquilo foi dito”.
Marina Silva não precisa falar de política pra fazer política. Essa é a grande força da candidatura dela. Não sei se Marina surgirá na faixa dos 15%, ou acima dos 20% na próxima pesquisa DataFolha (que será divulgada entre domingo e segunda-feira). Mas sei que ela tem uma boa chance de encampar o discurso da “não-política”. Um discurso que é – claro – tudo menos “não-político”.
Eduardo Campos enfrentava enorme dificuldade para conquistar esse eleitor desesperado por algo “novo”. Aécio, então, nem se diga…
Esse era o grande nó da campanha em 2014. Um terço dos eleitores está fechado com Dilma; outra parcela (bastante barulhenta, mas que reúne pouco menos de um terço do total) se dispõe a votar em qualquer um contra o PT; só que há ainda 30% dos eleitores que não querem PT mas também não topam PSDB. Esse é o eleitor desiludido “com tudo que está aí”.
Em 1960, esse clima de “mar de lama” terminou em Janio. Em 1989, a desilusão terminou em Collor.
Em 2014, Eduardo achou que poderia ser a terceira via, com um discurso moderado, a meio caminho entre PT e PSDB. Não entendeu, talvez, que esse terço “desiludido” dos eleitores não quer meio-termo, não quer meio do caminho. Quer alguém que seja (ou pareça) outro caminho.
Até duas semanas atrás, estava claro que a sorte de Dilma era ter uma oposição que não representava a “mudança”. Aécio é um político jovem, mas tem uma imagem precocemente “envelhecida”, até pelas companhias de palanque (Serra, FHC etc). Eduardo era uma liderança nova, mas também pesava contra ele a imagem de “político engravatado”.
Marina, não.
Comentaristas atucanados nem esperaram o corpo de Eduardo ser recolhido. Começaram a espalhar que Marina é a candidata perfeita “para garantir o segundo turno”. Acham que ela repetirá 2010, quando os votos marineiros levaram de fato Serra ao segundo turno.
Só que no meio do caminho houve junho de 2013. A sociedade, ali, pareceu pedir mudanças mais profundas no sistema político. Dilma fez a leitura correta: propôs a Reforma Política e a Constituinte; estratégia barrada pelo PMDB. O mal estar se aprofundou desde 2013…
A oposição (com seus comentaristas gagos nas rádios e seus acadêmicos de segunda linha) não compreende por que o eleitor que pede mudança não vota no Aécio. Ora, a maioria do Brasil não quer andar pra trás… Um terço vai com Dilma. Outro terço quer mudança sem tucano nem liberalismo velho dos anos 90.
Marina pode ocupar esse espaço.
O sonho dos tucanos é que ela apareça forte na próxima pesquisa, mas que depois seja desidratada para abrir passagem a Aécio Neves. Falta combinar com os eleitores.
O mais provável é que, se a opção Marina prosperar no PSB (e tudo indica que vai prosperar), a eleição se decida entre Dilma e a ex-ministra do Meio Ambiente.
O que pode barrar Marina? O veto do empresariado, dos ruralistas e das empreiteiras preocupados com o discurso “anti-desenvolvimento” dela. Francamente, esse não é um obstáculo relevante do ponto de vista eleitoral…
Marina pode virar a candidata da “anti-política” (mesmo com apoio da Natura, Itaú, e de economistas liberais – que teriam o papel, justamente, de chancelar os compromissos dela com o chamado “mercado”). Até porque, isso é inegável, Marina carrega – legitimamente – as bandeiras de um novo ambientalismo e de uma juventude que esperam mais do que acordos com o PMDB para mudar o Brasil.
Mais que isso: ela vai carregar a imagem de Eduardo Campos Brasil afora. O jovem que queria “mudar o Brasil”. O apelo é forte.
Marina pode ser uma espécie de Janio de 2014? Ela é mais que isso, certamente.
Evangélica, verde, messiânica. Será que é nesse “novo” que o Brasil vai apostar?
Do outro lado, há Lula e um projeto em parte desgastado. Há uma militância que defende Dilma (sem empolgação) contra os tucanos. Mas terá a mesma disposição para enfrentar Marina? Com qual discurso?
Minha impressão é de que a candidatura Marina Silva tem boas chances de prosperar, e de tirar os tucanos do segundo turno.
Marina – se for de fato confirmada como candidata – pode ganhar de Dilma? Sim. Tem chances mais que razoáveis. Mas gostaria de ouvir a opinião dos internautas. Porque nesse tema não há certezas…
IV AVATAR
16 de agosto de 2014 4:56 amSP: Água suja sob a proteção da mídia
O problema de SP não é só o PIB que não cresce…
Bombeamento do Atibainha começa sob o silêncio da mídia
Autor: Fernando Brito
Começou ontem o bombeamento da segunda, menor e última parte do “volume morto”.
Só este modesto blog vinha antecipando essa informação que, hoje, também sai no Estadão, sem a dramaticidade que contém, é claro.
Aliás, é apresentado como algo que vai começar, quando, na verdade, já começou ontem, quando foram sugados pelas bombas nada menos que 1,26 bilhões de litros, do total de 78,7 bilhões que se planeja bombear dali.
Sinceramente, tenho vergonha, como profissional, que que isso possa acontecer.
Porque não houve nem sobra do que poderia ser um “furo” jornalístico.
As informações eram públicas, acessíveis a um simples clique de computador.
Enquanto isso, discute-se uma disputa pela água entre São Paulo e Rio que, simplesmente, não existe.
Porque não há e não haverá senão em um prazo mínimo de dois anos, qualquer possibilidade de transferir água do Rio Paraíba do Sul para o abastecimento da Grande São Paulo.
Pela prosaica razão de que não há adutoras, túneis e bombas para jogar água a 20 km de distância e a mais 160 metros de altura.
Não informar já é um defeito grave para quem pretenda fazer jornalismo.
Desinformar é, porém, ainda pior: é um crime profissional.
É disso que estão sendo vítimas os paulistanos.
João Paulo Reis
16 de agosto de 2014 5:09 amO poder dissimulado no luto
O poder dissimulado no luto
Por Luciano Martins Costa, no Observatório da Imprensa:
O tabuleiro da política brasileira começa a se reorganizar, mesmo antes que sejam compostos os restos mortais do ex-governador Eduardo Campos para a cerimônia fúnebre. Ainda sob o efeito da tragédia e do espanto, as duas forças hegemônicas do sistema partidário fazem os primeiros movimentos para obter o máximo proveito da tragédia, sem que pareçam estar interessadas no espólio do candidato desaparecido.
O que vai na cabeça dos políticos é parte do mistério insondável que encobre a maior das paixões humanas – o desejo de potência. Portanto, pode-se apenas fazer conjecturas sobre o propósito que se oculta nas declarações e nas iniciativas que vêm a público.
Mais simples é observar como a imprensa, na qualidade de instituição que personifica o desejo de poder de uma classe especial de cidadãos, tenta se manter como protagonista relevante nesse jogo, sem no entanto explicitar seus interesses.
Para os dois extremos em que se divide a política nacional, a situação é clara: ao Partido dos Trabalhadores e seus aliados interessa que Marina Silva, provável substituta de Eduardo Campos na cabeça de chapa do Partido Socialista Brasileiro, continue sendo Marina Silva, o que equivale a dizer que ela tem potencial para reduzir o número de votos nulos e em branco, principalmente entre os eleitores mais jovens, e canibalizar o patrimônio do senador Aécio Neves, do Partido da Social Democracia Brasileira, mas sem ameaçar as chances de Dilma Rousseff.
Para o PSDB, trata-se de usar Marina Silva para assegurar o segundo turno, com Aécio na disputa.
Dentro desse quadro aparentemente simples, porém, cruzam-se muitos e complexos elementos que os atores tentam administrar com cautela. Um deles é a própria natureza da aliança que aproximou Marina Silva e Eduardo Campos: pode-se dizer que a principal conexão entre eles é que compartilharam uma política de sonho, na hipótese de que se pode jogar sem praticar os vícios que são a própria regra do jogo. Diz o editorial doEstado de S. Paulo a edição de sexta-feira (15/8), sobre Campos, que suas qualidades não foram suficientes para infundir substância à “terceira via”.
O velho coronelismo
Vejamos, então, se é possível uma compreensão do protagonismo da mídia tradicional, como instituição coesa e homogênea que pretende manipular os cordões do poder político.
Já se disse aqui que a imprensa hegemônica do Brasil funciona como o Tea Party nos Estados Unidos, uma espécie de sociedade de forças reacionárias que tenta determinar o rumo da política e da economia, mesmo à revelia da vontade manifestada pela maioria. Diante desse tabuleiro, a imprensa precisa alavancar o potencial de Marina Silva, ao ponto de fazê-la crescer o suficiente para provocar um segundo turno, mas evitando que supere Aécio Neves.
Parte dessa tarefa consiste em acalmar as forças do mercado, evitando que pese sobre ela o temor que cercava a primeira candidatura do petista Lula da Silva, em 2002. Para isso, movimenta-se o economista Eduardo Gianetti da Fonseca, autor da proposta de política econômica da chapa do PSB: ele ganha destaque por afirmar que há “uma forte convergência” entre o projeto feito para Eduardo Campos e a doutrina do PSDB.
O Globo, que não possui a mesma habilidade para dissimular os interesses de seus controladores como o Estado de S.Paulo, veterano de centenárias batalhas políticas, ou aFolha de S.Paulo, com seu ousado pragmatismo, vai direto nas canelas: “PT pressiona para rachar o PSB de Eduardo Campos”, diz a manchete do jornal carioca. O núcleo da notícia é a interpretação do jornal para conversas protocolares da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula da Silva com o dirigente do PSB, Roberto Amaral, que deverá conduzir o processo de substituição do candidato falecido na chapa de seu partido.
O interessante é que todos afirmam que não querem discutir política antes dos funerais, mas não se fala de outra coisa a não ser política. Até mesmo do núcleo familiar do falecido candidato brota material jornalístico apresentando seu filho mais velho, João Campos, como possível herdeiro político da dinastia inaugurada por Miguel Arraes, avô do ex-governador.
A foto do jovem de apenas 20 anos, imagem principal na primeira página do Estado de S. Paulo, também publicada com destaque na Folha e no Globo, é a face nova da velha política: à direita ou à esquerda, representa o poder republicano como herança familiar – o velho e confiável coronelismo.
Marly
16 de agosto de 2014 11:07 amPerpetuação…
E assim nascem os netos e bisnetos… na nossa política.
João Paulo Reis
16 de agosto de 2014 5:18 amAltamiro Borges: O “aecioporto” e o incêndio em Cláudio
Altamiro Borges: O “aecioporto” e o incêndio em Cláudio
O Portal G1, da poderosa Rede Globo, deu uma notinha minúscula, quase imperceptível, nesta quarta-feira: “Um incêndio foi registrado em um lote vago na noite de segunda-feira (11) e atingiu um galpão da Prefeitura de Cláudio, que fica ao lado. De acordo com os Bombeiros, as chamas ficaram confinadas em um cômodo no segundo andar. As chamas destruíram a sala onde ficavam arquivos, computadores, materiais de escritório e tecidos. Ninguém ficou ferido”.
Por Altamiro Borges*, em seu blog
G1
Suspeita-se que o incêncio que destruiu galpão da prefeitura de Cláudio, MG, foi queima de arquivo.
O curioso, para não dizer sinistro, é que a pequena cidade do interior de Minas Gerais ficou famosa nas últimas semanas pela descoberta de que sedia um aeroporto na fazenda do tio de Aécio Neves, construído com R$ 14 milhões dos cofres públicos quando este era governador do estado. A Folhatucana foi a primeira a revelar o escândalo – o que gerou suspeita de “fogo amigo” no ninho. Já o cambaleante presidenciável do PSDB se enrolou todo para explicar o episódio. Dizem até que ficou irritado com uma pergunta de Willian Bonner, no Jornal Nacional, sobre o caso!
Agora, um incêndio destrói o galpão “onde ficavam arquivos, computadores” – segundo o insuspeito G1. Como já alertou Miguel do Rosário, do blog O Cafezinho, esta história é muito estranha. “Cláudio é a cidade do aecioporto. Documentos sobre os voos de Aécio, entre outros, ficavam guardados na prefeitura… Recentemente, algumas pontas estavam sendo ligadas. Um ponto de refino de cocaína foi estourado pela polícia no fim do ano passado. O ‘helicoca’ pousou muito perto de lá, antes de ir ao Espírito Santo. O incêndio veio bem a calhar… Claro, foi só coincidência”.
Após o primeiro impacto das denúncias sobre o “aecioporto”, a mídia tucana simplesmente abafou o caso. Veja inventou factoides sobre a CPI da Petrobras eO Globo especulou sobre adulterações no Wikipédia. Como o helicóptero da aecista família Perrella, apreendido pela polícia com 450 quilos de cocaína, o escândalo virou pó. Sumiu dos jornalões e das telinhas da tevê. As corporações midiáticas não acionaram os seus “jornalistas investigativos” para apurar o caso. Nem o primo de Aécio Neves, denunciado por proteger traficantes, foi procurado. Agora, o incêndio. Mistério!
*Altamiro Borges é blogueiro, presidente do Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé e secretário nacional de Mídia do PCdoB.
Monier.,.,.,.
16 de agosto de 2014 6:24 amDessa vez se quiser errar, é
Dessa vez se quiser errar, é porque quis. A Dilma tem ao menos dois nomes extremamente sérios do ponto de vista jurídico para indicar ao STF. Refiro seriedade jurídica como ter estudos coerentes e bem amarrados nas matérias que resolveu estudar, com livros publicados (que não sejam de poesia) e posições jurídicas claras. Os arranjos partidários no STF infelizmente não tem dado certo, com a honrosa exceção do professor Lewandowsky.
