Um homem foi preso depois de anunciar no Facebook que planejava dar um tiro na cabeça do presidente norte-americano Barack Obama. O rapaz de 20 anos teria criado um perfil falso e feito as postagens ameaçadoras nas últimas semanas, quando Obama visitava a Universidade de Miami.
Investigado pela CIA, agência de inteligência local, o suspeito foi logo identificado como o músico Joaquin Serrapio e detido por “ameaça à segurança nacional”. Nos textos, ele dizia até mesmo que postaria a morte do presidente no YouTube.
Minutos antes de ser levado pela polícia, o jovem ainda teve tempo para zombar das autoridades. Em seu Twitter, ele escreveu: “O serviço secreto está aqui! Eu ameacei o precioso tirano deles! Desculpe se eu não puder ser encontrado por algumas horas”.
Serrapio pagou fiança e foi solto, mas, se for condenado, poderá ficar até cinco anos na prisão.
Mas Cristina Kirchner não havia morrido? Como é que venceu as el
Tijolaço
Mas Cristina Kirchner não havia morrido? Como é que venceu as eleições com Scioli?
10 de agosto de 2015 | 08:47 Autor: Fernando Brito
Quase nada saiu na imprensa brasileira sobre as eleições presidenciais argentinas.
A impressão do leitor médio dos nossos jornais era a de que Cristina Kirchner, além dos problemas de saúde, teria problemas econômicos e políticos tão grandes que mal seria, a esta altura, um molambo eleitoral.
As pesquisas chegaram a dar-lhe, nos primeiros meses do ano, mais de 65% de reprovação.
E não é que o peronismo de Kirchner ganhou as eleições primárias na Argentina?
O candidato Daniel Scioli vai fechando as apurações (no momento em que escrevo, 85% dos votos apurados), com 7% dos votos de vantagem (37,78%) sobre o candidato da direita, Maurício Macri, (30,69%) e uma vantagem de 10% deste para o terceiro colocado, o dissidente peronista e líder de uma confusa frente com democratas cristãos, Sergio Massa, que ficou com surpreendentes 20,53%.
Os números finais devem ficar praticamente nisso, talvez com uma pequena elevação da diferença favorável a Scioli, por a apuração estar mais atrasada nas seções da província de Buenos Aires onde, ao contrário do que ocorre na capital propriamente dita, o peronismo é muito forte.
São eleições primárias, onde se definem as chapas – ou fórmulas, como chamam nossos irmãos portenhos – que disputarão as eleições propriamente ditas, onde vence aquele que alcançar 45% dos votos ou mais de 40%, se abrir ao menos 10% de frente sobre o segundo colocado.
Não resolvida a disputa, segundo turno, como aqui.
O resultado foi claramente decepcionante para Macri, que o pressentiu e começou a falar em “fraude” ainda durante a votação e, logo depois, em “voto útil”.
O quadro, hoje, é de uma disputa final entre Scioli e Macri, mas os 20% alcançados por Massa superaram o que lhe previam as pesquisas e o transformam numa força real nas eleições.
A eleição argentina caminha para ter um final apertado, como a brasileira, ano passado.
E ninguém se assuste que a imprensa argentina, tão cheia de ódio aos Kirchner quanto a nossa ao PT (embora lá, com razões para tê-lo), vá desfechar campanhas de denúncias nos últimos meses, como já fez no caso do promotor encontrado morto e de um suposto envolvimento em tráfico de funcionários da Casa Rosada.
Dino e o “não vai ter golpe”: a prova que o Nordeste não é mais
Tijolaço
Dino e o “não vai ter golpe”: a prova que o Nordeste não é mais só da oligarquia. Assista
10 de agosto de 2015 | 20:19 Autor: Fernando Brito
Flávio Dino penou para ser governador do Maranhão, como antes dele penou Jackson Lago, que ganhou nas urnas e perdeu no tapetão da família Sarney.
Para garantir o apoio congressual do PMDB, Lula teve de engolir o sapo Sarney .
Mas quem é do povo aguenta tudo e chega a hora em que o castelo das oligarquias cai, e olha que o Maranhão vem tentando fazer isso há tempos.
Filiado ao PCdoB, Dino teve de suportar todas as provocações dos donos do Maranhão, inclusive numa entrevista da Globo local, dos Sarney, onde lhe perguntaram, durante a campanha, se iria “implantar o comunismo no Maranhão“…
Assistir ao seu discurso, hoje, na inauguração de um conjunto do “Minha Casa, Minha Vida” e a reação dos milhares que o assistiam é de lavar a alma nestes tempos de covardia.
Os ascéticos da política, que a pensam sempre como um clube amável, onde se troca gentilezas, rapapés e palavras acovardadas deveriam tomar uma dose de Flávio Dino, todo dia.
Faz uma baita falta para a consciência cívica deste país.
Moro em 2011, durante palestra sobre tráfico e lavagem de dinheiro no Paraná
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De onde vem a autonomia total do juiz Sérgio Moro? Essa história começa antes da Lava Jato.
Em 2005, o empresário Sérgio Amílcar de Aguiar Maia, genro do ex-governador do Paraná Nei Braga, foi acusado de envolvimento num caso de fraude em consórcio. A base da acusação eram duas delações premiadas, colhidas por Moro, já responsável por uma das varas federais criminais do Paraná.
Mas o Ministério Público Federal entendeu que as provas eram frágeis e não denunciou Sérgio Amílcar. O juiz, Sérgio Moro, não concordou e insistiu para que os procuradores denunciassem Amílcar.
Pelo Código de Processo Penal, o magistrado até pode fazer isso, mas o correto seria enviar a denúncia para o Procurador Geral da República, chefe do Ministério Público. Ele preferiu devolver aos procuradores locais. Resultado: o MP refez a denúncia, incluindo Sérgio Amílcar, como queria Moro, e ele foi condenado.
Dez anos depois, Sérgio Amílcar ainda luta nos tribunais para derrubar o que considera abuso do juiz paranaense. Um das alegações é que Moro, tendo participado das investigações, na qualidade de juiz que colheu as delações, não poderia presidir o julgamento.
Até agora, o máximo que conseguiu foi reduzir a pena aplicada por Moro, mas o que ele quer é anular os atos praticados pelo juiz. “Foi abuso”, escreveu seu advogado, Carlos Alberto Farracha de Castro, num dos recursos apresentados.
O caso do consórcio Garibaldi é um dos primeiros que Sérgio Moro julgou com base na delação premiada, e talvez seja um dos primeiros do Brasil. O exemplo serve para mostrar que a prática da delação premiada não é incomum nas varas em que Moro trabalha.
No caso da operação Lava Jato, nove delações foram apresentadas por uma advogada que, até alguns anos atrás, era pouco conhecida em São Paulo, onde sempre advogou. Concluídas as delações, Beatriz Catta Preta abandonou as defesas e foi para os Estados Unidos, depois de fazer acusações genéricas de que estaria sendo pressionada.
Sua passagem pelo Paraná pode render a Beatriz Catta Preta dificuldades bem concretas, além das pressões que disse ter recebido. É que um advogado, criminalista famoso, manifestou a amigos sua revolta com a atitude do marido da advogada.
Ex-policial, o marido de Beatriz teria procurado um cliente desse advogado famoso, preso na Lava Jato, e negociado a liberdade em troca dos honorários da esposa e, claro, da delação do acusado.
O advogado esbravejou, mas, diante da vontade do cliente de sair da prisão do Paraná, acabou obrigado a passar a procuração para Beatriz. O caso, em tese, pode parar no tribunal de ética da OAB, já que um advogado não pode sair à cata de clientes de colegas.
A delação concentrada numa só advogada tem outro problema. A confissão deve ser sigilosa, para não contaminar outros depoimentos. Mas, sendo advogada de réus que se acusam entre si, Beatriz é o elo que quebra o princípio da confidencialidade e, advogando para mais de um delator, ela pode preparar depoimentos de um e de outro, para que as narrações guardem coerência e as histórias tenham verossimilhança.
Coisas estranhas acontecem na Vara de Moro, não só nos casos das delações. Em 2005, o advogado Roberto Bertholdo, que tem fama de truculento, foi preso sob acusação de ameaçar testemunhas e grampear o celular e o telefone da casa do juiz.
Denunciado, Roberto Bertholdo acabou condenado, deixou Curitiba e se mudou para Brasília. Segundo o que se apurou à época, o advogado fazia parte de um grupo que costumava grampear políticos e autoridades, para colher informações privilegiadas e negociá-las.
Nascido em Maringá, filho de professor universitário, Sérgio Moro protagoniza hoje o que um advogado chama de processo sem defesa. Esse advogado, que representa réus na Lava Jato, diz que a defesa é só para constar.
“A Polícia Federal, no papel dela, investiga e acusa. O Ministério Público recebe o inquérito, analisa, e acusa. O juiz recebe a denúncia e também acusa, como se fizesse parte do Ministério Público. Ao réu, caberia se defender, mas ele só tem chance no processo se fizer a delação, em que ele se auto acusa e acusa outra pessoa, para poder ter algum benefício. O direito de defesa desapareceu”, afirma esse experiente profissional.
No que é chamado de estado democrático de direito (o contrário da ditadura), uma pessoa sozinha não pode tudo. Mas os advogados que atuam na Lava Jato encontraram muralhas até agora intransponíveis para tentar garantir a defesa dos réus.
O primeiro obstáculo começa no Tribunal Regional Federal da 4ª. Região, no Rio Grande do Sul, onde as decisões de Moro poderiam ser revistas. Mas, no que até prova em contrário não passa de uma coincidência, o desembargador que recebe os recursos (“prevento”) é do Paraná, e na corte não é segredo para ninguém que priva da amizade e da admiração recíproca de Sérgio Moro, com troca de elogios em trabalhos acadêmicos.
Sem chance no Tribunal da 4ª. Região, os advogados batem no Superior Tribunal de Justiça, em Brasília, onde o caso foi concentrado nas mãos de um ministro convocado, ou seja, ele está tapando buraco em razão da ausência de um titular.
Como o sonho de todo juiz interino é se tornar titular, ele não quer polêmica, o que aconteceria caso revogasse alguma decisão de Moro. “O receio é que uma polêmica tire as chances de nomeação”, comenta o advogado.
A esperança da defesa é o Supremo Tribunal Federal, mas também ali, no primeiro julgamento até agora, houve decepção. Os ministros consideraram que as prisões preventivas não se justificavam, mas em vez de simplesmente colocarem os réus em liberdade, para que respondam ao processo fora da cadeia, eles determinaram o uso da tornozeleira eletrônica. “Todos eles têm medo da manchete do Jornal Nacional”, diz o advogado.
Em situações como esta, resta o grito da sociedade civil organizada, como a OAB. Até agora não se ouviu dela nem um sussurro em defesa do estado de direito.
A razão, segundo esse advogado, é que o presidente da Ordem, Marcus Vinícius Furtado Coêlho, já contou aos colegas mais próximos que quer se sentar na cadeira que já foi de gigantes como Evandro Lins e Silva, no Supremo Tribunal Federal, cassado durante a ditadura. Assim como no caso do interino do STJ, polêmica só atrapalharia os planos de Furtado Coêlho.
Com dificuldade no Tribunal, no STJ, no Supremo e na OAB, talvez o governo eleito por 54 milhões de brasileiros pudesse tomar alguma atitude, inclusive coibindo abusos claros como a escuta clandestina na prisão da Polícia Federal.
“O ministro da Justiça, comprovada a escuta, teria o dever de afastar os envolvidos e até o diretor da Polícia Federal no Paraná, para resguardar direitos constitucionais”, comenta esse advogado. Mas o ministro, José Eduardo Cardozo, também foge da polêmica.
“A Lava Jato tem um direcionamento claro: o PT e seus aliados. Não sei identificar que mão se move por trás disso. Talvez seja a própria saturação da sociedade com a corrupção, e as pessoas com algum poder de decisão nesse processo vejam uma oportunidade para se destacar, sem contrariar a suposta opinião pública. Mas é um grande erro. Está sendo gerado um monstro, que amanhã não poupará ninguém”, diz o advogado, que pediu anonimato em razão do prejuízo profissional e pessoal que teria se tivesse seu nome publicado aqui.
Em 2003 o mesmo Yousseff fez declaração premiada no caso banestado e safou-se daquele assunto. Parece que o próprio Juiz Moro foi quem aceitou a delação premiada.
Apesar de, originalmente, constituir-se em declaração pública de convicções religiosas, a “profissão de fé” vem servindo, através da história, para afirmar convicções políticas e ideológicas com vistas a resguardar o autor.
De Hitler a Stalin, os regimes autoritários sempre exigiram que as pessoas professassem sua fé em dogmas político-ideológicos obrigatórios, sob pena de expurgo ou até morte caso fossem suspeitas de pensar diferente da maioria oficial.
Um dos aspectos mais eloquentes da ascensão do fascismo em curso no Brasil é a necessidade que pessoas e instituições vêm demonstrando de fazer profissão de fé no criticismo a Dilma Rousseff e ao PT.
De um extremo a outro do espectro político, muitos sentem que têm que criticar a presidente da República e seu partido. Nesse processo, tanto a esquerda quanto a direita acabam professando as mesmas críticas.
Por exemplo: tornou-se obrigatório dizer que Dilma Rousseff geriu mal a economia e que é por isso que o desemprego e a inflação vêm subindo. Puxe pela memória e você descobrirá que essa crítica pode ser vista do PSDB ao PSOL, passando por setores do PT.
Para quem acompanha a política brasileira com olhos de ver, porém, essa é uma das críticas mais injustas que a presidente da República recebe.
Não existe paralelo na história recente do país de governos que sofreram tanta sabotagem quanto os de Lula e Dilma.
Enquanto os dois governos Fernando Henrique Cardoso afundaram apesar do apoio e da colaboração extrema da imprensa, do Judiciário, da Polícia Federal, do Congresso e da Procuradoria Geral da República, os governos do PT se viram alvo de uma campanha incessante para desacreditar tudo que fizeram ao longo dos últimos 12 anos.
O Programa de Aceleração do Crescimento, por exemplo, apesar da quantidade imensurável de realizações e do forte incremente que possibilitou à atividade econômica do país, sempre foi tratado como mera peça de marketing.
Programas exitosos como o Minha Casa, Minha Vida idem, apesar de o programa criado em 2009 já ter entregado (até março) 2,1 milhões de unidades e de ter mais de 1,6 milhão de casas e apartamentos contratados para construção.
O programa Mais Médicos, que logrou beneficiar 63 milhões de brasileiros – os quais, em grande parte, jamais tinham se consultado com um médico na vida –, é discutido na grande imprensa apenas pela ótica das condições de trabalho de parte dos médicos que emprega, os cubanos. E dane-se o benefício aos brasileiros pobres.
Nem os críticos de esquerda têm coragem de reconhecer que a situação política e econômica do país deriva de sabotagens infindáveis que vêm sendo praticadas contra os governos do PT desde 2005 e que, como foi previsto tantas vezes nesta página, acabaram surtindo efeito.
Na última quinta-feira, o programa eleitoral semestral do PT expôs a razão pela qual está sendo necessário fazer o ajuste fiscal, que une críticas idênticas da esquerda e da direita, ou seja, de que seria “estelionato eleitoral”.
