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  1. Webster Franklin

    25 de agosto de 2014 4:12 am

    Marina corre risco de ter candidatura cassada por uso de caixa 2

    Correio do Brasil

     

    24/8/2014 15:11
    Por Redação – de São Paulo

     

        

     

    Avião usado por Eduardo Campos não tem proprietário definido

    Avião usado por Eduardo Campos não tem proprietário definido

     

    A Polícia Federal iniciou, neste domingo, uma detalhada investigação sobre possível uso de caixa 2 na campanha do PSB e de sua candidata à Presidência da República, Marina Silva, para o pagamento das despesas de campanha, entre elas, o aluguel do avião que, na queda, matou o ex-governador pernambucano Eduardo Campos. A campanha de Marina precisará explicar a quem pertencia o avião usado por Campos; além da origem dos recursos para as despesas com a aeronave.

    A Polícia Federal já investiga a hipótese de que o jatinho teria sido comprado com dinheiro de caixa 2 da campanhas pelo PSB ou pelo próprio Eduardo Campos, através de laranjas. Agora, o PSB terá que indicar, rapidamente, na prestação de contas quem doou a aeronave à sua campanha presidencial.

    O grupo AF Andrade, em nome do qual está a propriedade do avião, pertence a um usineiro falido, do interior paulista. Ele alega que a aeronave foi vendida a amigos de Eduardo Campos. O ex-piloto diz que toda a transação foi intermediada por Aldo Guedes, braço direito do ex-governador, que é casado com uma de suas primas e sócio em uma fazenda, além de ter sido nomeado para a presidência da empresa de gás – em Pernambuco, Guedes é também tido como tesoureiro informal do PSB.

    Amigos de Campos não possuem patrimônio declarado para comprar uma aeronave avaliada em R$ 18,5 milhões, o que leva a principal suspeita da PF ao uso de caixa dois da campanha. Até agora, ninguém declarou-se proprietário da aeronave ou se responsabilizou pelos danos materiais em Santos e pela reparação que terá de ser paga aos familiares das vítimas.

    Investigadores da PF acreditam que ninguém aparecerá para reclamar a propriedade da aeronave acidentada, o que inviabilizaria a prestação de contas do PSB e poderia levar à cassação da candidatura de Marina Silva. Ricardo Tepedino, advogado do grupo AF Andrade, assegura que a aeronave foi repassada aos amigos de Eduardo Campos, que, por sua vez, negam a operação.

    – A doação precisa constar de um contrato, com a emissão de recibo eleitoral pela campanha. O contrato deve ser anterior à doação. Se os gastos com o avião não forem declarados, isso pode configurar omissão de despesas e o candidato pode responder a uma ação por abuso de poder econômico – disse Kátia Kufa, presidente do Instituto Paulista de Direito Eleitoral, a jornalistas do diário conservador paulistano Folha de S. Paulo, que publicou matéria sobre o assunto em sua última edição, deste domingo.

    A maior dificuldade do PSB, no momento, é convencer algum empresário ou amigo de Campos a assinar um contrato, que lhe imporia a obrigação de arcar com o custo do acidente.

     

    http://correiodobrasil.com.br/noticias/brasil/marina-corre-risco-de-ter-candidatura-cassada-por-uso-de-caixa-2/724155/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=b20140825

  2. Webster Franklin

    25 de agosto de 2014 4:29 am

    Paulo Roberto Costa: Globo atirou no “basso”?

    Do Tijolaço

     

    24 de agosto de 2014 | 13:58

     

    Autor: Miguel do Rosário

     

      

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    Dias atrás, Carlos Alberto Sardenberg, um dos âncoras mais fiéis da Globo, publicou artigo no jornal tentando justificar um recente (e alarmante) sinal de incompetência da empresa. A Globo foi uma das últimas mídias a confirmar a morte de Eduardo Campos. Me pareceu um recado indireto ao Brasil 247, que se vangloriou de ter sido o primeiro veículo a dar o “furo”.

    Segundo ele, a Globo não “atira no basso”. Sardenberg tenta provar que a Globo é séria e por isso não publica nenhuma notícia cuja autenticidade não tenha sido intensamente checada antes. O colunista narra um “causo” antigo, de uma notícia escrita com grafia errada (fulano recebeu tiro no “basso”; o certo é “baço”) que havia sido publicada e republicada por vários jornais.

    Pois é. A notícia sobre a “delação premiada” de Paulo Roberto Costa está me cheirando exatamente a um “tiro no basso”.

    Na sexta-feira, o jornal tascou um manchetão cheio de certeza.

    “Ex-diretor da Petrobrás aceita delação premiada”.

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    Notícia bombástica, não? Naturalmente, foi republicada em centenas de sites na internet.

    Eu já escrevi sobre isso ontem, dizendo que a notícia tinha cheiro de factóide, visto que, poucas horas depois de ser publicada, a nova advogada de Costa, Beatriz Catta Preta aparece na mídia negando peremptoriamente qualquer decisão de Costa a respeito. PF e Ministério Público também negaram qualquer acordo.

    Ué, então temos aqui uma contradição. Os jornais asseveram que Costa aceitou fazer delação premiada, o advogado Nélio Costa inclusive teria abandonado o caso por discordar da estratégia, e depois a advogada nega que haja qualquer decisão a respeito?

    Afinal, ele vai delatar ou não?

    Pois bem, abro os jornais hoje, à procura de atualização sobre o assunto, curioso como cidadão e blogueiro.

    Na Folha e no Estadão, nada. No Globo, há uma notícia na página 11 dizendo que “Delação premiada de Costa deixa base de Dilma aflita”, mas sem entrar no mérito principal da notícia, ou seja, se Costa realmente fará um acordo de delação premiada.

    Ainda na página 11, sem destaque, outra notícia sobre o caso. O título é “Advogada diz que ex-diretor vive momento difícil”.

    Tadinho.

    Vamos ler a notícia, e descobrimos, escondida no meio da matéria, a informação que buscávamos:

    “Na última sexta-feira, ela teve um encontro de aproximadamente 30 minutos com seu cliente, mas nega que já tenha iniciado tratativas sobre delação com o Ministério Público Federal (MPF), primeiro passo de uma eventual opção pelo recurso. Segundo ela, ainda caberá ao seu cliente “bater o martelo” pela delação.

    – Ele ainda não está decidido. Esta é uma escolha muito pessoal, muito subjetiva.”