O de Sanctis, que é mais do que conhecido sobre suas atitudes sérias, porém institucionalmente saudáveis em momentos de pressão (basta ver o respeito que teve ao STF durante a Satiagraha), e o Moro, que também é reconhecido pelo conhecimento acumulado no combate à lavagem de dinheiro.
Querendo saber o que está indicando, basta a presidente mandar alguns dos muitos assessores ler os livros que eles publicaram, fazerem alguns resumos, e chamar para uma dura reunião reservada.
Sugiro a pergunta: “havendo divergência na jurisprudência do STF sobre o cabimento dos embargos infringentes, in dubio pro reo?” No mínimo.
Eles também têm sentenças publicadas aos montes, para quem quiser ler e tirar um conclusão sobre ser linha dura ou garantista. Sendo alguém sensível à lavagem de dinheiro, que não é crime de peão, é bem provável que tenham algo em comum com as preocupações do partido do governo atual. E não custa escolher uma série de questões que sejam importantes no programa de governo, perguntar, publicar, e depois cobrar coerência. Isso se a História recente tiver deixado algum aprendizado.
Desses da lista, votaria com toda a certeza no de Sanctis. Não apenas pela desenvoltura que teve ao defender seus corretos conhecimentos jurídicos, diante de uma situação complicada, e sem colocar lenha na fogueira institucional. Mas também pelo fato de não ter sido convocado por outros ministros do STF para auxiliar, o que parece uma grande qualidade, sem qualquer apadrinhamento, senão a indicação por mérito.
O Executivo tem que exercer com mais independência a sua prerrogativa de indicação de ministros, sem que tenha havido prévia aceitação por parte de quem já está no jogo político do Supremo. Pela mesma razão não me agrada ver gente subindo do STJ para o STF, como foi o caso do Fux, e que deixa a outra corte superior com indevida cara de estágio.
Estão nos devendo um ministro que tenha sido reconhecido pela sua atuação, que tenha maturidade para lidar com crises institucionais, que saiba firmar posição jurídica relevante quando necessário, mas agir colegiadamente quando a crise fica grande demais. E que tenha uma obra jurídica densa, com livros publicados. A aposentadoria do Barbosa abriu a oportunidade.
Juízes indicam Moro, De Sanctis e Paulsen para vaga de Joaquim Barbosa
POR FREDERICO VASCONCELOS
15/08/14 20:47
Lista tríplice de Ajufe escolhe dois criminalistas especializados em crimes financeiros e um tributarista.
Os juízes federais Sergio Fernando Moro, Fausto Martin De Sanctis e Leandro Paulsen foram os mais votados em lista tríplice da Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil) como indicação para a vaga decorrente da aposentadoria do ministro Joaquim Barbosa no Supremo Tribunal Federal.
Votaram 362 associados da Ajufe. A lista deve ser encaminhada para a presidente Dilma Rousseff.
A votação foi feita em duas fases. Numa primeira etapa foram escolhidos seis nomes. Consultados, Moro, De Sanctis e Paulsen autorizaram a inclusão de seus nomes na lista tríplice.
Na apuração final, Moro recebeu 141 votos; De Sanctis, 134 e Paulsen, 123.
“Integrar a mais alta Corte de Justiça do Brasil certamente é uma honra. Exige um exercício único de responsabilidade dada a envergadura das questões a ela submetidas. Claro que gostaria de ser um de seus integrantes, mas sei que o Brasil possui nomes brilhantes que podem cumprir a dificil, importante e nobre tarefa tão bem”, afirmou De Sanctis ao Blog.
Ele diz que recebeu “com alegria” o fato de figurar ao lado de colegas que admira e de ter sido lembrado “exclusivamente pelo trabalho e pela condução de vida com correção e dedicação”.
Sergio Moro, do Paraná, e Fausto De Sanctis, de São Paulo, são magistrados especializados em julgar crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e de lavagem de dinheiro.
Leandro Paulsen é tributarista. Desembargador Federal no TRF-4 (com sede no Rio Grande do Sul). Foi por duas vezes juiz auxiliar do Supremo, a convite da ministra Ellen Gracie.
Para a Ajufe, a importância da escolha é que na atual composição do Supremo não há nenhum juiz federal de carreira.
Entre outros casos relevantes, Moro atuou nas investigações do Banestado e conduz atualmente as investigações envolvendo a Petrobras (“Operação Lava Jato”). Foi juiz instrutor do Supremo Tribunal Federal, tendo atuado como auxiliar da ministra Rosa Weber durante o julgamento do mensalão.
De Sanctis atualmente é Desembargador Federal no TRF-3 (com sede em São Paulo). Como juiz federal, esteve à frente da 6ª Vara Federal Criminal e atuou em casos relevantes, como a Operação Satiagraha, Banco Santos, Castelo de Areia e Banespa, entre outros.
Moro e De Sanctis têm livros publicados sobre o combate à lavagem de dinheiro e crimes financeiros. A escolha de ambos é uma indicação da importância que a Justiça Federal atribui ao combate à corrupção e ao crime organizado.
http://blogdofred.blogfolha.uol.com.br/2014/08/15/juizes-indicam-moro-de-sanctis-e-paulsen-para-vaga-de-joaquim-barbosa/
Webster Franklin
16 de agosto de 2014 6:41 amTodo poder à mídia?
Do Tijolaço
15 de agosto de 2014 | 18:17 Autor: Fernando Brito
Já uma vez citei por aqui um velho comercial de biscoitos que perguntava: vende mais porque é mais fresquinho ou é mais fresquinho porque vende mais?
Essa é uma questão clássica em pesquisas eleitorais porque, com o enfraquecimento dos partidos e a interdição do debate político por uma mídia organizada da forma de um partido único (em que os jornais e tevês discordam entre si, na política ou na economia?), conservador e medíocre, não há dúvida de que as pesquisas acabam sendo o principal balizador de boa parte do eleitorado.
Isso é a chave para entendermos o que está acontecendo com a súbita conversão de Marina Silva em grande “favorita” do processo eleitoral em razão da morte trágica de Eduardo Campos.
A mídia sente-se com todo o poder sobre o processo de formação da consciência popular, um poder que, apesar do imenso canhoneio que realiza sobre corações e mentes dos brasileiros, não tem.
A população tem um sentido quase mudo de sobrevivência, que faz com que boa parte dela resista à essa exploração mórbida.
Citei aqui o recentíssimo exemplo de Pernambuco, onde uma pesquisa Datafolha não registra qualquer efeito da comoção causada pelo acidente sobre o comportamento do eleitorado do Estado, majoritariamente inclinado a despejar seus votos sobre o candidato mais identificado como opositor de Campos.
A última pesquisa de intenção de voto feita pelo Ibope, no final de setembro passado, marcava Dilma com 38% (o mesmo de agora), Marina com 16%, Aécio Neves com 11% e Eduardo Campos com 4%.
Um mês depois, o mesmo Ibope assinalava os seguintes placares: Dilma com 41%, Aécio com 14% e Campos – agora com Marina de vice – com 10%. Se Marina fosse a candidata, em lugar do pernambucano, os números eram Dilma 39%, a ex-senadora com 21% – teve uma imensa exposição de mídia por sua aliança com o PSB – e apenas 13% para Aécio.
Os números de Dilma, até agora, continuam na mesma faixa, segundo todas as pesquisas.
Não há nenhuma outra razão para que os demais se modifiquem tão substancialmente ao ponto de que este padrão governo x oposição se modifique abruptamente.
Exceto, claro, uma comoção que nem o mais otimista dos marinistas pode pensar que vá ser a mesma quando se passarem dez ou vinte dias.
E que pode, cuidado lá, passar dos limites e criar uma percepção negativa quanto ao uso da tragédia como “programa eleitoral”.
Uma pequena nota, no Painel da Folha, para a qual um leitor me chama a atenção diz muito sobre a pesquisa Datafolha sob cuja sombra os integrantes do PSB irão decidir sua atitude.
“Um banco de investimentos encomendou pesquisa telefônica para medir a intenção de voto em Marina na quarta-feira, dia do acidente. A enquete foi cancelada porque muitos eleitores se recusaram a responder.”
As pessoas têm uma noção de decência que vai além da ideia de nossas elites de que pode “fazer sua cabeça” do jeito que quiser.
O que Marina pode e certamente vai causar é uma modificação na distribuição dos votos de oposição.
Apresentá-la como “fenômeno” post mortem de Campos não é factível sem demolir Aécio Neves.
Uma Marina Silva como candidata da direita é coisa completamente diferente daquela “outsider” que se apresentou em 2010, quando Serra estava firme à sua frente, o que não existe com Aécio.
Até porque as intenções de voto de Dilma são mais sólidas, porque refletiam uma decisão formada e tomada independente de apresentação de nomes.
Dois terços delas aparecem na pesquisa espontânea (25 sobre 38%), enquanto as de Aécio (11 sobre 23) e as que eram dirigidas a Campos (4 sobre 9) não chegavam seque à metade.
A direita brasileira segue – e mais profundamente – fazendo o jogo dos desesperados.
Abraço de afogado é algo que exige prudência e cuidado. É perigosíssimo.
Quem se deixar levar pelo canto da mídia está a um passo de aceitar como real o quadro que tentarão mostrar, dentro de dias, com pesquisas.
Que, mesmo empurrados para cima, ficarão abaixo muito abaixo do que figuram no noticiário ao apresentá-la como quem cavalga a crista da desgraça.
http://tijolaco.com.br/blog/?p=20030
Webster Franklin
16 de agosto de 2014 7:04 amA ofensiva dos abutres e das hienas e o “mundo-cão” da Cantanhed
Do Tijolaço
15 de agosto de 2014 | 11:00 Autor: Fernando Brito
Que Marina Silva tem o direito de pretender ser a candidata do grupo que apoiava Eduardo Campos, não há nada a discutir.
Quanto ao direito do PSB de avaliar se alguém que entrou no partido como “carona” possa representá-lo, também não há questionamento moral possível.
A democracia se exerce, aliás, através dos partidos.
Mas a mídia brasileira, com seu já agora ostensivo apetite político, tomou a frente do processo e, como um bando de urubus, se arroga dona do corpo morto de Eduardo Campos e chama Marina Silva para ser não uma candidata a Presidente, mas a amazona dos despojos do ex-governador de Pernambuco.
O Globo “acusa” Lula e Dilma de terem telefonado ao presidente em exercício do PSB, Roberto Amaral.
Meu Deus, quem é o dirigente maior dos socialistas, na ausência de Eduardo Campos, a quem, senão a ele, deveriam dirigir, além do pesar à família Campos, as condolências e o diálogo político?
Como uma matilha de lobos, o time de colunistas políticos do jornal é mobilizado para “exigir” Marina, como se fosse papel dos jornais deliberar pelos partidos políticos que, repito, tem o direito e o poder legal de escolherem ou não a ex-senadora como seus representantes eleitorais.
Mas pior, muito pior, é o que faz, de forma indecente e mórbida, a colunista da Folha, Eliane Cantanhêde.
Dá a impressão de que saliva de prazer ao imaginar a mais mórbida exploração eleitoral do cadáver de Eduardo Campos.
“Dilma Rousseff e Aécio Neves, tremei. No rastro da comoção nacional pela morte estúpida de Eduardo Campos, apoios da família dele à sua vice serão avassaladores. O irmão, Antônio, já se manifestou publicamente. E quando a mulher, Renata, ladeada pelos cinco filhos, inclusive o bebê Miguel, lançar Marina? E quando a mãe, Ana Arraes, apadrinhar a candidatura aos prantos?”
Não é um campanha eleitoral o que quer nossa refinada e cheirosa elite.
É um programa destes de “mundo cão” da pior espécie.
Falam tanto em programa, projetos, eficiência, capacidade.
Mas, se lhes servem politicamente, às favas os escrúpulos e viva a manipulação do sentimentalismo, da dor, dos mortos.
Não se disputa a herança política de Eduardo Campos, mas o direito de poder explorar o seu fim trágico, o seu cadáver, numa campanha.
Está em jogo o destino de um país, a escolha de quem irá dirigi-lo nos próximos quatro anos.
Isso, para os cidadãos de bem.
Para outros, não é isso.
Não lhes importa quem vá para lá e que métodos se disponha a usar para isso.
Tudo o que querem é que se derrube um projeto progressista e popular, ainda que à custa de colocar qualquer um lá, com o qual, depois, se verá o que fazer.
E não vacilam, para isso, sequer, em propor a mais vil exploração da dor de uma família, inclusive de suas crianças.
A direita brasileira já teve o seu Corvo, Carlos Lacerda. Conseguiu baixar mais e agora tem abutres e hienas.
É nojento, o que mais dizer disso?
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Adamastor
16 de agosto de 2014 8:12 amO fim da picada. Governo de São Paulo sucateia o Butantan
Referência brasileira em soros e vacinas, Instituto Butantan paralisa grande parte da produção e segue sucateado pelo governo paulistapor Cida de Oliveira publicado 15/08/2014 09:21, última modificação 15/08/2014 10:23
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DETERIORADA A fachada do Instituto aguarda o término da reforma há anos. Por dentro, a situação é ainda pior (raoni maddalena/rba)
A fachada imponente do edifício Vital Brazil tem significado duplo para o Instituto Butantan, vinculado à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. Inaugurado em abril de 1914 para abrigar laboratórios para pesquisar soros, principalmente contra a peste bubônica, o centro de pesquisa deu origem a uma instituição que se tornaria uma das maiores referências em saúde, ciência e inovação no país. Cem anos depois, o avançado processo de sucateamento é evidenciado por rachaduras, infiltrações e mofo que tomaram conta das paredes e de partes do teto que parecem prestes a desabar, pelas imensas portas de madeira que apodrecem e por visíveis gambiarras na parte elétrica – como a de um aquecedor, segundo a perícia, que teria causado o incêndio no laboratório de répteis, em maio de 2010.
