Alô meninas, agora vocês tem o acessório perfeito para ter o seu vinho preferido pertinho de você. Se você gosta de tomar um vinho na praia, no jantar com amigos ou restaurante e não quer pagar caro pelo vinho, seus problemas acabaram. Chegaram as lindas bolsas Wine Purses que permitem, levar três litros de vinho de forma discreta e segura. Diversos tipos de bolsa estão à venda.
A fabricante americana é do Estado de Winsconsin e desenvolveu o produto para atender exatamente a necessidade de quem quer tomar um vinho em qualquer lugar sem pagar caro. A Kari Kussow desejava uma maneira de levar seu vinho para onde quisesse e pediu ao seu marido para achar uma solução. Ele que é do ramo pegou o estilete e desenvolveu estas lindas bolsas, usando o sistema do “bag in box”. Todas feitas à mão e o saco de vinho é reutilizável. Mas atenção não o vinho deve ser consumido em dois a três dias. Você enche seu saco de vinho e coloca-o na bolsa. Afinal, é bem mais barato comprar o vinho na loja ou supermercado do que na maior parte dos restaurantes. Mas ele é útil também em locais onde é difícil encontrar o precioso néctar. Santé. O sistema é inspirado no bag in box, onde um saco protege o vinho e tem torneira.
PT: um sonho à procura dos seus personagens, por Saul Leblon
Carta Maior
12/08/2015 00:00
PT: um sonho à procura dos seus personagens
A operação em curso quer fazer esquecer toda a história do PT e colar na sigla a imagem de única responsável pelas tragédias da democracia brasileira.
por: Saul Leblon
Florestan Fernandes, que o Brasil perdeu há vinte anos (10-08-1995), dizia que o seu socialismo era a democracia levada às últimas consequências. Uma democracia para valer, uma democracia de todos. Sobretudo para todos.
O marxista que foi professor de Fernando Henrique Cardoso, entre outros, rompeu com o pupilo a quem ironizava a pretensão de ser um cavalo de Tróia das elites –querer reformar o capitalismo por dentro, em parceria com seus donos.
De origem humilde, Florestan começou a trabalhar aos seis anos. A pobreza afastou-o da escola aos nove, para devolve-lo só aos 17. Em 1943 estava formado: sociólogo.
Autor de 53 livros, foi cassado e exilado. A filiação ao PT só aconteceria em 1986, seis anos após a criação do partido, do qual foi deputado constituinte em 1988, sendo reeleito para um segundo mandato, que exerceu até perto de falecer, em 1995.
Referência da sociologia crítica, Florestan tinha muito claro o que significava uma democracia para valer.
Direitos, naturalmente.
Mas acima de tudo: conquistas transformadoras.
Quais?
Todas as necessárias para reunir o poder indispensável capaz de alterar ‘estruturas, ritmos e funções da economia’ –como lembra um trabalho do pesquisador Marcos Marques Moreira, (‘Professor Florestan e as lições que o PT esqueceu’).
Florestan dizia que esse deveria ser –‘sempre’— o norte do partido: ‘uma democracia de todos para todos’.
Levar o ‘poder do povo, para o povo, pelo povo’ às últimas consequências, em uma sociedade marcada por 388 anos de sistema escravocrata, não era assunto para retórica ou vacilações.
O sociólogo enxergava nisso a carne e o osso, o corpo e a alma, os nervos e músculos que poderiam sustentar o PT nas encruzilhadas e armadilhas da história.
Caso contrário, o risco também era muito claro para ele: reduzir tudo a um “sonho perdido”.
Disse isso em 1990.
Um quarto de século depois, o pesadelo se aproxima perigosamente da fronteira do real.
Se ainda não está completamente perdido, o sonho vagueia à procura de seus personagens.
A deriva ameaça seccionar de vez a trajetória impulsionada desde as grandes greves operárias do ABC paulista, nos anos 70/80.
Um aluvião que, espantosamente aos olhos da senzala como da casa grande, revolveria dogmas e interditos seculares dos donos do dinheiro e da liberdade para levar um metalúrgico à Presidência da sétima maior economia do planeta.
Mais que isso.
Arrastaria, junto, cerca de 60 milhões que subsistiam na soleira da porta, do lado de fora do país, abrindo-lhes o acesso ao mercado interno e à cidadania.
O conjunto mudou a trama política, redesenhou a economia e renovou a geopolítica brasileira.
Fez mais: esburacou seriamente o caminho que permitia às elites revezarem-se no poder, mantendo-se o povo espremido no acostamento precário, à espera de caronas que nunca vem.
Querer reduzir tudo isso a um ciclo de alta das commodities –que teve seu papel lubrificante, sem dúvida— é abstrair o motor da desigualdade que move cinco séculos de lutas populares na distribuição de renda mais iníqua, entre as grandes nações do planeta.
Igualmente ingênuo é supor que isso se faria higienicamente.
Sem perdas e danos para quem ousasse a experiência de administrar esse capitalismo, sem ter força e hegemonia, ainda, para modifica-lo ordenadamente.
Como?
Como prescrevem os manuais do desenvolvimento elegante e equilibrado.
Esse que só existe nos manuais do desenvolvimento elegante e equilibrado: primeiro, você investe em infraestrutura, então fomenta as exportações, depois, com receitas e contas equilibradas, calibra harmoniosamente a demanda com a oferta prevalecente.
Enquanto isso, a senzala hiberna serena, resignada como num postal de lago suíço.
‘Vamos viver de brisa, meu amor’, diria Manuel Bandeira.
Visto do alto desse mirante asséptico e idílico, a ‘democracia de todos para todos’, de Florestan, em vez de alavanca de justiça como supôs, seria a cereja do bolo.
O PT e Lula? A velinha do aniversário.
Coisa para ser acesa daqui a uns dois séculos de avanço incremental e frugal a cargo de sábios dos mercados perfeitos.
Eles, os economistas de bancos.
Naturalmente.
Ademais do seu elevado discernimento pátrio, contam ainda com o vento a favor que os explica e incentiva diuturnamente: o jornalismo embarcado na tarefa de martelar ‘a lição de casa’, como diz a pedagogia da opressão infantilizante contida na fábula do capitalismo autorregulado.
Bem, as coisas não aconteceram exatamente assim por essas bandas.
A pasta de dente escapou do tubo.
Mãos açodadas tentam devolve-la agora, da forma que isso costuma ser feito nas republicanas latino-americanas e com o fair play característico.
Inclui-se nessa determinação de ‘pôr ordem na casa’ jogar no lixo da história tudo e todos que contribuíram para o vazamento precoce e imprevidente.
A operação consiste –entre outras providências– em pinçar, magnificar e generalizar os erros, os ilícitos, a soberba, as falhas, as omissões e besteiras de toda sorte que possam ter sido – e foram– cometidos individualmente ou em conjunto pelos ‘petistas’, num processo ora esgotado pela mudança de ciclo da economia mundial.
Não, Mirian & Sardenberg, o Brasil não é uma ilha de crise cercada de prosperidade por todos os lados.
A crise da desordem neoliberal – essa da receita que se preconiza como panaceia para o Brasil– persiste há sete anos em recidivas rotativas; a desta semana a cargo do yuan chinês. Antes, a Grécia, amanhã…
A mazzorca mundial não criou, mas escancarou as tensões, os desequilíbrios e, claro, os equívocos registrados na luta pela construção de um Estado de bem estar social tardio, na era da supremacia das finanças desreguladas.
Esse o ponto onde estamos.
Dele irrompe a angustiante saraivada de perguntas que martelam os dias e as noites dos seus principais protagonistas em estado de perplexidade e prostração diante da esfinge que ameaça devorá-los.
‘Como desarmar um sequestro paralisante, do qual o PT é refém mas também, em parte, a tranca da porta?
‘Um partido de trabalhadores consegue se despir dos vícios e desvios da política conservadora depois de passar pela experiência do poder no capitalismo?
‘Consegue sobreviver sem se calcificar nos limites e compromissos inerentes à correlação de forças desfavorável à qual se ajustou? (Para sobreviver, mas também por equívoco e/ou desfrute de uma ilusória ‘aceitação’ pelo status quo.)
‘Pode recuperar o rumo sem o qual descansará sob a lápide do sonho perdido de Florestan?’
A perplexidade do entorno petista e o politicídio do cerco contra o partido se diferenciam não apenas na avaliação do seu presente e do seu legado.
Pretender que tudo não tenha sido mais que uma cínica e devoradora fraude, uma ação de quadrilha, como sugere o juiz de Curitiba e seus centuriões midiáticos, é mais que reescrever a história com as tintas do preconceito conservador.
É tentar sofregamente desautorizar o papel que as lutas sociais tiveram, tem, e ainda terão, na ordenação do país, na sorte do seu desenvolvimento e no destino de sua sociedade.
Fique claro, para além das responsabilidades e pecados individuais: o alvo em curso não é o pescoço de Dirceu, não é o de Lula ou o de Dilma.
A meta-síntese do arrastão desse garrote é esgoelar o povo brasileiro.
O PT, hoje, dado como cachorro morto, é a jugular mais cobiçada da rosca depuradora.
Por que a obsessão em sangrar, picar e salgar o que já morreu?
Por mais que se martele o oposto, a tragédia do PT consiste justamente no fato de não se tratar aqui de um ‘bando’. Mas de um futuro em disputa.
Por mais que o medo e o ódio queiram e até certo ponto tenham conseguido circunscrever a tragédia assim, no laço desse garrote o pescoço é coletivo.
E a voz densamente popular.
Ela remete a 500 anos de resistência à opressão.
Remete à luta dos indígenas, às sublevações quilombolas, aos levantes anticoloniais, à subversão antiescravagista, às greves anarquistas, à histórica criação dos partidos comunistas e socialistas, à luta nacionalista pelo comando da riqueza nacional, ao trabalhismo do Vargas progressista, à campanha pelas reformas de base, às Ligas Camponesas, à resistência à ditadura, às comunidades de base, às Diretas, à Constituinte Cidadã de 1988, na qual o deputado petista Florestan Fernandes espetou o direito inalienável a uma escola pública de qualidade, não para substituir a luta contra a opressão por meritocracia neoliberal, mas para encurtar o tempo histórico desse aluvião em busca da emancipação coletiva do povo brasileiro.
Portanto, não estamos diante de um aparato, uma quadrilha, um covil de bandidos, um biombo dissimulado em militantes da luta popular.
Fosse o que outras siglas se comprazem em personificar não haveria a tragédia.
Com todas as fragilidades e paradoxos sabidos e mencionados, na tragédia do PT pulsa a ‘democracia de todos para todos’.
O sonho que ficou incrustrado no torneiro mecânico, contra o qual se revigora a chave da desqualificação agora ainda mais virulenta que aquela de 1932, 1954, 1962, 1964, 1969, 1988,1994, 2002, 2006, 2010, 2014…
Pelo motivo que o próprio personagem nunca teve dúvida em expressar: ‘Eu sou uma criação coletiva do povo brasileiro’.
Daí o orgulho, ontem, dos que nele se enxergaram.
E a perplexidade dolorida, hoje, pelas trincas do caminho, sentenciadas como esfarelamento irremediável pelos seus críticos.