    Ué, o jornal não havia asseverado que ele o faria, com certeza, na segunda-feira? A certeza não era tanta que se usou uma manchete garrafal na primeira página? Agora o mesmo jornal, na maior cara de pau, diz que Costa “ainda não está decidido”?

    A notícia cheira a um tiro no escuro. Se Costa realmente decidir fazer a delação premiada, beleza, está tudo bem. Se não, esquece e muda de assunto. Para que se importar com detalhes insignificantes, não é? O leitor não irá se lembrar. Logo veremos, porém, que a “não-notícia” serve a um propósito político e eleitoral.

    Na capa do site da Globo, por exemplo, aparece a Dilma, associada aos “escândalos da Petrobrás”, com o subtítulo: “Presidenta (…) não comenta sobre Paulo Roberto Costa fazer delação premiada”.

    ScreenHunter_4653 Aug. 24 13.40

    Como é que é? A troco de quê ela falaria de uma coisa que ainda não existe? Não se sabe se ele vai falar ou não, não se sabe o que vai falar, não se sabe se vai falar alguma coisa de consistente. Enfim, qual o sentido em cobrar um comentário de Dilma a esse respeito? É como noticiar que Dilma não comentou nada sobre Zé da Silva se separar de sua esposa, omitindo os seguintes fatos: 1) Zé da Silva ainda não tomou nenhuma decisão; 2) Zé da Silva não é casado; 3) Dilma não conhece nenhum Zé da Silva; 4) Zé da Silva não existe.

    Isso é jornalismo?

    Ao final de seu artigo, Sardenberg, no afã de agradar seus patrões, encerra com uma frase gloriosa:

    “Tudo isso para dizer que aqui no sistema Globo a gente não atira no basso de ninguém, não faz nada escondido e, sobretudo, não usa anônimos para mexer no perfil dos outros.”

    Pausa para rir durante algumas semanas.

    A Globo vive publicando denúncias não-confirmadas. A história de Costa é apenas o exemplo mais recente. A certeza sobre um fato não parece ter mais tanta importância para o jornalismo da Globo. Basso ou baço, tanto faz, o importante é dar o tiro.

    Quanto a “não fazer nada escondido”, bem, a sonegação fiscal flagrada pela Receita foi uma ação bem escondida, não? E continua escondida até hoje. Tanto é que os jornais do grupo nunca informaram seus leitores sobre a estrepolia da empresa nas Ilhas Virgens Britânicas.

    Resta saber se a Globo “usa anônimos para mexer no pefil dos outros”. Pois bem, Sardenberg errou de novo. Bastou-me uma pesquisa rápida para descobrir que um dos IPs da TV Globo, o 200.208.25.68, andou remexendo e corrigindo centenas de páginas da Wikipédia.

    O IP da TV Globo mexeu no perfil dos jornalistas Fernando Morais e Fausto Wolff. E fez acréscimos e correções nos perfis de inúmeros artistas, inclusive não-globais, como Renato Russo. Zico, Rui Castro, Fernando Meirelles, Tim Maia, etc, também tiveram seus perfis no Wikipédia modificados por alguém usando o IP da TV Globo.

    A alteração mais interessante é a tentativa de minimizar críticas presentes na página do Beyound Citizen Kane (Muito além do Cidadão Kane), um importante documentário da BBC, a TV pública do Reino Unido, que conta a história de Roberto Marinho e suas alianças com a ditadura.

    Sardenberg, Sardenberg. O “basso” da Globo está cheio de tiros.

    http://tijolaco.com.br/blog/?p=20348

     

  3. Henrique - O Outro

    25 de agosto de 2014 5:41 am

    Marina e a UDN, 60 anos depois

    Marina e a UDN, 60 anos depois

    publicada domingo, 24/08/2014 às 21:54 e atualizada domingo, 24/08/2014 às 22:03

    A UDN – que levou Vargas ao suicídio, que derrubou Jango em 64 e que há 12 anos tenta encurralar Lula e o PT – é capaz de embarcar em qualquer aventura. A pergunta é: a democracia brasileira, pela terceira vez, fará esse mergulho no desconhecido em 2014?

    por Rodrigo Vianna

    Se Aécio minguar, o ponto de interrogação vira exclamação: “o jeito é Marina!”

    A velha UDN tinha uma estranha fixação por militares. Os candidatos presidenciais udenistas – derrotados por Dutra (1945), Vargas (1950) e Juscelino (1955) – eram sujeitos que vestiam farda: Juarez Távora e Brigadeiro Eduardo Gomes.

    Com um discurso moralista, os udenistas (civis ou fardados) colhiam a insatisfação das classes médias urbanas que detestavam as políticas sociais do trabalhismo. Algo parecido com o discurso do atual bloco demo-tucano (que chama Bolsa-Família de “bolsa-esmola”).

    A UDN era ruim de voto. Mas boa na agitação golpista: no dia 24 de agosto de 1954, há exatos 60 anos, Carlos Lacerda (principal agitador udenista) e seus aliados militares encurralaram o trabalhismo – levando Vargas ao suicídio.

    A UDN seguiu perdendo eleição, até que em 1960 resolveu buscar um candidato “de fora”. Janio Quadros – líder hstriônico, que passava a imagem de não se render aos “conchavos” políticos – finalmente levou a UDN ao poder. ”O jeito é Janio”: foi o slogan de campanha. Mas Janio não era um autêntico udenista. O governo dele foi uma crise só. Janio renunciou antes de completar um ano no poder.

    Em 1989, para impedir a vitória do monstro “Brizula” (Brizola e Lula eram favoritos, diante da crise do governo Sarney), a Globo fez o papel de UDN e escolheu Collor. Caçador de marajás, inimigo de “tudo que está aí”, Collor ganhou. Mas caiu 3 anos depois. 

    A UDN e o fantasma trabalhista

    Em 2014, os conservadores parecem dispostos a embarcar em nova aventura. Depois de 3 derrotas consecutivas, o bloco demo-tucano está dividido. Os setores mais orgânicos insistem com Aécio Neves. Mas parte da mídia, dos bancos e da classe média aceita qualquer nome que seja capaz de derrotar o PT.

    Está claro que os “neo-udenistas” legítimos (FHC, Serra, Aécio) não conseguirão derrotar o lulismo no voto. O destino apresentou à UDN um nome “de fora”. Marina Silva, certamente, não é Janio. Não é Collor. Tem uma trajetória respeitável.  Mas sua candidatura já foi capturada pelos setores conservadores: economistas neoliberais e a banqueira Neca Setúbal comandam a tropa.