O descaso que destruiu o acervo e indignou a opinião pública resultou no indiciamento, pela Justiça, do então diretor-geral Otavio Azevedo Mercadante, ex-chefe de Gabinete de José Serra (PSDB) no Ministério da Saúde, além do diretor administrativo, Ricardo Braga de Souza, o diretor de um dos laboratórios, Otávio Augusto Vuolo Marques, da pesquisadora Selma Maria de Almeida Santos e do engenheiro Carlos Ely Almeida Correia.
Em condições precárias, o prédio abriga hoje a biblioteca, fechada ao público há anos e com parte do acervo no porão, além de salas onde pesquisadores se espremem para continuar trabalhando.
Na rua de trás, outras construções antigas, que deram lugar à produção de vacinas, como a BCG, contra a tuberculose, também estão abandonadas, carecendo de restauro urgente. A poucos metros dali, outro monumento ao descaso com o patrimônio público: numa área onde uma creche para filhos de funcionários e a sede da associação de servidores foram demolidas, um prédio moderno, de dois pavimentos, teve a obra embargada recentemente. Uma placa na entrada informa que os recursos vieram da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação – o logotipo do governo federal está apagado. O espaço seria suficiente para abrigar diversos laboratórios e tantas outras salas para finalidades afins.
Nas imediações do Hospital Vital Brazil, construído na década de 1940 e que até hoje atende pessoas picadas por cobras, aranhas, escorpiões e outros animais peçonhentos, cientistas trabalham em laboratórios apertados, com paredes mofadas, mobília e equipamentos carentes de manutenção. Pudera. As oficinas onde eram fabricados e reformados estão desativadas. Há ainda o desmonte do núcleo residencial de servidores, instituído há mais de 40 anos por decreto do governo estadual. Muitos dos antigos moradores não conseguiram resistir às pressões e deixaram as casas, que aos poucos vão sendo adaptadas em instalações administrativas e até mesmo laboratórios. Outros resistem.
Obras frenéticas
Nem tudo, porém, é sucateamento. Bem perto do hospital e do macacário, onde são criados os macacos rhesus para pesquisas com vacinas contra o vírus da aids, estão prédios novos, cujas placas indicam ser fábricas de vacinas e soros, além de modernas oficinas de manutenção e contêineres transformados em escritórios. Há grande movimento de veículos e pessoas, a maioria seguranças terceirizados, engenheiros e outros trabalhadores da construção. Frenéticas, as obras avançam sem limites, chegando a cortar árvores como o pau-brasil, o que é proibido por lei. A intervenção criminosa em área de preservação permanente está sendo investigada pela promotoria de Meio Ambiente do Ministério Público Estadual.
Quem passa por ali tem a impressão de ser um complexo biotecnológico produzindo a todo vapor, mas não é preciso entrar para constatar exatamente o contrário: praticamente nada produzem atualmente. “Há dois anos, não se faz vacina contra hepatite. A única coisa que tem lá é o concentrado em pó, no congelador, que logo perde a validade. A água estava contaminada e a Anvisa não deu certificado de boas práticas. Teve de parar”, conta uma trabalhadora do setor. Como outros servidores, ela pede para não ser identificada, já que o assédio e as ameaças são frequentes.
Há paralisação também na produção do imunizante contra difteria e tétano. O Butantan está colocando a marca em rótulo de vacina de uma empresa canadense, a Intervax, que compra de um laboratório da Bulgária, a BB-NCIPD. E existem vacinas cujo rótulo indica produção em 2013, período em que a fábrica desse imunizante estava interditada pela Anvisa.
Também está parada a produção dos soros antirrábico humano, antitetânico, antibotrópico (contra o veneno da jararaca), anticrotálico (da cascavel), antielapídico (coral) e antiloxoscélico e antiaracnídico, contra veneno de aranhas. Conforme a Coordenação Geral do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde (MS), “as instalações não estão de acordo com as normas legais vigentes das boas práticas de fabricação (BPF) exigidas pelas agências regulatórias e não puderam produzir”. Maior comprador, o ministério está recorrendo aos estoques da Organização Pan-Americana de Saúde para abastecer os postos de saúde, que, há pelo menos um ano, tem os estoques abaixo do necessário.
De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no início deste ano o Butantan obteve certificado de boas práticas de fabricação em algumas linhas. Já a produção de insumos monovalentes da vacina fragmentada e inativada contra gripe tipo A/H1N1, A/H3N2 e tipo B expiram em novembro próximo. Quanto aos registros, vacinas e soros estão dentro do período de validade. A maioria vence a partir de 2017, exceto as da gripe, da raiva e o soro contra botulismo.
O aracnólogo Rogério Bertani, do Laboratório de Ecologia e Evolução, ressalta que a autorização é dada a partir das condições constatadas em inspeções. “Mas isso não garante que os produtos estão sendo fabricados ali. Parece que o instituto usa essas brechas entre as competências dos diversos órgãos”, diz. Segundo ele, a Anvisa fiscaliza as condições do local, o MS paga e recebe as vacinas e soros, mas não sabe de onde vieram, se de indústria nacional ou de fora.
O médico aposentado do Hospital Vital Brazil, João Luiz Costa Cardoso, autor de diversas obras sobre animais peçonhentos, explica que o problema na produção de vacinas vai ganhar a devida importância quando afetar diretamente a elite. “Enquanto pessoas pobres atendidas no serviço forem prejudicadas, a coisa cai rapidamente no esquecimento.”
A falta de transparência nas informações, segundo ele, pode esconder esquemas para elevar o preço no mercado. Ele menciona o caso da vacina Onco BCG, distribuída pelo SUS para o tratamento de pacientes com câncer de bexiga, que deixou de ser fabricada pelo Butantan há cinco anos, sob pretexto de modernização da fábrica. Coincidência ou não, passou a ser fabricada pela Fundação Ataulpho de Paiva, do Rio de Janeiro, que hoje fornece as vacinas BCG para o Ministério da Saúde. Segundo o médico, o custo de cada dose ao SUS, que era de R$ 3 quando produzida em São Paulo, subiu para R$ 100.
Por meio do governo federal, o Butantan assinou acordo de transferência de tecnologia com o laboratório Merck, Sharp & Dohme para a produção da vacina contra quatro tipos de vírus da família HPV. Com isso, segundo o MS, o faturamento do instituto será quase que triplicado em cinco anos, passando de R$ 348 milhões em 2013 para R$ 1,1 bilhão em 2018 – valor correspondente a 36 milhões de doses da vacina.
Bertani, porém, é cético quanto ao preparo do Butantan para a parceria. Isso porque, segundo ele, há histórias mal contadas, como problemas na transferência de tecnologia para vacina Influenza, com o laboratório francês Sanofi, que levou mais de dez anos para se concretizar parcialmente, a ponto de as vacinas virem da França apesar dos recursos federais para a fábrica da vacina da gripe H1N1, que foram mal empregados e estão sendo investigados pela Justiça. “A impressão que tenho é que são criados aqui problemas com a produção para atrasar a vacina nacional”, opina.
Reconstruir as fábricas
Ex-presidente da fundação e ex-diretor do instituto, o médico Isaías Raw diz que o Butantan saiu de uma crise em 1984 e que, em 2009, entrou em outra, apesar do padrão internacional. “Sair delas não é fácil. Além de faltarem recursos, tem a concorrência dos grandes laboratórios, a quem não interessa que um laboratório público, que desenvolveu tecnologias e produz muita pesquisa, continue operando e vendendo mais barato”, comenta Raw, que não acredita na lisura dos contratos de transferência de tecnologia. “É preciso inovar porque tecnologia não se compra. Tecnologia vendida é um mecanismo perverso em que não se transfere tudo e quem recebe é controlado pelo resto da vida pelo dono da tecnologia que quer o país como comprador e não como fabricante, como parceiro.”
Segundo ele, ainda não há recursos nem instalações para produzir a vacina contra HPV no Butantan. Nem vacina, nem fábrica. “Precisamos reconstruir todas as fábricas, fazer o prédio da pneumonia porque a vacina que está aí não presta, mas é necessário dinheiro, que ninguém dá.”
Controverso, Raw foi afastado da fundação em 2009, durante o escândalo dos R$ 30 milhões que vinham sendo desviados desde 2007 – para funcionários, a cifra chega a R$ 100 milhões. Na época, o Ministério da Justiça descobriu que o dinheiro ia para uma conta inativa, que não aparecia na contabilidade, para a qual eram enviados os recursos pagos pelo Ministério por lotes de vacinas e soros. A superintendente técnica da fundação, Hisako Higashi, que acumulava o cargo de diretora do instituto, foi exonerada.
Em dezembro de 2011, ele publicou artigo em que afirmava que a Sanofi, gigante multinacional de medicamentos, ofereceu ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), R$ 4,5 bilhão pela compra da divisão bioindustrial do instituto. A notícia não foi confirmada nem pela farmacêutica, nem pelo governo estadual, que chegou a afirmar que o Instituto Butantan estava à venda. Em nota, o governo ainda chamou de irresponsável a afirmação de Raw.
Para os trabalhadores, muitos dos quais integram a Frente em Defesa dos Institutos de Pesquisa e Fundações de São Paulo, que conta também com deputados estaduais, as palavras de Raw têm um fundo de verdade. E o que se assiste ali é a criatura engolindo o criador. Constituída em 1988 para apoiar o instituto do ponto de vista administrativo e financeiro, a fundação tem hoje mais de 60% dos funcionários, todos contratados pela CLT, não realiza concursos, gasta dinheiro com carros de luxo e dá todas as cartas com mão de ferro.
Segundo o Sindicato dos Químicos de São Paulo, a fundação não dialoga, não abre as contas, persegue quem se manifesta e demite quem pode demitir. Entre janeiro e julho, 59 trabalhadores foram demitidos. À frente da defesa dos institutos, trabalhadores disseram que, além da dificuldade de fixação dos servidores, está em curso um processo de desvalorização profissional e desvios de função, no qual os concursados para postos de nível médio são pressionados a atuar em áreas que exigem formação superior.
Presidente do Instituto e da Fundação Butantan, o médico Jorge Kalil não atendeu a reportagem. Em junho, em reunião com o presidente da frente, deputado Carlos Neder (PT), e alguns integrantes, ele afirmou que são discutidos diversos aspectos em termos de recursos humanos, como a dificuldade de reposição do quadro de funcionários, mérito e remuneração. E que há estudos para recuperar toda a estrutura, que padece da redução de investimentos. Disse, ainda, que, além da carreira, é debatida a figura jurídica do Butantan. Segundo relatório da reunião, a tendência é o Butantan se tornar autarquia especial e, assim, unificar a gestão.
Professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, ex-diretor do Incor e amigo do ex-secretário de Saúde do governo Alckmin, Giovanni Cerri, Kalil assumiu o Butantan depois da morte do ex-secretário Luiz Barradas, em 2010. Na época, segundo pesquisadores, havia mais dinheiro para a pesquisa e tudo parecia entrar nos eixos.
Porém, nada melhorou. Um ex-pesquisador, hoje professor na USP, vê o sucateamento como pretexto para a venda do setor de vacinas. Exatamente como foi com outras empresas do setor financeiro, elétrico e de telefonia, privatizadas no anos 1990. Num futuro próximo, ele prevê a placa de uma multinacional do setor no portão do instituto público símbolo de pesquisa em saúde no Brasil durante quase 100 anos.
http://www.redebrasilatual.com.br/revistas/98/governo-de-sao-paulo-sucateia-instituto-butanta-5098.html
Assis Ribeiro
16 de agosto de 2014 8:59 amO Plano Diretor e as
O Plano Diretor e as caminhadas urbanas. Vai ficar melhor andar a pé pela cidade?
O novo Plano Diretor deve orientar o crescimento da cidade a partir de agora e foi incensado como sendo o consenso possível numa cidade cheia de conflitos. Como se sabe, o plano prevê uma cidade mais densa, onde os eixos de transporte serão os novos vetores do crescimento, com priorização para transportes públicos.
Diante desses conceitos, um dos pontos mais difíceis de visualizar é o do espaço público. Afinal, o que o plano tem a dizer sobre a vida de quem anda pela cidade?
A primeira boa notícia é que a “ampliação e requalificação dos espaços públicos” é um dos 17 objetivos estratégicos para a cidade. Como o Plano Diretor funciona como uma constituição da cidade, isso estabelece uma base importante para cobrar que todos os projetos urbanos contribuam para a qualidade dos espaços públicos.
A segunda é que o pedestre está incluído nos chamados sistemas de mobilidade. Em São Paulo, são feitas mais de seis milhões e meio de viagens a pé por dia – aquelas em que se anda mais de 500 metros – 30% de todas os deslocamentos dos paulistanos. E mesmo quem anda de carro, ônibus, de moto, bicicleta, em algum momento tem que atravessar uma rua, andar até algum lugar. Somos todos pedestres!
Vejamos alguns dos princípios estabelecidos pelo novo plano diretor e seus impactos na vida de quem anda a pé pela cidade. As fotos são de caminhadas que fiz, para tentar tornar concretos os conceitos.
Calçadas
Uma boa calçada – larga, segura, confortável e interessante – é a base para a apropriação do espaço público.
O plano prevê, genericamente, aumento da largura das calçadas nos eixos, um mínimo de 5 metros. Além disso, nessas ruas maiores, o artigo 78 não permite mais criar aqueles estacionamentos entre o alinhamento do lote e edificação, que são uma ameaça constante para o pedestre, pelo entra e sai de veículos.