Nenhum partido pode subsistir assim, tendo a sua história capturada febrilmente, e toxicamente reescrita com base em erros –reais e desastrosos– mas também em falsificações atribuídas, grotescas e infames.
Se o PT não se reapoderar do seu sentido vai morrer.
A operação em curso visa condensar na sigla toda a tragédia da democracia brasileira –que está longe de ser a ‘de todos e para todos’.
O cessar fogo decretado pelo O Globo, o principal grupo de mídia do país, dá a medida do fosso existente entre a democracia que temos e a preconizada por Florestan.
A trégua inspira um sentimento misto de alívio e vergonha.
Nua e cruamente ela reduz o país ao que o conservadorismo quer que ele seja: um item da grade da Globo, remanejavel, descarada e cinicamente, ao sabor de interesses comerciais e plutocráticos.
Acima de tudo, porém, a operação dá a medida do fatia não negligenciável da crise econômica a ser debitada no arcabouço de uma palavra: sabotagem.
O PT tem escolhas a fazer diante da condescendência acenada pelo garrote.
Se adotar o silencio obsequioso de quem suplica indulgência será varrido como objeto histórico anacrônico.
Se abraçar a boia furada da moeda de troca que lhe é cobrada –a ‘Agenda Brasil’, de Renan & Levy, que inclui a privatização do SUS, entre outras pérolas da restauração neoliberal– ingressará num estágio de putrefação política irreversível.
Não se trata dissimular fragilidade com retórica e heroísmo.
O PT só tem uma finalidade na história brasileira.
E é nela que pode encontrar a saída para o seu labirinto.
Entregar-se a quem de direito.
Quem?
O povo, de cuja vértebra nasceu o sonho que agora ameaça se perder, como advertiu Florestan Fernandes em 1990.
Não, não é uma abstração sociológica.
O dono do PT está aí, à espera de um gesto.
Onde sempre esteve: nas portas de fábricas, nas periferias conflagradas, nas conferencias nacionais da cidadania, nas igrejas, nas universidades, nos sindicatos, nas mães do Bolsa Família, nos bolsistas do Prouni, nos moradores do Minha Casa, nos sem teto do MTST, nos acampados do MST, nos que labutam a terra, nos operários do PAC, nos intelectuais, nos estudantes…
Com eles deve ser erguida a ponte da autocrítica e do desassombro.
Essa, capaz de surpreender indo além das lamúrias da autodefesa reflexa.
Nenhuma prioridade é mais importante nesse momento do que promover esse reatamento de depuração e reerguimento.
Se ela falhar, todas as demais naufragarão –inclusive o governo Dilma.
Não haverá frente, nem repactuação com ninguém se a retaguarda do PT estiver desmantelada.
Não é tarefa burocrática. É quase uma revolução política e cultural.
Dirigentes e lideranças tem que se despir dos punhos de renda adquiridos, pretensos ou cultivados com o zelo dos emergentes da autorrelevância.
Rotinas elevadas à condição de cosmologia sagrada, típicas dos aparatos autocentrados são grotescas nessa hora.
Varrer o acessório que estorva o essencial e faze-lo radicalmente é uma precondição: quem não estiver disposto não conta mais.
A conversa mais importante é com aqueles que não estão sendo ouvidos.
Não com os que se repetem.
Na abertura da Marcha das Margaridas, na noite desta 3ª feira, em Brasília, Lula anunciou: ‘Estou preparando meu caminhãozinho para andar pelo Brasil’.
Faz tanto sentido quanto o ar que se respira.
Não é necessário endossar o trajeto de um resgate social inconcluso para reconhecer que o degrau alcançado no país favorece novos saltos.
Ou como resumiu Lula na mesma 3ª feira: ‘ Quem comeu filé, não quer mais comer bucho’;
O conservadorismo local e globalizado sabe que nessa travessia simbólica e incompleta reside o perigo de um PT vivo.
Não é apenas o legado de 12 anos, contra o qual agora se conspira na forma de uma ‘purga sem cura’, sangrando o emprego, o salário, o poder de resistência dos sindicatos etc
Mas é o risco de que o ‘inconcluso e o insuficiente’ possam, se não forem destruídos agora, na vulnerável transição de ciclo de desenvolvimento, gerar a massa crítica de um novo salto, de DNA histórico semelhante ao original.
Desta feita, porém, em escala ampliada e fulminante.
Com o risco de destampar a garrafa da história onde pulsa o Brasil de Florestan Fernandes: ‘uma democracia de todos para todos’.
É o que resta tentar. E não é fácil.
Mas é pegar ou largar. E largando, deslizar a alma no sumidouro da história, onde repousa o cemitério dos sonhos perdidos.
‘Lula continua na mira dos irmãos Marinho’, por Rodrigo Viana
Carta Maior
12/08/2015
‘Lula continua na mira dos irmãos Marinho’
Lula segue a ser o alvo. É a força dele que atormenta tanto a extrema-direita quanto a imprensa golpista, que brincou com o atentado contra o Instituto.
Rodrigo Vianna – Escrevinhador
Com mais de quatro décadas de atuação política, Celso Marcondes lança um alerta: Lula segue a ser o alvo. É a força dele que atormenta tanto a extrema-direita, quanto os setores mais “manhosos” da elite empresarial/jurídico/midiática, que nos últimos dias baixaram o volume de artilharia contra Dilma e seu governo.
“Eles [mídia e setores da elite] suportam a Dilma enfraquecida, mas não pisaram no freio dos ataques ao Lula. Ele vai ser alvo preferencial das manifestações de domingo e continua sob a mira dos Marinho”, diz o experiente militante.
Jornalista por formação, Marcondes é o diretor do Instituto Lula, órgão mantido pelo ex-presidente no bairro do Ipiranga, em São Paulo – bem perto do local em que Dom Pedro teria dado o “grito da Independência” em setembro de 1822. Em julho de 2015, os gritos que se escutaram por aqui foram outros. Uivos enraivecidos dos que lançaram uma bomba de fabricação caseira contra o Instituto, no último dia 30. Berros assustados dos que moram e trabalham nas redondezas.
Por parte da polícia e da imprensa velha de guerra, silêncio sepulcral. Duas semanas depois do ataque, a investigação não andou. A polícia de Alckmin, diga-se, é comandada por um secretário que gasta seu tempo comparecendo a manifestação de “juristas” em defesa da renúncia de Dilma.
Em entrevista exclusiva ao Escrevinhador, Marcondes revela que o Instituto segue a receber “telefonemas e emails ameaçadores.” Ou seja: os agressores sentem-se livres para atacar de novo. Ele estranha que o caso não tenha sido federalizado: “É responsabilidade também da PF tratar de um caso que envolve um ex-presidente.”
Ele diz que teme as ações da extrema-direita nos próximos dias: “pregam o golpe militar, são preconceituosos, racistas. São perigosos, sim. Mas não vão nos intimidar.”
Marcondes ficou um pouco mais aliviado com a presença de metalúrgicos e sindicalistas que, desde o dia 10, montaram um “acampamento” no Ipiranga pra defender Lula. Marcondes convoca militantes e democratas para que, no dia 16, participem de uma vigília contra o golpe, em frente ao Instituto: “Quem não quiser ir para a Paulista, que venha para cá defender a democracia.”
Confira abaixo a entrevista na íntegra.
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1) O ataque a bomba contra o Instituto Lula vai completar duas semanas. Como estão as investigações? A Policia Civil mostrou agilidade ou interesse em resolver o caso? Alguém foi ouvido? Há indiciados/suspeitos?
Eu estou muito preocupado com a lentidão na apuração do caso. Acho um absurdo não termos nenhuma novidade depois de 14 dias. Toda a região é cercada por câmaras de segurança de diversos edifícios. As pessoas que jogaram a bomba não passaram “de repente” e jogaram o artefato. Seguramente passaram antes para ver a situação e outras pessoas devem ter trabalho como informantes. Também não sei de nenhuma pesquisa séria feita pela internet para identificar os agressores.
Por “coincidência”, no dia do atentado aconteceu uma mini manifestação em frente ao Instituto com exatas dez pessoas de um grupo de extrema-direita com cartazes ofensivos ao Lula e ao Instituto, um deles com os dizeres “Instituto Lula = Instituto do Crime”. E na manhã de sexta-feira,31, enquanto avaliávamos o prejuízo, outro grupo menor ainda, com cinco pessoas, veio nos provocar e xingar. Está tudo registrado em fotos e vídeos que foram colocados na rede. Ou seja, em menos de 24 horas, foram três ocorrências no Instituto. Além disso, temos recebido telefonemas e emails ameaçadores. Eu pergunto: se as autoridades tratam um ex-presidente da República com tal descaso, o que pode vir pela frente?
2) Segundo a imprensa, o Secretario de Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes, estava presente em ato público no dia 11 de agosto, quando “juristas” lançaram um manifesto exigindo a renúncia de Dilma. Parece uma manobra golpista. A lentidão da polícia (subordinada a Moraes) para investigar a bomba não poderia ser motivada por essa posição política extremada do atual secretário?
Eu não sabia da presença do secretário neste ato, mas lamento profundamente e me preocupo ainda mais agora com essa informação. O clima de insegurança e medo sempre propaga em momentos de crise. A história registra isso em abundância. Os que querem o golpe se alimentam deste clima.
3) O caso da bomba não poderia ser federalizado? A PF está investigando?
Acho que tem que ser federalizado, estamos esperando diariamente por isso, não entendo porque isso ainda não aconteceu. Ontem mesmo o presidente do Instituto, Paulo Okamotto, enviou ofício ao ministro da Justiça pedindo intervenção federal. É responsabilidade também da Polícia Federal tratar de um caso que envolve um ex-presidente.
4) Como Lula e a equipe do Instituto avaliam a maneira como a gloriosa “grande imprensa” tratou o atentado? “Folha”/UOL, por exemplo, escrevem em seus textos: o ataque “é tratado pelo PT como um atentado politico”. Ou seja: dão a entender que não é um atentado, que só os petistas tratam o caso assim… Você consegue imaginar o que aconteceria se o Instituto FHC fosse alvo de bomba? Ou se o Instituto Clinton fosse atacado pelo Tea Party nos Estados Unidos?
Foi impressionante. A reação da maioria da grande imprensa, em especial de alguns articulistas, foi a ironia ao desprezo. Não faltaram os que insinuaram que o próprio PT havia montado a farsa. Tentaram reduzir o caso por se tratar de uma bomba “caseira”. Mas “caseiras” foram as bombas da maratona de Boston, dos atentados do Riocentro, da OAB, contra as bancas de jornais, essas nos estertores da ditadura brasileira. Não foi coisa de um “baderneiro”, como disse um delegado e repercutiu na imprensa. Um “baderneiro” jogaria uma bombinha de São João. Aquela que foi jogada aqui tinha alta letalidade, basta ver as imagens da explosão na internet. Era uma bomba de fragmentação, que espalhou parafusos de mais de cinco centímetros. Fez pouco estragos porque explodiu antes do portão, quase explode dentro do carro que a jogou. Por sorte não havia ninguém por perto.