    Aliada ao PSDB e ao DEM, a velha mídia resiste em embarcar no marinismo. Mas em uma ou duas semanas, o jogo estará jogado. Se Aécio minguar para 15%, e Marina passar dos 25%, a velha UDN dará mais um salto no desconhecido.

    Por enquanto, as revistas semanais trazem o nome de Marina Silva associado a um ponto de interrogação. Nos bastidores, inicia-se um balé de cobranças e concessões. Marina precisa mostrar-se confiável para o mercadismo (que desconfia da “estatista” Dilma). Em duas semanas, o ponto de interrogação pode virar exclamação: Marina é o jeito, contra “tudo que está aí”!

    Sem partido, avessa aos “conchavos”, Marina Silva é uma política profissional que finge detestar a política. Igualzinho a Janio e Collor –  ilusionistas do voto.

    Pesquisas internas mostram que Aécio se esfacela. O mineiro tenta reagir: conta com os aliados midiáticos, para desconstruir Marina. Dossiês e denúncias saem das gavetas. Mas Abril e Globo talvez não queiram queimar Marina – único Plano B, para derrotar Dilma.

    Marina tem uma avenida livre pela frente: PSDB em crise, Aécio perdido entre um discurso oposicionista e as promessas de manter o Bolsa Família (uai, a turma que vota nos tucanos não diz que aquilo é ”bolsa esmola”?), mídia desesperada por derrotar o lulismo..

    Se eu pudesse arriscar um palpite, diria que a  máquina midiática aliada do tucanato não vai ajudar o candidato do PSDB. Aécio vai minguar, e pode perder até o governo de Minas para o PT.

    Misto de líder messiânica da “nova política” e parceira confiável dos bancos, Marina vira favorita. Só Lula será capaz de barrá-la. E talvez nem ele.

    Lula talvez precise se guardar para construir alternativas mais à frente. Um eventual governo Marina, não tenho dúvidas, terá o mesmo padrão de instabilidade que marcou Janio e Collor.

    A UDN – que levou Vargas ao suicídio, que derrubou Jango em 64 e que há 12 anos tenta encurralar Lula e o PT – é capaz de embarcar em qualquer aventura. Isso já sabemos. Mas a pergunta é: a democracia brasileira, pela terceira vez, fará esse mergulho no desconhecido em 2014?

     http://www.revistaforum.com.br/rodrigovianna/palavra-minha/marina-e-a-udn-60-anos-depois.html

  4. Webster Franklin

    25 de agosto de 2014 5:46 am

    Marina e Neca do banco Itaú: o ambientalismo argentário

    Da Carta Maior

    22/08/2014 00:00

     

    Uma agenda acima das urnas inclui a independência do BC, emenda a responsável pelo seu programa de governo, a Neca do Itaú.

     

    por: Saul Leblon

     

    Menos de 24 horas depois de ocupar a vaga de candidata do PSB à presidência da República, Marina Silva tropeçou na imagem de santa que seus seguidores reverenciam e ela cultiva.

    O coordenador de campanha do partido renunciou ao cargo em caráter irrevogável.

    Foi um mal entendido, justificou Marina.

    É possível.

    Mas não há mal entendido no que acaba de anunciar a coordenadora de programa do PSB, Neca Setúbal.

    Uma das donas do Itaú –espécie de Banco Central tucano— Neca avisa que num eventual governo marineiro será implantada no país uma das teses mais caras ao neoliberalismo duro: a independência do Banco Central.

    Ao experiente repórter da Folha, a quem confiou a diretriz estratégica, não ocorreu perguntar à herdeira do Itaú em relação a quem, ou a quê, destina-se a independência mais valorizada que a do próprio país.

    Quantos dentro do PSB e entre os recém seduzidos pela imagem pura e firme de Marina sairão à medida em que a plataforma made in Itaú for, aos poucos, esclarecida?

    A nova coordenadora de campanha da ex-ministra, por exemplo.

    O que a respeitável, coerente e combativa ex-prefeita, Luiza Erundina, acha disso?

    Não é fácil opor-se às santidades.

    Por duas vezes Lula esteve a ponto de demitir Marina Silva de seu ministério. Ao final das audiências o ex-Presidente deixava o gabinete balançando a cabeça para desabafar com os auxiliares mais próximos:

    ‘Como é que eu posso demitir uma santa?’

    Marina fala como santa. Veste-se como uma. Sobretudo, acha que é predestinada pela providência divina.

    Marina ficou no ministério de Lula até sair por conta própria no dia 13 de maio de 2008.

    Alegou que não se sentia mais em condições de preservar a coerência de seus ideais e princípios no âmbito de um governo de coalizão imantado de inegáveis contradições.

    Não se diga que a posição é descabida.

    O espaço da coerência histórica num sistema político em que o Presidente é refém de um Congresso no qual a bancada ruralista conta com 162 deputados e a dos trabalhadores rurais inclui dois representantes, está longe de ser razoável.

    Marina não compactuou com o constrangimento de uma correlação de forças difícil, muitas vezes regressiva.

    E para onde foi Marina?

    Foi sentar-se à direita da santíssima trindade dos mercados.

    Em rumoroso encontro a portas fechadas com banqueiros, em outubro do ano passado, a ex-ministra ,segundo o bem informado Valor Econômico (14/10/2013), explicitou pela primeira vez, de forma clara, o seu cuore independente do constrangimento petista.

    Conforme relato de investidores que estiveram no evento, ouvidos pelo Valor, a agora candidata do PSB disse então para gáudio da banqueirada: a) o tripé “ficou comprometido e é preciso restaurá-lo’; b) o ‘expansionismo fiscal adotado pelo governo Dilma’deve ser revertido em superávits primários “expressivos, sem manobras contábeis’; c) o câmbio ‘deve voltar a flutuar livremente’.

    Por aí afora.

    Não foi um arroubo apenas para agradar plateias afins, como indica a senhora Neca Setúbal na Folha desta sexta-feira. Era uma oferta ao desfrute do dinheiro grosso.

    Em resumo, afinal livre dos constrangimentos petistas, a ex-senadora revela-se uma convicta defensora do sacrossanto ‘tripé’.

    Que vem a ser uma espécie de enforcador à distância. Sendo o pescoço, a sociedade. E os mercados, a mão que controla a correia.