Fora dos eixos, dificilmente os incentivos serão suficientes para aumentar a área das calçadas. Para essas ruas, continua a valer a chamada Lei das Calçadas, de 2008, que estabelece um mínimo de 1,20 m para a passagem do pedestre.
A responsabilidade pela conservação continua sendo do morador, mas cada vez mais tem havido exceções: as vias mais importantes têm sido tratadas pela prefeitura, o que dá mais muito mais uniformidade e facilidade para caminhar.
As fachadas ativas
O sociólogo americano Richard Sennet definiu a cidade como “o lugar onde estranhos tem a possibilidade de se encontrar cotidianamente”. Espaços públicos estimulantes, vivos, podem servir de cenário para esses encontros.
Prédios abertos, lojas, largos, trazem surpresas e melhoram a experiência da fruição da diversidade. O Plano Diretor traz vários incentivos para novos prédios “conversarem” melhor com as calçadas em sua volta. Um deles é a chamada “fachada ativa”, que tem o objetivo explícito de evitar aqueles murões que oprimem quem está andando na rua.
Outro conceito que pode melhorar a experiência do passeio pelas calçadas é o da “fruição”. Por esse termo, o artigo 79 define aquelas áreas embaixo de grandes empreendimentos abertas para a rua, nos moldes das “plazas” de Nova Iorque, que tem no Braskan Plaza, no Itaim, um bom exemplo em São Paulo.
O artigo 82 estabelece vantagens para quem construir áreas abertas, que ligam calçadas de uma rua a outra. Nos lotes maiores – entre 5 e 40 mil metros quadrados – a fruição é obrigatória, com no mínimo 20% da área do lote.
Estímulo ao uso misto
As regiões de uso misto são aquelas que misturam atividade comercial, residencial, de lazer. A diversidade de usos e pessoas era considerada pela influente jornalista e ativista Jane Jacobs, como uma das bases para a vitalidade e segurança da rua.
Essas regiões constituem a maior parte da cidade, mas a aplicação local do zoneamento, que deve levar em conta as regras de convivência entre moradores e estabelecimentos comerciais, por exemplo, está prevista para os próximos meses.
O prazer de andar aumenta muito numa rua com diversas configurações: o caminhante aprecia vitrines, gente, cafés, árvores. Há quem estime que a autonomia do pedestre dobre, quando o percurso é prazeroso.
O uso misto é regulamentado no artigo 80, que dá vantagens para novos empreendimentos que estimulem usos combinados, como, por exemplo, um prédio residencial com lojas embaixo. Ou, como o Conjunto Nacional, escritórios, residências e lojas, tudo no mesmo endereço.
Alguns analistas esperam que o fim da obrigatoriedade de vagas de garagem também possa levar a tipos de prédios mais parecidos com aqueles que temos no centro, mais conectados à cidade. É possível. Assim como há muita gente que já está decidindo viver sem carro, é possível que haja mais lançamentos para gente que quer fazer parte da cidade.
Os eixos de transporte não podem ser barreiras para os pedestres
O pesadelo do caminhante são as ruas largas, as pontes, os rios, as passarelas.
Numa cidade com eixos de transporte claramente definido pelo Plano Diretor, há que se tratar com cuidado a travessia do pedestre de ruas com várias faixas de carros e de ônibus, ciclovias e motos. As ruas largas são barreiras difíceis de transpor e as soluções disponíveis não são brilhantes: envolvem subir escadas, descer rampas e passar por cima de estruturas precárias.
Há previsão de de traffic calming, aquelas ações para diminuir a velocidade dos carros e reduzir um pouco a distância entre as esquinas para facilitar a travessia, mas normalmente elas são previstas para ruas menores. Nos grandes eixos, será preciso trabalhar para garantir tempo adequado no farol de pedestres, distância da rua e cruzamentos em nível.
Mais parques
Novos parques estão previstos no Plano, marcados nas chamadas ZEPAM´s. Mais árvores, mais espaços cuidados. Essencial para a cidade, mesmo que o caminhante às vezes tope com grades ou muros ao redor deles.
O artigo 122 prevê mecanismos de transferência do potencial construtivo para incentivar donos de terrenos a doá-los a prefeitura, como alternativa à desapropriação. E o 284 regula sobre novos tipos de parques, inclusive os “pocket parks”, menores, mais inseridos no tecido urbano.
Além disso, está previsto pagamento por serviços ambientais (art. 158 e os seguintes) para quem preserva vegetação original ou promover a recuperação dos ecossistemas como as matas ciliares dos rios.Os parques lineares são faixas estreitas ao longo de córregos. Andar ao longo de água limpa a céu aberto, como no Córrego das Corujas, longe de carros, é o sonho do caminhante.
As praças
As praças são parte fundamental da experiência urbana. Para o caminhante, são pontos de parada, refresco, descanso. As praças não têm muito destaque no plano, estão incluídas nas ações que envolvem as ruas e áreas verdes.
Empreendimentos que cuidam das praças têm benefícios. Entretanto, o que tem acontecido ultimamente é que tem gente adotando praças porque acredita que isso vai tornar os lugares melhores. E torna mesmo. Os conselhos gestores, que já atuam em parques, também podem ajudar a melhorar a gestão das praças, tornando-as mais atrativas para os moradores do entorno e visitantes.
Do ponto de vista do caminhante, as praças são tão importantes quanto os parques. Elas distraem a atenção e, quando bem cuidadas, com bancos e gente, melhor ainda.
As estações de transporte
Estações são inevitáveis no nosso futuro.
O Plano Diretor prevê a tal integração de modais, o que significa que passaremos boa parte de nosso tempo em estações, saindo de um trem para pegar uma bicicleta ou esperando um ônibus, ou, quem sabe, até um barco, já que o transporte hidroviário também consta do plano. Os terminais são espaços públicos cada vez mais importantes e há poucos exemplos de lugares agradáveis criados à sombra das estações ou dentro delas.
Nas grandes estações e terminais, construídos pelo estado ou pelo município, há espaço claro para melhorar o planejamento de e acabamento de obras, como nos recém-inaugurados Terminal de Pinheiros e Estação Faria Lima, por exemplo.
O adensamento
A cidade densa é uma das palavras de ordem do plano diretor. Menores distâncias, menores deslocamentos. O pedestre agradece, mas provavelmente vai reclamar se a configuração resultante dos prédios gigantescos não for minimamente regulada.
Em ruas largas, um predião talvez não incomode tanto. Em ruas menores, as tais do “miolo de quadra”, está previsto um gabarito de 8 andares. É uma pena que isso não tenha sido instituído – e respeitado – décadas atrás. Talvez tivéssemos vários prédiozinhos pequenos próximos, em vez do paliteiro no meio da quadra, cercado de muros.
Proteção ao patrimônio histórico e cultural
Os lugares históricos nos conectam com a identidade da cidade e são ótimos pontos de parada. Sua proteção está lá no plano diretor, análoga aos incentivos às áreas verdes, mas nesse caso, não há benefício para doação.
Proteção é ótimo, mas a gestão é tudo. Alguns, se fecham, com grades e barreiras, como a Igreja da Matriz, no Largo Treze de maio, ilhada. Outros são abertos, convidativos, bons de sentar. Nesses, o patrimônio pode ser tocado e vivido.
As operações urbanas
Uma enorme parcela da área urbana de São Paulo pertence ao território das operações urbanas. Elas têm recursos próprios, estão moldando a cidade do futuro e, do ponto de vista de espaços públicos, parecem ter deixado a desejar.
O plano diretor reservou uma parcela fixa para habitação social e outra para mobilidade urbana. Se a mobilidade for entendida apenas como mais acessos para os veículos, motorizados ou não, o pedestre será esquecido, como foi na Operação urbana Faria Lima, por exemplo.
As operações precisam envolver mais representantes da sociedade para definir uma visão de futuro. Nela, acredito que os espaços públicos deveriam ser o ponto de partida e não o que sobra depois de se planejarem as construções.
Concluindo,
O plano diretor prevê uma série de conceitos que podem ajudar a melhorar a experiência de caminhar a pé e usufruir dos espaços públicos da cidade.
A questão é que a construção dos bons espaços públicos é matéria do dia a dia, precisa de bons princípios gerais, mas, principalmente, de um olhar atento para as coisas pequenas, aquelas que só uma pessoa andando consegue ter.
É recomendável que os autores de planos, de projetos, de pontos de ônibus, de pontes, saiam andando por aí antes de construir qualquer coisa, vendo, consultando, perguntando. Talvez eles constatem que a fruição da cidade é muito mais do que promover mobilidade. Chegar em algum lugar com segurança, sem disputar espaço com veículos é básico. Mas também é o prazer de caminhar com calma, encontrar pessoas, sentar, flanar e viver.
http://www.brasilpost.com.br/mauro-calliari/plano-diretor-caminhadas_b_5676015.html?utm_hp_ref=brazil
Assis Ribeiro
16 de agosto de 2014 9:01 amÀ juventude católica
À juventude católica asiática, papa prega fim de ‘materialismo’, ‘modelos econômicos desumanos’ e ‘espírito de competição desenfreada’
O “materialismo que sufoca os valores culturais e espirituais autênticos”, os “modelos econômicos desumanos que criam novas formas de pobreza e marginaliza os trabalhadores” e o “espírito de competição desenfreada que gera egoísmo e conflito” devem ser, definitivamente, abandonados.
Quem está falando isso não é nenhum líder esquerdista marxista-leninista, que prega pela destruição do capitalismo em busca de uma sociedade socialista. Tais palavras foram proferidas pelo papa Francisco, em encontro com jovens católicos da Coreia do Sul, uma nação que se forjou dos escombros de uma guerra fraticida com seus vizinhos do norte, e, imersa em um capitalismo ferrenho, tornou-se uma potência econômica da região.
Para o pontífice, porém, sistemas que privem os pobres devem ser descartados. Se tal recado pode ser difícil de ser assimilado em uma nação próspera, que tem um vizinho comunista que transmite mais situações de falta de liberdade do que igualdade social, a mensagem pode ser facilmente compreendida em outras nações asiáticas, que integram o rol dos países mais pobres do planeta, onde a fome e a miséria é um lado da moeda, que tem do outro lado a riqueza subtraída da população pela intensa corrupção.
As declarações do papa foram feitas em seu segundo dia de visita à Coreia do Sul. Sua Santidade teve, nesta ocasião, uma recepção eufórica de dezenas de milhares de jovens de toda a Ásia durante a celebração de sua primeira missa pública no país, uma das nações em que o catolicismo mais cresce no mundo. A homilia foi celebrada no estádio de futebol de Daejeon, que esteve lotado com mais de 50 mil pessoas.
Reunificação da Coreia
Colocando o dedo em uma ferida ainda não cicatrizada depois de muitas décadas de antagonismo entre norte e sul-coreanos, adeptos do comunismo e do capitalismo, em um dos últimos resquícios da Guerra Fria que ainda se faz presente nesta segunda década do século XXI, o papa Francisco pediu aos coreanos do Sul que rezem pela reunificação da península. Para o pontífice, eles devem ter como meta reunir-se em uma só família, “sem vencedores ou vencidos”.
“Senhor, somos uma família. Ajude-nos a alcançar a união. O Senhor pode. Para que não haja vencedores ou vencidos. Só uma família, somente irmãos”, pregou papa, durante a missa. “Somos irmãos que falam a mesma língua… pensem em seus irmãos no norte. Eles falam a mesma língua e quando se fala a mesma língua em família há uma esperança humana”, completou.
Sendo um país oficialmente ateu, por ser comunista, a Coreia do Norte conta com pouquíssimos católicos. Segundo estimativas da Comissão de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas, o número varia de 800 a 3 mil praticantes do catolicismo no país, ante cerca de 5 milhões na Coreia do Sul. Antes da Guerra da Coreia, no entanto, Pyongyang, capital a norte-coreana, era a cidade da península com mais católicos, sendo conhecida como “Jerusalém coreana”.
A chegada do papa à Coreia do Sul, assim, pouco alterou a rotina dos norte-coreanos. A prova disso é que, no mesmo dia em que o pontífice chegou ao país sul-coreano, seus vizinhos do norte lançaram três mísseis de curto alcance a partir de sua costa leste. Os foguetes foram disparados da cidade norte-coreana de Wonsan e percorreram 220 quilômetros antes de caírem no mar.
http://www.brasilpost.com.br/2014/08/15/papa-francisco-visita-coreia-do-sul_n_5681501.html?utm_hp_ref=brazil
Assis Ribeiro
16 de agosto de 2014 9:07 amA ofensiva dos abutres e das
A ofensiva dos abutres e das hienas e o “mundo-cão” da Cantanhede
Que Marina Silva tem o direito de pretender ser a candidata do grupo que apoiava Eduardo Campos, não há nada a discutir.
Quanto ao direito do PSB de avaliar se alguém que entrou no partido como “carona” possa representá-lo, também não há questionamento moral possível.
A democracia se exerce, aliás, através dos partidos.
Mas a mídia brasileira, com seu já agora ostensivo apetite político, tomou a frente do processo e, como um bando de urubus, se arroga dona do corpo morto de Eduardo Campos e chama Marina Silva para ser não uma candidata a Presidente, mas a amazona dos despojos do ex-governador de Pernambuco.
O Globo “acusa” Lula e Dilma de terem telefonado ao presidente em exercício do PSB, Roberto Amaral.
Meu Deus, quem é o dirigente maior dos socialistas, na ausência de Eduardo Campos, a quem, senão a ele, deveriam dirigir, além do pesar à família Campos, as condolências e o diálogo político?
Como uma matilha de lobos, o time de colunistas políticos do jornal é mobilizado para “exigir” Marina, como se fosse papel dos jornais deliberar pelos partidos políticos que, repito, tem o direito e o poder legal de escolherem ou não a ex-senadora como seus representantes eleitorais.