O programa elencou a quantidade de reduções de impostos que o primeiro governo Dilma fez:
— 38 bilhões de reais de impostos foram cortados da folha de pagamento das empresas
— 17 bilhões de reais de impostos foram cortados da cesta básica
— 19 bilhões de reais de impostos foram cortados das pequenas empresas
— 32 bilhões de reais foi o tamanho da redução do IPI
Ao longo dos últimos anos, o governo brasileiro abriu mão de 106 bilhões de reais de impostos para estimular a atividade econômica. Enquanto isso, implantou programas custosos para manter a economia funcionando, como o PAC.
Em 2013, o governo reduziu de 20% a 30% o custo da energia elétrica. Os contratos com as empresas geradoras de energia haviam terminado e o novo preço autorizado pelo governo tinha que excluir a taxa de amortização de investimentos que esses contratos tinham, já que os custos dessas empresas com a construção das usinas já tinham sido amortizados.
Os aumentos da energia elétrica que vêm ocorrendo se devem exclusivamente à seca que se instalou no país e hoje estamos pagando praticamente o mesmo que pagávamos antes de o governo reduzir os preços para o consumidor, mas ninguém se lembra de quando esses preços baixaram, só de quando aumentaram.
Em 2012, Dilma fez bancos públicos liderarem queda nas taxas de juro ao consumidor. Essa política, ao lado da redução do preço da energia, foi considerada “esquerdista demais” pelo mercado e pela mídia enquanto a oposição de esquerda acusava o governo de ser “de direita”.
Até o início de 2013, o Brasil ia bem. Apesar dos vultosos gastos para manter a economia funcionando e para proteger o emprego e a renda, o investimento privado compensava. O Brasil atraía investimentos do mundo inteiro e do investidor nacional.
Por vinte centavos, porém, em junho daquele ano o país mergulharia em uma crise política que, hoje, está destruindo a economia.
As imagens das massas ensandecidas pelas ruas, incêndios, depredações, aquelas guerras campais desencadeadas para reduzir em alguns centavos o preço das passagens de ônibus em São Paulo, tiraram do país o instrumento que estava permitindo ao governo financiar políticas anticíclicas. O investidor tirou o pé do acelerador, parou no acostamento e não saiu mais.
Sem o investimento privado, os recursos do governo foram insuficientes para financiar aquelas políticas anticíclicas e as contas públicas começaram a naufragar.
Em 2014, os protestos contra a Copa do Mundo tiraram do país uma chance imensa de captar recursos do turismo. Brasileiros de esquerda e de direita começaram a produzir campanhas na internet, em vídeos bem elaborados, exortando os estrangeiros a não virem para o país porque, aqui, correriam até risco de morte devido à situação política.
Os governos do PT sofreram 12 anos de sabotagem ininterrupta. Porém, o bem-estar social que proporcionaram até 2014 foi suficiente para manter o povo ao lado de Lula e, depois, de Dilma.
Porém, como era absolutamente previsível – e isso foi dito aqui dezenas e dezenas de vezes desde 2005, quando esta página foi criada –, bastou a crise econômica internacional produzir efeitos internos e o governo não ter mais como distribuir bem-estar para que as oposições de direita e esquerda – e, principalmente, a oposição midiática – atingissem o objetivo de desmoralizar o governo petista e o PT.
Claro que houve casos de corrupção nos governos do PT, assim como existiram em governos anteriores desde o Descobrimento. A diferença é que Lula e Dilma inovaram, em relação aos antecessores, e jamais impediram investigações.
Nem o fato de que um dos principais opositores dos governos petistas na mídia internacional reconheceu publicamente que a presidente Dilma é responsável pelo enorme combate à corrupção que se vê hoje no país parece sensibilizar os críticos – à esquerda e à direita.
O jornal britânico Financial Times disse recentemente, em editorial, que Dilma “Tem tido uma postura inflexível” no combate à corrupção e que essa é “Uma ruptura muito bem-vinda em relação à atitude relaxada no que diz respeito à corrupção dos governos brasileiros” anteriores.
O jornal só pecou ao não reconhecer que essa postura do governo Dilma começou no governo Lula.
Mas como é possível que o governo que mais combateu a corrupção – e, nesse aspecto, o governo Dilma supera o de Lula – seja acusado justamente daquilo que combateu?
Os cínicos dizem que Dilma não combateu nada, que a Polícia Federal, o Ministério Público, a Controladoria Geral da União e tantos órgãos de controle são “órgãos de Estado” que atuariam independentemente da vontade do governo e que, por isso, este nada tem que ver com o intenso combate à corrupção, jamais visto na história do país.
Esses cínicos só não explicam por que PF, MPF, Justiça etc. nunca agiram com a mesma contundência no passado.
Alguns criminosos intelectuais chegam a dizer que é porque antigamente não havia “tanta corrupção”, quando se sabe que é justamente ao contrário, já que, no passado, o risco de existir uma Operação Lava Jato era ínfimo.
Lula e Dilma poderiam ter feito como FHC, por exemplo, que colocou o primo do seu vice-presidente na Procuradoria Geral da República e um colega de partido na Polícia Federal, mas, desde sempre, atuaram sob a convicção de que era preciso dar liberdade a toda e qualquer investigação de seus governos.
Quantos governos teriam resistido ao nível de sabotagem que os governos Lula e Dilma enfrentaram? Sem essas sabotagens, o país, hoje, não saberia o que é crise.
Aliás, se não existisse a atual crise política o país poderia já estar crescendo de novo e as agruras que este povo está enfrentando – e irá enfrentar ainda mais, se não colocarmos um fim a essa loucura – nem existiriam.
O mais patético é que, em toda parte, mesmo aqueles que sabem disso tudo que vai escrito acima já tratam de fazer suas profissões de fé no criticismo a Dilma e ao PT – pelo menos na esquerda Lula ainda é preservado.
A histeria coletiva tornou-se tão aguda que as pessoas que não se rendem à maioria já enfrentam problemas em seus círculos de relação social e até no âmbito profissional.
Amontoam-se os casos de pessoas que têm tido problemas em seus empregos por conta de suas posições políticas. Muitos dos que enxergam os fatos têm que adotar a autocensura para evitar demissão por questões políticas.
Cresce o número de pessoas que usam perfis falsos na internet para simplesmente dizerem o que pensam. E muitas nem isso fazem por medo de virem a ser descobertas.
Não é novidade, neste país, que as pessoas tenham medo de assumir seus pontos de vista. O Brasil já enfrentou muitos períodos em que não havia liberdade de pensamento e de expressão.
O que é doloroso é ver que muitos vão ainda mais longe e, por isso, não se contentam com o silêncio. Para se colocarem a salvo das patrulhas políticas na internet ou no mundo físico, tratam de professar algum nível de antipetismo, antidilmismo e, em menor grau, antilulismo.
A pressão é tanta que até no PT é possível ver esse tipo de coisa. Petistas esquecem reduções dos juros, do preço da energia, o protagonismo do Estado como investidor, os programas sociais e tratam de se unir à turba antipetista de esquerda que acusa o governo Dilma de adotar o programa dos adversários, como se ela não tivesse dito, durante a campanha do ano passado, que haveria que fazer um ajuste fiscal, mas que seria inferior ao que fariam um Aécio Neves ou uma Marina Silva.
Dilma não tenta fazer um ajuste igual ao que fariam os adversários da eleição passada. Alguém a viu propor independência do Banco Central ou interrupção dos aumentos reais do salário mínimo ou mesmo venda dos bancos públicos, como propuseram os adversários?
O mais desolador é que, além dos que temem repressão social e profissional, há os que simplesmente acham que se a maioria critica eles também têm que criticar.
Patético, não?
Os governos do PT fizeram o que foi possível fazer. O que está acontecendo na economia do país decorre de sabotagem. Além disso, Lula e Dilma combateram a corrupção como ninguém. Essa é a verdade, doa a quem doer.
Sempre que abrimos mão de nossas convicções por medo do que os outros pensam, tornamo-nos escravos. Cada vez que você critica Dilma ou o PT para não ser “governista demais”, abre mão de sua liberdade individual.
Há um fato inegável que após a reeleição da presidenta Dilma em 2014 irrompeu muita raiva e até ódio contra o PT e o atual governo. Atesta-o um ex-ministro do partido da oposição, do PSDB, Bresser Pereira, com estas contundentes palavras:
“Surgiu um fenômeno que eu nunca tinha visto no Brasil. De repente, vi um ódio coletivo da classe alta, dos ricos, contra um partido e uma presidente. Não era preocupação ou medo. Era ódio. Esse ódio decorreu do fato de se ter um governo, pela primeira vez, que é de centro-esquerda e que se conservou de esquerda. Fez compromissos, mas não se entregou. Continua defendendo os pobres contra os ricos. O ódio decorre do fato de que o governo revelou uma preferência forte e clara pelos trabalhadores e pelos pobres”(FSP 01/03/2015).
Este ódio foi insuflado fortemente pela imprensa comercial do Rio e de São Paulo, por um canal de TV de alcance nacional e especialmente por uma revista semanal que não costuma primar pela moral jornalística e, não raro, trabalha diretamente com a falsificação e a mentira. Esse ódio invadiu as mídias sociais e ganhou também as ruas. Tal atmosfera envenena perigosamente as relações sociais a ponto de que já se ouvem vozes que clamam pela volta dos militares, por um golpe ou por um impeachment.
Tal fato deve ser lamentado por revelar a baixa intensidade do tipo de democracia que temos. Sobretudo deve ser interpretado. Nem chorar nem rir, mas tentar entender.Talvez as palavras do ex-presidente Lula sejam esclarecedoras:
“Eles (as classes dirigentes conservadoras) não conseguem suportar o fato de que, em 12 anos, um presidente que tem apenas o diploma primário colocou mais estudantes na universidades do que eles em um século. Que esse presidente colocou três vezes e meia mais estudantes em escolas técnicas do que eles em 100 anos. Que levou energia elétrica de graça para 15 milhões de pessoas. Que não deixou eles privatizarem o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e os bancos do Espírito Santo, de Santa Catarina e do Piauí. Que nos últimos 12 anos nós bancarizamos 70 milhões de pessoas, gente que entrou numa agência bancária pela primeira vez sem ser para pagar uma conta. Acho que isso explica o ódio e a mentira dessas pessoas. Pobre ir de avião começa a incomodar; fazer faculdade começa incomodar; tudo que é conquista social incomoda uma elite perversa”(discurso no sindicato dos bancários do ABC no dia 24 de julho de 2015: Jornal do Brasil online de 25/07/2015).
Posso imaginar a enorme dificuldade que possuem as classes proprietárias com seus poderosos meios de comunicação de aceitar a profunda transformação que surgiu no país com o advento do PT, vindo de baixo, do seio daqueles que sempre estiveram à margem e aos quais se negaram direitos e plena cidadania. Como escreveu acertadamente o economista Ladislau Dowbor da PUC de São Paulo:
”Eles querem a volta ao passado, a restrição das políticas sociais, a redução das políticas públicas, o travamento da subida da base da pirâmide que os assusta”. E acrescenta: “A máquina administrativa herdada foi feita para administrar privilégios, não para prestar serviços. E os privilegiados a querem de volta”(Carta Maior, 22/09/2015).
Efetivamente, o que ocorreu não foi uma simples troca de poder mas a constituição de uma outra base de poder, popular e republicana que deu centralidade ao social, fazendo com que o estado, bem ou mal, prestasse serviços públicos, incluindo cerca de 40 milhões de pessoas, fato de magnitude histórica.
Para entender o fenômeno do ódio social socorrrem-nos analistas da violência na história. Recorro especialmente ao pensador francês René Girarad(*1923). Segundo ele, quando na sociedade se acirram os conflitos, o opositor principal consegue convencer os demais de que o culpado é tal e tal pessoa ou partido. Todos então se voltam contra ele, fazem-no de bode expiatório sobre o qual colocam todas as culpas e corrupções (cf. Le bouc émissaire, 1982). Assim desviam o olhar sobre suas próprias corrupções e, aliviados, continuam corrompendo e sendo corrompidos.
Ou pode-se atribuir aos acusadores aquilo que o grande jurista e politólogo alemão Karl Schmitt (+1986) aplicava a todo um povo. Este para “garantir sua identidade tem que identificar um inimigo e desqualificá-lo com todo tipo de preconceito e difamação” (cf.O conceito do político,2003). Ora, esse processo está sendo sistematicamente feito contra o PT, um verdadeiro bullying coletivo. Com isso procura-se invalidar as conquistas populares alcançadas e reconduzir ao poder aqueles que historicamente sempre estigmatizaram o povo como jeca-tatu e ralé e ocuparam os aparelhos de estado para deles se beneficiar.
Distorce minha intenção quem pensar que com o que escrevi acima estou defendendo os que do PT se corromperam. Devem ser julgados e condenados e, por mim, expulsos do partido.
O avanço do povo através do PT é precioso demais para que seja anulado. As conquistas devem continuar e se consolidar. Para isso é urgente desmascarar os interesses anti-populares, frear o avanço dos conservadores que não respeitam a democracia e que almejam a volta ao poder mediante algum tipo de golpe.
É tempo de todos colocarmos de lado o pensamento mágico e colaborarmos para o bom funcionamento das sólidas instituições que construímos. É preciso respeitar um mínimo da lógica econômica que tem sido usada nos últimos cem anos em todas as sociedades relativamente civilizadas: produz uma módica liberdade de iniciativa individual, uma progressiva igualdade de oportunidades e alguma eficiência produtiva, que é a possibilidade de fruição das outras duas
É preciso incorporar o fato que quem foi eleito legitimamente (e Dilma o foi!) só pode ser privado da missão que recebeu da maioria nas urnas com a mais rigorosa observância do rito constitucional, e uma vez provado materialmente que cometeu, ou se beneficiou, de eventual desvio de função. A “vontade” expressa nas amostragens da opinião pública, por mais exatas e fiéis que sejam; a “gritaria raivosa” no hospício a céu aberto da Câmara dos Deputados; as “passeatas cívicas” dominicais e os “panelaços mal-educados” das zonas abastadas podem pretender revelar o “espírito da sociedade” com relação ao governo. São, entretanto, absolutamente inservíveis como prova para aquela finalidade.
(…)
O brasileiro não tem mais tempo para continuar paralisado ou meter-se em novas experiências políticas e econômicas. Ele sabe que está ameaçado de perder o seu emprego, e, assim, de destruir sua família. Sente o risco de ser empurrado para uma correção de rumo fora do controle do governo com a perda do grau de investimento pelo país.
É tempo, pois, de a presidente Dilma reafirmar o seu caráter e recuperar o seu protagonismo. De apresentar à sua “base” um conjunto de projetos fundamentais nos campos orçamentário, tributário, trabalhista, previdenciário, e de cooptar o Congresso para enfrentar os graves obstáculos que consomem a energia do nosso crescimento inclusivo e e sustentável. Em benefício do próprio Legislativo, aliás, que terá a oportunidade de recuperar, também, algum respeito da sociedade.
(…)
O ideal para o futuro do Brasil é que Dilma recupere o prestígio e o respeito que recebeu da maioria absoluta dos votos válidos no processo eleitoral. Qualquer outra solução fora da rigorosa disciplina constitucional será um atraso institucional e será ineficiente. Os mesmos problemas (como por exemplo, o desequilíbrio fiscal “estrutural”, que explodiu no seu colo, mas não foi apenas obra sua) vão continuar. Não serão resolvidos enquanto a sociedade não entender que precisa mobilizar-se para pressionar o Executivo e o Legislativo, independentes mas cooperativos e harmônicos, para que cada um cumpra o seu papel nas mudanças institucionais que o Brasil precisa, mas às quais se opõem as minorias organizadas próximas do poder incumbente eventual. Elas adquiriram “direitos palpáveis” à custa dos abstratos “direitos difusos” da ingênua maioria.