O Instituto fica em frente ao Pronto Socorro do Hospital São Camilo e de um ponto de ônibus. Companheiros nossos saíram daqui naquele dia meia hora antes da explosão. O Lula saiu às 21 horas e a bomba explodiu às 22p8. E eu tenho que ouvir Merval e Cantanhede brincando com isso. O que seria preciso para impressioná-los? O portão ter sido destruído? Algum ferido? Algum morto?
5) Desde o dia 10, metalúrgicos montaram um acampamento em frente ao Instituto Lula. Qual a ideia? Existe receio de que, no dia 16, com as manifestações golpistas já agendadas, o Instituto Lula possa ser alvo de extremistas da direita?
É uma iniciativa dos metalúrgicos do ABC, que começaram a Vigília pela Democracia e eu fiquei muito contente com isso. O acampamento está crescendo e seguramente atrairá milhares de pessoas no dia 16.
Quem não quiser ir para a Paulista, que venha para cá defender a democracia. Vai ser uma grande festa, com música, barracas e alegria. Temos medo, sim, de grupos de extrema-direita. Diante da inoperância da polícia, fomos obrigados a contratar segurança particular para nos proteger e contar com o apoio dos companheiros e amigos. Esses grupos, que aparecem impunemente pela internet, não tem apreço pela democracia, pregam o golpe militar, são preconceituosos, racistas. São perigosos, sim. Mas não vão nos intimidar.
6) Qual cenário você enxerga nesse momento aí em frente ao prédio? Há quantas pessoas? Todos dormem aí acampados?
Hoje pela manhã umas 60 pessoas. Estão conversando, jogando baralho, cantando. Eles fazem um rodízio. Montaram uma barraca de cem metros quadrados, não sei dizer quantos dormiram aqui. Mas durante toda a semana comitivas de sindicalistas e amigos virão nos visitar. No sábado vai ter samba e no domingo uma festa da democracia.
7) Um colunista conservador, pago pela família Marinho, andou espalhando que nesta quarta-feira viria uma “bomba” contra Lula. Aparentemente, o tal colunista quis até fazer graça com o atentado do dia 30. Há algum receio, no Instituto, de que Sergio Moro possa criar algum fato novo antes do dia 16, para inflar o movimento golpista?
Eu acho que aqueles que comemoram a “trégua” calculada, momentânea e tática da Rede Globo e de outros veículos, tem que entender essa novidade na sua plenitude. Depois de desgastar tremendamente a presidenta Dilma, chegaram à conclusão que não há alternativa imediata tranquila.
Todos sabem que Eduardo Cunha pode ser indiciado a qualquer momento pela Lava Jato. E as elites, o capital financeiro, temem que a crise política aprofundada prejudique ainda mais os seus negócios. Procuram alternativas rápidas e seguras, mas não encontram. E a oposição está claramente dividida. Enquanto esperam os resultados das novas investidas da Lava Jato e o alcance das manifestações do dia 16, dão uma trégua, pisam um pouco no freio do golpe em marcha. Mas, muita atenção: suportam a Dilma enfraquecida, mas não pisaram no freio dos ataques ao Lula. Ele vai ser alvo preferencial das manifestações de domingo e continua sob a mira dos Marinho, vide a capa do Globo de hoje.
8) Há uma página no facebook pedindo a morte de Lula. O Instituto vai entrar com ação para pedir punição aos responsáveis pelo crime? Qual a alegação do Facebook para manter a página?
Essa é outra faceta do ataque ao Lula. Esse “grupo aberto” do Facebook é um absurdo, um ultraje à democracia. Na sexta-feira eram 4 mil seguidores, hoje já passam de 5.500. Já fizemos dois pedidos formais para a retirada e muito gente denunciou a página, Eles mandam uma resposta burocrática dizendo que não enxergam motivos para tal. É inconcebível tal atitude. Diante dessa, vamos intensificar a mobilização pela rede e entrar com ação na Justiça, nossos advogados já estão preparando.
9) Como está o humor de Lula com essa escalada autoritária no Brasil?
Lula está evidentemente preocupado com a situação política do país e altamente empenhado no debate para enfrentar a crise, conter as ameças golpistas e unificar o Brasil na defesa da democracia. Começou ontem seu ciclo de viagens pelo país, naquela maravilhosa Marcha da Margaridas. Volta à Brasilia dia 14 para a Plenária Nacional da Educação. Depois vai a Belo Horizonte e tem inúmeros convites para viagens. Ele está muito satisfeito com a quantidade de mobilizações populares que começam a acontecer pelo Brasil.
%u20B10) E quem trabalha no Instituto: tem medo?
O Instituto tem mais de 30 colaboradores regulares e dezenas de outros que passam por aqui diariamente para participar de reuniões e atividades. Alguns mais engajados politicamente, outros nem tanto, são profissionais em suas áreas. Todos estão muito preocupados com a não apuração do atentado. Mas satisfeitos com o serviço de segurança particular que contratamos e com a solidariedade dos metalúrgicos. Mas um dos choques que ficou foi com a ausência da solidariedade de importantes setores ditos democráticos de nossa sociedade. Você acredita que não recebemos nenhum telefonema de dirigentes do PSDB, do PP e de muitos ilustres democratas brasileiros? O que fica, é que compraram a versão dos colunistas globalizados.
Créditos da foto: reproduçãohttp://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/-Lula-continua-na-mira-dos-irmaos-Marinho-/4/34231
Curitiba ainda mira Lula e planta “descoberta” velha em O Globo
Tijolaço
Curitiba ainda mira Lula e planta “descoberta” velha em O Globo
12 de agosto de 2015 | 12:29 Autor: Fernando Brito
Uma velha e improvada acusação, feita em dezembro do ano passado, foi ressuscitada hoje pelo O Globo, a partir da “soprada” de alguém da “turma de Moro”.
É a história do tal “triplex” de Lula num edifício no Guarujá, cuja propriedade o ex-presidente nega e o proprio jornal não tinha como provar, na ocasião, pois o imóvel pertence, segundo o registro em cartório, à Construtora OAS.
Algum integrante da República Curitibana ou do MP paulista “soprou” ao jornal que o “apartamento de Lula”, que não é de Lula, foi dado em hipoteca a uma empresa que teve negócios com uma empresa de Alberto Youssef.
Reparem: deu o “apartamento de Lula” em hipoteca! Como, se “é do Lula”?
Não “é do Lula”, como ele se cansa de repetir, desde o ano passado, confirmando que comprou um cota do condomínio, financiada e na planta, à época da construção, e nem exerceu ainda seu direito de assumir uma unidade ou receber a quantia aplicada de volta.
A história é fraca, fraquinha, tanto que os demais jornais nem “correram atrás”.
Todo mundo percebeu que é “requentada”.
Apartamento no Guarujá, afinal de contas, não chega a ser bem um apartamento na Avenue Foch, em Paris, não é?
E para que o curioso leitor possa matar de vez a curiosidade sobre a “mansão” lulista, posto abaixo o video de um corretor tentando vender os imóveis, com “unidades promocionais a partir de R$ 450 mil, sendo 25% deste valor como entrada e o restante financiado”. Mesmo que o tríplex custasse o triplo,
Nem multiplicando por três dá para chamar de algo nababesco.
O “custo Brasil” de uma Justiça injusta, por Fernando Brito
Tijolaço
O “custo Brasil” de uma Justiça injusta
12 de agosto de 2015 | 14:04 Autor: Fernando Brito
Dá medo de dizer que o Brasil precisa urgente de uma reforma no Judiciário poque, infelizmente, o espírito de casta “meritocrática” é tão forte nesta corporação que pretender mexer em alguma coisa é quase que a garantia de que teremos mais privilégios e mais despesas públicas.
Mais, porque um trabalho do professor Luciano Da Ros, publicado na última edição da revista do Observatório de Elites políticas e Sociais do Brasil, dá números espantosos aos gastos de nosso país com a Justiça, para termos tão pouca, cara e lenta.
Vou, para evitar alguma imprecisão, transcrever trechos literais da publicação:
O orçamento destinado ao Poder Judiciário brasileiro é muito provavelmente o mais alto por habitante dentre todos países federais do hemisfério ocidental. Tal despesa é, com efeito, diversas vezes superior à de outros países em diferentes níveis de desenvolvimento, seja em valores proporcionais à renda média, seja em valores absolutos per capita.
o orçamento anual per capita do Poder Judiciário brasileiro é equivalente a cerca de US$ 130,32 ou €94,23. Estes valores são superiores aos de todos os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) com exceção apenas dos gastos de tribunais suíços (€ 122,1) e alemães (€ 103,5)
A burocratização, a morosidade gerada por uma imensa carga de procedimentos e a “terceirização” informal para assessores das tarefas dos juízes talvez sejam a causa do número absurdo de servidores encontrado pelo professor Da Ros:
Esta enorme força de trabalho soma cerca de 412.500 funcionários no Brasil e equivale a 205 deles para cada 100.000 habitantes (CNJ 2014, 33), dando vazão, esta sim, a uma proporção muito elevada comparativamente, como se pode observar no Gráfico 3, abaixo.
E é obvio que a quantidade de servidores cria problemas quando se pressionam para cima as suas aspirações remuneratórias, até porque todos sabem que não é raro que sejam eles, na prática, os verdadeiros “juízes” na carga de processos inviável que se gera. O custo de cada decisão fica altísimo:
o custo por cada decisão judicial é, em média, de R$ 2.248,93 ou € 691,98 no Brasil, e não passando de R$ 1.679,15 ou € 516,66 na Itália, e R$ 2.093,98 ou € 1.824,52 em Portugal.
O Ministério Público não fica atrás do Judiciário em matéria de gastos:
O orçamento total destinado ao Ministério Público no Brasil em 2014 – incluindo, a exemplo de como calculamos para o Poder Judiciário, todos os seus “ramos” e todos os seus vários níveis hierárquicos – foi de R$15,4 bilhões, o equivalente a 0,32% do PIB. Trata-se também de um percentual muito elevado, representando proporcionalmente mais do que a maioria dos países dispende com (todo)o próprio Poder Judiciário.
Somando os valores gastos com as defensorias públicas, advocacia da União e procuradorias públicas, afirma o trabalho que:
podemos realizar uma estimativa da despesa total do sistema de justiça no Brasil. Esta “burocracia jurídica”, com efeito, consome a cada ano cerca de 1,8% de toda a riqueza produzida anualmente no país, ou cerca de R$ 87 bilhões em valores atualizados.
O que dá aquela proporção absurda do gráfico lá de cima. E isso sem contar as despesas decorrentes das atividades que se conectam com a Justiça: a policial e a prisional, nas quais o gigantismo no Brasil é semelhante.
O pior é que, quando se fala nisso, só o que vem á cabeça é aumentar estruturas e remunerações – de fato, em alguns casos, necessária para muitos servidores – e jamais em desburocratizar a Justiça e, também, diminuir a judicialização da vida social.
A presença de Eduardo Cunha na presidência da Câmara é um escárnio e uma ameaça à democracia. Sob a proteção dos suspeitos de sempre, ele simbolizou a aposta no quanto pior, melhor. Deu no que deu.
Isolado, mas ainda contando com seus gângsteres, Cunha comprou briga com toda a república. Em circunstâncias normais, a acusação de receber propina de 5 milhões de dólares num processo como a Lava Jato deveria fazer com que ele saísse para as investigações ocorrerem sem obstrução.