Mas pior, muito pior, é o que faz, de forma indecente e mórbida, a colunista da Folha, Eliane Cantanhêde.
Dá a impressão de que saliva de prazer ao imaginar a mais mórbida exploração eleitoral do cadáver de Eduardo Campos.
“Dilma Rousseff e Aécio Neves, tremei. No rastro da comoção nacional pela morte estúpida de Eduardo Campos, apoios da família dele à sua vice serão avassaladores. O irmão, Antônio, já se manifestou publicamente. E quando a mulher, Renata, ladeada pelos cinco filhos, inclusive o bebê Miguel, lançar Marina? E quando a mãe, Ana Arraes, apadrinhar a candidatura aos prantos?”
Não é um campanha eleitoral o que quer nossa refinada e cheirosa elite.
É um programa destes de “mundo cão” da pior espécie.
Falam tanto em programa, projetos, eficiência, capacidade.
Mas, se lhes servem politicamente, às favas os escrúpulos e viva a manipulação do sentimentalismo, da dor, dos mortos.
Não se disputa a herança política de Eduardo Campos, mas o direito de poder explorar o seu fim trágico, o seu cadáver, numa campanha.
Está em jogo o destino de um país, a escolha de quem irá dirigi-lo nos próximos quatro anos.
Isso, para os cidadãos de bem.
Para outros, não é isso.
Não lhes importa quem vá para lá e que métodos se disponha a usar para isso.
Tudo o que querem é que se derrube um projeto progressista e popular, ainda que à custa de colocar qualquer um lá, com o qual, depois, se verá o que fazer.
E não vacilam, para isso, sequer, em propor a mais vil exploração da dor de uma família, inclusive de suas crianças.
A direita brasileira já teve o seu Corvo, Carlos Lacerda. Conseguiu baixar mais e agora tem abutres e hienas.
É nojento, o que mais dizer disso?
http://tijolaco.com.br/blog/?p=20015
Marly
16 de agosto de 2014 10:53 amDeplorável !!!
Não conhecia Eduardo Campos, ele não era meu candidato mas ainda estou chocada com o acontecido. Deplorável a atitude dessa senhora e os demais da mídia, assim como Marina e alguns familiares. Enquanto os peritos AINDA trabalham arduamente para tentar juntar os restos mortais do que foi Eduardo, esses seres abomínáveis desrespeitam o político e chefe de família, que foi Eduardo Campos! Chega a dar enjoo e dor de estômago, tomar conhecimento de comportamento tão infame e malígno!
Assis Ribeiro
16 de agosto de 2014 9:17 amOpinião: Ocidente precisa
Opinião: Ocidente precisa reagir à nova ordem mundial
Ucrânia, Síria, Iraque: tanto os conflitos violentos quanto a constante formação de alianças inesperadas marcam mundo atual. Ocidente precisa reagir a essa realidade, opina o redator-chefe da DW, Alexander Kudascheff.
O mundo está sendo abalado por crises dramáticas. Na Ucrânia. E ainda mais no Oriente Médio, mesmo que um novo cessar-fogo de cinco dias entre Israel e o Hamas permita uma pausa para respirar. Na Síria, a guerra civil prossegue com intensidade homicida, embora quase que despercebida: em breve se atingirá a marca de 200 mil mortos, num país em dissolução.
E no norte do Iraque, o mapa territorial está sendo retraçado por uma soldadesca inimaginavelmente brutal, que ultrapassa todos os limites em nome de Alá, e cuja área de dominação já se estende da cidade de Aleppo até o Curdistão iraquiano: o chamado “Estado Islâmico” (EI). O EI pretende destruir a ordem vigente, ele não reconhece fronteiras, Estados ou governos: para ele, o que conta é apenas sua própria interpretação do Alcorão.
E isso abala a diplomacia, pois, de repente, as antigas concepções não valem mais. Os Estados Unidos apoiam os curdos – e, portanto, indiretamente, os xiitas em Bagdá e em Teerã – na luta contra os terroristas do EI. O país dá essa ajuda à própria revelia, pois, na realidade, ele quer uma troca de poder e de política no Iraque, e suas relações com o Irã prosseguem tensas e abaladas.
Na Síria, os EUA também não sabem se insistem na queda do tirano Bashar al-Assad, pois isso abriria o caminho para a Frente Al-Nusra, que eles combatem no norte do Iraque. Uma desordem diplomática para a qual não há respostas fáceis.
O prêmio Nobel da Paz Barack Obama decidiu-se cedo por uma retirada de tropas do Iraque. Ele não acredita nos êxitos das intervenções militares e, no entanto, teve que interferir agora. O papel dos EUA no Oriente Médio se desgastou. Antes, o país era considerado insubstituível, devido a suas estreitas conexões estratégicas com Israel e com as monarquias e países árabes conservadores e com lideranças autoritárias, como o Egito, a Jordânia e a Arábia Saudita.
Porém, Obama tem fama de fraco, indeciso, hesitante e incapaz de se impor. Nem mesmo Israel lhe dá ouvidos – como tem mostrado, nos últimos 12 meses, a vã “diplomacia de ponte aérea” do incansável secretário de Estado John Kerry. Israel segue sendo o parceiro dos EUA, porém, age de forma mais autônoma do que nunca.
Na grande crise europeia em torno da Ucrânia, por outro lado, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, se revela um mestre da falta de transparência tática. Depois da anexação da Crimeia, será que ele também pretende avançar sobre o leste ucraniano? Será que só quer desestabilizar a região? Ou quer desestabilizá-la para depois anexá-la?
Será que o desafio de Moscou se dirige apenas ao malquisto governo em Kiev, ou por trás dele se esconde a gritante ambição de poder de um novo imperialismo russo, que se insere no vácuo político aberto pelos EUA, tão ocupados consigo mesmos, e pela hesitante e indecisa União Europeia?
As sanções do Ocidente contra os russos apresentam os primeiros efeitos, mas o clima vai se congelando; e apenas telefonemas, até mesmo da chefe de governo alemã, Angela Merkel, não bastarão para desfazer o nó ucraniano. Como a Rússia foi excluída do círculo do G8, é a UE que precisa, em primeira linha, encontrar uma via de acesso ao Kremlin.
A Alemanha, por sua vez, – que desde o início do ano vem debatendo, com maior ou menor alarde, sobre um maior engajamento político no mundo – é forçada a assumir um novo papel.
O país é uma potência líder e sua opinião é escutada. Contudo, Berlim precisa avançar ainda mais, não pode se esconder por trás da UE na esperança de não ter que assumir nenhuma responsabilidade. A Alemanha precisa assumir uma posição definida: na crise da Ucrânia, sem dúvida, e possivelmente mais ainda no caso do norte do Iraque.
Se o “Estado Islâmico” age com brutalidade quase sem precedentes, se seres humanos são massacrados, assassinados ou expulsos de seus domicílios, então, Berlim não pode se acomodar em seu bem estar e prosperidade e esperar tranquilizar a própria consciência com alguns milhões e entregas de ajuda humanitária.
No entanto, as intervenções militares das últimas duas décadas foram raramente acompanhadas de sucesso. Isso vale tanto para o Afeganistão como para a Líbia – onde a derrubada de Muammar Kadafi transformou a ditadura de um homem só num “Estado caído”.
O mundo ficou mais difícil de compreender. A nova ordem mundial é uma ordem em que novas alianças são constantemente formadas. Pois quem poderia ter imaginado, apenas alguns meses atrás, que o mundo se colocaria do lado dos curdos? Ainda mais com a intenção de que combatentes peshmerga vitoriosos desenvolvam uma nova consciência curda e que talvez exijam a fundação de um Estado curdo transfronteiriço!
Entre os polos da superpotência americana em retirada, as pretensões neoimperialistas de Moscou e uma China que, por enquanto, muitas vezes ainda age à sombra da política mundial, é necessária uma política externa nova e livre de preconceitos por parte da UE e, sobretudo, da Alemanha. E isso numa época sem certezas diplomáticas.
http://www.dw.de/opini%C3%A3o-ocidente-precisa-reagir-%C3%A0-nova-ordem-mundial/a-17857189
Aroeira
16 de agosto de 2014 12:10 pmPreços caem mas o PIG não vê
Publicado em 15/08/2014, no Conversa Afiada
Preços caem
e desmentem pessimistas
“Eles precisam encarar a realidade”
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Do Seja Dita a Verdade, no face
No Muda Mais:
Preços caem mais uma vez
O Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) caiu novamente. A deflação foi de 0,55% em agosto, índice bastante próximo dos -0,56% no mês anterior. Isso significa nova queda nos preços para toda a população brasileira, independente da renda. O IGP-10 leva em conta o índice de preços no atacado, o índice de preços ao consumidor e o custo da construção civil.
Novamente, os pessimistas que sempre plantaram o medo têm que encarar a realidade da economia brasileira e repensar o terrorismo econômico que andam fazendo. Afinal, os números os desmentem.
Os preços no atacado registaram nova queda, e o índice de preços no varejo manteve-se estável, com inflação de 0,01%. Já o Índice Nacional de Custo da Construção registrou inflação de 0,45% em agosto.
O IGP funciona como um indicador mensal do nível de atividade econômica e mede itens como bens de consumo e de produção, entrando aí preços de produtos alimentícios, fumo, remédios, embalagens, moradias, transporte, vestuário e educação, por exemplo. O IGP-10 leva em conta o período entre o dia 11 do mês anterior e o dia 10 atual e é medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). No acumulado, o índice apresenta taxa de 1,7% no ano e de 4,82% em 12 meses.
wiilma
16 de agosto de 2014 1:25 pmINDICAÇÃO DO DESEMBARGADOR FEDERAL FAUSTO DE SANCTIS PARA O STF
http://blogdofred.blogfolha.uol.com.br/2014/08/15/juizes-indicam-moro-de-sanctis-e-paulsen-para-vaga-de-joaquim-barbosa/
Lista tríplice de Ajufe escolhe dois criminalistas especializados em crimes financeiros e um tributarista.
Os juízes federais Sergio Fernando Moro, Fausto Martin De Sanctis e Leandro Paulsen foram os mais votados em lista tríplice da Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil) como indicação para a vaga decorrente da aposentadoria do ministro Joaquim Barbosa no Supremo Tribunal Federal.
Votaram 362 associados da Ajufe. A lista deve ser encaminhada para a presidente Dilma Rousseff.
A votação foi feita em duas fases. Numa primeira etapa foram escolhidos seis nomes. Consultados, Moro, De Sanctis e Paulsen autorizaram a inclusão de seus nomes na lista tríplice.
Na apuração final, Moro recebeu 141 votos; De Sanctis, 134 e Paulsen, 123.
“Integrar a mais alta Corte de Justiça do Brasil certamente é uma honra. Exige um exercício único de responsabilidade dada a envergadura das questões a ela submetidas. Claro que gostaria de ser um de seus integrantes, mas sei que o Brasil possui nomes brilhantes que podem cumprir a dificil, importante e nobre tarefa tão bem”, afirmou De Sanctis ao Blog.
Ele diz que recebeu “com alegria” o fato de figurar ao lado de colegas que admira e de ter sido lembrado “exclusivamente pelo trabalho e pela condução de vida com correção e dedicação”.
Sergio Moro, do Paraná, e Fausto De Sanctis, de São Paulo, são magistrados especializados em julgar crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e de lavagem de dinheiro.
Leandro Paulsen é tributarista. Desembargador Federal no TRF-4 (com sede no Rio Grande do Sul). Foi por duas vezes juiz auxiliar do Supremo, a convite da ministra Ellen Gracie.
Para a Ajufe, a importância da escolha é que na atual composição do Supremo não há nenhum juiz federal de carreira.
Entre outros casos relevantes, Moro atuou nas investigações do Banestado e conduz atualmente as investigações envolvendo a Petrobras (“Operação Lava Jato”). Foi juiz instrutor do Supremo Tribunal Federal, tendo atuado como auxiliar da ministra Rosa Weber durante o julgamento do mensalão.
De Sanctis atualmente é Desembargador Federal no TRF-3 (com sede em São Paulo). Como juiz federal, esteve à frente da 6ª Vara Federal Criminal e atuou em casos relevantes, como a Operação Satiagraha, Banco Santos, Castelo de Areia e Banespa, entre outros.
Moro e De Sanctis têm livros publicados sobre o combate à lavagem de dinheiro e crimes financeiros. A escolha de ambos é uma indicação da importância que a Justiça Federal atribui ao combate à corrupção e ao crime organizado.
Jair Fonseca
16 de agosto de 2014 5:13 pmCabra marcado para morrer.
Glauber Rocha estava marcado para morrer, em 1971, pelas forças da repressão no pior momento da ditadura no Brasil. É o que supõe a Comissão da Verdade, a partir de documentos da ficha do principal cineasta brasileiro, e grande militante da cultura.
http://g1.globo.com/globo-news/noticia/2014/08/comissao-da-verdade-revela-militares-queriam-matar-glauber-rocha.html
Frederico69
16 de agosto de 2014 7:04 pmalguém tem dúvidas sobre o uso de pesticidas e transgênicos??
pesquisar na amazonia onde o uso de pesticidas ainda é pequeno não vai apontar as verdadeiras causas. mas pode servir de padrão de comparação.
http://www2.correiodopovo.com.br/Noticias/?Noticia=533357
Chips ajudarão a monitorar atividades das abelhas
Pesquisadores australianos e brasileiros querem saber as causas da redução da população dos insetos
Crédito: Vale Csiro / Divulgação / CP
Pesquisadores australianos e brasileiros estão desenvolvendo sensores capazes de medir por quanto tempo as abelhas voaram, polinizaram, comunicaram-se e descansaram. Com essas informações, os cientistas esperam entender o que está acontecendo com a saúde destes insetos. O objetivo é identificar as causas da redução das populações de abelhas, fenômeno que poderá afetar a produção de alimentos no mundo. Os novos microchips, que têm metade do tamanho dos sensores usados em estudo do Instituto Tecnológico Vale no Brasil e do CSIRO, centro de pesquisa australiano, serão capazes de gerar energia a partir da movimentação do inseto. Os primeiros protótipos estão sendo produzidos em laboratórios de nanotecnologia em Melbourne, na Austrália. Os testes deverão se iniciar em 2015, no país e no Pará.