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Com a ferramenta, quando um usuário pesquisa algum produto em uma grande loja de e-commerce brasileira, ele consegue verificar automaticamente o preço do mesmo item em outras lojas virtuais concorrentesCOMPARTILHE ESTA NOTÍCIA:FacebookTwitterGoogle+LinkedInTumblrEmailPOR JÚLIA MIOZZO EM 10 DE AGOSTO DE 2015
SÃO PAULO – O Aurora Browser é um novo navegador de internet brasileiro que possui um diferencial com relação a seus demais concorrentes, como o Google Chrome, Firefox e Internet Explorer: ele possui um comparador de preços já embutido em seu software.
Com a ferramenta, quando um usuário pesquisa algum produto em uma grande loja de e-commerce brasileira, ele consegue verificar automaticamente o preço do mesmo item em outras diversas lojas virtuais concorrentes.
Além disso, o navegador é mais leve e rápido que os demais. Em média, o Aurora Browser utiliza 1/10 da memória RAM utilizada pelo Chrome para executar a mesma tarefa. Ele conta com um adblocker também já embutido, que permite ocultar anúncios de publicidade – e que promete causar grandes problemas jurídicos para quem a usar.
Outras funções, como o controle de som para que nenhum site atrapalhe a música executada no computador, o gerenciamento de downloads e a possibilidade de salvar qualquer página aberta como imagem em apenas um clique também estão disponíveis.Quando baixado, ele ocupa apenas 2 MB de memória do computador, enquanto o Google Chrome utiliza 41 MB.
O Aurora Browser foi desenvolvido pelos empreendedores Zhen Zhang e Rafael Costa e está em parceria com a Lomadee, que fornece o serviço de comparação de preços. ”Ao disponibilizar este serviço, queremos ser reconhecidos como uma empresa que ajuda as pessoas a economizarem, além de oferecer um navegador leve, rápido e seguro, que segue os padrões mais elevados de inovação, segurança e privacidade”, argumenta Zhang.
O navegador está disponível em inglês e português e pode ser baixado em seu site.
Com golpe, PSDB poderá não voltar ao poder em 2018
Afagando Cérbero – A oposição e o imponderável
por Mauro Santayana – 10/08/2015
Talvez influenciado pelo fato de estar sendo entrevistado por uma publicação estrangeira – em certos países e organismos multilaterais se conhece bem os avanços alcançados pelo Brasil nos últimos anos – o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou, para a revista alemã Kapital, que a Presidente Dilma Roussef é “honrada”, e que o ex-presidente Lula é um líder “popular” cuja prisão, caso viesse a acontecer, poderia dividir o país.
Foi o que bastou para que fosse imediatamente execrado pela parcela da opinião pública que ocupa, destilando bílis, os sites e portais mais reacionários – para dizer o mínimo – da internet brasileira.
O que importa, não é saber – embora torçamos para que isso tenha ocorrido – se FHC foi sincero em suas considerações sobre a Presidente Dilma, e, sim, prestar atenção à verdadeira avalanche de estupidez que suscitaram suas palavras.
“Doido”, “senil”, “demente”, “gagá”, “caduco”, “bipolar” – odioso, preconceituoso e covarde, o fascismo despreza e confunde a idade com fraqueza e costuma ser particularmente impiedoso com os mais velhos, as mulheres e as crianças – “doente de Alzheimer”, e o já tradicional apelo do “morre de uma vez” (como fez o “educado” internauta que atende por Paulo Votan, acima, no print que precede este texto) foram alguns dos epítetos lançados pela malta nos grandes portais da internet, contra o ex-presidente da República. Outros o acusaram de “pateta”, “traidor”, “idiota”, “maconheiro”, “THC”- lembrando sua defesa da descriminalização da Cannabis – e de “cara de pau”, “sem-vergonha”, e ladrão – acusando-o de estar “roubando também”, ou de já ter se encontrado secretamente com Lula para conchavos.
E os mais “espertos”, a serviço da nefasta “via alternativa”, que espreita, como hiena, nos meandros da história, os países que se rendem aos que fomentam o caos e a cizânia, preferiram, como sempre, aproveitar a oportunidade para intensificar os ataques contra a democracia – “político é tudo lixo”, “farinha do mesmo saco”; defender a violência: “é preciso amarrar a boca do saco”, “matar todo mundo a paulada” e “jogar o saco no rio”; e propagar a teoria – esse é “esquerda caviar”, “comunista enrustido” – da conspiração, segundo a qual PT e PSDB representariam, na verdade, duas faces da mesma moeda, da “tática da tesoura stalinista”, de disfarçar parte da esquerda como direita; tomariam parte da estratégia de conquista da hegemonia, por meios pacíficos e “gramscianos”, do poder, e atuariam seguindo os padrões do “marxismo cultural”, como fantasiam, e pregam certas correntes da imbecilidade neo-direitista antinacional. Tudo isso coroado pelos pedidos de instalação no país de nova ditadura – agora com caráter “policial-jurídico-militar” – e os indefectíveis slogans da campanha – que já está no ar há muito tempo – de BOLSONARO 2018 para a Presidência da República.
Na página do ex-capitão do Exército, no Facebook, por exemplo – que, significativamente, já tem mais de 3 vezes o número de curtidas (1.5 milhão contra 450.000) que a página oficial de FHC, o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso aparece como defensor das drogas ao lado do ex-presidente uruguaio José Mujica, em contraponto ao próprio Deputado Bolsonaro, que se destaca, convenientemente, à direita, ao lado da figura do Presidente da Indonésia – país que pune o tráfico com a pena de morte – Joko Vidodo (que é, na verdade, um fabricante e exportador de móveis) em uniforme militar.
Em outras páginas – e cabeças – aparecem, como se fosse normal, propostas de se identificar e eliminar, no nascimento, no futuro, bebês que tenham propensão criminosa; de se substituir o povo por “Deus” no parágrafo único do Artigo Primeiro, que define a fonte do poder do Estado no texto constitucional; de se punir com até 3 meses de prisão professores que abordem assuntos políticos na sala de aula; de se submeter as decisões do Supremo Tribunal Federal a igrejas, depois de já aprovada, por iniciativa do Senhor Eduardo Cunha, a isenção de impostos no “repasse” de dinheiro a pastores, como se, em pleno século XXI, tivéssemos entrado em uma máquina que nos teletransportasse, em um piscar de olhos, para um hospício, ou, de volta, no tempo, para mais ou menos 100 anos atrás.
Enquanto o setor de óleo e gás – de alta tecnologia – corre o risco de desmantelamento, a indústria naval é destruída, com o fechamento de vários estaleiros, a indústria de defesa se desarticula, com seus principais projetos sendo ameaçados, e as maiores empresas do Brasil são arrebentadas, milhares de seus fornecedores quebram, e se pretende impor a elas multas absurdas de bilhões de reais – para que não sobre pedra sobre pedra – eliminando-se milhares de empregos, brasileiros que fazem questão de ignorar que ainda somos – apesar de tudo – a oitava economia do mundo e o terceiro maior credor individual externo dos Estados Unidos, e que o nosso desemprego é de um terço de países como a Espanha, e nossa inflação a metade do que era há pouco mais que uma década, comemoram em grupos como o Direitas Já, Direita Brasil, Direita Conservadora, Direita Realista, Direita Política, Tradutores de Direita, Direita Forte, Rede da Direita Nacional, Canal de Direita, Professores de Direita, Direita Atual, Direita Ocidental, Extrema Direita Nacionalista Brasileira, Linhas Direitas, Jovens de Direita, Militantes de Direita, Garotas Direitas, Sou de Direita, Extrema-Direita, Direita Unida, Direita Única, Direita Blindada, Direita Conservadora, Direita Brasil, Rua Direita, Direita Nacional Brasileira, Vem pra Direita Brasil, Skins Direitista (sic) e dezenas de outras comunidades menores, os problemas do país, torcendo, muitas vezes abertamente, pela derrocada da Nação, a quebra do Estado de Direito e a inviabilização da economia e da governabilidade.
É principalmente quado o tufão se aproxima, que é preciso escutar a voz da razão.
A reação – nos dois sentidos – contra as declarações de Fernando Henrique Cardoso na internet é apenas a ponta do iceberg de um quadro claro, para o qual os setores mais influentes da sociedade brasileira ainda não acordaram – ou só estão começando – talvez tardiamente – a atentar. O PSDB corre grandes riscos se não souber corrigir o rumo de sua nau em meio à tempestade que ele mesmo ajudou a conjurar, e mesmo com o risco de perder o mandato, já existe quem esteja, como a Senadora Lúcia Vânia, de Goiás, tomando a decisão de abandonar esse barco no meio do caminho, alegando não acreditar em uma “oposição movida a ódio”, e fazendo apelo a mais “equilíbrio e sensatez”, diante da gravíssima situação política que está sendo enfrentada pelo país.
Ao embarcar na “direitização” da classe média, e endossar, de forma atravessada, indireta, e, eventualmente, interesseira, o discurso da exageração da crise, da criminalização dos políticos, da judicialização da política, e da repetição da irresponsável e continua multiplicação, à estratosfera, de cifras (da ordem de dezenas, centenas, de bilhões de reais) em pseudo prejuízos da corrupção que não correspondem aos fatos nem às provas efetivamente, inequivocamente, colhidas até agora, o PSDB – deixando-se seduzir pelas perspectivas do caos – está brincando de afagar as cabeças de Cérbero – o cão mitológico que guarda a passagem para Hades – na ante-sala do inferno.
Mais importante do que se haverá ou não impeachment, é o Brasil que sobrará desse processo.
A História avança em ciclos.
Ciclos que, depois de iniciados, dificilmente são detidos, e que cobram pesados tributos, em atraso e em sangue, antes de que venham a se encerrar.
É preciso que as lideranças tucanas percebam – e há outras personalidades que também foram lembradas – e muitas vezes criticadas – nos ataques da direita radical contra FHC esta semana, que o imponderável é – por sua própria natureza – incontrolável e voraz. E que, ao abrir a porta para o desconhecido, o PSDB poderá não voltar ao poder em 2018.
Pelo contrário.
Existe uma grande chance de que venha a entregar o país – ou boa parte dele – ao fascismo, e de que venha a ser vitimado, mais cedo do que tarde, pelo fascismo, da mesma forma que ocorre com o PT.
Se há uma sensação coletiva que se possa chamar de generalizada neste momento no Brasil é a de que, mais uma vez, o almejado futuro não se materializou. Ou seja, o sonhado desenvolvimento econômico, social, ambiental e cultural sustentável dá espaço ao sabor de frustração e ficamos, os mais otimistas, no aguardo de um novo ciclo, cuja data de inauguração não foi sequer anunciada.
Sabemos crescer, mas não sabemos fazê-lo de forma sustentável. Temos uma riqueza natural e humana reconhecida mundialmente, mas ela parece periodicamente perder para nossas fragilidades. Identificar as complexas causas das recorrentes derrotas é tarefa hercúlea e fruto de muita controvérsia. Tal cenário, onde a esperança parece adormecida, é acompanhado de modesta inspiração para produção cultural.
Um destacável reflexo de nossa pobreza cultural contemporânea são nossos olhos voltados ao passado como nunca. A ausência de aderência ao presente e a falta de perspectiva de futuro próximo nos faz estimular no mundo da cultura um evidente apego sem precedentes pelo passado.
No campo da música, jamais se ouviu com tanto vigor os artistas das décadas de 60 e 70. Mesmo entre os mais jovens, muitos findam por estabelecer entre seus ídolos aqueles mesmos que foram de seus pais, refletindo possivelmente que temos uma geração tímida de novos artistas.
No teatro, particularmente os musicais, exatamente onde o Brasil mais avançou, é sintomático que quase todos os grandes sucessos dos últimos anos estejam dedicados a recuperar a vida de artistas antigos, a exemplo de Tim Maia, Elis Regina, Cazuza, Chacrinha, Simonal, Raul Seixas, Cássia Eller, Imperial e tantos outros. Isso tudo talvez reflita um país desgostoso com seu presente, sem claras perspectivas para seu futuro e buscando no seu passado recente motivos para continuar a crer na sua história.
No cinema mesmo com novidades pontuais de valor na praça, a revalorização recente de personagens antigos como José Mojica Marins, o famoso Zé do Caixão, é sintoma claro da possível ausência de produção atual mais significativa, em profundo contraste com a pujança da vizinha Argentina nesta área. Neste caso específico, evidenciando que nem sempre as crises econômicas estejam irremediavelmente associadas à pobreza de produção cultural, mas no Brasil, infelizmente, amargamos a possibilidade de estarmos vivendo todas elas simultaneamente.
Ainda que não seja o objetivo deste breve texto apontar possíveis causas, dado que por serem múltiplas e complexas qualquer simplificação estaria errada ou insuficiente, não há como não perceber que falhamos, ao menos parcialmente, na educação. Nesta área tivemos sim sucessos, inegáveis por sinal, como universalizar a educação fundamental, ampliar de forma significativa o acesso ao ensino superior ou a construção eficiente de um respeitável sistema nacional de pós-graduação.
Por outro lado, claramente falhamos em conjugar qualidade e quantidade. Quando universalizamos ou ampliamos de forma significativa, o fizemos com rebaixamento de qualidade. Quando ofertamos qualidade, o fizemos para poucos, muito poucos. A inovação que deixamos de criar foi ofertar qualidade para muitos. Esta sim, a meu ver, se não é a única, é a principal razão da sensação de fracasso que nos move a olhar para trás e de forma saudosista pedir mais uma chance de sermos, mais uma vez, o país do futuro.
Pacto é colocar o colocar o bem do povo acima de qualquer intere
Em entrevista concedida ao Correio Brasiliense, o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e arcebispo de Brasília, dom Sergio da Rocha considera missão da Igreja participar da política, com propósitos baseados na ética e no bem comum, diferentemente dos interesses partidários e corporativos que ditam governos e campanhas eleitorais. Em tempos de crise, segundo ele, a Igreja tem de exercer o papel de profeta: questionar, transformar, sem receio de desagradar ao senso comum. Esse posicionamento explica a decepção com a atabalhoada reforma política conduzida no Congresso — “a gente esperava muito mais” — e a ressalva ao pacto pela governabilidade — “Um pacto não vai deixar de lado, por exemplo, a luta contra a corrupção”.
(trechos da entrevista)
A CNBB se posicionou firmemente em favor da reforma política. Houve avanço? A gente esperava muito mais. O assunto merecia ser muito mais discutido pela sociedade civil organizada. É claro que se trata de um tema complexo, permite diferentes posturas, mas não quer dizer que não era importante. Ou que a Igreja não tinha nada a ver com isso. É claro que a Igreja tem a ver com isso! Ninguém é cristão apenas dentro da Igreja, só dentro do templo. Nós somos cristãos fora dele, no dia a dia. A Igreja não pode ficar só na sacristia. Tem de sair, ir ao encontro das pessoas. Precisa ter a palavra dela. Não sei se o projeto da reforma política ainda consegue avançar, mas pelo nível da tramitação, é difícil esperar muito mais. E não é porque um assunto está há muito tempo no Congresso que ele deve ser resolvido logo. Por mais urgente que seja, se não há uma participação maior da sociedade, fica difícil ter esperança de que um projeto vai realmente atender à necessidade da população. É preciso escutar mais para tomar decisões sábias.