    A coleira tacheada permite que o dinheiro grosso submeta governos, partidos e demais instâncias sociais a um comando de desempenho monitorado por três variáveis.

    A saber:

    I) regime de metas de inflação– ancorado no chicote dos juros ‘teatrais’, se necessário, como asseverou a nova cristão do monetarismo à banqueira embevecida com o intercurso entre ecologia e rentismo.

    II) câmbio livre — leia-se, nenhum aroma de controle de capitais; vivemos, afinal, em um período de pouca volatilidade e incerteza global mínima…

    III) o superávit ‘cheio’ – o nome honesto disso, convenhamos, é arrocho fiscal: corte de investimentos públicos estratégicos para garantir o prato de lentilhas dos rentistas.

    Marina descobriu ali que quando abre a boca encanta os banqueiros.

    Pudera.

    O que sai de seus lábios é música aos ouvidos sensíveis do capital a juro.

    Nas palavras da ex-senadora –sempre segundo o credenciado Valor– trata-se agora de buscar ‘uma agenda que não mude porque mudou o governo’.

    Uma agenda independente das urnas?

    Escavar um fosso entre a representação política da sociedade e o seu poder efetivo de alterar os rumos da economia é tudo o que as plutocracias almejam, urbi et orbi.

    Incluir o Banco Central independente no programa de governo é um sinal de que a coisa é para valer.

    Se alguém é capaz de tratar esse estupro com leveza e sedução, como resistir?

    ‘Impressionante’ ; ‘cativante’, disseram clientes endinheirados do Credit Suisse , banco que patrocinou o mencionado encontro a portas-fechadas com a ex-ministra .

    Desdenhar dos partidos e entregar o destino da sociedade a uma lógica que se avoca autossuficiente e autorregulável é com eles mesmos.

    O principal assessor de Marina para assuntos econômicos, Eduardo Gianetti da Fonseca, acaba de reforçar essa embocadura histórica.

    Desprendido, Gianetti reiterou em encontro empresarial, na semana passada, que entre ele e Armínio Fraga –o centurião ortodoxo que tutela Aécio Neves– não há nenhuma diferença substancial de conteúdo.

    Às favas a terceira via.

    Dias depois, o mesmo tutor de Marina debulharia as razões pelas quais considera os economistas da Unicamp uma espécie de contrapartida acadêmica da ditadura militar –o denominador comum seria a resistência ao Estado mínimo neoliberal (leia a resposta educada de um punhado de mestres da luta pela desenvolvimento brasileiro nesta pág)

    Quem ouve Marina, Gianetti e Neca do Itaú acha mesmo que o problema do Brasil é a dupla dissonância histórica representada, hoje, pela Unicamp e o PT; antes, por Vargas e os desenvolvimentistas, depois, por Jango, Celso Furtado e a república sindicalista’…

    Não fosse a mão dura da Dilma – ‘ela fala como homem, bate na mesa’, reclama Neca do Itaú– o país estaria liso e pronto para decolar.

    Falta só Marina assumir o manche e dar o start.

    Embora martelada diuturnamente pelo jogral do Brasil aos cacos, a tese é controvertida.

    O relevo econômico brasileiro, na verdade, inclui-se entre as encostas mais acidentadas pela ação secular de predadores ora cativados pela heroína verde – e a metáfora cromática aqui nomeia mais de um sentido.

    Os ouvidos para os quais as palavras de Marina, Aécio, Neca do Itaú, Gianetti e Armínio soam como música –assim como soavam as de Palocci, em 2003– sabem que drenar cerca de R$ 200 bilhões em juros de um organismo social marcado por carências latejantes de serviços e infraestrutura não é politicamente palatável.

    Sustentável, na chave de Marina.

    O valor refere-se ao gasto médio do país na rubrica de juros pagos aos rentistas da dívida pública (nas três esferas da federação) nos últimos anos .

    Representa uns 5% do PIB. Mais de dez vezes o custo do Bolsa Família, programa que beneficias 55 milhões de brasileiros.

    Ou quatro vezes o que supostamente custaria a implantação da tarifa zero no transporte coletivo das grandes cidades brasileiras.

    Ou ainda dezoito vezes mais o que o programa ‘Mais Médicos’ deve investir até 2014, sendo: R$ 2,8 bilhões para construir 16 mil Unidades Básicas de Saúde e equipar 5 mil unidades; ademais de R$ 3,2 bilhões para obras em 818 hospitais e aquisição de equipamentos para outros 2,5 mil, além de R$ 1,4 bilhão para obras em 877 Unidades de Pronto Atendimento.

    Repita-se: daria para fazer isso 18 vezes com o que se destina ao rentismo em um ano. Hoje o Mais Médicos já atende cerca de 50 milhões de brasileiros.

    O ponto é: como Marina que se avoca herdeira dos votos da ‘ insatisfação da sociedade civil’, pretende lidar com essas assimetrias descomunais, apoiada na defesa do ‘tripé’ –se preciso cometendo ‘juros teatrais’, diz ela?

    “Se o tripé ficou comprometido, é preciso restaurá-lo”, sentenciou quase mística aos cliente do Credit Suisse em rota de levitação.

    Ao abraçar a utopia neoliberal, sem abdicar da santidade, Marina aspira ser uma pluma imune ao atrito que contrapõe os interesses populares aos da elite brasileira.

    A dúvida é saber por quanto tempo a pluma pode pairar acima da história.

    É uma boa pergunta à coerência de Luiza Erundina.

    A combativa socialista sabe que por trás da neutralidade das plumas esconde-se a bigorna em cima da qual poderosos interesses submetem povos, nações e governos às marretadas impiedosas do dinheiro.

    Há um tipo de neutralidade que só enxerga os erros da esquerda.

    E costuma rejuvenescer o cardápio da direita, sempre que esta se ressente de espaços e agendas para disputar o poder.

    O ziguezague entre a forma e o conteúdo de Marina reflete a dificuldade histórica dessa agenda.

    O ambientalismo de Marina terá que decidir se quer ser um guia de boas maneiras para o ‘capitalismo sustentável’, que encanta o público da Casa do Saber –espaço de tertúlias dos endinheirados que se cultivam em SP; ou um projeto alternativo à lógica desenfreada da exploração da natureza e do trabalho?

    Não são escolhas postergáveis.

    Ignorar as urgências sistêmicas escancaradas pela desordem capitalista, desde 2008, equivale a adotar como bússola o oportunismo.

    O oportunismo acredita que pode transitar entre leões famintos sem ser notado.