Os pesquisadores já realizam estudo com abelhas na Amazônia usando 12 mil sensores produzidos no Japão. Cada unidade tem 2,5 milímetros de diâmetro e 5 miligramas de peso. Durante seis meses, o comportamento 800 abelhas africanas será monitorado por um microssensor instalado no tórax dos insetos. “A abelha pesa 105 miligramas, em média. É como se passasse a carregar uma mochila nas costas. Observamos que o chip reduz em um terço a capacidade dos insetos de transportar néctar e pólen, mas não os impede de trabalhar normalmente”, explica o físico Paulo de Souza, coordenador da pesquisa. Neste caso, a intenção é observar em que medida mudanças no clima, como a alteração do regime de chuvas, afeta o comportamento dos insetos.
Entre as hipóteses para a mortandade de abelhas está o uso excessivo de pesticidas nas lavouras; a infestação por praga a varroa, ácaro que se alimenta do sangue das abelhas; e a disseminação da monocultura. O fato é considerado preocupante, já que põe em risco o atual modelo de produção agrícola. Cerca de 75% das culturas dependem da polinização, sendo as abelhas as principais polinizadoras. Desse total, elas são responsáveis por 73% das espécies agrícolas cultivadas no mundo, estima o agrônomo Aroni Sattler, professor de Apicultura da Ufrgs.
Segundo ele, embora o cultivo de grãos, legumes e frutas não sejam tão dependentes, são favorecidos pela presença de polinizadores durante o florescimento. “A situação do Brasil é melhor quando comparada ao resto do mundo, pela intensa presença de abelhas africanizadas em abrigos naturais, somadas aos apiários de produção de mel”, avalia Sattler, que integra o Comitê Científico de Sanidade Apícola do Ministério da Agricultura.
Produção de mel pode expandir-se no Estado
Embora o número de colmeias e a produção de mel mantenham-se estáveis nos últimos dez anos, o Rio Grande do Sul é o maior produtor do país, com potencial para expansão da atividade. Mais de 50 mil famílias têm a apicultura como atividade produtiva. Somados, esses produtores têm 650 mil colmeias e produzem de 8 a 10 mil toneladas de mel por ano. Em 2013, pela primeira vez, o mel gaúcho foi exportado ao Canadá e aos Estados Unidos, países onde a produção está diminuindo, possivelmente devido à redução da população de abelhas. A China, líder mundial na produção de mel, também registra queda. O país não está conseguindo atender à demanda das exportações, já que com a melhora do poder aquisitivo o consumo do mercado interno aumentou.
Com a redução da produção nestes três países, o apicultor vislumbra oportunidades de negócio. O produto gaúcho, que duas safras atrás era destinado praticamente só ao mercado interno, conquista novas fronteiras. Segundo estimativa da Emater, o volume embarcado em 2013 corresponde a 40% do total produzido. “Antes, virava o inverno e tinha estoque em casa, pois não comercializava tudo. Agora, quando chega o frio, o apicultor já não tem mais mel”, analisa o agrônomo Paulo Conrad, da Emater de Lajeado, referindo-se à estação do ano em que o consumo interno aumenta. Mas para investir na atividade e ampliar a produção, “o produtor precisa ter segurança de que o mercado vai se manter”.
Apesar das incertezas, o cenário já se refletiu na valorização. Com os embarques, diminuiu a oferta no mercado interno, e os valores subiram de R$ 6 a R$ 10 o quilo, em 2013, para R$ 8 a R$ 14 o quilo em 2014. Os produtores brasileiros usam somente 15% da capacidade de produção no que se refere à diversidade de plantas com pólen disponíveis nos campos. O Brasil produz 40 mil toneladas/ano.
joao
16 de agosto de 2014 7:14 pmSafra e Cutrale apelam para
Safra e Cutrale apelam para acionistas para comprar Chiquita
Segundo o Financial Times, empresas brasileiras não se conformaram com a rejeição da oferta de compra
Empresa de frutas tropicais Chiquita recusou proposta de compra do banco Safra e da Cutrale
São Paulo – O banco Safra e a empresa de sucos Cutrale apelaram para os acionistas da Chiquita, após terem sua proposta de compra rejeitada pelo conselho administrativo da companhia americana de frutas tropicais, líder no mercado de bananas no mundo. A informação é do jornalFinancial Times.
Na última quarta-feira, Safra e Cutrale fizeram proposta de comprar a Chiquita Brands por 610,5 milhões de dólares em dinheiro e ainda a promessa de assumir suas dívidas, mas o conselho afirmou que a oferta não atendia aos interesses da companhia.
Segundo a publicação, inconformadas com a recusa, os brasileiros preencheram um documento na noite da última sexta-feira pedindo que os acionistas rejeitassem a proposta de fusão com a irlandesa Fyffes, anunciada em março deste ano.
No texto, Safra e Cutrale afirmaram que a decisão do conselho de não aceitar sua proposta é a “simples continuação de seu registro de decisões estratégicas falhas e de destruição de valor dos acionistas”.
Além disso, solicitaram que votassem pelo adiamento do encontro de acionistas da Chiquita, em setembro, para que o conselho tivesse mais tempo para avaliar melhor a oferta, de acordo com o FT.
O jornal afirma que os acionistas da Chiquita não parecem muito entusiasmados com a fusão com a Fyffes, mas, na visão de analistas ouvidos pelo jornal, para que a oferta brasileira realmente seja considerada, seria preciso elevar a proposta ao valor de 15 dólares por ação (não 13 dólares, como havia sido anteriormente).
http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/safra-e-cutrale-apelam-para-acionistas-para-comprar-chiquita
Gilberto .
16 de agosto de 2014 11:05 pmA USP não é problema, é solução!
Finalmente uma análise abrangente da situação na USP. Quase evidente, só que ninguém até agora havia colocado de forma tão clara. Longa, mas vale a pena.
do blog do João Sette Whitaker
a usp não é problema, é solução!
August 15, 2014
1. Resumindo os Fatos:
Entre 2010 e 2013, a USP parecia viver momentos de euforia. Além da presença já tradicional da universidade no topo da produção científica nacional, um Reitor escolhido a dedo pelo Governador José Serra (afinal, era o segundo colocado da lista tríplice), o Prof. João Grandino Rodas, punha em prática uma gestão que mesclava (propositalmente?) irresponsabilidade financeira, certo autoritarismo (na relação com o Conselho Universitário), e doses de populismo, gastava o que devia e o que não devia em obras de grande visibilidade, bolsas de todos os tipos, vistosas “embaixadas” da universidade em Cingapura, Londres e Boston, e alguns merecidos benefícios a docentes e funcionários, cujo patamar salarial sempre foi muito aquém do que deveria ser (conseguindo assim acalmar os ânimos grevistas em sua gestão).
Terminado seu mandato, o novo Reitor (que fazia parte da gestão anterior), depara-se com o óbvio: a gestão Rodas havia gasto muito além da conta, entrando sem parcimônia nas reservas financeiras da USP e colocando em risco (propositalmente?) sua tão sagrada autonomia face ao Governo do Estado. Nada mais previsível. Porém, a estrutura de poder da universidade é hoje tão viciada que o então reitor pôde fazer tudo isso, pasmem, dentro da legalidade, amparando-se na condescendência de seu Conselho Universitário.
Diante da grave crise, o atual Reitor voltou-se contra seu próprio lado. Esquecendo-se de que é ele mesmo professor (fazendo parte de reduzidíssima elite com salários bem graúdos), em vez de abrir as opacas contas da universidade para amplo conhecimento da sociedade e uma real apreensão do que havia sido feito, preferiu colocar a culpa na folha de pagamento e na massa salarial que compromete 105% do orçamento e “engessa” a universidade. Em suma, para o Reitor, são os professores e funcionários da USP que geram a crise, e não a sequência de gestões irresponsáveis.
Com isso, provoca dois movimentos que parecem bem planejados: por um lado, alimenta uma campanha perversa e simplista da grande mídia contra os “marajás” da USP, supostamente responsáveis pelo colapso financeiro, como sugere, por exemplo, artigo do jornalista Élio Gaspari atacando os “doutores da USP” (leia aqui). Por outro lado, abre espaço para um movimento de enfraquecimento da USP e da universidade pública, que passa a ser vista, também de maneira simplista e perversamente equivocada, como uma máquina anacrônica e deficitária que necessita de um “choque de privatização”. Vão nesse sentido as propostas diversas de privatização da USP, como as avançadas pelo próprio Reitor em artigos na mídia (sugerindo por exemplo a redução de docentes em dedicação exclusiva), ou o tragicômico artigo da Folha de SP sugerindo que os alunos da USP poderiam pagar “pequenas” mensalidades de quase 4 mil Reais!
Que não se enganem os incautos a quem essas campanhas se destinam. São argumentações grosseiras que escondem a realidade. Que Élio Gaspari não se preocupe: os “Doutores da USP” que ele ataca ganham certamente bem menos do que ele, renomado jornalista do mercado midiático, e são bem menos responsáveis pela crise do que parece, como veremos.
2. Desfazendo um primeiro mito: “a folha de pagamento que compromete 105% do orçamento da USP é a grande culpada pela crise”.
Comecemos, então, por essa questão: a folha de pagamento da USP compromete 105% do seu orçamento não porque os salários de seus docentes e funcionários sejam milionários, mas porque há anos a universidade vem sofrendo constante ampliação sem que, ao mesmo tempo, haja um aumento correspondente das verbas para seu sustento.
Para quem não sabe, as universidades estaduais paulistas vivem, desde 1989, do repasse de 9,57% da arrecadação do ICMS do Estado, verba destinada a seu custeio, o que implica, na maior parte, no pagamento dos salários. Além, é claro, de outras fontes de financiamento, estas porém destinadas à pesquisa, provindas dos governos estadual (Fapesp) e federal (Capes-Cnpq e Finep), assim como de agências internacionais ou mesmo de instituições privadas (por meio de convênios específicos). A alíquota do ICMS repassada às universidades, nos primeiros anos, sofreu reajustes, conforme as três universidades cresciam: de 8,4% do ICMS em 1989, passou para 9,57% em 1995.
Porém, desde então, congelou-se. Em quase 20 anos, não houve mais reajuste, enquanto que a universidade não parou de crescer. O orçamento da USP ficou dependente de um repasse variável conforme aumenta – ou diminui – a arrecadação anual do ICMS, para suprir um gasto fixo com tendência a aumentar, o da folha de pagamento. Uma conta que não fecha, e que há anos, e muito antes da gestão Rodas, já compromete em mais de 90% a verba de custeio da universidade.
O Reitor insiste em ver nesse fato e no aumento de empregados as causas da crise que tem que enfrentar: alegando, em carta enviada aos docentes, o “insustentável comprometimento com gastos de pessoal”, e apontando a contratação de cerca de 2.400 funcionários e 400 docentes entre 2010 e 2013 como causa do aumento incontrolável desses gastos, a atual gestão decidiu congelar qualquer reajuste salarial, negando até a reposição das perdas com a inflação. Por isso, e compreensivelmente, docentes e funcionários da USP, e os alunos em seu apoio, estão em greve.
Acima da questão salarial em si, que poderia ser negociada, está a atitude de calar sobre as verdadeiras causas do aperto financeiro: os gastos escandalosos da última gestão, que comprometeram o tênue equilíbrio de um orçamento já em seu limite há décadas. Nada também sobre o uso das reservas da USP (que levaria um poder executivo submetido à Lei da responsabilidade Fiscal – o que a USP não é – à condenação certa por improbidade administrativa). Nada disso, a culpa é da folha de pagamento, “dos doutores da USP”, que o Elio Gaspari mostra empenho em desqualificar. Diz nosso Reitor: “afirmar que a crise financeira da USP é resultado de sua expansão ou de repasses incorretos feitos pelo Governo não nos ajuda a superá-la”.
Pois bem, valeria a pena então que nosso Reitor analisasse com mais acuidade o anuário estatístico que sua universidade produz, ano a ano. Lá veria que sim, o crescimento da USP desde 1995, quando foi congelada a alíquota, foi significativo, e que o problema, nem de longe, está nos 2800 funcionários e docentes recentemente admitidos. A USP nesse período não só criou cursos como incorporou ou fundou novos campi, como os de Lorena, de Santos ou da USP Leste, ampliou seus museus, cresceu em todas as dimensões possíveis. E isto, vale dizer, não pelo acaso, mas como fruto de uma política oficial (e louvável) de expansão por parte do Governo do Estado. Só faltou, é claro, destinar as verbas para sustentar tal crescimento.
Para facilitar o trabalho, mostro a seguir alguns desses números: entre 1995, ano do último reajuste da alíquota, e 2012, a USP passou de 132 cursos oferecidos a 249, ou um aumento de 88,6%. Na Graduação, as vagas oferecidas no vestibular, que eram 6.902 em 1995, passaram para 10.602 em 2012, um aumento de 53,6%. Os alunos matriculados aumentaram em 77,6% no período, passando de 32.834 para 58.303.