A corrupção é outro grave problema? A corrupção também poderia ser superada com a ajuda de uma reforma política. Poder-se-ia ao menos prever melhor medidas que ao menos ajudariam a superar o problema da corrupção, que é uma praga. O próprio papa Francisco diz que a corrupção é uma praga que clama aos céus. É algo que destrói a vida das pessoas. O processo ainda não está concluído no Congresso; portanto, ainda não se pode perder a esperança.
O que fazer para melhorar? Esse campo é muito delicado, qualquer coisa que se afirme é motivo de controvérsia. Por isso, a CNBB não dogmatizou a questão. Alguns entenderam de uma forma que não era adequada. A igreja não se manifestou ameaçando ninguém. Na verdade, era uma ocasião para refletir, para se informar mais, para participar mais da vida política. Política no Brasil está muito restrita a partidos. Não se pode ficar refém de partidos. O povo, as comunidades têm de participar. No caso da Igreja, é claro que não temos postura político-partidária. Insistimos na importância da participação. Por exemplo, a questão do financiamento de campanha: esse é ponto que precisa ser mais bem considerado. Converse com as pessoas — não precisa ser um especialista — e diga que uma determinada empresa ofereceu milhões para um determinado candidato. Nunca ouvi ninguém dizer que acreditava que isso era por patriotismo.
O poder econômico interfere? Não estou dizendo que está tudo errado. Estou dizendo que, no mínimo, é de se questionar as intenções. Com tantas necessidades no país, com tantas obras assistenciais precisando de dinheiro, como é que alguém vai entender que uma empresa oferece tanto? A gente tem visto que, no fundo, essa questão tem, sim, relação com a corrupção.
A empresa deve doar? A CNBB foi uma das mais de cem entidades que participaram dessa coalizão em favor da reforma política. Ali a postura é contrária ao financiamento por parte de empresas. Se não se criar uma nova forma de fazer política no Brasil, é muito complicado a gente continuar com esse esquema baseado em interesse mais particular, de grupos, de bancada. Precisamos criar mecanismos legais para que a política, os políticos, as autoridades coloquem o bem comum acima de tudo. Muitas vezes vemos brigas tremendas, mas nem sempre esses conflitos são por causa do bem do povo. São por interesses de grupos. Seria bom que brigassem por interesse público.
O movimento do Ministério Público e da Polícia Federal, com a Operação Lava-Jato, é uma tentativa de mudança para que a corrupção não continue sendo uma praga? Creio que essas entidades têm dado um contribuição muito importante. Permitem uma nova maneira de pensar política, de fazer política, de resgatar a ética. Esperamos que possa surgir um novo modo de fazer política desse processo doloroso que estamos vivendo.
Alguns grupos falam em um grande pacto para manter a governabilidade. A CNBB está pronta a integrar algum desses grupos? Depende do que se entende por pacto, que é uma palavra de múltiplos significados. Hoje nós estamos em um momento de polarização política muito forte e com uma diversidade muito grande de partidos. Temos contato com diversas autoridades, inclusive a presidente da República. Tivemos esse momento inicial de diálogo e continuamos dispostos a dialogar para buscar o melhor ao nosso povo. Mas creio que qualquer pacto jamais vai sacrificar a verdade ou a justiça. Ao contrário, um pacto não vai deixar de lado, por exemplo, a luta contra a corrupção. O que significa, então, esse pacto? É colocar o bem do povo acima de qualquer interesse particular, partidário etc. Preocupa muito esse jeito corporativista de fazer política.
Está cada vez mais arraigado? Sim, e com isso fica muito difícil superar aquilo que está na raiz da corrupção, que é esse tomá lá dá cá. A coisa pública fica em um segundo plano, e os interesses partidários, pessoais ou de grupos prevalecem. Sempre haverá a necessidade de vigilância, com a Justiça Eleitoral e a Polícia Federal, por exemplo. Mas eu diria que o primeiro juiz deveria ser o eleitor. Se o povo tivesse um pouco mais de discernimento na época da eleição, daria menos trabalho para a Justiça Eleitoral. Se o primeiro tribunal fosse a consciência do eleitor, restaria menos trabalho para os tribunais que cuidam de tudo isso. É lógico que nunca haverá eleitores perfeitos, com discernimento pleno. Mas nada exclui de ter uma reflexão mais séria.
A Igreja pode ajudar nisso. Na verdade, sempre ajudou. A Igreja ajuda, e alguns até acham que a CNBB ajuda demais, que ela interfere além da conta. A CNBB não tem postura político-partidária. Se um ponto ou outro de seu ensinamento e de suas práticas coincidir com a de algum partido, não é por opção nossa. A CNBB, desde os seus inícios, foi objeto de questionamento, de discordância. Em outros períodos da nossa história, a CNBB também era questionada, e sempre será. Mas, se ela for questionada por fidelidade a Cristo, a valores éticos, é até melhor.
Os trilhos da CAF no Brasil parecem seguir numa só direção: o caminho de volta para casa, no País Basco. Envolvido no escândalo do cartel do metrô de São Paulo, o grupo estaria arrumando as malas para deixar o Brasil. Segundo informações filtradas junto à própria CAF, a companhia teria aberto conversações para a venda de sua fábrica de vagões em Hortolândia (SP). De acordo com as mesmas fontes, o principal interessado no negócio seria a Hitachi, que, no início do ano, comprou o controle mundial da italiana AnsaldoBreda – também com negócios no Brasil. Consultado, o grupo japonês nem confirmou, nem negou. Disse “não ter informações” sobre a operação. A CAF, por sua vez, garantiu que a fábrica não está à venda e negou a intenção de deixar o Brasil. Está feito o registro.
…de qualquer interesse particular, partidário, diz presidente da CNBB
11/08/2015
Em entrevista ao Correio Brasiliense, o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e arcebispo de Brasília, dom Sergio da Rocha disse que considera missão da Igreja participar da política, com propósitos baseados na ética e no bem comum, diferentemente dos interesses partidários e corporativos que ditam governos e campanhas eleitorais. Em tempos de crise, segundo ele, a Igreja tem de exercer o papel de profeta: questionar, transformar, sem receio de desagradar ao senso comum. Esse posicionamento explica a decepção com a atabalhoada reforma política conduzida no Congresso — “a gente esperava muito mais” — e a ressalva ao pacto pela governabilidade — “Um pacto não vai deixar de lado, por exemplo, a luta contra a corrupção”.
(trechos da entrevista)
A CNBB se posicionou firmemente em favor da reforma política. Houve avanço? A gente esperava muito mais. O assunto merecia ser muito mais discutido pela sociedade civil organizada. É claro que se trata de um tema complexo, permite diferentes posturas, mas não quer dizer que não era importante. Ou que a Igreja não tinha nada a ver com isso. É claro que a Igreja tem a ver com isso! Ninguém é cristão apenas dentro da Igreja, só dentro do templo. Nós somos cristãos fora dele, no dia a dia. A Igreja não pode ficar só na sacristia. Tem de sair, ir ao encontro das pessoas. Precisa ter a palavra dela. Não sei se o projeto da reforma política ainda consegue avançar, mas pelo nível da tramitação, é difícil esperar muito mais. E não é porque um assunto está há muito tempo no Congresso que ele deve ser resolvido logo. Por mais urgente que seja, se não há uma participação maior da sociedade, fica difícil ter esperança de que um projeto vai realmente atender à necessidade da população. É preciso escutar mais para tomar decisões sábias.
A corrupção é outro grave problema? A corrupção também poderia ser superada com a ajuda de uma reforma política. Poder-se-ia ao menos prever melhor medidas que ao menos ajudariam a superar o problema da corrupção, que é uma praga. O próprio papa Francisco diz que a corrupção é uma praga que clama aos céus. É algo que destrói a vida das pessoas. O processo ainda não está concluído no Congresso; portanto, ainda não se pode perder a esperança.
O que fazer para melhorar? Esse campo é muito delicado, qualquer coisa que se afirme é motivo de controvérsia. Por isso, a CNBB não dogmatizou a questão. Alguns entenderam de uma forma que não era adequada. A igreja não se manifestou ameaçando ninguém. Na verdade, era uma ocasião para refletir, para se informar mais, para participar mais da vida política. Política no Brasil está muito restrita a partidos. Não se pode ficar refém de partidos. O povo, as comunidades têm de participar. No caso da Igreja, é claro que não temos postura político-partidária. Insistimos na importância da participação. Por exemplo, a questão do financiamento de campanha: esse é ponto que precisa ser mais bem considerado. Converse com as pessoas — não precisa ser um especialista — e diga que uma determinada empresa ofereceu milhões para um determinado candidato. Nunca ouvi ninguém dizer que acreditava que isso era por patriotismo.
O poder econômico interfere? Não estou dizendo que está tudo errado. Estou dizendo que, no mínimo, é de se questionar as intenções. Com tantas necessidades no país, com tantas obras assistenciais precisando de dinheiro, como é que alguém vai entender que uma empresa oferece tanto? A gente tem visto que, no fundo, essa questão tem, sim, relação com a corrupção.
A empresa deve doar? A CNBB foi uma das mais de cem entidades que participaram dessa coalizão em favor da reforma política. Ali a postura é contrária ao financiamento por parte de empresas. Se não se criar uma nova forma de fazer política no Brasil, é muito complicado a gente continuar com esse esquema baseado em interesse mais particular, de grupos, de bancada. Precisamos criar mecanismos legais para que a política, os políticos, as autoridades coloquem o bem comum acima de tudo. Muitas vezes vemos brigas tremendas, mas nem sempre esses conflitos são por causa do bem do povo. São por interesses de grupos. Seria bom que brigassem por interesse público.
O movimento do Ministério Público e da Polícia Federal, com a Operação Lava-Jato, é uma tentativa de mudança para que a corrupção não continue sendo uma praga? Creio que essas entidades têm dado um contribuição muito importante. Permitem uma nova maneira de pensar política, de fazer política, de resgatar a ética. Esperamos que possa surgir um novo modo de fazer política desse processo doloroso que estamos vivendo.
Alguns grupos falam em um grande pacto para manter a governabilidade. A CNBB está pronta a integrar algum desses grupos? Depende do que se entende por pacto, que é uma palavra de múltiplos significados. Hoje nós estamos em um momento de polarização política muito forte e com uma diversidade muito grande de partidos. Temos contato com diversas autoridades, inclusive a presidente da República. Tivemos esse momento inicial de diálogo e continuamos dispostos a dialogar para buscar o melhor ao nosso povo. Mas creio que qualquer pacto jamais vai sacrificar a verdade ou a justiça. Ao contrário, um pacto não vai deixar de lado, por exemplo, a luta contra a corrupção. O que significa, então, esse pacto? É colocar o bem do povo acima de qualquer interesse particular, partidário etc. Preocupa muito esse jeito corporativista de fazer política.
Está cada vez mais arraigado? Sim, e com isso fica muito difícil superar aquilo que está na raiz da corrupção, que é esse tomá lá dá cá. A coisa pública fica em um segundo plano, e os interesses partidários, pessoais ou de grupos prevalecem. Sempre haverá a necessidade de vigilância, com a Justiça Eleitoral e a Polícia Federal, por exemplo. Mas eu diria que o primeiro juiz deveria ser o eleitor. Se o povo tivesse um pouco mais de discernimento na época da eleição, daria menos trabalho para a Justiça Eleitoral. Se o primeiro tribunal fosse a consciência do eleitor, restaria menos trabalho para os tribunais que cuidam de tudo isso. É lógico que nunca haverá eleitores perfeitos, com discernimento pleno. Mas nada exclui de ter uma reflexão mais séria.
A Igreja pode ajudar nisso. Na verdade, sempre ajudou. A Igreja ajuda, e alguns até acham que a CNBB ajuda demais, que ela interfere além da conta. A CNBB não tem postura político-partidária. Se um ponto ou outro de seu ensinamento e de suas práticas coincidir com a de algum partido, não é por opção nossa. A CNBB, desde os seus inícios, foi objeto de questionamento, de discordância. Em outros períodos da nossa história, a CNBB também era questionada, e sempre será. Mas, se ela for questionada por fidelidade a Cristo, a valores éticos, é até melhor.
Havia muita expectativa quanto ao momento da chegada do primeiro jato d’água na polêmica Transposição do Rio São Francisco para canais. E com humor e algum grau de tensão os trabalhadores da obra registraram em vídeo este momento que compartilhamos agora com você.
Os testes de bombeamento de água do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF) estão acontecendo no município de Floresta (PE). Cumprindo o cronograma oficial de andamento das obras, os testes fazem parte da Meta 1 do PISF, que compreende a captação no reservatório de Itaparica até o reservatório Areias, ambos em Floresta (PE).
Em agosto deste ano foram abertas as ensecadeiras (barramento), enchendo os canais até as primeiras Estações de Bombeamento (EB) dos dois eixos do projeto: Norte e Leste. Até o final de 2014 a Meta 1 (Meta Piloto) estará em pré-operação, o que significa que os sistemas, equipamentos e estrutura estão em preparação para a futura operação comercial.
Atualmente, as obras do PISF tem 64,6% de execução física e a sua conclusão está prevista para dezembro de 2015. Mais de 11.180 trabalhadores estão contratados para atuarem no empreendimento. São 4.050 máquinas em funcionamento ao longo dos 477 km de extensão das obras.
Os dois eixos do Projeto de Integração do Rio São Francisco tem 477 quilômetros de extensão, sendo 260 quilômetros no Eixo Norte e 217 quilômetros no Eixo Leste. A obra está com um total de 76,7% de execução, segundo o ministério, e previsão de chegar a 78% neste mês. Do orçamento total de R$ 8,2 bilhões, mais de R$ 6,5 bilhões já foram aplicados, sendo R$ 1 bilhão liberado somente neste ano pela pasta.
Webster Franklin
11 de agosto de 2015 3:14 amE aí ministro Cardozo? Nos EUA, homem é detido por ameaçar Obama
E aí ministro Cardozo? Nos EUA, homem é detido por ameaçar Obama no Facebook
Músico fez postagens na web ameaçando Obama.
Na rede social, rapaz disse que daria um tiro na cabeça do presidente norte-americano.
Jade Petronilho, via Superdownloads em 5/3/2012
Um homem foi preso depois de anunciar no Facebook que planejava dar um tiro na cabeça do presidente norte-americano Barack Obama. O rapaz de 20 anos teria criado um perfil falso e feito as postagens ameaçadoras nas últimas semanas, quando Obama visitava a Universidade de Miami.
Investigado pela CIA, agência de inteligência local, o suspeito foi logo identificado como o músico Joaquin Serrapio e detido por “ameaça à segurança nacional”. Nos textos, ele dizia até mesmo que postaria a morte do presidente no YouTube.
Minutos antes de ser levado pela polícia, o jovem ainda teve tempo para zombar das autoridades. Em seu Twitter, ele escreveu: “O serviço secreto está aqui! Eu ameacei o precioso tirano deles! Desculpe se eu não puder ser encontrado por algumas horas”.
Serrapio pagou fiança e foi solto, mas, se for condenado, poderá ficar até cinco anos na prisão.
http://limpinhoecheiroso.com/2015/08/10/e-ai-ministro-cardozo-nos-eua-homem-e-detido-por-ameacar-obama-no-facebook/
Webster Franklin
11 de agosto de 2015 4:20 amMas Cristina Kirchner não havia morrido? Como é que venceu as el
Tijolaço
Mas Cristina Kirchner não havia morrido? Como é que venceu as eleições com Scioli?