No regime teocunhacrático, isso não existe. Ele tudo pode. Considera-se normal que obstrua a Justiça e que parlamentares, a soldo dele, partam para intimação de traficante de favela.
Desgostoso com a aproximação entre Renan e Dilma, seu alvo agora é o presidente do Senado. Os apaniguados vão incentivar os grupelhos da manifestação do dia 16 a incluir Calheiros na lista dos políticos corruptos de que o país precisa se livrar.
Ordenou também a seu pessoal na CPI da Petrobras que pedisse a quebra de sigilo telefônico do ministro José Eduardo Cardozo e do procurador Rodrigo Janot — este, parte de uma conspirata com o Palácio do Planalto para destruí-lo.
É o homem pauta bomba. Na terça, dia 11, a Câmara concluiu a votação em primeiro turno da PEC que vincula salários de integrantes da Advocacia-Geral da União, delegados civis e federais a 90,25% da remuneração de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O impacto é de cerca de 2,4 bilhões reais.
Vai cometendo barbaridades e negando, negando, negando. Seu comportamento lembra o de Collor às vésperas da queda.
Visivelmente descontrolado, agressivo, o olhar rutilante, vendo inimigos em todo lugar, um Macbeth de casa de saúde, declarando-se abandonado pelos amigos, Cunha é um incêndio em si mesmo.
“Ele é arrogante, autoritário e usa o cargo para debilitar o governo, em um gesto que muitas vezes se confunde com chantagem”, disse Jarbas Vasconcelos à BBC Mundo.
É esse chantagista, montado nos evangélicos, na bancada da bala, no PSDB, que está sendo canonizado pelos movimentos golpistas e por milhares de adeptos da indignação coletiva.
A posição de EC é insustentável e só se explica pelo momento caótico que atravessamos. Não durará muito tempo. Até lá, continuará no papel de Nero que lhe foi outorgado por brasileiros.
Açougueiros da medicina agridem estudante que elogiou Dilma
Por que xingam Ana Luiza?
12 de agosto de 2015 | 10:50 Autor: Fernando Brito no Tijolaço
Ana Luiza é quase uma menina, como se pode ver na imagem.
Quase, porque é uma mulher e vai ser uma médica de verdade, não uma comerciante da saúde.
Ela fez, no aniversário do Programa Mais Médicos, um discurso de agradecimento pela instalação de um curso de medicina em sua cidade: Caicó, no sertão do Rio Grande do Norte.
Falou que uma neta de agricultores, como ela, agora pode realizar o sonho de estudar medicina.
Que pode fazer algo de bom por sua comunidade.
Que tem orgulho do que faz.
Por isso, Ana foi pessoal e violentamente agredida em mensagens do Facebook, onde ela narrou, num desabafo:
“Fui atacada em minha página pessoal brutalmente por MÉDICOS E FUTUROS MÉDICOS, além de outras pessoas. O machismo e a elite mostraram sua cara. Fui chamada de vadia, de MÉDICA VAGABUNDA DE POBRE, ignorante, não merecedora de cursar medicina. Me foi dito que iam fazer de TUDO pra que eu não conseguisse emprego depois de formada. De que eu não sabia com QUEM estava lidando. Que eu merecia LEVAR UMA SURRA pra aprender a deixar de ser corrupta. Me mandaram CALAR MINHA BOCA NOJENTA DE POBRE E DE VADIA.”.
Depois, por conta de gente capaz de dizer isso a uma menina do interior que sonhou com a profissão e caminha para ela, a categoria médica não quer que surjam situações como a publicada ontem pelo UOL, que registra uma pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais apontando que “Em dois anos, cubanos ganham preferência a médicos brasileiros“.
E na injustiça que isso representa com milhares de médicos brasileiros que merecem este nome, como o meu querido José Carlos, que, quando médico do Hospital da Posse, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, desabafou comigo que tinha colegas que sentiam “nojo do paciente”. Ou com a Dra. Diane, que nem desconfia que sou blogueiro ou que fui do Governo e tem a delicadeza de me levar até a porta do consultório do posto de saúde – a mim e a todos – perdido na beira de uma lagoa.
Ana Luiza é quase uma menina, mas não precisa de defesa de ninguém, porque sabe se defender.
Sabe que é inútil falar ao ódio e o melhor que podemos pretender é que o ódio se cale, desmoralizado, e vá minguando, como deve ser, para minúscula condição dos vícios humanos, contra os quais a gente tem de se vacinar todos os dias.
Assim como fez a Ana:
Minhas palavras foram pros profissionais de saúde que dão o sangue todo dia, mesmo com condições péssimas de trabalho, com salários atrasados, numa saúde abandonada e caótica. Eles sim, são verdadeiros heróis.Minhas palavras foram direcionadas àqueles que acreditam e lutam por um mundo transformado a partir da educação e do amor. Minhas palavras foram um agradecimento aos professores, a classe Trabalhadora com T maiúsculo!! Que têm seu serviço desvalorizado ao máximo, mas toma a linha de frente na luta pela transformação diária do futuro de milhões de jovens sem oportunidade no país.
O blogueiro Fabio Ramirez narrou em seu blog o que viu num show dos Titãs em Cuiabá. Segundo ele, uma patota que comprou um camarote — 2 mil reais — tentou puxar o clássico grito de guerra “Ei, Dilma, vai tomar no cu!”
O resto da plateia não embarcou. Ao final, segundo Ramirez, a turma ainda levpu um sabão do vocalista Paulo Miklos.
O relato de Ramirez:
Quase no fim do espetáculo surge um coro do camarote que tenta ecoar pelo salão: “Ei, Dilma, vai tomar no c#”. O grito não pegou, ficou só no camarote com meia dúzia gritando. Pouco antes, o Titãs havia tocado a música ‘Fardado’, lançado em 2014 e inspirada nas jornadas de junho de 2013, quando milhares saíram às ruas por saúde, transporte e educação, enfrentando a repressão dos ‘fardados’.
(…)
Quando os Titãs anunciaram o encerramento do show, decidiram voltar após uma pequena pausa (o retorno faz parte da programação, mas a bronca que viria não). Paulo Miklos pega o microfone e dá o recado: “decidimos tocar essa música de 87, por que ela está muito atual”. A música anunciada era “desordem”, composição feita em momento político de greves gerais pelo país e luta contra a Ditadura Militar.
(…)
Mas o grupinho do camarote parecia não ter entendido o recado, e, após a música, tentam puxar mais um grito de fora Dilma. Novamente sem sucesso, o coro não ecoou pelo salão. Mas Paulo Miklos decide desta vez desabafar no microfone: “vamos manter a ordem democrática! Lutamos por isso, democracia acima de tudo!”. Calando de vez o cantinho do camarote, certamente povoado por parte da elite cuiabana.
Câmara aprova doação de empresas a partidos e conclui reforma política
Proposta será encaminhada para votação no Senadopor Agência Câmara publicado 13/08/2015 08:57Comments GUSTAVO LIMA/CÂMARA DOS DEPUTADOS
Texto que regulamenta doações de empresas a partidos foi aprovado por 317 votos a 162
Brasília – O plenário da Câmara dos Deputados concluiu as votações, em segundo turno, da proposta de emenda à Constituição da reforma política (PEC 182/07). Na votação de ontem (12), os deputados aprovaram o financiamento de campanhas com doações de pessoas físicas a candidatos e a partidos e de empresas a partidos. O texto foi aprovado por 317 votos a 162.
Inicialmente, destaques do PT e do PPS pediam a retirada apenas da parte do texto que permite a doação por empresas. No entanto, esses destaques foram indeferidos após decisão do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, na qual acatou questão de ordem dos deputados Leonardo Picciani (PMDB-RJ) e Mendonça Filho (DEM-PE).
Para garantir a votação em dois turnos do tema, o artigo todo foi votado novamente e não somente a parte pretendida pelos partidos contrários ao financiamento privado de campanhas.
No primeiro turno, a matéria foi aprovada por 330 votos a 141. Com o encerramento das votações em segundo turno, a PEC será enviada ao Senado.
A votação em primeiro turno sobre o financiamento de campanha está em contestação no Supremo Tribunal Federal (STF), que foi acionado pelos partidos contrários ao financiamento privado.
A ministra Rosa Weber negou pedido de liminar de 61 deputados questionando a votação, mas o Pleno do STF poderá julgar novamente o caso.
Os deputados questionaram a decisão do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, de colocar em votação nova emenda sobre o tema depois que texto semelhante foi rejeitado por insuficiência de votos.
Mandato igual
O segundo turno começou a ser votado em julho, quando a Câmara decidiu manter o mandato de quatro anos para presidente da República, governadores, prefeitos, vereadores e deputados e de oito anos para senadores.
De acordo com a redação do primeiro turno, os mandatos seriam de cinco anos para todos os cargos, com uma transição nas próximas eleições. A mudança ocorreu devido a resistências do Senado na mudança da duração do mandato daquela Casa.
Como o texto excluído em segundo turno estava ligado à mudança na data de posse de governadores e presidente, essa alteração também caiu. Assim, a posse para esses cargos permanecerá em 1º de janeiro. A proposta previa 4 de janeiro para governadores e 5 de janeiro para presidente.
Sistema proporcional
Um dos pontos polêmicos votados na reforma política foi o sistema de eleição de deputados e vereadores. O plenário manteve o sistema proporcional usado atualmente, que preenche as cadeiras de acordo com os votos recebidos pela legenda e pelos candidatos, possibilitando o acesso de candidatos menos votados devido às coligações partidárias.
Todas as alternativas apresentadas foram rejeitadas pelos deputados, desde o distritão (eleição apenas dos mais votados segundo um sistema majoritário) até a lista fechada (legendas indicando os candidatos), passando pelo distrital misto (mistura entre esses dois sistemas).
Fim da reeleição
A PEC aprovada pelo plenário acaba com a reeleição para prefeitos, governadores e presidente da República. Pela proposta, os eleitos em 2014 e 2016 que estiverem aptos a se reeleger pela regra atual terão esse direito preservado.
Cláusula de desempenho
Os deputados resolveram ainda limitar o acesso ao Fundo Partidário e ao horário eleitoral gratuito de rádio e TV apenas aos partidos que tenham concorrido com candidatos próprios à Câmara e tenham eleito, ao menos, um congressista (deputado ou senador).
Hoje, 5% do fundo são distribuídos entre todas as legendas existentes, que também podem ir ao rádio e à TV. Com a proposta, esses direitos só caberão aos que tiverem representação no Congresso.
Idade mínima
Outro ponto da reforma política é a redução da idade mínima para a disputa de cargos. Os candidatos a deputado federal, estadual ou distrital poderão disputar as eleições com 18 anos e não mais com 21.
Para os cargos de governador, vice-governador e senador, a idade passará a ser de 29 anos. Atualmente, a Constituição Federal determina que, para ser governador e vice-governador de estado e do Distrito Federal, é preciso ter 30 anos e, para se eleger senador, é preciso ter 35 anos.
Fidelidade partidária
A Constituição não traz regras de fidelidade partidária, mas o texto da PEC determina que perderá o mandato aquele que se desligar do partido pelo qual foi eleito, exceto nos casos de “grave discriminação pessoal, mudança substancial ou desvio reiterado do programa praticado pela legenda”.