Na pós-graduação, área em que a USP se destaca, sendo responsável por 25% da pesquisa no país, os cursos tiveram um aumento de 34,6%, passando de 476 em 1995, para 641 em 2012. O que levou a um aumento do número de alunos matriculados de 102,3% no período.
Tudo isso com a mesma alíquota. A USP só não quebrou porque no rico estado de São Paulo, o ICMS desde então felizmente sempre cresceu.
Por incrível que pareça, o número de empregados docentes e administrativos, alegadamente o grande culpado pela crise, também aumentou, é verdade, mas em proporções MUITO MENORES do que o crescimento da universidade mostrado acima. O número de docentes da USP, entre 1995 e 2012, passou de 5.056 para 5.860, ou um aumento de…..apenas 15,9%! O número de funcionários não docentes, que era de 15.105 em 1995, passou para 16.839, um aumento ainda menor, de 11,5%. E para aqueles que acham que a USP vem “inchando-se” de funcionários em relação ao número de docentes, os dados mostram que, pelo contrário, o corpo funcional enxugou-se nesse período, mesmo que discretamente, a relação professor-funcionário tendo diminuído de 1 / 2,98 para 1 / 2,87.
Ou seja, que me desculpem o Reitor, a mídia e quem mais acreditar no argumento do inchaço da folha salarial, o que ocorreu na verdade é que a USP ampliou em 88% seus cursos e em 77% seu número de alunos mesmo tendo um aumento de docentes e funcionários de apenas 15% e 11%, respectivamente. A verdade é que, isto sim, nos últimos 17 anos, os empregados da USP aumentaram significativamente sua carga de trabalho e sua eficiência!
E dai, evidentemente, a conta não fecha. Aumentar cursos em quase 90% significa aumentar drasticamente os gastos de custeio, e também de pessoal, por mais que se aceite trabalhar mais ganhando pouco. A criação de 282 novos cursos de graduação e pós em 17 anos implica em ter novos professores e novos funcionários, mesmo que isso tenha sido feito em proporções muito menores. Se uma família cresce, não há saída: deve-se aumentar o orçamento familiar, para sustentá-la. É um cálculo simples, que qualquer estudante do ensino fundamental já saberia fazer: não é possível aumentar-se expressivamente o volume de gastos sem buscar mais fundos para custeá-los.
Pois bem, o orçamento das universidades paulistas continua fixado no repasse dos mesmos 9,57% da arrecadação do ICMS, desde 1995. E ai está certamente o maior erro do Sr. Reitor, e o motivo da enorme incompreensão da comunidade que ele deveria representar. Ao invés de voltar-se contra seus pares, deveria enfrentar o Governador do Estado e a Assembleia Legislativa para defender a urgente necessidade de ampliar a verba orçamentária da USP.
3. Desfazendo um segundo mito: “os professores da USP, Unicamp e Unesp são marajás e ganham demais”.
Vale então agora uma resposta mais precisa ao Sr. Gaspari. Não, estimado jornalista, os “Doutores da USP” não são marajás. São sim responsáveis por fantástico aumento do alcance da universidade pública paulista, que cresceu muito acima da proporção em que eles mesmos cresceram. Além de sustentarem o crescimento de 77,5% do número de alunos matriculados, promoveram um salto de 127,5% no número de dissertações e teses defendidas desde 1995. E, para isso, ganham, na verdade, muito pouco. Menos, aliás, que seus colegas das universidades federais.
Em um país com discrepâncias salariais escandalosas, em que o salário médio não passa dos R$ 2 mil e onde 43% das famílias têm renda mensal domiciliar menor que um salário mínimo (IBGE), falar desses valores é sempre um tabu, pois parece até perverso. Esse é o argumento comumente usado para desqualificar as reivindicações de professores, como se a discussão fosse a de nivelar por baixo e não a de necessária mudança desse quadro escandaloso, com um aumento efetivo da remuneração salarial geral, o que aliás vem sendo feito pelo governo federal nos últimos anos, com um aumento consistente e regular do salário mínimo.
Assim, talvez por conhecer muito bem dura realidade salarial brasileira, a classe docente das universidades paulistas de fato reclama muito pouco e trabalha com bastante abnegação, considerando a importância, as exigências e a quantidade do trabalho realizado. Aliás, quando o novo Reitor tomou posse, os professores da USP mostraram-se até abertos a abrir mão de reajustes face ao rombo que, sabia-se, havia sido feito na gestão passada. Aceitaram cortes de verbas de pesquisa, de bolsas, desde o início do ano. Porém, o que os mobiliza hoje, certamente, é a postura de jogar a culpa da irresponsabilidade de gestão sobre seus salários, apenas isso. Pior ainda, é ver ser construído na grande mídia um discurso de que são marajás privilegiados que “afundam” a universidade. Vejamos então os números mais de perto.
Embora seja uma carreira que exija como ponto de partida anos de estudos, e o nível de Doutorado, e seja considerada o ápice da trajetória acadêmica tendo em vista a reputação e a excelência internacional da universidade, um professor em início de carreira na USP em regime integral e dedicação exclusiva (não pode ter outras remunerações) ganha hoje, líquidos, cerca de R$ 6,5 mil, e um livre-docente com quinze anos de casa ganha menos de dez mil. Muito menos, certamente, do que os jornalistas que se levantam contra os “doutores da USP”. Enfim, os salários “faraônicos” alardeados pela mídia, e que beneficiam apenas um pequeno punhado de professores – inclusive o Reitor –, todos com mais de trinta anos de carreira e acumulando chefias e direções, são da ordem de R$ 22 mil.
Um número significativo de carreiras no funcionalismo público estadual, por exemplo na área jurídica, cujos concursos são disputadíssimos, partem de salários iniciais equivalentes aos desses poucos marajás da USP e três vezes maiores do que os “doutores”. Por exemplo, concurso de 2011 para vagas de promotor substituto no Ministério Público do Estado oferecia salário de R$ 20 mil (clique aqui). Os colegas Daniel Borges e Ana Gabriela Braga, professores de Direito da UNESP, explicitaram essa defasagem em artigo recente na Folha de S. Paulo (clique aqui). Muitos alunos recém-formados, após um par de anos de profissão, já recebem salários muito mais altos que o dos professores que os formaram.
Qualquer professor das universidades públicas estaduais que quisesse atuar no mercado, com seu currículo e conhecimentos específicos na sua área, receberia sem dúvida remuneração duas ou três vezes mais alta do que seu salário na universidade. Ainda assim, em geral esses professores optam por ficar na universidade. Dinheiro é importante, mas não é o objetivo central: a profissão de professor e pesquisador é, antes de tudo, uma opção de vida e dedicação ao ensino e à produção do conhecimento.
“Professor, além de dar aula, o Sr. também trabalha?”. Essa frequente pergunta feita aos docentes da USP mostra o quanto a profissão e seu papel são mal compreendidos. Um professor das universidades públicas paulistas tem uma carga de trabalho fenomenal, o que amplia ainda mais a injustiça da sua remuneração: além de dar aulas em sala de classe, deve realizar pesquisas, produzir livros, capítulos de livros e artigos acadêmicos, buscando incessantemente meios de financiamento para essas pesquisas e revistas para suas publicações, elaborando e apresentando projetos, candidatando-se a seminários e conferências, e assim por diante. Um único professor deve também orientar dezenas de estudantes em seus trabalhos de graduação, iniciações científicas, mestrados e doutorados, um trabalho árduo e individualizado, além de participar regularmente de bancas finais e de qualificação (de graduação, mestrado e doutorado), o que o leva a ter uma carga de leitura semanal – extra horário de trabalho – bastante significativa. Além de tudo isso, não são poucos os professores que se dedicam também a atividades de extensão, em que o conhecimento que produzem se confronta e contribui em situações reais de partilha com a sociedade. O fato é que, em resumo, um professor das estaduais paulistas trabalha muito, reclama pouco pois gosta do que faz, recebe menos do que deveria e, sobretudo, dorme pouco.
4. Desfazendo um terceiro mito: “os alunos da USP representam apenas uma elite privilegiada e poderiam pagar pelos seus estudos”
Outro mito amplamente divulgado é que as universidades estaduais paulistas, encabeçadas pela USP, são espaços que privilegiam os setores de alta renda, seus alunos sendo todos de elite. Essa falsa ideia ajuda a alimentar o argumento de que a USP e suas congêneres são injustas, favorecem quem tem dinheiro enquanto são financiadas por toda a sociedade, sobretudo a classe média, que aquece o comércio e portanto a arrecadação de ICMS.
O discurso não é de todo inverossímil, e sobretudo nasce certamente de um fato real: a USP foi criada, na década de 30, como um claro projeto da burguesia e para a burguesia do Estado, em seu objetivo de ganhar a hegemonia política e econômica no Brasil. As primeiras aulas eram dadas em francês, um claro indicativo de sua elitização.
Porém, ao longo do tempo, essa situação mudou. É claro que o sucateamento que nosso sistema econômico concentrador da renda causou no serviço público de educação básica levou a uma histórica e perversa inversão, que até hoje persiste: os mais ricos que podem pagar escolas particulares caras saem mais preparados para os vestibulares mais difíceis e entram na universidade pública gratuita, o que não conseguem os mais pobres, que tiveram de estudar na escola pública sucateada, e para quem se destinam os cursos superiores pagos. Uma inversão tremendamente injusta, mas que vem, felizmente mudando.
Pois é por isso que são imprescindíveis sistemas de acesso que deem a oportunidade do ensino superior gratuito aos menos favorecidos, como as cotas, raciais e sociais, a reserva de vagas para oriundos do ensino público, como vêm adotando as universidades federais e, infelizmente de maneira demasiadamente tímida, as estaduais paulistas (leia aqui). É por isso que é importante a progressiva substituição do vestibular por um exame único, o ENEM, que iguala um pouco as oportunidades e permite um melhor manejo da destinação das vagas. E é por isso que é fundamental a constante expansão das universidades públicas, desde que, é claro, aumentem também os recursos para financiá-la.
Com tudo isso, mas também pelo alto nível de dedicação aos estudos dos adolescentes de menor renda, e como resultado de uma educação básica que vem lentamente melhorando, o acesso à USP se democratizou, como foi apontado por Vladimir Safatle em sua excelente aula inaugural do movimento de greve, e é muito menos elitizado do que se pensa: um rápido levantamento (feito por meu colega Artur Rozestraten) na base de dados da Fuvest mostra que, em dezembro de 2013, 75,9 % ou 3/4 dos alunos da USP tinha renda familiar (ou seja, somando os salários de pai e mãe) de até R$ 6.780,00 ; 39,4% deles cursaram todo o Ensino Médio (ou a maior parte dele) em Escolas Públicas; 48,7% dos alunos vêm de famílias cujo maior grau de instrução é o Ensino Médio Completo. São, em boa parte, os primeiros na família a terem acesso ao Ensino Superior, e 70,1% deles pretende trabalhar ou contar com alguma bolsa ou crédito educativo para se manterem durante o curso. Mesmo que não sejam oriundos dos estratos de renda mais baixa, e mesmo se a USP ainda abrigue também uma boa parcela de alunos de maior nível econômico, não se pode mais dizer que ela seja uma universidade de elite. Na verdade, ela hoje é uma universidade que atende majoritariamente à classe média.
Com esses dados, vale uma resposta mais precisa à reportagem da Folha de SP, que sugere que 60% dos alunos da USP poderiam pagar mensalidades, como forma de “tirar a USP da crise” (quando já vimos que trata-se na verdade de um falso problema). O jornal apresenta cálculos do quanto custaria uma mensalidade na USP, de forma a substituir integralmente o atual financiamento oriundo do ICMS: R$ 3,9 mil. De onde o jornal tirou tal conclusão eu não sei, mas sei que faltou explicar como 60% dos alunos de uma universidade em que 76% deles vem de famílias com renda de até R$ 6.780,00 poderiam comprometer 57,5% dessa renda na mensalidade de apenas um único filho.
Em 1999, quando a USP ainda tinha reitorias que defendiam a universidade pública, o então reitor Jacques Marcovich solicitou ao IEA – Instituto de Estudos Avançados um estudo, coordenado por um dos nossos mais brilhantes intelectuais e professor da casa, Alfredo Bosi, que resgatasse o papel e a importância da universidade pública. Dentre os inúmeros argumentos do excelente texto, intitulado “A presença da universidade pública” (leia aqui o texto completo), vale o que segue sobre a cobrança de mensalidades: “De mais a mais, como o custo da universidade pública já é cobrado da sociedade através dos impostos, cobrar também dos alunos significaria cobrar duas vezes pelo mesmo serviço, sem que essa contradição trouxesse alívio orçamentário significativo. A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investigou problemas da universidade brasileira (1991-1992), após ouvir especialistas, concluiu que a eventual cobrança de mensalidades nas universidades públicas a preço equivalente ao que se pratica nas particulares, cobriria apenas entre 7% a 10% do orçamento. Paulo de Sena Martins, em seu artigo “A Universidade Pública e Gratuita e Seus Inimigos”, cita três outros cálculos feitos de maneira independente que apontam valores equivalentes ou menores. Recorde-se, ainda que a eventual cobrança de mensalidades implicaria mais burocracia e custos adicionais, reduzindo o que sobrasse a termos irrisórios”.
Além disso, vale lembrar que a cobrança de mensalidade, embora seja desejada pela Folha de São Paulo, é proibida pelo art. 206, IV, da Constituição Federal, que prevê a gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais. Mas sequer é essa a questão mais importante. O mais sério está no fato de que a defesa da cobrança de mensalidade representa também a defesa do fim do caráter público da universidade, e mostra desconhecimento sobre o que realmente é caro no ensino superior: a pesquisa.
5. Último (e mais grave) mito: “a universidade pública é ineficaz, a sociedade não deveria continuar sustentando-a e ela deveria ser substituída pelo ensino superior privado”.