10 de agosto de 2015 | 08:47 Autor: Fernando Brito
Quase nada saiu na imprensa brasileira sobre as eleições presidenciais argentinas.
A impressão do leitor médio dos nossos jornais era a de que Cristina Kirchner, além dos problemas de saúde, teria problemas econômicos e políticos tão grandes que mal seria, a esta altura, um molambo eleitoral.
As pesquisas chegaram a dar-lhe, nos primeiros meses do ano, mais de 65% de reprovação.
E não é que o peronismo de Kirchner ganhou as eleições primárias na Argentina?
O candidato Daniel Scioli vai fechando as apurações (no momento em que escrevo, 85% dos votos apurados), com 7% dos votos de vantagem (37,78%) sobre o candidato da direita, Maurício Macri, (30,69%) e uma vantagem de 10% deste para o terceiro colocado, o dissidente peronista e líder de uma confusa frente com democratas cristãos, Sergio Massa, que ficou com surpreendentes 20,53%.
Os números finais devem ficar praticamente nisso, talvez com uma pequena elevação da diferença favorável a Scioli, por a apuração estar mais atrasada nas seções da província de Buenos Aires onde, ao contrário do que ocorre na capital propriamente dita, o peronismo é muito forte.
São eleições primárias, onde se definem as chapas – ou fórmulas, como chamam nossos irmãos portenhos – que disputarão as eleições propriamente ditas, onde vence aquele que alcançar 45% dos votos ou mais de 40%, se abrir ao menos 10% de frente sobre o segundo colocado.
Não resolvida a disputa, segundo turno, como aqui.
O resultado foi claramente decepcionante para Macri, que o pressentiu e começou a falar em “fraude” ainda durante a votação e, logo depois, em “voto útil”.
O quadro, hoje, é de uma disputa final entre Scioli e Macri, mas os 20% alcançados por Massa superaram o que lhe previam as pesquisas e o transformam numa força real nas eleições.
A eleição argentina caminha para ter um final apertado, como a brasileira, ano passado.
E ninguém se assuste que a imprensa argentina, tão cheia de ódio aos Kirchner quanto a nossa ao PT (embora lá, com razões para tê-lo), vá desfechar campanhas de denúncias nos últimos meses, como já fez no caso do promotor encontrado morto e de um suposto envolvimento em tráfico de funcionários da Casa Rosada.
No es lo mismo, pero es igual.
http://tijolaco.com.br/blog/?p=28822
Webster Franklin
11 de agosto de 2015 4:26 amDino e o “não vai ter golpe”: a prova que o Nordeste não é mais
Tijolaço
Dino e o “não vai ter golpe”: a prova que o Nordeste não é mais só da oligarquia. Assista
10 de agosto de 2015 | 20:19 Autor: Fernando Brito
Flávio Dino penou para ser governador do Maranhão, como antes dele penou Jackson Lago, que ganhou nas urnas e perdeu no tapetão da família Sarney.
Para garantir o apoio congressual do PMDB, Lula teve de engolir o sapo Sarney .
Mas quem é do povo aguenta tudo e chega a hora em que o castelo das oligarquias cai, e olha que o Maranhão vem tentando fazer isso há tempos.
Filiado ao PCdoB, Dino teve de suportar todas as provocações dos donos do Maranhão, inclusive numa entrevista da Globo local, dos Sarney, onde lhe perguntaram, durante a campanha, se iria “implantar o comunismo no Maranhão“…
Assistir ao seu discurso, hoje, na inauguração de um conjunto do “Minha Casa, Minha Vida” e a reação dos milhares que o assistiam é de lavar a alma nestes tempos de covardia.
Os ascéticos da política, que a pensam sempre como um clube amável, onde se troca gentilezas, rapapés e palavras acovardadas deveriam tomar uma dose de Flávio Dino, todo dia.
Faz uma baita falta para a consciência cívica deste país.
[video:https://youtu.be/1U-orBsgxXY%5D
http://tijolaco.com.br/blog/?p=28841
Webster Franklin
11 de agosto de 2015 6:06 am“O direito de defesa sumiu na Lava Jato”: o que explica a auto
“O direito de defesa sumiu na Lava Jato”: o que explica a autonomia total de Moro. Por Joaquim de Carvalho
Postado em 08 ago 2015 por : Joaquim de Carvalho
Moro em 2011, durante palestra sobre tráfico e lavagem de dinheiro no Paraná
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De onde vem a autonomia total do juiz Sérgio Moro? Essa história começa antes da Lava Jato.
Em 2005, o empresário Sérgio Amílcar de Aguiar Maia, genro do ex-governador do Paraná Nei Braga, foi acusado de envolvimento num caso de fraude em consórcio. A base da acusação eram duas delações premiadas, colhidas por Moro, já responsável por uma das varas federais criminais do Paraná.
Mas o Ministério Público Federal entendeu que as provas eram frágeis e não denunciou Sérgio Amílcar. O juiz, Sérgio Moro, não concordou e insistiu para que os procuradores denunciassem Amílcar.
Pelo Código de Processo Penal, o magistrado até pode fazer isso, mas o correto seria enviar a denúncia para o Procurador Geral da República, chefe do Ministério Público. Ele preferiu devolver aos procuradores locais. Resultado: o MP refez a denúncia, incluindo Sérgio Amílcar, como queria Moro, e ele foi condenado.
Dez anos depois, Sérgio Amílcar ainda luta nos tribunais para derrubar o que considera abuso do juiz paranaense. Um das alegações é que Moro, tendo participado das investigações, na qualidade de juiz que colheu as delações, não poderia presidir o julgamento.
Até agora, o máximo que conseguiu foi reduzir a pena aplicada por Moro, mas o que ele quer é anular os atos praticados pelo juiz. “Foi abuso”, escreveu seu advogado, Carlos Alberto Farracha de Castro, num dos recursos apresentados.
O caso do consórcio Garibaldi é um dos primeiros que Sérgio Moro julgou com base na delação premiada, e talvez seja um dos primeiros do Brasil. O exemplo serve para mostrar que a prática da delação premiada não é incomum nas varas em que Moro trabalha.
No caso da operação Lava Jato, nove delações foram apresentadas por uma advogada que, até alguns anos atrás, era pouco conhecida em São Paulo, onde sempre advogou. Concluídas as delações, Beatriz Catta Preta abandonou as defesas e foi para os Estados Unidos, depois de fazer acusações genéricas de que estaria sendo pressionada.
Sua passagem pelo Paraná pode render a Beatriz Catta Preta dificuldades bem concretas, além das pressões que disse ter recebido. É que um advogado, criminalista famoso, manifestou a amigos sua revolta com a atitude do marido da advogada.
Ex-policial, o marido de Beatriz teria procurado um cliente desse advogado famoso, preso na Lava Jato, e negociado a liberdade em troca dos honorários da esposa e, claro, da delação do acusado.
O advogado esbravejou, mas, diante da vontade do cliente de sair da prisão do Paraná, acabou obrigado a passar a procuração para Beatriz. O caso, em tese, pode parar no tribunal de ética da OAB, já que um advogado não pode sair à cata de clientes de colegas.
A delação concentrada numa só advogada tem outro problema. A confissão deve ser sigilosa, para não contaminar outros depoimentos. Mas, sendo advogada de réus que se acusam entre si, Beatriz é o elo que quebra o princípio da confidencialidade e, advogando para mais de um delator, ela pode preparar depoimentos de um e de outro, para que as narrações guardem coerência e as histórias tenham verossimilhança.
Coisas estranhas acontecem na Vara de Moro, não só nos casos das delações. Em 2005, o advogado Roberto Bertholdo, que tem fama de truculento, foi preso sob acusação de ameaçar testemunhas e grampear o celular e o telefone da casa do juiz.
Denunciado, Roberto Bertholdo acabou condenado, deixou Curitiba e se mudou para Brasília. Segundo o que se apurou à época, o advogado fazia parte de um grupo que costumava grampear políticos e autoridades, para colher informações privilegiadas e negociá-las.
Nascido em Maringá, filho de professor universitário, Sérgio Moro protagoniza hoje o que um advogado chama de processo sem defesa. Esse advogado, que representa réus na Lava Jato, diz que a defesa é só para constar.
“A Polícia Federal, no papel dela, investiga e acusa. O Ministério Público recebe o inquérito, analisa, e acusa. O juiz recebe a denúncia e também acusa, como se fizesse parte do Ministério Público. Ao réu, caberia se defender, mas ele só tem chance no processo se fizer a delação, em que ele se auto acusa e acusa outra pessoa, para poder ter algum benefício. O direito de defesa desapareceu”, afirma esse experiente profissional.
No que é chamado de estado democrático de direito (o contrário da ditadura), uma pessoa sozinha não pode tudo. Mas os advogados que atuam na Lava Jato encontraram muralhas até agora intransponíveis para tentar garantir a defesa dos réus.
O primeiro obstáculo começa no Tribunal Regional Federal da 4ª. Região, no Rio Grande do Sul, onde as decisões de Moro poderiam ser revistas. Mas, no que até prova em contrário não passa de uma coincidência, o desembargador que recebe os recursos (“prevento”) é do Paraná, e na corte não é segredo para ninguém que priva da amizade e da admiração recíproca de Sérgio Moro, com troca de elogios em trabalhos acadêmicos.
Sem chance no Tribunal da 4ª. Região, os advogados batem no Superior Tribunal de Justiça, em Brasília, onde o caso foi concentrado nas mãos de um ministro convocado, ou seja, ele está tapando buraco em razão da ausência de um titular.
Como o sonho de todo juiz interino é se tornar titular, ele não quer polêmica, o que aconteceria caso revogasse alguma decisão de Moro. “O receio é que uma polêmica tire as chances de nomeação”, comenta o advogado.
A esperança da defesa é o Supremo Tribunal Federal, mas também ali, no primeiro julgamento até agora, houve decepção. Os ministros consideraram que as prisões preventivas não se justificavam, mas em vez de simplesmente colocarem os réus em liberdade, para que respondam ao processo fora da cadeia, eles determinaram o uso da tornozeleira eletrônica. “Todos eles têm medo da manchete do Jornal Nacional”, diz o advogado.
Em situações como esta, resta o grito da sociedade civil organizada, como a OAB. Até agora não se ouviu dela nem um sussurro em defesa do estado de direito.
A razão, segundo esse advogado, é que o presidente da Ordem, Marcus Vinícius Furtado Coêlho, já contou aos colegas mais próximos que quer se sentar na cadeira que já foi de gigantes como Evandro Lins e Silva, no Supremo Tribunal Federal, cassado durante a ditadura. Assim como no caso do interino do STJ, polêmica só atrapalharia os planos de Furtado Coêlho.
Com dificuldade no Tribunal, no STJ, no Supremo e na OAB, talvez o governo eleito por 54 milhões de brasileiros pudesse tomar alguma atitude, inclusive coibindo abusos claros como a escuta clandestina na prisão da Polícia Federal.
“O ministro da Justiça, comprovada a escuta, teria o dever de afastar os envolvidos e até o diretor da Polícia Federal no Paraná, para resguardar direitos constitucionais”, comenta esse advogado. Mas o ministro, José Eduardo Cardozo, também foge da polêmica.
“A Lava Jato tem um direcionamento claro: o PT e seus aliados. Não sei identificar que mão se move por trás disso. Talvez seja a própria saturação da sociedade com a corrupção, e as pessoas com algum poder de decisão nesse processo vejam uma oportunidade para se destacar, sem contrariar a suposta opinião pública. Mas é um grande erro. Está sendo gerado um monstro, que amanhã não poupará ninguém”, diz o advogado, que pediu anonimato em razão do prejuízo profissional e pessoal que teria se tivesse seu nome publicado aqui.
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-direito-de-defesa-sumiu-na-lava-jato-o-que-explica-a-autonomia-total-de-moro-por-joaquim-de-carvalho/
alexis
11 de agosto de 2015 8:58 amTem mais
Em 2003 o mesmo Yousseff fez declaração premiada no caso banestado e safou-se daquele assunto. Parece que o próprio Juiz Moro foi quem aceitou a delação premiada.
Apenas que Yousseff teria mentido.
romério rômulo
11 de agosto de 2015 6:55 ampra quem é acusada de inoperância no governo
acho que a Dilma está fazendo bastante.
energia eólica, 8% ontem.
http://tijolaco.com.br/blog/?p=28847
romério
Mailson
11 de agosto de 2015 9:36 amSeu petista desgraçado!
Profissão de fé contra Dilma e PT virou salvo-conduto social
Fonte: 10/08/15, Blog da Cidadania
http://www.blogdacidadania.com.br/2015/08/profissao-de-fe-contra-dilma-e-pt-virou-salvo-conduto-social/
Apesar de, originalmente, constituir-se em declaração pública de convicções religiosas, a “profissão de fé” vem servindo, através da história, para afirmar convicções políticas e ideológicas com vistas a resguardar o autor.
De Hitler a Stalin, os regimes autoritários sempre exigiram que as pessoas professassem sua fé em dogmas político-ideológicos obrigatórios, sob pena de expurgo ou até morte caso fossem suspeitas de pensar diferente da maioria oficial.
Um dos aspectos mais eloquentes da ascensão do fascismo em curso no Brasil é a necessidade que pessoas e instituições vêm demonstrando de fazer profissão de fé no criticismo a Dilma Rousseff e ao PT.
De um extremo a outro do espectro político, muitos sentem que têm que criticar a presidente da República e seu partido. Nesse processo, tanto a esquerda quanto a direita acabam professando as mesmas críticas.
Por exemplo: tornou-se obrigatório dizer que Dilma Rousseff geriu mal a economia e que é por isso que o desemprego e a inflação vêm subindo. Puxe pela memória e você descobrirá que essa crítica pode ser vista do PSDB ao PSOL, passando por setores do PT.
Para quem acompanha a política brasileira com olhos de ver, porém, essa é uma das críticas mais injustas que a presidente da República recebe.
Não existe paralelo na história recente do país de governos que sofreram tanta sabotagem quanto os de Lula e Dilma.
Enquanto os dois governos Fernando Henrique Cardoso afundaram apesar do apoio e da colaboração extrema da imprensa, do Judiciário, da Polícia Federal, do Congresso e da Procuradoria Geral da República, os governos do PT se viram alvo de uma campanha incessante para desacreditar tudo que fizeram ao longo dos últimos 12 anos.
O Programa de Aceleração do Crescimento, por exemplo, apesar da quantidade imensurável de realizações e do forte incremente que possibilitou à atividade econômica do país, sempre foi tratado como mera peça de marketing.
Programas exitosos como o Minha Casa, Minha Vida idem, apesar de o programa criado em 2009 já ter entregado (até março) 2,1 milhões de unidades e de ter mais de 1,6 milhão de casas e apartamentos contratados para construção.
O programa Mais Médicos, que logrou beneficiar 63 milhões de brasileiros – os quais, em grande parte, jamais tinham se consultado com um médico na vida –, é discutido na grande imprensa apenas pela ótica das condições de trabalho de parte dos médicos que emprega, os cubanos. E dane-se o benefício aos brasileiros pobres.
Nem os críticos de esquerda têm coragem de reconhecer que a situação política e econômica do país deriva de sabotagens infindáveis que vêm sendo praticadas contra os governos do PT desde 2005 e que, como foi previsto tantas vezes nesta página, acabaram surtindo efeito.