Esse texto é semelhante ao de uma resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o assunto, que vigora no momento.
Entretanto, a proposta de emenda permite a desfiliação partidária sem perda de mandato em 30 dias após a promulgação da futura emenda constitucional, sem prejuízo ao partido que perdeu o filiado quanto à distribuição de recursos do Fundo Partidário e ao acesso gratuito ao tempo de rádio e televisão.
Voto impresso
A PEC trata ainda de assuntos como o voto impresso para conferência, que permitirá ao eleitor conferir seu voto antes de concluir a escolha. A impressão ficará em local lacrado, sem contato com o eleitor.
O texto também permite ao policial ou ao bombeiro retornar à atividade se não for reeleito e garante a contagem do tempo de mandato para efeitos legais, exceto promoção por merecimento.
Reserva de vagas
Entre os pontos rejeitados nas votações da reforma política está a emenda apresentada pela bancada feminina que garantia um percentual de vagas no Legislativo para as mulheres. Foram apenas 293 votos a favor do texto, mas o mínimo necessário era de 308.
Gilmar Mendes vota pela aceitação de recurso de impugnação do ma
Gilmar Mendes vota pela aceitação de recurso de impugnação do mandato de Dilma
Em Brasília
13/08/201512p6
Sergio Lima/Folhapress
O ministro Gilmar Mendes, do STF
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julga nesta quinta-feira (13) um recurso apresentado pelo PSDB contra decisão da ministra Maria Thereza de Assis Moura, que havia rejeitado uma ação que pedia a impugnação do mandato da presidente Dilma Rousseff à Corte eleitoral. O caso foi retomado nesta manhã após pedido de vista feito pelo ministro Gilmar Mendes em março.
Até o momento, os ministros Gilmar Mendes e Luiz Fux indicam um voto pela aceitação do recurso. O presidente do Tribunal, ministro Dias Toffoli, não participou do julgamento, alegando que tinha compromisso agendado com parlamentares.
Mendes deu início à análise do caso fazendo um duro voto pela aceitação do recurso. O ministro aproveitou o julgamento para dirigir críticas à relatora do caso, ministra Maria Thereza de Assis Moura, que havia decidido pelo arquivamento do processo. Em seu voto, Gilmar disse que a ministra rejeitou o recurso apresentado pelo PSDB “sem instruir o processo, sem, portanto, sequer citar os investigados”, argumentou.
Em tom de crítica, ele disse que a ministra “daria uma brilhante contribuição ao Brasil esclarecendo esse fenômeno. Corrupção na Petrobras resulta em lavagem de dinheiro nas doações eleitorais, veja, isso precisa ser esclarecido. Se não com efeito prático, para a história desse país”, disse.
Para justificar a demora em devolver o processo ao Plenário do TSE, Mendes disse que levou cinco meses porque “a toda hora tinha que fazer atualizações” no caso devido à evolução da Lava Jato. “A cada nova operação, há fatos conexos aqui”, argumentou. “Puxa-se uma pena e vem uma galinha na Lava Jato.”
Quanto às investigações sobre o esquema que desviou recursos da Petrobras, disse que “não se cuida em transportar para o Tribunal Superior Eleitoral análise de todos os fatos apurados na operação Lava Jato”, mas “busca-se tão somente verificar se, de fato, recursos provenientes de corrupção na Petrobras foram ou não repassados para a campanha presidencial”, argumentou.
Gilmar citou então os depoimentos prestados por três delatores da Lava Jato: o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, o doleiro Alberto Youssef e o empreiteiro e dono da UTC, Ricardo Pessoa.
Ao citar os desvios de 3% dos contratos da Petrobras para o esquema que envolvia empreiteiras e políticos, Gilmar disse que “não é difícil adivinhar que parte desses recursos pode ter vindo para a campanha. As triangulações têm sido reveladas e isso precisa ser no mínimo investigado”, argumentou.
O ministro disse ainda que a Justiça eleitoral “não pode ficar indiferente a esse tipo de exame ou liminarmente indeferir um pedido que busca esclarecer. Não se trata de cassar mandato aqui, mas de ver o que ocorreu”, argumentou. O magistrado pediu ainda que Ricardo Pessoa seja ouvido para esclarecer o caso. “Imagine que se possa demonstrar a partir desse depoimento que esse senhor Ricardo Pessoa, que os R$ 7 milhões que sua empresa doou foram claramente fruto de propina?”, disse.
Além disso, o ministro citou a prisão do ex-ministro José Dirceu, na semana passada, dizendo que, ao fundamentar a detenção dele, o juiz Sérgio Moro falou em “lavagem de dinheiro”. Com isso, Gilmar afirma que o argumento apresentado pelo PSDB, acompanhado de “mínimo suporte probatório pode, sim, qualificar-se como abuso de poder econômico, o que, a meu ver, justifica a necessária instrução do feito, em busca da verdade dos fatos, respeitando as garantias do contraditório e da ampla defesa”, disse.
Já o ministro Luiz Fux elogiou o voto de Gilmar Mendes e disse que talvez tivesse votado diferente no ano passado, quando o Tribunal aprovou as contas de campanha de Dilma, devido ao aparecimento de novos fatos envolvendo a Lava Jato. “Se muitos de nós soubessem o que sabemos agora, nem teríamos acompanhado o relator que aprovou as contas com ressalvas”, disse.
O caso foi proposto pela Coligação Muda Brasil, pela qual o senador Aécio Neves (PSDB-MG) concorreu às eleições presidenciais no ano passado. O partido argumenta na ação que houve abuso de poder político na campanha de Dilma, com convocação de rede nacional de rádio e televisão, manipulação na divulgação de indicadores sociais, uso indevido de prédios e equipamentos públicos para atos próprios de campanha e veiculação de propaganda institucional em período proibido. Além disso, o PSDB aponta a existência de suposto abuso de poder econômico com realização de gastos de campanha acima do valor limite, financiamento de campanha com doações oficiais “contratadas pela Petrobras como parte da distribuição de propinas”, entre outros.
Janot acusa Cunha de usar a Câmara para se beneficiar
Procurador diz que Cunha confunde público com privado em pedido para anular provas
Jornal do Brasil
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a resposta ao pedido da Câmara dos Deputados por meio da Advocacia-Geral da União (AGU), para anular provas colhidas contra o presidente da Casa, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no sistema de informática do Congresso. Janot diz que a Câmara atuou em exclusivo interesse particular de Cunha ao recorrer ao STF e fala em “confusão entre público e privado” no caso.
“O inquérito investiga criminalmente a pessoa de Eduardo Cunha, que tem plenitude de meios para assegurar sua defesa em juízo e, como seria de se esperar, está representado por advogado. O investigado solicitou a intervenção da advocacia pública em seu favor, sob o parco disfarce do discurso da defesa de prerrogativa institucional. O que se tem, então, é um agravo em matéria criminal em que a Câmara dos Deputados figura como recorrente, mas cujo objeto só a Eduardo Cunha interessa. O agravo em questão evoca, em pleno século XXI, decantado vício de formação da sociedade brasileira: a confusão do público com o privado”, afirma Rodrigo Janot.
O procurador diz ainda que a Câmara não foi afetada ou teve prejuízo gerado em razão da diligência cumprida e que é “terceiro alheio” à investigação. Janot destaca que não ocorreu busca e apreensão, mas sim uma solicitação autorizada pelo ministro Teori Zavascki para recolher dados do sistema de informática da Câmara. A intenção da medida foi apurar a autoria de um requerimento apresentado que teria servido para “pressionar” o lobista Júlio Camargo. A finalidade era comprovar tese baseada em elementos iniciais de que Cunha fora o verdadeiro autor do requerimento.
A AGU alegou imunidade da sede da Câmara e também a necessidade de autorização prévia da Casa para a coleta de dados e documentos. Além disso, argumentou que a diligência violou o sigilo de fonte de informação da então deputada Solange Almeida, suposta autora do requerimento. “Sucede que a Câmara dos Deputados não é parte na ação cautelar em foco, muito menos figura como investigada no inquérito. Não houve, portanto, para a Câmara dos Deputados, um efetivo prejuízo decorrente da diligência – prejuízo que não foi nem sequer indicado pela agravante”, escreveu Janot.
O procurador-geral citou a discussão pública entre Cunha e o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, sobre quem teria teria tido a iniciativa da ação para defender que não há interesse da Câmara em jogo, mas apenas do presidente da Casa, que é investigado na Lava Jato.
“A aparente tentativa do presidente da Câmara dos Deputados de dissociar seu nome do agravo interposto é reflexo direto da repercussão bastante negativa da iniciativa da Advocacia da União. Não é para menos: é óbvio, até para leigos, que a tentativa da Advocacia da União de invalidar provas colhidas no cumprimento da decisão do STF beneficia somente ao parlamentar”, disse.
A aprovação em primeiro turno da Proposta de Emenda Constitucional 443/2009, que vincula a remuneração das chamadas carreiras jurídicas à de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), consagra uma injustificada precedência remuneratória das carreiras jurídicas no âmbito do Executivo e, por conseguinte, o desprestígio das carreiras de auditoria e fiscalização tributárias.
Essa precedência das carreiras jurídicas em detrimento das tributárias colide não apenas com o bom senso, mas com a própria Carta Magna, que conferiu à Administração Tributária o atributo da essencialidade ao funcionamento do Estado.
Está lá no Capítulo VII (da Administração Pública), Seção I (das Disposições Gerais), artigo 37, inciso XXII: “(…) as administrações tributárias da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, atividades essenciais ao funcionamento do Estado, exercidas por servidores de carreiras específicas, terão recursos prioritários para a realização de suas atividades e atuarão de forma integrada, inclusive com o compartilhamento de cadastros e de informações fiscais, na forma da lei ou convênio”.
Antes, no inciso XVIII do mesmo artigo 37, a Carta Constitucional já reconhecera outro atributo, desta feita à administração fazendária e a seus servidores fiscais: a precedência: “A administração fazendária e seus servidores fiscais terão, dentro de suas áreas de competência e jurisdição, precedência sobre os demais setores administrativos, na forma da lei”.
Nenhum outro segmento da esfera pública, em quaisquer dos poderes da República, fez por merecer atributos constitucionais comparáveis aos estabelecidos para as administrações tributárias. O primeiro (a precedência), de alcance delimitado aos setores administrativos no âmbito do Executivo; o segundo (a essencialidade) – e mais potente -, de largo alcance, por envolver todo o escopo da Administração Pública, em todos os níveis e esferas de poder.
Se o “(…) Ministério Público é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado…”, de acordo com o artigo 127 da CF; e, se o advogado público “(…) é indispensável à administração da Justiça…”, conforme preceitua o artigo 133 da CF, então o que dizer das autoridades tributárias, cujas atividades são essenciais ao funcionamento do Estado em sentido lato?
Se a função jurisdicional do Estado não sobrevive sem o Ministério Público; e, se a administração da Justiça depende do advogado público; o Estado sequer poderia existir sem a existência da Administração Tributária. Destituído das funções de exigir e arrecadar tributos, o Estado restaria destituído da mais elementar condição de existir.