    Marina quer levar o Brasil a esse safári desconsiderando a determinação das mandíbulas do capital financeiro em devorar a natureza , a economia, a sociedade e a civilização em nosso tempo.

    Negligenciada pelos adeptos da ‘terceira via’, ou melhor cortejada por eles, a supremacia das finanças desreguladas condiciona todo o cálculo econômico nos dias que correm.

    A essa bocarra pantagruélica a gentil Neca do Itaú pretende oferecer a ‘independência do BC brasileiro’, conforme nos informa a Folha desta sexta-feira.

    Taxas de retorno incompatíveis com a exploração sustentável dos recursos naturais – de ciclo mais lento e mais longo – constituem o cardápio de engorda desse metabolismo insaciável.

    Ele dá as ordens na cozinha globalizada.

    Sob a ameaça de migrar para opções especulativas de maior retorno, exige-se a maximização permanente das taxas de lucros, dos juros e dos dividendos — que a Petrobrás insiste em comprimir para investir na exploração soberana do pré-sal.

    Dissemina-se assim um padrão de retorno econômico incompatível com a sustentação dos direitos sociais (‘o custo Brasil’), e a preservação dos recursos que formam as bases da vida na Terra.

    Que tipo de Estado é necessário para viabilizar essa pilhagem?

    Fica claro por que Gianetti atacou a agenda de desenvolvimento preconizada pela Unicamp como tributária do estatismo da ditadura.

    O Estado mínimo é a ‘transversalidade’ (para ficar, de novo, na chave de Marina) de uma ‘terceira via’ que se credencia para terceirizar o país aos mercados.

    À outrance dessa aposta acomoda-se o jogral verde, que cerra fileiras contra o ‘estatismo da Unicamp’ por ver aí um inimigo do ‘decrescimento’ ambientalmente sustentável.

    O tucano André Lara Resende, interlocutor de Marina, ex-presidente do BNDES e protagonista do escândalo da privatização das teles, em 1998, é um dos teóricos desse braço alternativo da terceira via.

    Em vez de respostas, a tese do ‘decrescimento’ repõe velhas perguntas dirigidas às utopias centristas.

    Quem decidirá o quê, como, quanto e para quem a sociedade vai produzir, ou deixar de produzir no reino do decrescimento?

    Como planejar o decrescimento com um Estado mínimo?

    Quais critérios definirão o rateio sustentável do uso dos recursos naturais dentro de cada nação e entre as nações?

    Como serão superadas as desigualdades históricas acumuladas até então –por exemplo, o patrimônio em cavalos de corrida acumulado pelo cosmopolita Lara Resende terai qual destinação?

    A verdade é que a tese do ‘não crescimento’ responde aos desequilíbrios sociais e ambientais tanto quanto a panaceia do crescimento é vendida como sinônimo de desenvolvimento.

    A despolitização dos conflitos subjacentes à destinação do excedente econômico é a pátina dessa dupla mistificação.

    Em bom português: arrocho ou democracia social?

    Ao eximir-se das consequências de sua aliança com o capital financeiro, Marina joga a equação do desenvolvimento brasileiro nos marcos insolúveis da agenda conservadora, a saber: descontrole inflacionário ou juros argentários; arrocho ou estagnação; Estado mínimo ou recessão?

    Abstraída a centralidade da democracia social na qualificação do desenvolvimento tudo é possível.

    Inclusive transformar a campanha de 2014 num atalho para a restauração de um neoliberalismo ainda mais devastador que a experiência vivida nos anos 90. Agora travestido de econeoliberalismo, à la Lara Resende.

    Ou de ambientalismo argentário, à la Neca do Itaú.

    http://www.cartamaior.com.br/?/Editorial/Marina-e-Neca-do-Itau-o-ambient

  5. Claudio W.

    25 de agosto de 2014 5:52 am

    Desvinculação do Hospital Universitário da USP: Risco de um erro

    http://www2.hu.usp.br/desvinculacao-do-hospital-universitario-da-usp-risco-de-um-erro-irreparavel-merece-pausa-para-reflexao/

     

    sexta-feira ago 22, 2014

    Desvinculação do Hospital Universitário da USP: Risco de um erro irreparável merece pausa para reflexão

    No momento em que se discute a crise orçamentária da USP, o Hospital Universitário da USP está sob a mira da sua desvinculação da Universidade, sem a devida análise e considerações de seus valores e missão.

    Desde 1989, ano em que a USP conquistou a autonomia universitária, o Hospital Universitário da USP recebe 8% da verba destinada à Universidade de São Paulo proveniente do Governo do Estado, valor relativo que não foi modificado ao longo desses 25 anos (7.9% em 2013).  Mudanças expressivas ocorreram sim, como o aumento do interesse no HU-USP como cenário para o ensino, assistência e pesquisa no âmbito de um hospital secundário, acompanhando o crescimento da Universidade. O Hospital das Clínicas, que outrora fora o único hospital escola da FMUSP, progressivamente foi cedendo lugar e dividindo a carga didática com o HU-USP, ficando o HC com a especialização médica enquanto o HU-USP com o ensino das áreas básicas da medicina. Atualmente o HU-USP é utilizado como plataforma de ensino para sete unidades da USP ministrarem seus cursos de graduação, pós-graduação e aperfeiçoamento, além de receber alunos estrangeiros através dos Programas de Cooperação Internacional. Uma característica diferencial do Hospital é possibilitar o ensino baseado numa abordagem multidisciplinar integrando todas as áreas da saúde num mesmo ambiente, proporcionando a integralidade da assistência e do ensino da mesma nesses moldes.