Na última quinta-feira, o programa eleitoral semestral do PT expôs a razão pela qual está sendo necessário fazer o ajuste fiscal, que une críticas idênticas da esquerda e da direita, ou seja, de que seria “estelionato eleitoral”.
O programa elencou a quantidade de reduções de impostos que o primeiro governo Dilma fez:
— 38 bilhões de reais de impostos foram cortados da folha de pagamento das empresas
— 17 bilhões de reais de impostos foram cortados da cesta básica
— 19 bilhões de reais de impostos foram cortados das pequenas empresas
— 32 bilhões de reais foi o tamanho da redução do IPI
Ao longo dos últimos anos, o governo brasileiro abriu mão de 106 bilhões de reais de impostos para estimular a atividade econômica. Enquanto isso, implantou programas custosos para manter a economia funcionando, como o PAC.
Em 2013, o governo reduziu de 20% a 30% o custo da energia elétrica. Os contratos com as empresas geradoras de energia haviam terminado e o novo preço autorizado pelo governo tinha que excluir a taxa de amortização de investimentos que esses contratos tinham, já que os custos dessas empresas com a construção das usinas já tinham sido amortizados.
Os aumentos da energia elétrica que vêm ocorrendo se devem exclusivamente à seca que se instalou no país e hoje estamos pagando praticamente o mesmo que pagávamos antes de o governo reduzir os preços para o consumidor, mas ninguém se lembra de quando esses preços baixaram, só de quando aumentaram.
Em 2012, Dilma fez bancos públicos liderarem queda nas taxas de juro ao consumidor. Essa política, ao lado da redução do preço da energia, foi considerada “esquerdista demais” pelo mercado e pela mídia enquanto a oposição de esquerda acusava o governo de ser “de direita”.
Até o início de 2013, o Brasil ia bem. Apesar dos vultosos gastos para manter a economia funcionando e para proteger o emprego e a renda, o investimento privado compensava. O Brasil atraía investimentos do mundo inteiro e do investidor nacional.
Por vinte centavos, porém, em junho daquele ano o país mergulharia em uma crise política que, hoje, está destruindo a economia.
As imagens das massas ensandecidas pelas ruas, incêndios, depredações, aquelas guerras campais desencadeadas para reduzir em alguns centavos o preço das passagens de ônibus em São Paulo, tiraram do país o instrumento que estava permitindo ao governo financiar políticas anticíclicas. O investidor tirou o pé do acelerador, parou no acostamento e não saiu mais.
Sem o investimento privado, os recursos do governo foram insuficientes para financiar aquelas políticas anticíclicas e as contas públicas começaram a naufragar.
Em 2014, os protestos contra a Copa do Mundo tiraram do país uma chance imensa de captar recursos do turismo. Brasileiros de esquerda e de direita começaram a produzir campanhas na internet, em vídeos bem elaborados, exortando os estrangeiros a não virem para o país porque, aqui, correriam até risco de morte devido à situação política.
Os governos do PT sofreram 12 anos de sabotagem ininterrupta. Porém, o bem-estar social que proporcionaram até 2014 foi suficiente para manter o povo ao lado de Lula e, depois, de Dilma.
Porém, como era absolutamente previsível – e isso foi dito aqui dezenas e dezenas de vezes desde 2005, quando esta página foi criada –, bastou a crise econômica internacional produzir efeitos internos e o governo não ter mais como distribuir bem-estar para que as oposições de direita e esquerda – e, principalmente, a oposição midiática – atingissem o objetivo de desmoralizar o governo petista e o PT.
Claro que houve casos de corrupção nos governos do PT, assim como existiram em governos anteriores desde o Descobrimento. A diferença é que Lula e Dilma inovaram, em relação aos antecessores, e jamais impediram investigações.
Nem o fato de que um dos principais opositores dos governos petistas na mídia internacional reconheceu publicamente que a presidente Dilma é responsável pelo enorme combate à corrupção que se vê hoje no país parece sensibilizar os críticos – à esquerda e à direita.
O jornal britânico Financial Times disse recentemente, em editorial, que Dilma “Tem tido uma postura inflexível” no combate à corrupção e que essa é “Uma ruptura muito bem-vinda em relação à atitude relaxada no que diz respeito à corrupção dos governos brasileiros” anteriores.
O jornal só pecou ao não reconhecer que essa postura do governo Dilma começou no governo Lula.
Mas como é possível que o governo que mais combateu a corrupção – e, nesse aspecto, o governo Dilma supera o de Lula – seja acusado justamente daquilo que combateu?
Os cínicos dizem que Dilma não combateu nada, que a Polícia Federal, o Ministério Público, a Controladoria Geral da União e tantos órgãos de controle são “órgãos de Estado” que atuariam independentemente da vontade do governo e que, por isso, este nada tem que ver com o intenso combate à corrupção, jamais visto na história do país.
Esses cínicos só não explicam por que PF, MPF, Justiça etc. nunca agiram com a mesma contundência no passado.
Alguns criminosos intelectuais chegam a dizer que é porque antigamente não havia “tanta corrupção”, quando se sabe que é justamente ao contrário, já que, no passado, o risco de existir uma Operação Lava Jato era ínfimo.
Lula e Dilma poderiam ter feito como FHC, por exemplo, que colocou o primo do seu vice-presidente na Procuradoria Geral da República e um colega de partido na Polícia Federal, mas, desde sempre, atuaram sob a convicção de que era preciso dar liberdade a toda e qualquer investigação de seus governos.
Quantos governos teriam resistido ao nível de sabotagem que os governos Lula e Dilma enfrentaram? Sem essas sabotagens, o país, hoje, não saberia o que é crise.
Aliás, se não existisse a atual crise política o país poderia já estar crescendo de novo e as agruras que este povo está enfrentando – e irá enfrentar ainda mais, se não colocarmos um fim a essa loucura – nem existiriam.
O mais patético é que, em toda parte, mesmo aqueles que sabem disso tudo que vai escrito acima já tratam de fazer suas profissões de fé no criticismo a Dilma e ao PT – pelo menos na esquerda Lula ainda é preservado.
A histeria coletiva tornou-se tão aguda que as pessoas que não se rendem à maioria já enfrentam problemas em seus círculos de relação social e até no âmbito profissional.
Amontoam-se os casos de pessoas que têm tido problemas em seus empregos por conta de suas posições políticas. Muitos dos que enxergam os fatos têm que adotar a autocensura para evitar demissão por questões políticas.
Cresce o número de pessoas que usam perfis falsos na internet para simplesmente dizerem o que pensam. E muitas nem isso fazem por medo de virem a ser descobertas.
Não é novidade, neste país, que as pessoas tenham medo de assumir seus pontos de vista. O Brasil já enfrentou muitos períodos em que não havia liberdade de pensamento e de expressão.
O que é doloroso é ver que muitos vão ainda mais longe e, por isso, não se contentam com o silêncio. Para se colocarem a salvo das patrulhas políticas na internet ou no mundo físico, tratam de professar algum nível de antipetismo, antidilmismo e, em menor grau, antilulismo.
A pressão é tanta que até no PT é possível ver esse tipo de coisa. Petistas esquecem reduções dos juros, do preço da energia, o protagonismo do Estado como investidor, os programas sociais e tratam de se unir à turba antipetista de esquerda que acusa o governo Dilma de adotar o programa dos adversários, como se ela não tivesse dito, durante a campanha do ano passado, que haveria que fazer um ajuste fiscal, mas que seria inferior ao que fariam um Aécio Neves ou uma Marina Silva.
Dilma não tenta fazer um ajuste igual ao que fariam os adversários da eleição passada. Alguém a viu propor independência do Banco Central ou interrupção dos aumentos reais do salário mínimo ou mesmo venda dos bancos públicos, como propuseram os adversários?
O mais desolador é que, além dos que temem repressão social e profissional, há os que simplesmente acham que se a maioria critica eles também têm que criticar.
Patético, não?
Os governos do PT fizeram o que foi possível fazer. O que está acontecendo na economia do país decorre de sabotagem. Além disso, Lula e Dilma combateram a corrupção como ninguém. Essa é a verdade, doa a quem doer.
Sempre que abrimos mão de nossas convicções por medo do que os outros pensam, tornamo-nos escravos. Cada vez que você critica Dilma ou o PT para não ser “governista demais”, abre mão de sua liberdade individual.
Odonir Oliveira
11 de agosto de 2015 12:06 pmO persistente bullying midiático sobre o PT
Do Jornal do Brasil
O persistente bullying midiático sobre o PT
Leonardo Boff
Há um fato inegável que após a reeleição da presidenta Dilma em 2014 irrompeu muita raiva e até ódio contra o PT e o atual governo. Atesta-o um ex-ministro do partido da oposição, do PSDB, Bresser Pereira, com estas contundentes palavras:
“Surgiu um fenômeno que eu nunca tinha visto no Brasil. De repente, vi um ódio coletivo da classe alta, dos ricos, contra um partido e uma presidente. Não era preocupação ou medo. Era ódio. Esse ódio decorreu do fato de se ter um governo, pela primeira vez, que é de centro-esquerda e que se conservou de esquerda. Fez compromissos, mas não se entregou. Continua defendendo os pobres contra os ricos. O ódio decorre do fato de que o governo revelou uma preferência forte e clara pelos trabalhadores e pelos pobres”(FSP 01/03/2015).
Este ódio foi insuflado fortemente pela imprensa comercial do Rio e de São Paulo, por um canal de TV de alcance nacional e especialmente por uma revista semanal que não costuma primar pela moral jornalística e, não raro, trabalha diretamente com a falsificação e a mentira. Esse ódio invadiu as mídias sociais e ganhou também as ruas. Tal atmosfera envenena perigosamente as relações sociais a ponto de que já se ouvem vozes que clamam pela volta dos militares, por um golpe ou por um impeachment.
Tal fato deve ser lamentado por revelar a baixa intensidade do tipo de democracia que temos. Sobretudo deve ser interpretado. Nem chorar nem rir, mas tentar entender.Talvez as palavras do ex-presidente Lula sejam esclarecedoras:
“Eles (as classes dirigentes conservadoras) não conseguem suportar o fato de que, em 12 anos, um presidente que tem apenas o diploma primário colocou mais estudantes na universidades do que eles em um século. Que esse presidente colocou três vezes e meia mais estudantes em escolas técnicas do que eles em 100 anos. Que levou energia elétrica de graça para 15 milhões de pessoas. Que não deixou eles privatizarem o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e os bancos do Espírito Santo, de Santa Catarina e do Piauí. Que nos últimos 12 anos nós bancarizamos 70 milhões de pessoas, gente que entrou numa agência bancária pela primeira vez sem ser para pagar uma conta. Acho que isso explica o ódio e a mentira dessas pessoas. Pobre ir de avião começa a incomodar; fazer faculdade começa incomodar; tudo que é conquista social incomoda uma elite perversa”(discurso no sindicato dos bancários do ABC no dia 24 de julho de 2015: Jornal do Brasil online de 25/07/2015).
Posso imaginar a enorme dificuldade que possuem as classes proprietárias com seus poderosos meios de comunicação de aceitar a profunda transformação que surgiu no país com o advento do PT, vindo de baixo, do seio daqueles que sempre estiveram à margem e aos quais se negaram direitos e plena cidadania. Como escreveu acertadamente o economista Ladislau Dowbor da PUC de São Paulo:
”Eles querem a volta ao passado, a restrição das políticas sociais, a redução das políticas públicas, o travamento da subida da base da pirâmide que os assusta”. E acrescenta: “A máquina administrativa herdada foi feita para administrar privilégios, não para prestar serviços. E os privilegiados a querem de volta”(Carta Maior, 22/09/2015).
Efetivamente, o que ocorreu não foi uma simples troca de poder mas a constituição de uma outra base de poder, popular e republicana que deu centralidade ao social, fazendo com que o estado, bem ou mal, prestasse serviços públicos, incluindo cerca de 40 milhões de pessoas, fato de magnitude histórica.
Para entender o fenômeno do ódio social socorrrem-nos analistas da violência na história. Recorro especialmente ao pensador francês René Girarad(*1923). Segundo ele, quando na sociedade se acirram os conflitos, o opositor principal consegue convencer os demais de que o culpado é tal e tal pessoa ou partido. Todos então se voltam contra ele, fazem-no de bode expiatório sobre o qual colocam todas as culpas e corrupções (cf. Le bouc émissaire, 1982). Assim desviam o olhar sobre suas próprias corrupções e, aliviados, continuam corrompendo e sendo corrompidos.
Ou pode-se atribuir aos acusadores aquilo que o grande jurista e politólogo alemão Karl Schmitt (+1986) aplicava a todo um povo. Este para “garantir sua identidade tem que identificar um inimigo e desqualificá-lo com todo tipo de preconceito e difamação” (cf.O conceito do político,2003). Ora, esse processo está sendo sistematicamente feito contra o PT, um verdadeiro bullying coletivo. Com isso procura-se invalidar as conquistas populares alcançadas e reconduzir ao poder aqueles que historicamente sempre estigmatizaram o povo como jeca-tatu e ralé e ocuparam os aparelhos de estado para deles se beneficiar.
Distorce minha intenção quem pensar que com o que escrevi acima estou defendendo os que do PT se corromperam. Devem ser julgados e condenados e, por mim, expulsos do partido.
O avanço do povo através do PT é precioso demais para que seja anulado. As conquistas devem continuar e se consolidar. Para isso é urgente desmascarar os interesses anti-populares, frear o avanço dos conservadores que não respeitam a democracia e que almejam a volta ao poder mediante algum tipo de golpe.
superperplexo
11 de agosto de 2015 11:42 amNOVAS MÃOS NAS PANELAS: PÉROLA DE JANIO FREITAS
PÉROLA DE JANIO DE FREITAS
Folha, 11/8/15
“A adoção do panelaço pinochetista não proporciona só uma sonoridade mais popular à pregação do impeachment de Dilma.
Trouxe também uma experiência nova a muitas dondocas: puseram a mão em panela…
BRAGA-BH
11 de agosto de 2015 12:24 pm“Gritaria no hospício da Câmara” e panelaços não valem para dest
“Gritaria no hospício da Câmara” e panelaços não valem para destituir Dilma, diz Delfim
Postado em 11 de agosto de 2015 às 9:05 am
De Delfim Netto, no Valor:
É tempo de todos colocarmos de lado o pensamento mágico e colaborarmos para o bom funcionamento das sólidas instituições que construímos. É preciso respeitar um mínimo da lógica econômica que tem sido usada nos últimos cem anos em todas as sociedades relativamente civilizadas: produz uma módica liberdade de iniciativa individual, uma progressiva igualdade de oportunidades e alguma eficiência produtiva, que é a possibilidade de fruição das outras duas
É preciso incorporar o fato que quem foi eleito legitimamente (e Dilma o foi!) só pode ser privado da missão que recebeu da maioria nas urnas com a mais rigorosa observância do rito constitucional, e uma vez provado materialmente que cometeu, ou se beneficiou, de eventual desvio de função. A “vontade” expressa nas amostragens da opinião pública, por mais exatas e fiéis que sejam; a “gritaria raivosa” no hospício a céu aberto da Câmara dos Deputados; as “passeatas cívicas” dominicais e os “panelaços mal-educados” das zonas abastadas podem pretender revelar o “espírito da sociedade” com relação ao governo. São, entretanto, absolutamente inservíveis como prova para aquela finalidade.