Mas, quando supunha que a insatisfação partisse justamente das autoridades tributárias, flagrantemente desprestigiadas no texto da PEC 443, eis que o presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros, João Ricardo Costa, de pronto manifestou-se contrário à aprovação da medida. Subscritor de uma áspera nota, Costa anunciou que vai lutar pela reversão da PEC, inclusive pela via judicial se necessário.
Supondo representar uma categoria portadora de uma superioridade – talvez divina, porque não encontrável no texto constitucional -, Costa encerra a nota com um disparate: “É inadmissível tal equiparação pelo que representa nas estruturas das carreiras de Estado. É um atentado ao país. O momento é difícil, mas temos condições de enfrentar”.
Sobre os ombros das autoridades tributárias pesa a responsabilidade pelo combate direto ao maior crime que se perpetra contra sociedade brasileira: a sonegação, que rouba dos brasileiros pelo menos R$ 500 bilhões por ano. À Administração Tributária incumbe a missão constitucional de arrecadar os recursos financeiros que nos permitem ao menos sonhar com uma sociedade solidária, próspera e socialmente justa.
Sem as atividades da Administração Tributária, essenciais ao funcionamento do Estado, não haveria médico na rede pública de saúde e sequer as unidades de saúde; não haveria professores na rede pública de educação e sequer as escolas; não haveria delegados e policias e sequer a ideia de segurança pública; não haveria advogados públicos; não haveria promotores e juízes e sequer a ideia de justiça.
Dos diálogos constantes que tenho travado com os meus pares do Fisco federal, estadual, distrital e municipal, posso inferir, sem margem de erro, que a PEC 443 acionou o estopim de uma crise institucional nas administrações tributárias de todos os níveis de governo.
A crise que se instalou na Receita Federal já começa a alastrar-se pelos demais Fiscos, porque as autoridades tributárias brasileiras não aceitarão tratamento remuneratório inferior às carreiras jurídicas ou a quaisquer outras carreiras de servidores públicos no âmbito do Executivo.
*O autor é auditor fiscal de Receitas Estaduais do Pará e diretor de Comunicação da Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital (Fenafisco)
É muito mais difícil livrar-se dela que deixar o crack, demonstram novos estudos científicos. Por isso, proteção a crianças deveria ser máxima. Mas seria preciso contrariar certos interesses…
Por Antonio Martins
Na última década, a obesidade migrou para o centro das atenções de Saúde Público. Em países com o Brasil – para não falar dos norte-americanos… – ela tornou-se um problema muito mais generalizado que a desnutrição. Ao abordá-la, o enfoque é muitas vezes comportamental. Sugere-se que as vítimas do mal precisam de mais responsabilidade ao se alimentar e de determinação para corrigir atitudes inadequadas. Um conjunto de novas pesquisas científicas acaba de demonstrar que esta abordagem é, além de impiedosa, contraproducente. Ela busca objetivos inalcançáveis e deixa, por interesse, de perseguir outros, que seriam perfeitamente factíveis.
Quem relata as novas pesquisas, num texto brilhante, é o jornalista George Monbiot. No artigo, publicado ontem (11/8) no Guardian londrino, ele conta que:
a) Deixar a obesidade é muito mais difícil que usar crack e não se viciar. Estudos anteriores revelaram (esqueça os mitos a respeito) que entre 10% e 20% das pessoas que fumam a droga derivada da cocaína tornam-se dependentes. A nova pesquisa, que examinou 176 mil pessoas obesas, descobriu que, destas, 97,8% das mulheres e 98,3% dos homens foram incapazes de deixar esta condição, ao longo de nove anos. A probabilidade não se aplica a pessoas que vivem em sobrepeso, mas não atingiram a condição de obesas.
b) Os mecanismos essenciais que produzem dependência à ingestão compulsiva de alimentos são idênticos aos que levam à adição ao álcool e outras drogas, revela outro estudo. Incluem, essencialmente, mudança biológica, desconforto com abstinência, incapacidade de controlar impulsos, sensação de recompensa, ao consumir a substância causadora do vício. Porém, a obesidade é mais tirana que o uso de drogas, mesmo entre ratos. Submetida a um experimento diz o estudo, a maioria deles “preferiu uma recompensa em açúcar a outra, na forma de cocaína”.
c) As campanhas morais voltadas aos obesos produzem muita culpa, mas nenhuma melhora. Na verdade, quanto mais conscientes do seu mal, mais as pessoas tenderão a afundar nele. Há um único tratamento razoavelmente eficaz: as cirurgias bariátricas – que submetem os pacientes, em muitos casos, a riscos e sequelas graves.
Que mudanças deveriam ser desencadeadas por tais evidências? Para Monbiot, a resposta está evidente: “a tarefa crucial é proteger as crianças antes que elas desenvolvam dependências ao consumo abusivo de comida”. O problema, ressalta ele, é que isso exigiria uma abordagem muito menos tolerante frente a quem lucra com a dependência: uma indústria global de alimentos cada vez mais poderosa, concentrada e voraz.
Monbiot sugere: o avanço da obesidade é tão onipresente, e tão cruel, que deveria suscitar, em resposta, medidas duras. Entre elas, restrições à propaganda e marketing tão severas quanto as que limitam a indústria do fumo. Comida trash e refrigerante, por exemplo, só deveriam ser vendidos em locais pouco acessíveis dos supermercados, e em embalagens repletas de advertências.
O problema é que, até agora, a abordagem é a oposta: implica responsabilização das vítimas. No Reino Unido, o governo conservador fala em proibir acesso dos obesos ao sistema público de Saúde, “até que aceitem tratar-se”. No mesmo país, acrescenta Monbiot, as doenças ligadas à obesidade (diabetes, por exemplo), consomem 10% do orçamento nacional de Saúde.
Até quando – pergunta o autor – as sociedades pouparão os verdadeiros responsáveis pelo problema, apenas pelo fato de serem poderosos, e contribuírem generosamente com as campanhas eleitorais dos políticos?
a
Adendo meu (Anarquista Lúcida): E é mesmo quase incurável. Nao sei se é mais difícil de se livrar do vício da comida que do crack, mas a técnica usada para alvoolismo, por ex (só mais 24 de abstinência a cada vez) simplesmente nao pode ser aplicada, sem comer ninguém passa. E, comendo, a compulsao se instala.
Odonir Oliveira
13 de agosto de 2015 5:32 amBolsa de vinho para mulheres, leve seu vinho para qualquer lugar
Que tal ?!
Do Jornal do Brasil
CONEXÃO FRANCESA
Por Rogério Rebouças
Bolsa de vinho para mulheres, leve seu vinho para qualquer lugar
Alô meninas, agora vocês tem o acessório perfeito para ter o seu vinho preferido pertinho de você. Se você gosta de tomar um vinho na praia, no jantar com amigos ou restaurante e não quer pagar caro pelo vinho, seus problemas acabaram. Chegaram as lindas bolsas Wine Purses que permitem, levar três litros de vinho de forma discreta e segura.
Diversos tipos de bolsa estão à venda.
A fabricante americana é do Estado de Winsconsin e desenvolveu o produto para atender exatamente a necessidade de quem quer tomar um vinho em qualquer lugar sem pagar caro. A Kari Kussow desejava uma maneira de levar seu vinho para onde quisesse e pediu ao seu marido para achar uma solução. Ele que é do ramo pegou o estilete e desenvolveu estas lindas bolsas, usando o sistema do “bag in box”. Todas feitas à mão e o saco de vinho é reutilizável. Mas atenção não o vinho deve ser consumido em dois a três dias.
O sistema é inspirado no bag in box, onde um saco protege o vinho e tem torneira.
Você enche seu saco de vinho e coloca-o na bolsa. Afinal, é bem mais barato comprar o vinho na loja ou supermercado do que na maior parte dos restaurantes. Mas ele é útil também em locais onde é difícil encontrar o precioso néctar. Santé.
Webster Franklin
13 de agosto de 2015 6:18 amPT: um sonho à procura dos seus personagens, por Saul Leblon
Carta Maior
12/08/2015 00:00
PT: um sonho à procura dos seus personagens
A operação em curso quer fazer esquecer toda a história do PT e colar na sigla a imagem de única responsável pelas tragédias da democracia brasileira.
por: Saul Leblon
Florestan Fernandes, que o Brasil perdeu há vinte anos (10-08-1995), dizia que o seu socialismo era a democracia levada às últimas consequências. Uma democracia para valer, uma democracia de todos. Sobretudo para todos.
O marxista que foi professor de Fernando Henrique Cardoso, entre outros, rompeu com o pupilo a quem ironizava a pretensão de ser um cavalo de Tróia das elites –querer reformar o capitalismo por dentro, em parceria com seus donos.
De origem humilde, Florestan começou a trabalhar aos seis anos. A pobreza afastou-o da escola aos nove, para devolve-lo só aos 17. Em 1943 estava formado: sociólogo.
Autor de 53 livros, foi cassado e exilado. A filiação ao PT só aconteceria em 1986, seis anos após a criação do partido, do qual foi deputado constituinte em 1988, sendo reeleito para um segundo mandato, que exerceu até perto de falecer, em 1995.
Referência da sociologia crítica, Florestan tinha muito claro o que significava uma democracia para valer.
Direitos, naturalmente.
Mas acima de tudo: conquistas transformadoras.
Quais?
Todas as necessárias para reunir o poder indispensável capaz de alterar ‘estruturas, ritmos e funções da economia’ –como lembra um trabalho do pesquisador Marcos Marques Moreira, (‘Professor Florestan e as lições que o PT esqueceu’).
Florestan dizia que esse deveria ser –‘sempre’— o norte do partido: ‘uma democracia de todos para todos’.
Levar o ‘poder do povo, para o povo, pelo povo’ às últimas consequências, em uma sociedade marcada por 388 anos de sistema escravocrata, não era assunto para retórica ou vacilações.
O sociólogo enxergava nisso a carne e o osso, o corpo e a alma, os nervos e músculos que poderiam sustentar o PT nas encruzilhadas e armadilhas da história.
Caso contrário, o risco também era muito claro para ele: reduzir tudo a um “sonho perdido”.
Disse isso em 1990.
Um quarto de século depois, o pesadelo se aproxima perigosamente da fronteira do real.
Se ainda não está completamente perdido, o sonho vagueia à procura de seus personagens.
A deriva ameaça seccionar de vez a trajetória impulsionada desde as grandes greves operárias do ABC paulista, nos anos 70/80.
Um aluvião que, espantosamente aos olhos da senzala como da casa grande, revolveria dogmas e interditos seculares dos donos do dinheiro e da liberdade para levar um metalúrgico à Presidência da sétima maior economia do planeta.
Mais que isso.
Arrastaria, junto, cerca de 60 milhões que subsistiam na soleira da porta, do lado de fora do país, abrindo-lhes o acesso ao mercado interno e à cidadania.
O conjunto mudou a trama política, redesenhou a economia e renovou a geopolítica brasileira.
Fez mais: esburacou seriamente o caminho que permitia às elites revezarem-se no poder, mantendo-se o povo espremido no acostamento precário, à espera de caronas que nunca vem.
Querer reduzir tudo isso a um ciclo de alta das commodities –que teve seu papel lubrificante, sem dúvida— é abstrair o motor da desigualdade que move cinco séculos de lutas populares na distribuição de renda mais iníqua, entre as grandes nações do planeta.