    O HU-USP recebe anualmente 2430 alunos entre graduandos e pós-graduandos que tem sua formação conduzida por profissionais de alta qualidade, dos quais mais de 50% possuem titulação acadêmica (mestrado, doutorado e livre-docência), que atuam como professores, além de praticar assistência e pesquisa, possibilitando aproximação entre a teoria e prática. A título de exemplo, dentro do currículo do Curso de Graduação de Medicina 40% do estágio hospitalar é realizado no Hospital Universitário da USP, perfazendo o numero 332.070 horas/aulas por ano. A Escola de Enfermagem da USP mantém anualmente mais de 250 alunos realizando estágios na dependência do Hospital Universitário da USP que chegam a permanecer no campus 70% de sua carga horária. Na pós-graduação conta com 4 programas de Residência de Enfermagem, onde são realizadas 8.448 horas/mês de estágio prático clínico. Na avaliação de 98% dos estagiários, o HU – USP atende plenamente as expectativas de estudantes e professores.  O Departamento de Farmácia e Laboratório Clínico (DFLC), no período de janeiro a julho de 2014, teve cerca de 100 alunos (29.044 horas/aula) entre graduação/extensão universitária, incluindo farmacêuticos da rede municipal de saúde. A Divisão de Laboratório Clínico do HU-USP treinou 44 profissionais da saúde em programas associados a Coordenação de Vigilância em Saúde (COVISA). Segundo pesquisa de satisfação de alunos da DFLC realizada em 2014, 91% classificaram as atividades de ensino como ótimas. Em 2013, a Divisão de Nutrição e Dietética do HU-USP ofereceu 713.700 horas/aula, o que corresponde a 25% dos estágios curriculares, além de aulas teóricas e práticas do curso de Nutrição da Faculdade de Saúde Publica da USP. O Departamento de Fisioterapia, Fonoaudiolagia e Terapia Ocupacional da Faculdade de Medicina da USP manteve em 2013, 37 alunos de graduação/pós-graduação na área de Fisioterapia (25.000 horas aulas/graduação), 14 alunos de Fonoaudiolagia (23.000 horas aulas), 15 alunos de Terapia Ocupacional (25.000 horas aulas) dentro das dependências do Hospital Universitário da USP. A Divisão de Odontologia, em 2013, recebeu 51 alunos, totalizando 18.614 horas aula.

    O HU-USP é considerado um hospital de ensino de excelência, tendo recebido do Centro de Desenvolvimento de Ensino Médico (CEDEM) 95% de ótimo e bom nas últimas 5 avaliações.

    Cumprindo seu papel assistencial e social, o HU-USP atende a população do sub distrito do Butantã (500 mil habitantes) e Comunidade USP, sendo o hospital de referência da região Oeste da cidade de São Paulo, tendo realizado em 2013, 282.000 atendimentos de emergência, 12.000 consultas ambulatoriais/mês (60% são funcionários e dependentes USP), 13.000 internações, 400 cirurgias/mês, 3.543 partos, 140.000 exames de imagem e 965.000 exames laboratoriais.

    No momento atual, onde o orçamento de todas as unidades da USP está sendo reavaliado por orientação da Reitoria, salientamos que já vinham sendo tomadas medidas internas no HU-USP para redução de gastos, obtendo-se um decréscimo de 20% nos custos materiais ao longo dos últimos 4 anos.  Lembramos que a política salarial dos funcionários do HU-USP, assim como de todos os funcionários da USP, sempre foi determinada pela Reitoria, não nos diferenciando em nada também nos planos de carreira adotados sob essa orientação. Mas, vale ressaltar que somos unidade diferenciada no que se refere a jornada de trabalho, já que mantemos o funcionamento do hospital, tanto na assistência quanto no ensino, 24 horas por dia, 365 dias por ano.

    A desvinculação do HU-USP irá despatrimoniar parte da USP, o hospital perderá autonomia na diretriz de ensino e correrá o risco desse não ser mais o foco já que poderá ficar a mercê da política de saúde da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo que atualmente se depara com a falência do sistema público. Será impossível manter excelência em ensino após troca de equipes a preços de funcionários SUS. O Superintendente não será mais uma escolha do Reitor, mas sim do Governador do Estado vinculado ao Secretário da Saúde. A comunidade USP que hoje já encontra dificuldade na assistência médica frente à alta demanda que existe na região devido a inexistência de outro equipamento hospitalar próximo, ficará mais vulnerável.

    Durante recente avaliação, realizada por assessor do Reitor, o HU-USP foi qualificado como ineficiente e ultrapassado, interpretação errônea fruto de uma avaliação parcial realizada em visita de 4 horas à nossa unidade em meio ao surto de dengue que recentemente atingiu especificamente a região do Butantã.

    Nossa visão é frontalmente contrária a essa avaliação divulgada pela Reitoria e, portanto, nos dirigimos aos senhores Diretores de Unidades e aos representantes no Conselho Universitário para que possamos abrir espaço para discutir profundamente o papel científico- acadêmico do Hospital Universitário da USP. Pedimos a retirada desse item da proposta de recuperação da Universidade até que seja feita uma nova análise dos dados de maneira isenta que permita uma tomada de decisão de forma madura e não intempestiva.

     

    Prof. Dr. José Pinhata Otoch
    Diretor do Departamento Médico do HU-USP

     

    Profa. Dra. Heloisa Helena Ciqueto Peres
    Chefe Técnico do Departamento de Enfermagem do HU-USP

     

    Profa. Eliana Ribeiro
    Chefe Técnico do Departamento de Farmácia e Laboratório Clínico do HU-USP

     

    Profa. Nágila Raquel Teixeira Damasceno
    Chefe da Divisão de Nutrição e Dietética do HU-USP

     

    Prof. José Benedito Dias Lemos
    Chefe da Divisão de Odontologia do HU-USP

     

    Dra. Alexandra Siqueira Colombo
    Chefe Serviço de Fonoaudiologia, Fisioterapia e Terapia Ocupacional do HU-USP

  6. Notívago

    25 de agosto de 2014 6:27 am

    Hilariante: “Jornal que apoiou a ditadura é contra a dentadura”

    Foto publicado em 24/08/2014 no Conversa Afiada

     

    O jornal é a Folha de São Paulo que denunciou que o PT teria pago a dentadura de uma senhora que participou do programa eleitoral gratuito. O que a oposição queria é que fosse chamado este senhor que aparece na fotografia, que é a preferida do dono daquele jornal.

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  7. Alan Souza

    25 de agosto de 2014 8:35 am

    Eliane Cantanhêde adianta o 2º turno pro Aécio

    Na Folha a Eliane Cantanhêde já lançou para a Marina a ideia do apoio do PSDB em nome da governabilidade, ajeitando as coisas para o Aécio e o PSDB apoiarem Marina no 2º turno e terem espaço num eventual governo da mesma. Parece que, como adiantou o Rovai, as próximas pesquisas vão mesmo sepultar de vez a candidatura do Aécio…

    Itamarina

    BRASÍLIA – Pensando bem, há semelhanças entre Marina Silva e Itamar Franco, que, contrariando expectativas, se tornou o homem certo na hora certa. Não só Deus, também a história e a política muitas vezes escrevem certo por linhas tortas.