(…)
O brasileiro não tem mais tempo para continuar paralisado ou meter-se em novas experiências políticas e econômicas. Ele sabe que está ameaçado de perder o seu emprego, e, assim, de destruir sua família. Sente o risco de ser empurrado para uma correção de rumo fora do controle do governo com a perda do grau de investimento pelo país.
É tempo, pois, de a presidente Dilma reafirmar o seu caráter e recuperar o seu protagonismo. De apresentar à sua “base” um conjunto de projetos fundamentais nos campos orçamentário, tributário, trabalhista, previdenciário, e de cooptar o Congresso para enfrentar os graves obstáculos que consomem a energia do nosso crescimento inclusivo e e sustentável. Em benefício do próprio Legislativo, aliás, que terá a oportunidade de recuperar, também, algum respeito da sociedade.
(…)
O ideal para o futuro do Brasil é que Dilma recupere o prestígio e o respeito que recebeu da maioria absoluta dos votos válidos no processo eleitoral. Qualquer outra solução fora da rigorosa disciplina constitucional será um atraso institucional e será ineficiente. Os mesmos problemas (como por exemplo, o desequilíbrio fiscal “estrutural”, que explodiu no seu colo, mas não foi apenas obra sua) vão continuar. Não serão resolvidos enquanto a sociedade não entender que precisa mobilizar-se para pressionar o Executivo e o Legislativo, independentes mas cooperativos e harmônicos, para que cada um cumpra o seu papel nas mudanças institucionais que o Brasil precisa, mas às quais se opõem as minorias organizadas próximas do poder incumbente eventual. Elas adquiriram “direitos palpáveis” à custa dos abstratos “direitos difusos” da ingênua maioria.
Edivaldo Dias Oliveira
11 de agosto de 2015 2:21 pmProvedor brazuca. Vamos testar?
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Edivaldo Dias Oliveira
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Com a ferramenta, quando um usuário pesquisa algum produto em uma grande loja de e-commerce brasileira, ele consegue verificar automaticamente o preço do mesmo item em outras diversas lojas virtuais concorrentes.
Além disso, o navegador é mais leve e rápido que os demais. Em média, o Aurora Browser utiliza 1/10 da memória RAM utilizada pelo Chrome para executar a mesma tarefa. Ele conta com um adblocker também já embutido, que permite ocultar anúncios de publicidade – e que promete causar grandes problemas jurídicos para quem a usar.
Outras funções, como o controle de som para que nenhum site atrapalhe a música executada no computador, o gerenciamento de downloads e a possibilidade de salvar qualquer página aberta como imagem em apenas um clique também estão disponíveis.Quando baixado, ele ocupa apenas 2 MB de memória do computador, enquanto o Google Chrome utiliza 41 MB.
O Aurora Browser foi desenvolvido pelos empreendedores Zhen Zhang e Rafael Costa e está em parceria com a Lomadee, que fornece o serviço de comparação de preços. ”Ao disponibilizar este serviço, queremos ser reconhecidos como uma empresa que ajuda as pessoas a economizarem, além de oferecer um navegador leve, rápido e seguro, que segue os padrões mais elevados de inovação, segurança e privacidade”, argumenta Zhang.
O navegador está disponível em inglês e português e pode ser baixado em seu site.
Avelino de Oliveira
11 de agosto de 2015 10:52 pmOi Edivaldo
Já estou com o
Oi Edivaldo
Já estou com o navergador.
Estou experimentando.
Valeu.
Saudações
Cris Kelvin
11 de agosto de 2015 4:59 pmCom golpe, PSDB poderá não voltar ao poder em 2018
Afagando Cérbero – A oposição e o imponderável
por Mauro Santayana – 10/08/2015
Talvez influenciado pelo fato de estar sendo entrevistado por uma publicação estrangeira – em certos países e organismos multilaterais se conhece bem os avanços alcançados pelo Brasil nos últimos anos – o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou, para a revista alemã Kapital, que a Presidente Dilma Roussef é “honrada”, e que o ex-presidente Lula é um líder “popular” cuja prisão, caso viesse a acontecer, poderia dividir o país.
Foi o que bastou para que fosse imediatamente execrado pela parcela da opinião pública que ocupa, destilando bílis, os sites e portais mais reacionários – para dizer o mínimo – da internet brasileira.
O que importa, não é saber – embora torçamos para que isso tenha ocorrido – se FHC foi sincero em suas considerações sobre a Presidente Dilma, e, sim, prestar atenção à verdadeira avalanche de estupidez que suscitaram suas palavras.
“Doido”, “senil”, “demente”, “gagá”, “caduco”, “bipolar” – odioso, preconceituoso e covarde, o fascismo despreza e confunde a idade com fraqueza e costuma ser particularmente impiedoso com os mais velhos, as mulheres e as crianças – “doente de Alzheimer”, e o já tradicional apelo do “morre de uma vez” (como fez o “educado” internauta que atende por Paulo Votan, acima, no print que precede este texto) foram alguns dos epítetos lançados pela malta nos grandes portais da internet, contra o ex-presidente da República. Outros o acusaram de “pateta”, “traidor”, “idiota”, “maconheiro”, “THC”- lembrando sua defesa da descriminalização da Cannabis – e de “cara de pau”, “sem-vergonha”, e ladrão – acusando-o de estar “roubando também”, ou de já ter se encontrado secretamente com Lula para conchavos.
E os mais “espertos”, a serviço da nefasta “via alternativa”, que espreita, como hiena, nos meandros da história, os países que se rendem aos que fomentam o caos e a cizânia, preferiram, como sempre, aproveitar a oportunidade para intensificar os ataques contra a democracia – “político é tudo lixo”, “farinha do mesmo saco”; defender a violência: “é preciso amarrar a boca do saco”, “matar todo mundo a paulada” e “jogar o saco no rio”; e propagar a teoria – esse é “esquerda caviar”, “comunista enrustido” – da conspiração, segundo a qual PT e PSDB representariam, na verdade, duas faces da mesma moeda, da “tática da tesoura stalinista”, de disfarçar parte da esquerda como direita; tomariam parte da estratégia de conquista da hegemonia, por meios pacíficos e “gramscianos”, do poder, e atuariam seguindo os padrões do “marxismo cultural”, como fantasiam, e pregam certas correntes da imbecilidade neo-direitista antinacional. Tudo isso coroado pelos pedidos de instalação no país de nova ditadura – agora com caráter “policial-jurídico-militar” – e os indefectíveis slogans da campanha – que já está no ar há muito tempo – de BOLSONARO 2018 para a Presidência da República.
Na página do ex-capitão do Exército, no Facebook, por exemplo – que, significativamente, já tem mais de 3 vezes o número de curtidas (1.5 milhão contra 450.000) que a página oficial de FHC, o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso aparece como defensor das drogas ao lado do ex-presidente uruguaio José Mujica, em contraponto ao próprio Deputado Bolsonaro, que se destaca, convenientemente, à direita, ao lado da figura do Presidente da Indonésia – país que pune o tráfico com a pena de morte – Joko Vidodo (que é, na verdade, um fabricante e exportador de móveis) em uniforme militar.
Em outras páginas – e cabeças – aparecem, como se fosse normal, propostas de se identificar e eliminar, no nascimento, no futuro, bebês que tenham propensão criminosa; de se substituir o povo por “Deus” no parágrafo único do Artigo Primeiro, que define a fonte do poder do Estado no texto constitucional; de se punir com até 3 meses de prisão professores que abordem assuntos políticos na sala de aula; de se submeter as decisões do Supremo Tribunal Federal a igrejas, depois de já aprovada, por iniciativa do Senhor Eduardo Cunha, a isenção de impostos no “repasse” de dinheiro a pastores, como se, em pleno século XXI, tivéssemos entrado em uma máquina que nos teletransportasse, em um piscar de olhos, para um hospício, ou, de volta, no tempo, para mais ou menos 100 anos atrás.
Enquanto o setor de óleo e gás – de alta tecnologia – corre o risco de desmantelamento, a indústria naval é destruída, com o fechamento de vários estaleiros, a indústria de defesa se desarticula, com seus principais projetos sendo ameaçados, e as maiores empresas do Brasil são arrebentadas, milhares de seus fornecedores quebram, e se pretende impor a elas multas absurdas de bilhões de reais – para que não sobre pedra sobre pedra – eliminando-se milhares de empregos, brasileiros que fazem questão de ignorar que ainda somos – apesar de tudo – a oitava economia do mundo e o terceiro maior credor individual externo dos Estados Unidos, e que o nosso desemprego é de um terço de países como a Espanha, e nossa inflação a metade do que era há pouco mais que uma década, comemoram em grupos como o Direitas Já, Direita Brasil, Direita Conservadora, Direita Realista, Direita Política, Tradutores de Direita, Direita Forte, Rede da Direita Nacional, Canal de Direita, Professores de Direita, Direita Atual, Direita Ocidental, Extrema Direita Nacionalista Brasileira, Linhas Direitas, Jovens de Direita, Militantes de Direita, Garotas Direitas, Sou de Direita, Extrema-Direita, Direita Unida, Direita Única, Direita Blindada, Direita Conservadora, Direita Brasil, Rua Direita, Direita Nacional Brasileira, Vem pra Direita Brasil, Skins Direitista (sic) e dezenas de outras comunidades menores, os problemas do país, torcendo, muitas vezes abertamente, pela derrocada da Nação, a quebra do Estado de Direito e a inviabilização da economia e da governabilidade.
É principalmente quado o tufão se aproxima, que é preciso escutar a voz da razão.
A reação – nos dois sentidos – contra as declarações de Fernando Henrique Cardoso na internet é apenas a ponta do iceberg de um quadro claro, para o qual os setores mais influentes da sociedade brasileira ainda não acordaram – ou só estão começando – talvez tardiamente – a atentar. O PSDB corre grandes riscos se não souber corrigir o rumo de sua nau em meio à tempestade que ele mesmo ajudou a conjurar, e mesmo com o risco de perder o mandato, já existe quem esteja, como a Senadora Lúcia Vânia, de Goiás, tomando a decisão de abandonar esse barco no meio do caminho, alegando não acreditar em uma “oposição movida a ódio”, e fazendo apelo a mais “equilíbrio e sensatez”, diante da gravíssima situação política que está sendo enfrentada pelo país.
Ao embarcar na “direitização” da classe média, e endossar, de forma atravessada, indireta, e, eventualmente, interesseira, o discurso da exageração da crise, da criminalização dos políticos, da judicialização da política, e da repetição da irresponsável e continua multiplicação, à estratosfera, de cifras (da ordem de dezenas, centenas, de bilhões de reais) em pseudo prejuízos da corrupção que não correspondem aos fatos nem às provas efetivamente, inequivocamente, colhidas até agora, o PSDB – deixando-se seduzir pelas perspectivas do caos – está brincando de afagar as cabeças de Cérbero – o cão mitológico que guarda a passagem para Hades – na ante-sala do inferno.
Mais importante do que se haverá ou não impeachment, é o Brasil que sobrará desse processo.
A História avança em ciclos.
Ciclos que, depois de iniciados, dificilmente são detidos, e que cobram pesados tributos, em atraso e em sangue, antes de que venham a se encerrar.
É preciso que as lideranças tucanas percebam – e há outras personalidades que também foram lembradas – e muitas vezes criticadas – nos ataques da direita radical contra FHC esta semana, que o imponderável é – por sua própria natureza – incontrolável e voraz. E que, ao abrir a porta para o desconhecido, o PSDB poderá não voltar ao poder em 2018.
Pelo contrário.
Existe uma grande chance de que venha a entregar o país – ou boa parte dele – ao fascismo, e de que venha a ser vitimado, mais cedo do que tarde, pelo fascismo, da mesma forma que ocorre com o PT.
maurosantayana.com
BRAGA-BH
11 de agosto de 2015 6:31 pmO país do futuro está apaixonado pelo seu passado
O país do futuro está apaixonado pelo seu passado
De Reitor On Line
Se há uma sensação coletiva que se possa chamar de generalizada neste momento no Brasil é a de que, mais uma vez, o almejado futuro não se materializou. Ou seja, o sonhado desenvolvimento econômico, social, ambiental e cultural sustentável dá espaço ao sabor de frustração e ficamos, os mais otimistas, no aguardo de um novo ciclo, cuja data de inauguração não foi sequer anunciada.
Sabemos crescer, mas não sabemos fazê-lo de forma sustentável. Temos uma riqueza natural e humana reconhecida mundialmente, mas ela parece periodicamente perder para nossas fragilidades. Identificar as complexas causas das recorrentes derrotas é tarefa hercúlea e fruto de muita controvérsia. Tal cenário, onde a esperança parece adormecida, é acompanhado de modesta inspiração para produção cultural.
Um destacável reflexo de nossa pobreza cultural contemporânea são nossos olhos voltados ao passado como nunca. A ausência de aderência ao presente e a falta de perspectiva de futuro próximo nos faz estimular no mundo da cultura um evidente apego sem precedentes pelo passado.
No campo da música, jamais se ouviu com tanto vigor os artistas das décadas de 60 e 70. Mesmo entre os mais jovens, muitos findam por estabelecer entre seus ídolos aqueles mesmos que foram de seus pais, refletindo possivelmente que temos uma geração tímida de novos artistas.
No teatro, particularmente os musicais, exatamente onde o Brasil mais avançou, é sintomático que quase todos os grandes sucessos dos últimos anos estejam dedicados a recuperar a vida de artistas antigos, a exemplo de Tim Maia, Elis Regina, Cazuza, Chacrinha, Simonal, Raul Seixas, Cássia Eller, Imperial e tantos outros. Isso tudo talvez reflita um país desgostoso com seu presente, sem claras perspectivas para seu futuro e buscando no seu passado recente motivos para continuar a crer na sua história.
No cinema mesmo com novidades pontuais de valor na praça, a revalorização recente de personagens antigos como José Mojica Marins, o famoso Zé do Caixão, é sintoma claro da possível ausência de produção atual mais significativa, em profundo contraste com a pujança da vizinha Argentina nesta área. Neste caso específico, evidenciando que nem sempre as crises econômicas estejam irremediavelmente associadas à pobreza de produção cultural, mas no Brasil, infelizmente, amargamos a possibilidade de estarmos vivendo todas elas simultaneamente.
Ainda que não seja o objetivo deste breve texto apontar possíveis causas, dado que por serem múltiplas e complexas qualquer simplificação estaria errada ou insuficiente, não há como não perceber que falhamos, ao menos parcialmente, na educação. Nesta área tivemos sim sucessos, inegáveis por sinal, como universalizar a educação fundamental, ampliar de forma significativa o acesso ao ensino superior ou a construção eficiente de um respeitável sistema nacional de pós-graduação.
Por outro lado, claramente falhamos em conjugar qualidade e quantidade. Quando universalizamos ou ampliamos de forma significativa, o fizemos com rebaixamento de qualidade. Quando ofertamos qualidade, o fizemos para poucos, muito poucos. A inovação que deixamos de criar foi ofertar qualidade para muitos. Esta sim, a meu ver, se não é a única, é a principal razão da sensação de fracasso que nos move a olhar para trás e de forma saudosista pedir mais uma chance de sermos, mais uma vez, o país do futuro.
Cris Kelvin
11 de agosto de 2015 6:40 pmPacto é colocar o colocar o bem do povo acima de qualquer intere
Em entrevista concedida ao Correio Brasiliense, o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e arcebispo de Brasília, dom Sergio da Rocha considera missão da Igreja participar da política, com propósitos baseados na ética e no bem comum, diferentemente dos interesses partidários e corporativos que ditam governos e campanhas eleitorais. Em tempos de crise, segundo ele, a Igreja tem de exercer o papel de profeta: questionar, transformar, sem receio de desagradar ao senso comum. Esse posicionamento explica a decepção com a atabalhoada reforma política conduzida no Congresso — “a gente esperava muito mais” — e a ressalva ao pacto pela governabilidade — “Um pacto não vai deixar de lado, por exemplo, a luta contra a corrupção”.