Igualmente ingênuo é supor que isso se faria higienicamente.
Sem perdas e danos para quem ousasse a experiência de administrar esse capitalismo, sem ter força e hegemonia, ainda, para modifica-lo ordenadamente.
Como?
Como prescrevem os manuais do desenvolvimento elegante e equilibrado.
Esse que só existe nos manuais do desenvolvimento elegante e equilibrado: primeiro, você investe em infraestrutura, então fomenta as exportações, depois, com receitas e contas equilibradas, calibra harmoniosamente a demanda com a oferta prevalecente.
Enquanto isso, a senzala hiberna serena, resignada como num postal de lago suíço.
‘Vamos viver de brisa, meu amor’, diria Manuel Bandeira.
Visto do alto desse mirante asséptico e idílico, a ‘democracia de todos para todos’, de Florestan, em vez de alavanca de justiça como supôs, seria a cereja do bolo.
O PT e Lula? A velinha do aniversário.
Coisa para ser acesa daqui a uns dois séculos de avanço incremental e frugal a cargo de sábios dos mercados perfeitos.
Eles, os economistas de bancos.
Naturalmente.
Ademais do seu elevado discernimento pátrio, contam ainda com o vento a favor que os explica e incentiva diuturnamente: o jornalismo embarcado na tarefa de martelar ‘a lição de casa’, como diz a pedagogia da opressão infantilizante contida na fábula do capitalismo autorregulado.
Bem, as coisas não aconteceram exatamente assim por essas bandas.
A pasta de dente escapou do tubo.
Mãos açodadas tentam devolve-la agora, da forma que isso costuma ser feito nas republicanas latino-americanas e com o fair play característico.
Inclui-se nessa determinação de ‘pôr ordem na casa’ jogar no lixo da história tudo e todos que contribuíram para o vazamento precoce e imprevidente.
A operação consiste –entre outras providências– em pinçar, magnificar e generalizar os erros, os ilícitos, a soberba, as falhas, as omissões e besteiras de toda sorte que possam ter sido – e foram– cometidos individualmente ou em conjunto pelos ‘petistas’, num processo ora esgotado pela mudança de ciclo da economia mundial.
Não, Mirian & Sardenberg, o Brasil não é uma ilha de crise cercada de prosperidade por todos os lados.
A crise da desordem neoliberal – essa da receita que se preconiza como panaceia para o Brasil– persiste há sete anos em recidivas rotativas; a desta semana a cargo do yuan chinês. Antes, a Grécia, amanhã…
A mazzorca mundial não criou, mas escancarou as tensões, os desequilíbrios e, claro, os equívocos registrados na luta pela construção de um Estado de bem estar social tardio, na era da supremacia das finanças desreguladas.
Esse o ponto onde estamos.
Dele irrompe a angustiante saraivada de perguntas que martelam os dias e as noites dos seus principais protagonistas em estado de perplexidade e prostração diante da esfinge que ameaça devorá-los.
‘Como desarmar um sequestro paralisante, do qual o PT é refém mas também, em parte, a tranca da porta?
‘Um partido de trabalhadores consegue se despir dos vícios e desvios da política conservadora depois de passar pela experiência do poder no capitalismo?
‘Consegue sobreviver sem se calcificar nos limites e compromissos inerentes à correlação de forças desfavorável à qual se ajustou? (Para sobreviver, mas também por equívoco e/ou desfrute de uma ilusória ‘aceitação’ pelo status quo.)
‘Pode recuperar o rumo sem o qual descansará sob a lápide do sonho perdido de Florestan?’
Ou restará como o suicida histórico diagnosticado por Wanderley Guilherme? (Leia nesta página o artigo do mestre da análise política no país).
A perplexidade do entorno petista e o politicídio do cerco contra o partido se diferenciam não apenas na avaliação do seu presente e do seu legado.
Pretender que tudo não tenha sido mais que uma cínica e devoradora fraude, uma ação de quadrilha, como sugere o juiz de Curitiba e seus centuriões midiáticos, é mais que reescrever a história com as tintas do preconceito conservador.
É tentar sofregamente desautorizar o papel que as lutas sociais tiveram, tem, e ainda terão, na ordenação do país, na sorte do seu desenvolvimento e no destino de sua sociedade.
Fique claro, para além das responsabilidades e pecados individuais: o alvo em curso não é o pescoço de Dirceu, não é o de Lula ou o de Dilma.
A meta-síntese do arrastão desse garrote é esgoelar o povo brasileiro.
O PT, hoje, dado como cachorro morto, é a jugular mais cobiçada da rosca depuradora.
Por que a obsessão em sangrar, picar e salgar o que já morreu?
Por mais que se martele o oposto, a tragédia do PT consiste justamente no fato de não se tratar aqui de um ‘bando’. Mas de um futuro em disputa.
Por mais que o medo e o ódio queiram e até certo ponto tenham conseguido circunscrever a tragédia assim, no laço desse garrote o pescoço é coletivo.
E a voz densamente popular.
Ela remete a 500 anos de resistência à opressão.
Remete à luta dos indígenas, às sublevações quilombolas, aos levantes anticoloniais, à subversão antiescravagista, às greves anarquistas, à histórica criação dos partidos comunistas e socialistas, à luta nacionalista pelo comando da riqueza nacional, ao trabalhismo do Vargas progressista, à campanha pelas reformas de base, às Ligas Camponesas, à resistência à ditadura, às comunidades de base, às Diretas, à Constituinte Cidadã de 1988, na qual o deputado petista Florestan Fernandes espetou o direito inalienável a uma escola pública de qualidade, não para substituir a luta contra a opressão por meritocracia neoliberal, mas para encurtar o tempo histórico desse aluvião em busca da emancipação coletiva do povo brasileiro.
Portanto, não estamos diante de um aparato, uma quadrilha, um covil de bandidos, um biombo dissimulado em militantes da luta popular.
Fosse o que outras siglas se comprazem em personificar não haveria a tragédia.
Com todas as fragilidades e paradoxos sabidos e mencionados, na tragédia do PT pulsa a ‘democracia de todos para todos’.
O sonho que ficou incrustrado no torneiro mecânico, contra o qual se revigora a chave da desqualificação agora ainda mais virulenta que aquela de 1932, 1954, 1962, 1964, 1969, 1988,1994, 2002, 2006, 2010, 2014…
Pelo motivo que o próprio personagem nunca teve dúvida em expressar: ‘Eu sou uma criação coletiva do povo brasileiro’.
Daí o orgulho, ontem, dos que nele se enxergaram.
E a perplexidade dolorida, hoje, pelas trincas do caminho, sentenciadas como esfarelamento irremediável pelos seus críticos.
Nenhum partido pode subsistir assim, tendo a sua história capturada febrilmente, e toxicamente reescrita com base em erros –reais e desastrosos– mas também em falsificações atribuídas, grotescas e infames.
Se o PT não se reapoderar do seu sentido vai morrer.
A operação em curso visa condensar na sigla toda a tragédia da democracia brasileira –que está longe de ser a ‘de todos e para todos’.
O cessar fogo decretado pelo O Globo, o principal grupo de mídia do país, dá a medida do fosso existente entre a democracia que temos e a preconizada por Florestan.
A trégua inspira um sentimento misto de alívio e vergonha.
Nua e cruamente ela reduz o país ao que o conservadorismo quer que ele seja: um item da grade da Globo, remanejavel, descarada e cinicamente, ao sabor de interesses comerciais e plutocráticos.
Acima de tudo, porém, a operação dá a medida do fatia não negligenciável da crise econômica a ser debitada no arcabouço de uma palavra: sabotagem.
O PT tem escolhas a fazer diante da condescendência acenada pelo garrote.
Se adotar o silencio obsequioso de quem suplica indulgência será varrido como objeto histórico anacrônico.
Se abraçar a boia furada da moeda de troca que lhe é cobrada –a ‘Agenda Brasil’, de Renan & Levy, que inclui a privatização do SUS, entre outras pérolas da restauração neoliberal– ingressará num estágio de putrefação política irreversível.
Não se trata dissimular fragilidade com retórica e heroísmo.
O PT só tem uma finalidade na história brasileira.
E é nela que pode encontrar a saída para o seu labirinto.
Entregar-se a quem de direito.
Quem?
O povo, de cuja vértebra nasceu o sonho que agora ameaça se perder, como advertiu Florestan Fernandes em 1990.
Não, não é uma abstração sociológica.
O dono do PT está aí, à espera de um gesto.
Onde sempre esteve: nas portas de fábricas, nas periferias conflagradas, nas conferencias nacionais da cidadania, nas igrejas, nas universidades, nos sindicatos, nas mães do Bolsa Família, nos bolsistas do Prouni, nos moradores do Minha Casa, nos sem teto do MTST, nos acampados do MST, nos que labutam a terra, nos operários do PAC, nos intelectuais, nos estudantes…
Com eles deve ser erguida a ponte da autocrítica e do desassombro.
Essa, capaz de surpreender indo além das lamúrias da autodefesa reflexa.
Nenhuma prioridade é mais importante nesse momento do que promover esse reatamento de depuração e reerguimento.
Se ela falhar, todas as demais naufragarão –inclusive o governo Dilma.
Não haverá frente, nem repactuação com ninguém se a retaguarda do PT estiver desmantelada.
Não é tarefa burocrática. É quase uma revolução política e cultural.
Dirigentes e lideranças tem que se despir dos punhos de renda adquiridos, pretensos ou cultivados com o zelo dos emergentes da autorrelevância.
Rotinas elevadas à condição de cosmologia sagrada, típicas dos aparatos autocentrados são grotescas nessa hora.
Varrer o acessório que estorva o essencial e faze-lo radicalmente é uma precondição: quem não estiver disposto não conta mais.
A conversa mais importante é com aqueles que não estão sendo ouvidos.
Não com os que se repetem.
Na abertura da Marcha das Margaridas, na noite desta 3ª feira, em Brasília, Lula anunciou: ‘Estou preparando meu caminhãozinho para andar pelo Brasil’.
Faz tanto sentido quanto o ar que se respira.
Não é necessário endossar o trajeto de um resgate social inconcluso para reconhecer que o degrau alcançado no país favorece novos saltos.
Ou como resumiu Lula na mesma 3ª feira: ‘ Quem comeu filé, não quer mais comer bucho’;
O conservadorismo local e globalizado sabe que nessa travessia simbólica e incompleta reside o perigo de um PT vivo.
Não é apenas o legado de 12 anos, contra o qual agora se conspira na forma de uma ‘purga sem cura’, sangrando o emprego, o salário, o poder de resistência dos sindicatos etc
Mas é o risco de que o ‘inconcluso e o insuficiente’ possam, se não forem destruídos agora, na vulnerável transição de ciclo de desenvolvimento, gerar a massa crítica de um novo salto, de DNA histórico semelhante ao original.
Desta feita, porém, em escala ampliada e fulminante.
Com o risco de destampar a garrafa da história onde pulsa o Brasil de Florestan Fernandes: ‘uma democracia de todos para todos’.
É o que resta tentar. E não é fácil.