    Marina tem voto, Itamar não tinha, mas os dois eram vices e tiveram sua grande chance na vida por um golpe do destino. Marina foi alçada à cabeça de chapa por uma fatalidade, a morte de Eduardo Campos. Itamar chegou à Presidência pelo imponderável, o impeachment de Fernando Collor.

    Sem um partido para chamar de seu, Marina pulou no barco do PSB, mas não no avião que matou Campos. “Foi a providência divina”, justificou, reforçando o que seus companheiros acrianos mais criticam nela: a arrogância de se sentir “predestinada”, enquanto constrói sua imagem em cima do oposto: a humildade.

    Sem se impor no velho PMDB e no mundo político tradicional, Itamar pulou no PRN, mas caiu fora quando o Titanic afundou.

    Antes de Collor ir a pique, as forças políticas jogaram uma boia para Itamar. Engoliram divergências e ambições imediatas, unificaram o discurso da governabilidade e fecharam um cerco para dar sustentação à transição com Itamar. Só um partido optou pelo seu próprio projeto, em detrimento do esforço geral: o PT. Que o diga Luiza Erundina, hoje no topo da campanha de Marina. Virou ministra de Itamar e foi banida do ambiente petista.

    Ao abrir mão da reeleição, Marina faz um chamamento aos partidos. Caso derrote Aécio no primeiro turno e Dilma no segundo, ela será a única presidente, desde Itamar, em condições de convocar um pacto nacional com as principais forças políticas do país. Particularmente com o PSDB, já que o PT vive de apoios, mas não apoia o outro.

    O PSDB precisaria de Marina no segundo turno, mas ela dependeria do PSDB também para governar. Quase tanto quanto Itamar dependeu.

    http://www1.folha.uol.com.br/colunas/elianecantanhede/2014/08/1504983-itamarina.shtml

  8. Gilberto Cruvinel

    25 de agosto de 2014 10:08 am

    Morre Antonio Ermírio, gigante e humilde

     

    GERALDO NUNES – Rádio estadão

    Segunda-Feira 25/08/14

     

    Noticiei na Rádio Estadão no início da madrugada desta segunda-feira, 25 de agosto de 2014, a morte de Antonio Ermírio de Morais de quem comecei recordar antigas passagens, como no dia em que o conheci pessoalmente, na sede do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, ainda hoje localizado na Rua Benjamin Constant, entidade à qual era colaborador como em tantas outras. Naquela oportunidade lá estava ele para prestigiar o lançamento de um memorial em homenagem aos heróis da Revolução de 1932, criado nas dependências do instituto.  Ele sentou-se ao lado de Esther de Figueiredo Ferraz, primeira mulher a ser ministra de Estado e do poeta Paulo Bomfim de quem foi colega de escola no curso primário. O poeta lembrou alegremente da primeira professora que ao revê-los, já adultos, numa tarde de autógrafos, reclamara da caligrafia deles, segundo ela, “com muitos garranchos”, recomendando que “voltassem a escrever com capricho”. Naquele dia o Dr. Ermírio soltou-se e riu a valer recordando aqueles bons momentos da infância.

    Antonio Ermírio nasceu  sem um rim e isso o ensinou a ser cuidadoso com a saúde e não abusar. Formou-se em engenharia metalúrgica em 1949, na Colorado School of Mines, mesma universidade que o seu pai, José Ermírio de Morais que comprara as ações de uma empresa de tecelagem localizada na cidade de Votorantim, em São Paulo, que pertencia ao seu sogro, o imigrante português António Pereira Inácio, diversificando o negócio e criando assim o Grupo Votorantim, em homenagem à cidade onde tudo começou.  Sua mãe, Helena Rodrigues Pereira, nasceu em Boituva – SP e teve com o pai José Ermírio, quatro filhos, dos quais Antônio Ermírio foi o segundo.

    Antonio Ermírio de Morais, por sua vez, casou-se em 1953 com Maria Regina que lhe deu nove filhos. Na década de 1950, sua família foi taxada de louca por querer concorrer com os grandes produtores de alumínio, Alcan, Alcoa e Vale, fundando a Companhia Brasileira de Alumínio que de início produzia apenas 4 mil toneladas ano. Cinquenta anos depois produziriam 400 toneladas ano.  Certa vez visitando uma unidade do grupo Antonio Ermírio sofreu um acidente sendo queimado por soda cáustica e precisou ficar um mês de cama. Isso o ajudou a compreender o sentimento que passa pela cabeça de um trabalhador vítimas de uma situação parecida. Sensível, escolheu para sede do grupo o antigo prédio que abrigou o Hotel Esplanada, atrás do Teatro Municipal. Costumava ir de condução ao trabalho e caminhava a pé pelas ruas do dentro não ostentando relógios nem roupas caras e dispensando os seguranças. Esbanjava humildade com sua maneira simples de conversar e seu raciocínio rápido. Não temia ser sequestrado e ao que me parece isso de fato nunca ocorreu. Cansado de esperar uma solução para o abandono do conjunto de esculturas em torno do municipal e no belvedere do Anhangabaú, decidiu providenciar por conta própria a recuperação e limpeza das estátuas.  Apesar do Grupo Votorantim possuir um banco, Ermírio foi  um crítico do sistema financeiro e disse certa vez: “Se eu não acreditasse no Brasil, seria banqueiro.”

    Assim como o pai, aventurou-se na política , se lançando candidato ao governo do Estado de São Paulo em 1986, por uma coligação que reunia três partidos ( PTB, PL e PSC ). Perdeu a eleição para Orestes Quércia, do PMDB, em uma época em que não havia segundo turno. Depois da campanha eleitoral se disse chocado com as manobras políticas e fisiológicas, todos que o abordavam pediam cargos para depois, segundo ele, “poder ficar sem trabalhar”.

    A frustração com a política o levou a escrever peças teatrais, porque dizia “a política é o maior de todos os teatros”.  Colocou três encenações em circuito comercial; Brasil S.A., Acorda Brasil e S.O.S Brasil. Todas as peças acabaram virando livro, a peça “Acorda Brasil” foi vista por 26 mil pessoas.  O empresário sempre dedicou parte de seu tempo no apoio administrativo à Sociedade Beneficência Portuguesa de São Paulo , entre outras organizações.

    Em 2001 deixou a presidência do conselho de administração do Grupo Votorantim e entregou o comando do conglomerado aos filhos e sobrinhos.  Com a idade passou a desenvolver o Mal de Alzheimer e embora uma nota de Grupo Votorantim tenha confirmado sua morte na noite de 24 de agosto de 2014, a causa do falecimento não foi divulgada. Antonio Ermírio de Morais entra para história como um empresário gigante de coração humilde.