Quando aparecem na mídia internacional os tais “rankings” de universidades, os jornalões brasileiros têm reações variadas: quando a USP se destaca (o que é sempre o caso), o feito é exaltado com algum (e ridículo) orgulho patriótico. Mas quando a notícia é “negativa”, ou seja, de que a USP, mesmo que ainda liderando com folga entre qualquer outra universidade do país e até da América Latina, cai algumas posições em algum ranking, surge um coro uníssono apontando para a “falência” da mesma. Rapidamente, surgem também artigos e análises apontando seu suposto anacronismo e a necessidade de sua privatização.
Rankings universitários, deve-se dizer, não medem nada. Ou melhor, medem coisas demais. O que se entende por “qualidade universitária”? O que convier a cada um, e esses rankings apontam para o que mais lhes interessa, o que nos tempos atuais é em geral a “eficiência de mercado” de uma universidade “de resultados”, o que não é forçosamente o melhor critério para avaliar a qualidade de um curso superior.
Não obstante, tome-se o ranking que se quiser, a USP e as universidades públicas lideram todos eles, na produção de conhecimento: número de doutorados concluídos, de patentes registradas, de pesquisas desenvolvidas, de artigos científicos publicados, de alunos graduados, etc. Como coloca o estudo do IEA já citado: “Não há maneira imune a críticas de se classificar universidades ou cursos por ordem de qualidade. Tais e tantas são as variáveis em jogo que sempre se pode discordar do peso atribuído a cada uma delas. Uma coisa é certa, no entanto: todos os critérios sugeridos até hoje apontam para a superioridade esmagadora da universidade pública”.
O interessante é que a própria Folha de SP, que sugere a cobrança de mensalidades na USP, faz o seu ranking (o “Ranking Universitário Folha”). E o utiliza para sugerir uma equiparação entre a mensalidade proposta para a USP e a da PUC-RJ, a “melhor universidade privada do país”. Curioso constatar que o jornalismo apressado (para dizer o mínimo) da Folha deixa de observar um fato de razoável importância: a “melhor universidade privada do país” aparece apenas em 15º lugar de seu ranking, precedida apenas por….universidades públicas, dentre as quais, em primeiro, quinto e sexto lugares, respectivamente, a USP, a Unicamp e a Unesp!
Não achem que, a partir do 15º, surge então uma lista infindável de instituições privadas. Não, seguem ainda mais e mais universidades públicas, exceto em 19º e 26º lugares, ocupados pela PUC-RS e pelo Mackenzie, respectivamente. E assim vai, encadeando-se instituições públicas umas atrás das outras até o 33º lugar, com a PUC-PR, de tal forma que, das cinquenta “melhores” universidades do país, segundo os critérios da Folha (para quem quiser acreditar neles), temos apenas sete instituições privadas. As outras 43 são, todas, públicas….e gratuitas.
Mesmo que se resolva analisar as cem melhores instituições do ranking, a presença de universidades privadas melhora um pouco a partir do 60º lugar, mas, ainda assim, temos apenas 31 instituições no total. Ou seja, das cem melhores universidades apontadas pelas Folha, 31% apenas são instituições privadas e pagas, e 69% são públicas.
Trata-se de uma hegemonia absoluta, por qualquer ranking ou critério que se queira adotar, das universidades públicas. E, vale dizer, todas as “privadas” que aparecem nos 50 primeiros lugares não são propriamente privadas, mas confessionais, ou seja ligadas a alguma ordem religiosa (PUCs, Mackenzie, por exemplo) e declaradamente sem fins lucrativos. As “grandes” universidades privadas, Uninove e Unip, aparecem, respectivamente no 70º e 76º lugares. Um jornalismo sério, em vez de ficar montando simulações sem sentido sobre possíveis mensalidades para a USP, deveria talvez perguntar-se por que, afinal, a universidade gratuita é tão superior, em qualidade, à universidade paga e privada.
Nos resultados mais recentes do ENADE, 47% das instituições públicas obtiveram nota 4 ou 5 (29,8% e 17%, respectivamente) as mais altas possíveis, um resultado bem superior aos 21% das universidades particulares que conseguiram igual desempenho (17,3% notas 4 e apenas 3,5% notas 5).
Vale observar, porém, como sublinha o estudo do IEA de 1999, que “defender a universidade pública não significa desqualificar o ensino superior particular, mesmo porque são complementares e sua convivência no Brasil já tem se mostrado mutuamente proveitosa. Note-se, por exemplo, que a universidade pública é o grande viveiro de onde saem os mestres e doutores que formam o corpo docente do ensino particular. Dos 3.200 mestres e doutores formados pela USP em 1997, mais de 90% encontraram lugar em outros estabelecimentos de ensino superior. O que nos leva a concluir – e aqui sim com propriedade – que dar apoio à universidade pública é uma excelente maneira de se apoiar, também, a universidade privada”.
Entretanto, ainda fica no ar o porquê de tamanha discrepância no desempenho das públicas e das particulares. A resposta se contrapõe ao argumento simplista de que cobrar mensalidades é um meio eficaz e suficiente para manter uma instituição de ensino superior. Não é, e por uma simples razão: o que sustenta uma produção de conhecimento de alto nível não são propriamente as aulas oferecidas, mas sim a capacidade de realizar pesquisa. Nenhuma universidade alcançará um alto padrão de qualidade enquanto se mantiver apenas como “oferecedora de cursos” e não sustentar uma intensa atividade de pesquisa, que retroalimente em permanência seu quadro docente e alavanque a produção científica.
Ocorre que, como aponta mais uma vez o estudo do IEA, “em sua essência, a pesquisa é uma atividade cara, de retorno seguro a longo prazo, mas incerto no horizonte imediato e, por isso mesmo, pouco atrativa para a iniciativa privada”. De tal forma que, em todo mundo, a pesquisa – e estamos falando aqui em valores infinitamente superiores ao da simples atividade didática – é financiada por fundos públicos, mesmo que possa ser também complementada por aportes privados. No Brasil, que ninguém se engane: as universidades particulares que fazem pesquisa – justamente aquelas confessionais que têm destaque nos rankings – recebem financiamento público das diferentes agências de fomento governamentais, tais como a Fapesp, Cnpq, Capes e Finep.
Um argumento recorrente dos paladinos do fim da universidade pública é o suposto exemplo norte-americano. Lá, dizem eles, o mercado privado sustenta a universidade, com o pagamento de mensalidades e doações milionárias dos ex-estudantes. O que, definitivamente, não é verdade.
Diz o estudo do IEA: “72,4% dos estudantes norte-americanos frequentam universidades públicas e apenas 28,6%, as universidades privadas. Em ambos os casos são cobradas mensalidades cujo total, à primeira vista, custeia boa parte das atividades. Nas públicas, essa participação é de 18% na média, enquanto nas privadas sobe a 41,2%. Mas o que não se diz é que essas provêm na sua imensa maioria, parcial ou totalmente, de bolsas oferecidas pelo próprio governo ou fundações de caráter benemérito. Ou seja, o aluno paga, mas paga com o dinheiro da sociedade. A imagem idílica do rapaz que financia seus estudos em Harvard lavando pratos nas horas vagas fica muito bem no cinema mas cabe mal na realidade. Na verdade, ele faz pouco mais do que entregar com a mão direita na tesouraria da escola o dinheiro que recebeu, sob a forma de bolsa de estudos, com a mão esquerda da comunidade”.
Esse quadro reflete a situação de outras nações desenvolvidas, que há séculos entenderam a importância e o papel do ensino superior gratuito e universalizado. Na França e no Reino Unido, no início dos anos 2000, 92,08% e 99,9% das matrículas em cursos superiores eram em universidades públicas, e esse número pouco se alterou até hoje.
Os EUA, o país mais poderoso na produção de pesquisas científicas no mundo, reserva o equivalente a quase 0,9% do seu PIB fenomenal para o fomento público à pesquisa, superado apenas pela Coréia do Sul, que investe 1% do seu PIB, porém em valores totais bem mais modestos. O Brasil figura em boa posição, destinando 0,6% de seu PIB em investimentos públicos à pesquisa, valor equivalente, por exemplo, ao Canadá (vejaaqui).
Cita-se muito também o papel das doações de ex-alunos nos EUA, que se beneficiam para isso de descontos no imposto de renda que não exitem aqui. O exemplo é bastante citado porque as universidades muito prestigiosas de fato conseguem fundos significativos, como o caso de Harward, que ostenta reservas próprias de cerca de U$ 15 bilhões. Porém, ainda segundo o estudo do IEA, “na média e, ao contrário do que se imagina, essa fonte de recursos não ultrapassa 5% (dados do Departamento de Educação dos EUA)”. Ou seja, fica clara a incompatibilidade da comparação com o Brasil, e desfaz-se a impressão de que naquele país o ensino superior seja financiado pelo setor privado. Não é.
A ideia de alguns de que a USP poderia então reequilibrar-se financeiramente apelando para ganhos diretos tais como a venda ou aluguel de parte do seu campus, a cobrança de estacionamentos ou de licenças para o comércio em seu interior é simplista. Por mais que seja verdade que a universidade poderia de fato arrecadar algum dinheiro com um melhor proveito dos serviços prestados ao setor privado, a cobrança de suas patentes, etc., ainda assim tratam-se de valores irrisórios face ao bilhões necessários para sustentar o ensino e a pesquisa. E, além do mais, deixemos em paz uma das últimas grandes áreas públicas e protegidas da ação do mercado imobiliário na cidade, o Campus do Butantã que, aliás, devia ser bem mais aberto à cidade. Vá lá saber, por exemplo, por que os brilhantes dirigentes da USP, de um lado, e do Metrô, de outro, recusaram-se a implantar a estação de metrô do bairro na entrada da universidade. Se a USP é pública, falta a seus dirigentes, é verdade, uma visão também pública.
Além de seus custos fenomenais, que ensejam obrigatoriamente o fomento estatal, há outra razão pela qual a pesquisa – ou parte significativa dela – deve manter-se sob tutela pública: a sua independência e autonomia.
Há evidentemente alguns setores em que as temáticas de pesquisa até podem casar com os interesses do mercado, e nesses casos, o setor privado mostrará interesse em contribuir financeiramente, o que pode ser muito positivo. Porém, a pesquisa não pode e nem deve depender dessa relação. Pois há um momento em que os interesses não combinam mais, e a universidade deve poder continuar a pesquisar. Daí a importância fundamental do financiamento público, do qual nenhum país, nem mesmo o mais liberal, abre mão. Em linhas gerais, o que alimenta e faz viver o mercado é a busca pelo lucro. Pesquisas que lhe interessem serão, em última instância, aquelas que, a curto ou médio prazo (senão tornam-se desinteressantes financeiramente), avancem nesse caminho. A universidade pública, em compensação, tem por objetivo contribuir para o desenvolvimento do país e a melhoria social em geral, mesmo que em alguns casos isso possa passar muito longe da perspectiva do lucro privado. Ao contrário, é comum que se contraponha a ele.
Vejamos, por exemplo, a área do urbanismo que estuda a precariedade urbana e busca de soluções para a manutenção da população mais pobre em suas comunidades, mesmo que estas estejam situadas em áreas “nobres” de forte interesse do mercado. Não é o setor imobiliário que financiará pesquisas sobre o tema, e esse é um assunto típico, voltado para a questão social e de grande importância em um país que tem cerca de 20 milhões de pessoas sem moradia digna, que não encontra financiamento em lugar nenhum que não seja de órgãos públicos de fomento.
Os exemplos são infinitos. Vladimir Safatle em sua aula inaugural deu o exemplo de pesquisas na área biomédica que possam contrariar os interesses da indústria farmacêutica. Ou de análises econômicas que se confrontem aos interesses do mercado financeiro e dos bancos, e assim por diante. A autonomia na pesquisa é a garantia de um país de produzir conhecimento para o enfrentamento de grandes problemas, que não passem pelo aspecto comercial, nem pressuponham interesse para o setor privado.
A importância da pesquisa, sua autonomia e a atenção que a USP e as universidades públicas paulistas lhe destinam é a razão pela qual elas se destacam tanto na produção científica brasileira. Só a USP, como lembra Vladimir Safatle em artigo na Folha de SP (leia aqui), produz 25% de toda a pesquisa no Brasil. A universidade formou em 2012, 6.016 mestres e doutores, um número que cresceu 268% desde 1989, quando formou 1.634 pós-graduandos.
Em suma, a contribuição da universidade pública, e especialmente da USP e suas congêneres estaduais, para o desenvolvimento do país, é fenomenal. A USP vem cumprindo com louvor seu papel ao longo dos últimos 70 anos, mantendo-se em destaque no âmbito nacional, mas também internacional. É a única universidade da América Latina a aparecer consistentemente em destaque nas mais diversas classificações internacionais, e expande-se de forma regular e consistente. O gigantismo da sua folha de pagamentos é decorrente do seu crescimento e de seus bons resultados, e não o contrário. Ao invés do que se difunde, a massa salarial da USP, mesmo com a participação por sua conta de seus (ilustres) aposentados, se enxugou nos últimos anos se comparada ao aumento dos estudantes que ela beneficia e do volume sempre crescente de seus resultados acadêmicos e científicos.
Termino com uma frase feliz do documento coordenado pelo Professor Alfredo Bosi em 1999: “É indispensável lembrar, ainda e sobretudo, que a universidade pública brasileira não é uma utopia, mas uma realidade duramente construída com o trabalho de gerações de brasileiros, um imenso patrimônio da nação a ser preservado com o devido cuidado. Uma verdadeira universidade demora décadas para ser construída, uma reforma mal conduzida pode destruí-la em muito pouco tempo”.