(trechos da entrevista)
A CNBB se posicionou firmemente em favor da reforma política. Houve avanço?
A gente esperava muito mais. O assunto merecia ser muito mais discutido pela sociedade civil organizada. É claro que se trata de um tema complexo, permite diferentes posturas, mas não quer dizer que não era importante. Ou que a Igreja não tinha nada a ver com isso. É claro que a Igreja tem a ver com isso! Ninguém é cristão apenas dentro da Igreja, só dentro do templo. Nós somos cristãos fora dele, no dia a dia. A Igreja não pode ficar só na sacristia. Tem de sair, ir ao encontro das pessoas. Precisa ter a palavra dela. Não sei se o projeto da reforma política ainda consegue avançar, mas pelo nível da tramitação, é difícil esperar muito mais. E não é porque um assunto está há muito tempo no Congresso que ele deve ser resolvido logo. Por mais urgente que seja, se não há uma participação maior da sociedade, fica difícil ter esperança de que um projeto vai realmente atender à necessidade da população. É preciso escutar mais para tomar decisões sábias.
A corrupção é outro grave problema?
A corrupção também poderia ser superada com a ajuda de uma reforma política. Poder-se-ia ao menos prever melhor medidas que ao menos ajudariam a superar o problema da corrupção, que é uma praga. O próprio papa Francisco diz que a corrupção é uma praga que clama aos céus. É algo que destrói a vida das pessoas. O processo ainda não está concluído no Congresso; portanto, ainda não se pode perder a esperança.
O que fazer para melhorar?
Esse campo é muito delicado, qualquer coisa que se afirme é motivo de controvérsia. Por isso, a CNBB não dogmatizou a questão. Alguns entenderam de uma forma que não era adequada. A igreja não se manifestou ameaçando ninguém. Na verdade, era uma ocasião para refletir, para se informar mais, para participar mais da vida política. Política no Brasil está muito restrita a partidos. Não se pode ficar refém de partidos. O povo, as comunidades têm de participar. No caso da Igreja, é claro que não temos postura político-partidária. Insistimos na importância da participação. Por exemplo, a questão do financiamento de campanha: esse é ponto que precisa ser mais bem considerado. Converse com as pessoas — não precisa ser um especialista — e diga que uma determinada empresa ofereceu milhões para um determinado candidato. Nunca ouvi ninguém dizer que acreditava que isso era por patriotismo.
O poder econômico interfere?
Não estou dizendo que está tudo errado. Estou dizendo que, no mínimo, é de se questionar as intenções. Com tantas necessidades no país, com tantas obras assistenciais precisando de dinheiro, como é que alguém vai entender que uma empresa oferece tanto? A gente tem visto que, no fundo, essa questão tem, sim, relação com a corrupção.
A empresa deve doar?
A CNBB foi uma das mais de cem entidades que participaram dessa coalizão em favor da reforma política. Ali a postura é contrária ao financiamento por parte de empresas. Se não se criar uma nova forma de fazer política no Brasil, é muito complicado a gente continuar com esse esquema baseado em interesse mais particular, de grupos, de bancada. Precisamos criar mecanismos legais para que a política, os políticos, as autoridades coloquem o bem comum acima de tudo. Muitas vezes vemos brigas tremendas, mas nem sempre esses conflitos são por causa do bem do povo. São por interesses de grupos. Seria bom que brigassem por interesse público.
O movimento do Ministério Público e da Polícia Federal, com a Operação Lava-Jato, é uma tentativa de mudança para que a corrupção não continue sendo uma praga?
Creio que essas entidades têm dado um contribuição muito importante. Permitem uma nova maneira de pensar política, de fazer política, de resgatar a ética. Esperamos que possa surgir um novo modo de fazer política desse processo doloroso que estamos vivendo.
Alguns grupos falam em um grande pacto para manter a governabilidade. A CNBB está pronta a integrar algum desses grupos?
Depende do que se entende por pacto, que é uma palavra de múltiplos significados. Hoje nós estamos em um momento de polarização política muito forte e com uma diversidade muito grande de partidos. Temos contato com diversas autoridades, inclusive a presidente da República. Tivemos esse momento inicial de diálogo e continuamos dispostos a dialogar para buscar o melhor ao nosso povo. Mas creio que qualquer pacto jamais vai sacrificar a verdade ou a justiça. Ao contrário, um pacto não vai deixar de lado, por exemplo, a luta contra a corrupção. O que significa, então, esse pacto? É colocar o bem do povo acima de qualquer interesse particular, partidário etc. Preocupa muito esse jeito corporativista de fazer política.
Está cada vez mais arraigado?
Sim, e com isso fica muito difícil superar aquilo que está na raiz da corrupção, que é esse tomá lá dá cá. A coisa pública fica em um segundo plano, e os interesses partidários, pessoais ou de grupos prevalecem. Sempre haverá a necessidade de vigilância, com a Justiça Eleitoral e a Polícia Federal, por exemplo. Mas eu diria que o primeiro juiz deveria ser o eleitor. Se o povo tivesse um pouco mais de discernimento na época da eleição, daria menos trabalho para a Justiça Eleitoral. Se o primeiro tribunal fosse a consciência do eleitor, restaria menos trabalho para os tribunais que cuidam de tudo isso. É lógico que nunca haverá eleitores perfeitos, com discernimento pleno. Mas nada exclui de ter uma reflexão mais séria.
A Igreja pode ajudar nisso. Na verdade, sempre ajudou.
A Igreja ajuda, e alguns até acham que a CNBB ajuda demais, que ela interfere além da conta. A CNBB não tem postura político-partidária. Se um ponto ou outro de seu ensinamento e de suas práticas coincidir com a de algum partido, não é por opção nossa. A CNBB, desde os seus inícios, foi objeto de questionamento, de discordância. Em outros períodos da nossa história, a CNBB também era questionada, e sempre será. Mas, se ela for questionada por fidelidade a Cristo, a valores éticos, é até melhor.
BRAGA-BH
11 de agosto de 2015 6:42 pmEnvolvida no cartel do Metrô pode deixar o Brasil
Envolvida no cartel do Metrô pode deixar o Brasil
Cris Kelvin
11 de agosto de 2015 6:48 pmPacto é colocar o colocar o bem do povo acima…
…de qualquer interesse particular, partidário, diz presidente da CNBB
11/08/2015
Em entrevista ao Correio Brasiliense, o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e arcebispo de Brasília, dom Sergio da Rocha disse que considera missão da Igreja participar da política, com propósitos baseados na ética e no bem comum, diferentemente dos interesses partidários e corporativos que ditam governos e campanhas eleitorais. Em tempos de crise, segundo ele, a Igreja tem de exercer o papel de profeta: questionar, transformar, sem receio de desagradar ao senso comum. Esse posicionamento explica a decepção com a atabalhoada reforma política conduzida no Congresso — “a gente esperava muito mais” — e a ressalva ao pacto pela governabilidade — “Um pacto não vai deixar de lado, por exemplo, a luta contra a corrupção”.
(trechos da entrevista)
A CNBB se posicionou firmemente em favor da reforma política. Houve avanço?
A gente esperava muito mais. O assunto merecia ser muito mais discutido pela sociedade civil organizada. É claro que se trata de um tema complexo, permite diferentes posturas, mas não quer dizer que não era importante. Ou que a Igreja não tinha nada a ver com isso. É claro que a Igreja tem a ver com isso! Ninguém é cristão apenas dentro da Igreja, só dentro do templo. Nós somos cristãos fora dele, no dia a dia. A Igreja não pode ficar só na sacristia. Tem de sair, ir ao encontro das pessoas. Precisa ter a palavra dela. Não sei se o projeto da reforma política ainda consegue avançar, mas pelo nível da tramitação, é difícil esperar muito mais. E não é porque um assunto está há muito tempo no Congresso que ele deve ser resolvido logo. Por mais urgente que seja, se não há uma participação maior da sociedade, fica difícil ter esperança de que um projeto vai realmente atender à necessidade da população. É preciso escutar mais para tomar decisões sábias.
A corrupção é outro grave problema?
A corrupção também poderia ser superada com a ajuda de uma reforma política. Poder-se-ia ao menos prever melhor medidas que ao menos ajudariam a superar o problema da corrupção, que é uma praga. O próprio papa Francisco diz que a corrupção é uma praga que clama aos céus. É algo que destrói a vida das pessoas. O processo ainda não está concluído no Congresso; portanto, ainda não se pode perder a esperança.
O que fazer para melhorar?
Esse campo é muito delicado, qualquer coisa que se afirme é motivo de controvérsia. Por isso, a CNBB não dogmatizou a questão. Alguns entenderam de uma forma que não era adequada. A igreja não se manifestou ameaçando ninguém. Na verdade, era uma ocasião para refletir, para se informar mais, para participar mais da vida política. Política no Brasil está muito restrita a partidos. Não se pode ficar refém de partidos. O povo, as comunidades têm de participar. No caso da Igreja, é claro que não temos postura político-partidária. Insistimos na importância da participação. Por exemplo, a questão do financiamento de campanha: esse é ponto que precisa ser mais bem considerado. Converse com as pessoas — não precisa ser um especialista — e diga que uma determinada empresa ofereceu milhões para um determinado candidato. Nunca ouvi ninguém dizer que acreditava que isso era por patriotismo.
O poder econômico interfere?
Não estou dizendo que está tudo errado. Estou dizendo que, no mínimo, é de se questionar as intenções. Com tantas necessidades no país, com tantas obras assistenciais precisando de dinheiro, como é que alguém vai entender que uma empresa oferece tanto? A gente tem visto que, no fundo, essa questão tem, sim, relação com a corrupção.
A empresa deve doar?
A CNBB foi uma das mais de cem entidades que participaram dessa coalizão em favor da reforma política. Ali a postura é contrária ao financiamento por parte de empresas. Se não se criar uma nova forma de fazer política no Brasil, é muito complicado a gente continuar com esse esquema baseado em interesse mais particular, de grupos, de bancada. Precisamos criar mecanismos legais para que a política, os políticos, as autoridades coloquem o bem comum acima de tudo. Muitas vezes vemos brigas tremendas, mas nem sempre esses conflitos são por causa do bem do povo. São por interesses de grupos. Seria bom que brigassem por interesse público.
O movimento do Ministério Público e da Polícia Federal, com a Operação Lava-Jato, é uma tentativa de mudança para que a corrupção não continue sendo uma praga?
Creio que essas entidades têm dado um contribuição muito importante. Permitem uma nova maneira de pensar política, de fazer política, de resgatar a ética. Esperamos que possa surgir um novo modo de fazer política desse processo doloroso que estamos vivendo.
Alguns grupos falam em um grande pacto para manter a governabilidade. A CNBB está pronta a integrar algum desses grupos?
Depende do que se entende por pacto, que é uma palavra de múltiplos significados. Hoje nós estamos em um momento de polarização política muito forte e com uma diversidade muito grande de partidos. Temos contato com diversas autoridades, inclusive a presidente da República. Tivemos esse momento inicial de diálogo e continuamos dispostos a dialogar para buscar o melhor ao nosso povo. Mas creio que qualquer pacto jamais vai sacrificar a verdade ou a justiça. Ao contrário, um pacto não vai deixar de lado, por exemplo, a luta contra a corrupção. O que significa, então, esse pacto? É colocar o bem do povo acima de qualquer interesse particular, partidário etc. Preocupa muito esse jeito corporativista de fazer política.
Está cada vez mais arraigado?
Sim, e com isso fica muito difícil superar aquilo que está na raiz da corrupção, que é esse tomá lá dá cá. A coisa pública fica em um segundo plano, e os interesses partidários, pessoais ou de grupos prevalecem. Sempre haverá a necessidade de vigilância, com a Justiça Eleitoral e a Polícia Federal, por exemplo. Mas eu diria que o primeiro juiz deveria ser o eleitor. Se o povo tivesse um pouco mais de discernimento na época da eleição, daria menos trabalho para a Justiça Eleitoral. Se o primeiro tribunal fosse a consciência do eleitor, restaria menos trabalho para os tribunais que cuidam de tudo isso. É lógico que nunca haverá eleitores perfeitos, com discernimento pleno. Mas nada exclui de ter uma reflexão mais séria.
A Igreja pode ajudar nisso. Na verdade, sempre ajudou.
A Igreja ajuda, e alguns até acham que a CNBB ajuda demais, que ela interfere além da conta. A CNBB não tem postura político-partidária. Se um ponto ou outro de seu ensinamento e de suas práticas coincidir com a de algum partido, não é por opção nossa. A CNBB, desde os seus inícios, foi objeto de questionamento, de discordância. Em outros períodos da nossa história, a CNBB também era questionada, e sempre será. Mas, se ela for questionada por fidelidade a Cristo, a valores éticos, é até melhor.
http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica/2015/08/11/internas_polbraeco,494117/presidente-da-cnbb-o-povo-ja-nao-aguenta-mais-tanta-corrupcao.shtml
alfeu
12 de agosto de 2015 12:24 am*
Trabalhadores filmam chegada da água na Transposição do São Francisco – vídeo
Conexão Jornalismo
http://www.conexaojornalismo.com.br/colunas/verde/agua/trabalhadores-filmam-chegada-da-agua-na-transposicao-do-sao-francisco-video-33-40200
Da Redação
Havia muita expectativa quanto ao momento da chegada do primeiro jato d’água na polêmica Transposição do Rio São Francisco para canais. E com humor e algum grau de tensão os trabalhadores da obra registraram em vídeo este momento que compartilhamos agora com você.
[video:http://youtu.be/XUP6q1AU24I align:center]
Os testes de bombeamento de água do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF) estão acontecendo no município de Floresta (PE). Cumprindo o cronograma oficial de andamento das obras, os testes fazem parte da Meta 1 do PISF, que compreende a captação no reservatório de Itaparica até o reservatório Areias, ambos em Floresta (PE).
Em agosto deste ano foram abertas as ensecadeiras (barramento), enchendo os canais até as primeiras Estações de Bombeamento (EB) dos dois eixos do projeto: Norte e Leste. Até o final de 2014 a Meta 1 (Meta Piloto) estará em pré-operação, o que significa que os sistemas, equipamentos e estrutura estão em preparação para a futura operação comercial.
Atualmente, as obras do PISF tem 64,6% de execução física e a sua conclusão está prevista para dezembro de 2015. Mais de 11.180 trabalhadores estão contratados para atuarem no empreendimento. São 4.050 máquinas em funcionamento ao longo dos 477 km de extensão das obras.
Os dois eixos do Projeto de Integração do Rio São Francisco tem 477 quilômetros de extensão, sendo 260 quilômetros no Eixo Norte e 217 quilômetros no Eixo Leste. A obra está com um total de 76,7% de execução, segundo o ministério, e previsão de chegar a 78% neste mês. Do orçamento total de R$ 8,2 bilhões, mais de R$ 6,5 bilhões já foram aplicados, sendo R$ 1 bilhão liberado somente neste ano pela pasta.
[video:http://youtu.be/5y5EL-nSQ_s align:center]
[video:http://youtu.be/3thEgKrjzLs align:center]