     

  9. TiagoVier

    25 de agosto de 2014 1:58 pm

    desenvolvimento social e preservação da amazônia

    Em tempos em que se discute a preservação em oposição ao desenvolvimento da região amazônica e que pode vir a ser debate nas presidenciais (acusa-se Marina de ser extrativista), este estudo do Imazon vem a calhar, sustenado a tese de que deve-se desenvolver para poder conservar.

    http://www.imazon.org.br/publicacoes/livros/indice-de-progresso-social-na-amazonia-brasileira-ips-amazonia-2014

    http://www.reuters.com/article/2014/08/23/us-foundation-brazil-amazon-idUSKBN0GN0B220140823

  10. Henrique, O Outro

    25 de agosto de 2014 4:11 pm

    Anfavea: “O pessimismo tem efeito dominó”

    ‘O pessimismo tem efeito dominó’, diz o presidente da Anfavea, Luiz Moan

    O economista defende a necessidade de reverter o clima ruim que se estabeleceu no país, arrastando a economia, que é alimentada, em grande parte, de percepção. À frente do setor que mais se beneficiou de medidas do governo, ele defende o estímulo ao consumo

    Moacir Drskamdrska –   Brasil Econômico

     

    São Paulo – Economista de formação, Luiz Moan destoa do discurso adotado por boa parte de seus colegas quando o tema é o modelo de crescimento para o Brasil. Na contramão do pensamento corrente, o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e diretor institucional da General Motors no Brasil defende que as políticas de incentivo ao consumo são, sim, a principal via de desenvolvimento do país. Após registrar recordes nos últimos dois anos — justamente sob o impulso de medidas como a redução do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) —, o setor automotivo vive um ano desafiador. O segmento registrou retrações de 8,6% e 17,4%, respectivamente, nos licenciamentos e na produção, no acumulado dos primeiros sete meses do ano. Em entrevista ao Brasil Econômico, Moan prevê a retomada no segundo semestre e critica o pessimismo do mercado. Para ele, essa visão — baseada em indicadores desatualizados — cria um efeito extremamente prejudicial à economia brasileira.are
     

    ​A entrevista completa no site:  http://brasileconomico.ig.com.br/brasil/economia/2014-08-25/o-pessimismo-tem-efeito-domino-diz-o-presidente-da-anfavea-luiz-moan.html

  11. Osvaldo Ferreira

    25 de agosto de 2014 11:44 pm

     
    Se os empresários perderam

     

    Se os empresários perderam seu espírito animal por conta dos propalados erros do Governo Federal,  como a falta de diálogo e a excessiva intervenção na economia, como explicar esses números a respeito dos lucros das grandes empresas de capital aberto?

     

    A terra do lucro animal.

    Ricardo Melo – da Folha/UOL

    25/08/2014

     

    Vejam esses números a respeito de um certo país. O lucro líquido somado de 362 empresas de capital aberto cresceu, no segundo trimestre de 2014, 11,46% com relação ao mesmo período do ano passado. Subiu de cerca de R$ 35 bilhões para R$ 39,3 bilhões.

    Se as empresas estatais saírem do cálculo, as cifras são mais impressionantes. Na comparação dos mesmos períodos, os valores avançaram de R$ 21,4 bilhões em 2013 para R$ 31,6 bilhões neste ano, um salto de 47,58%!

    Os dados são de uma consultoria respeitada, a Economática. Referem-se, isso mesmo, ao Brasil. Estatística de consultor, bem entendido, não é artigo propriamente em alta. Mas isso sobretudo quando o assunto são previsões.

    É aí que o pessoal costuma se esborrachar feio. No caso, porém, não se trata de projeções. Estamos diante de números realizados, contabilizados e divulgados. Dinheiro que já entrou no bolso, limpinho, limpinho (às vezes nem tanto…)

    Virou chavão nos últimos tempos reclamar da perda do chamado espírito animal do empresariado. A culpa geralmente é lançada na conta do governo: não dialoga com os magnatas, muda regras toda hora, intervém demais, gasta muito com programas assistenciais.

    Bem, mesmo nesse cenário pintado com cores sombrias, de um ano para o outro o lucro das companhias com ações negociadas em bolsa disparou quase 50%! Haja voracidade animal. Ou seja, as coisas não se encaixam. Ganha um cartão de crédito com juros decentes o assalariado que conheceu salto tão espetacular no holerite. Nem é preciso lembrar que, na área privada, o setor financeiro lidera o ranking da fortuna.

    Números assim, que nem são novos, mas permanecem quase escondidos, colocam o debate num patamar mais honesto. O objetivo não é ocultar problemas; eles são muitos e reais. Por exemplo: o crescimento do país, na medida clássica, o PIB, vem patinando.

    Como a própria Folha nos informou, em manchete neste domingo, o esfriamento se alastra pelos emergentes como um todo, “da Rússia ao Chile”. Queira-se ou não, o mundo inteiro ainda sofre os efeitos devastadores do crash de 2008.

    A grande proeza brasileira é ter, apesar de tudo, conseguido estabilizar o emprego em níveis civilizados, custear programas sociais de resultado indiscutível e, como se percebe na ponta do lápis, manter as empresas muitíssimo bem, obrigadas.

    Algum desavisado vindo de fora nos dias recentes deve pensar que haverá em outubro eleições para entidade empresarial. Motivo: o mote mais difundido por uma parte da mídia é a pretensa necessidade de acalmar mercados.

    Presa dessa ilusão depois de transformada em candidata competitiva, Marina Silva corre para decorar o script. Nomeou uma banqueira como fiadora e se mostra disposta a alargar alianças além das fronteiras antes sustentáveis, ou suportáveis, pela sua Rede. Até agora não entusiasmou nem gregos, nem troianos. Apenas piorou o humor de seu rival na oposição.

    É um jogo de alto risco. A força eleitoral de Marina vem justamente do seu lado outsider. Ao mesmo tempo, esta é sua fraqueza junto ao establishment. Você imagina um empreiteiro doando fundos para uma candidata adversária de hidrelétricas?

    Bem, nada parece impossível num país onde um político como José Roberto Arruda, mentiroso confesso e corrupto notório, flagrado em áudio e vídeo, lidera intenções de voto em seu quadrado. 

     

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