Mas é pegar ou largar. E largando, deslizar a alma no sumidouro da história, onde repousa o cemitério dos sonhos perdidos.
http://cartamaior.com.br/?/Editorial/PT-um-sonho-a-procura-dos-seus-personagens/34225
Webster Franklin
13 de agosto de 2015 6:26 am‘Lula continua na mira dos irmãos Marinho’, por Rodrigo Viana
Carta Maior
12/08/2015
‘Lula continua na mira dos irmãos Marinho’
Lula segue a ser o alvo. É a força dele que atormenta tanto a extrema-direita quanto a imprensa golpista, que brincou com o atentado contra o Instituto.
Rodrigo Vianna – Escrevinhador
Com mais de quatro décadas de atuação política, Celso Marcondes lança um alerta: Lula segue a ser o alvo. É a força dele que atormenta tanto a extrema-direita, quanto os setores mais “manhosos” da elite empresarial/jurídico/midiática, que nos últimos dias baixaram o volume de artilharia contra Dilma e seu governo.
“Eles [mídia e setores da elite] suportam a Dilma enfraquecida, mas não pisaram no freio dos ataques ao Lula. Ele vai ser alvo preferencial das manifestações de domingo e continua sob a mira dos Marinho”, diz o experiente militante.
Jornalista por formação, Marcondes é o diretor do Instituto Lula, órgão mantido pelo ex-presidente no bairro do Ipiranga, em São Paulo – bem perto do local em que Dom Pedro teria dado o “grito da Independência” em setembro de 1822. Em julho de 2015, os gritos que se escutaram por aqui foram outros. Uivos enraivecidos dos que lançaram uma bomba de fabricação caseira contra o Instituto, no último dia 30. Berros assustados dos que moram e trabalham nas redondezas.
Por parte da polícia e da imprensa velha de guerra, silêncio sepulcral. Duas semanas depois do ataque, a investigação não andou. A polícia de Alckmin, diga-se, é comandada por um secretário que gasta seu tempo comparecendo a manifestação de “juristas” em defesa da renúncia de Dilma.
Em entrevista exclusiva ao Escrevinhador, Marcondes revela que o Instituto segue a receber “telefonemas e emails ameaçadores.” Ou seja: os agressores sentem-se livres para atacar de novo. Ele estranha que o caso não tenha sido federalizado: “É responsabilidade também da PF tratar de um caso que envolve um ex-presidente.”
Ele diz que teme as ações da extrema-direita nos próximos dias: “pregam o golpe militar, são preconceituosos, racistas. São perigosos, sim. Mas não vão nos intimidar.”
Marcondes ficou um pouco mais aliviado com a presença de metalúrgicos e sindicalistas que, desde o dia 10, montaram um “acampamento” no Ipiranga pra defender Lula. Marcondes convoca militantes e democratas para que, no dia 16, participem de uma vigília contra o golpe, em frente ao Instituto: “Quem não quiser ir para a Paulista, que venha para cá defender a democracia.”
Confira abaixo a entrevista na íntegra.
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1) O ataque a bomba contra o Instituto Lula vai completar duas semanas. Como estão as investigações? A Policia Civil mostrou agilidade ou interesse em resolver o caso? Alguém foi ouvido? Há indiciados/suspeitos?
Eu estou muito preocupado com a lentidão na apuração do caso. Acho um absurdo não termos nenhuma novidade depois de 14 dias. Toda a região é cercada por câmaras de segurança de diversos edifícios. As pessoas que jogaram a bomba não passaram “de repente” e jogaram o artefato. Seguramente passaram antes para ver a situação e outras pessoas devem ter trabalho como informantes. Também não sei de nenhuma pesquisa séria feita pela internet para identificar os agressores.
Por “coincidência”, no dia do atentado aconteceu uma mini manifestação em frente ao Instituto com exatas dez pessoas de um grupo de extrema-direita com cartazes ofensivos ao Lula e ao Instituto, um deles com os dizeres “Instituto Lula = Instituto do Crime”. E na manhã de sexta-feira,31, enquanto avaliávamos o prejuízo, outro grupo menor ainda, com cinco pessoas, veio nos provocar e xingar. Está tudo registrado em fotos e vídeos que foram colocados na rede. Ou seja, em menos de 24 horas, foram três ocorrências no Instituto. Além disso, temos recebido telefonemas e emails ameaçadores. Eu pergunto: se as autoridades tratam um ex-presidente da República com tal descaso, o que pode vir pela frente?
2) Segundo a imprensa, o Secretario de Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes, estava presente em ato público no dia 11 de agosto, quando “juristas” lançaram um manifesto exigindo a renúncia de Dilma. Parece uma manobra golpista. A lentidão da polícia (subordinada a Moraes) para investigar a bomba não poderia ser motivada por essa posição política extremada do atual secretário?
Eu não sabia da presença do secretário neste ato, mas lamento profundamente e me preocupo ainda mais agora com essa informação. O clima de insegurança e medo sempre propaga em momentos de crise. A história registra isso em abundância. Os que querem o golpe se alimentam deste clima.
3) O caso da bomba não poderia ser federalizado? A PF está investigando?
Acho que tem que ser federalizado, estamos esperando diariamente por isso, não entendo porque isso ainda não aconteceu. Ontem mesmo o presidente do Instituto, Paulo Okamotto, enviou ofício ao ministro da Justiça pedindo intervenção federal. É responsabilidade também da Polícia Federal tratar de um caso que envolve um ex-presidente.
4) Como Lula e a equipe do Instituto avaliam a maneira como a gloriosa “grande imprensa” tratou o atentado? “Folha”/UOL, por exemplo, escrevem em seus textos: o ataque “é tratado pelo PT como um atentado politico”. Ou seja: dão a entender que não é um atentado, que só os petistas tratam o caso assim… Você consegue imaginar o que aconteceria se o Instituto FHC fosse alvo de bomba? Ou se o Instituto Clinton fosse atacado pelo Tea Party nos Estados Unidos?
Foi impressionante. A reação da maioria da grande imprensa, em especial de alguns articulistas, foi a ironia ao desprezo. Não faltaram os que insinuaram que o próprio PT havia montado a farsa. Tentaram reduzir o caso por se tratar de uma bomba “caseira”. Mas “caseiras” foram as bombas da maratona de Boston, dos atentados do Riocentro, da OAB, contra as bancas de jornais, essas nos estertores da ditadura brasileira. Não foi coisa de um “baderneiro”, como disse um delegado e repercutiu na imprensa. Um “baderneiro” jogaria uma bombinha de São João. Aquela que foi jogada aqui tinha alta letalidade, basta ver as imagens da explosão na internet. Era uma bomba de fragmentação, que espalhou parafusos de mais de cinco centímetros. Fez pouco estragos porque explodiu antes do portão, quase explode dentro do carro que a jogou. Por sorte não havia ninguém por perto.
O Instituto fica em frente ao Pronto Socorro do Hospital São Camilo e de um ponto de ônibus. Companheiros nossos saíram daqui naquele dia meia hora antes da explosão. O Lula saiu às 21 horas e a bomba explodiu às 22p8. E eu tenho que ouvir Merval e Cantanhede brincando com isso. O que seria preciso para impressioná-los? O portão ter sido destruído? Algum ferido? Algum morto?
5) Desde o dia 10, metalúrgicos montaram um acampamento em frente ao Instituto Lula. Qual a ideia? Existe receio de que, no dia 16, com as manifestações golpistas já agendadas, o Instituto Lula possa ser alvo de extremistas da direita?
É uma iniciativa dos metalúrgicos do ABC, que começaram a Vigília pela Democracia e eu fiquei muito contente com isso. O acampamento está crescendo e seguramente atrairá milhares de pessoas no dia 16.
Quem não quiser ir para a Paulista, que venha para cá defender a democracia. Vai ser uma grande festa, com música, barracas e alegria. Temos medo, sim, de grupos de extrema-direita. Diante da inoperância da polícia, fomos obrigados a contratar segurança particular para nos proteger e contar com o apoio dos companheiros e amigos. Esses grupos, que aparecem impunemente pela internet, não tem apreço pela democracia, pregam o golpe militar, são preconceituosos, racistas. São perigosos, sim. Mas não vão nos intimidar.
6) Qual cenário você enxerga nesse momento aí em frente ao prédio? Há quantas pessoas? Todos dormem aí acampados?
Hoje pela manhã umas 60 pessoas. Estão conversando, jogando baralho, cantando. Eles fazem um rodízio. Montaram uma barraca de cem metros quadrados, não sei dizer quantos dormiram aqui. Mas durante toda a semana comitivas de sindicalistas e amigos virão nos visitar. No sábado vai ter samba e no domingo uma festa da democracia.
7) Um colunista conservador, pago pela família Marinho, andou espalhando que nesta quarta-feira viria uma “bomba” contra Lula. Aparentemente, o tal colunista quis até fazer graça com o atentado do dia 30. Há algum receio, no Instituto, de que Sergio Moro possa criar algum fato novo antes do dia 16, para inflar o movimento golpista?
Eu acho que aqueles que comemoram a “trégua” calculada, momentânea e tática da Rede Globo e de outros veículos, tem que entender essa novidade na sua plenitude. Depois de desgastar tremendamente a presidenta Dilma, chegaram à conclusão que não há alternativa imediata tranquila.
Todos sabem que Eduardo Cunha pode ser indiciado a qualquer momento pela Lava Jato. E as elites, o capital financeiro, temem que a crise política aprofundada prejudique ainda mais os seus negócios. Procuram alternativas rápidas e seguras, mas não encontram. E a oposição está claramente dividida. Enquanto esperam os resultados das novas investidas da Lava Jato e o alcance das manifestações do dia 16, dão uma trégua, pisam um pouco no freio do golpe em marcha. Mas, muita atenção: suportam a Dilma enfraquecida, mas não pisaram no freio dos ataques ao Lula. Ele vai ser alvo preferencial das manifestações de domingo e continua sob a mira dos Marinho, vide a capa do Globo de hoje.
8) Há uma página no facebook pedindo a morte de Lula. O Instituto vai entrar com ação para pedir punição aos responsáveis pelo crime? Qual a alegação do Facebook para manter a página?
Essa é outra faceta do ataque ao Lula. Esse “grupo aberto” do Facebook é um absurdo, um ultraje à democracia. Na sexta-feira eram 4 mil seguidores, hoje já passam de 5.500. Já fizemos dois pedidos formais para a retirada e muito gente denunciou a página, Eles mandam uma resposta burocrática dizendo que não enxergam motivos para tal. É inconcebível tal atitude. Diante dessa, vamos intensificar a mobilização pela rede e entrar com ação na Justiça, nossos advogados já estão preparando.
9) Como está o humor de Lula com essa escalada autoritária no Brasil?
Lula está evidentemente preocupado com a situação política do país e altamente empenhado no debate para enfrentar a crise, conter as ameças golpistas e unificar o Brasil na defesa da democracia. Começou ontem seu ciclo de viagens pelo país, naquela maravilhosa Marcha da Margaridas. Volta à Brasilia dia 14 para a Plenária Nacional da Educação. Depois vai a Belo Horizonte e tem inúmeros convites para viagens. Ele está muito satisfeito com a quantidade de mobilizações populares que começam a acontecer pelo Brasil.
%u20B10) E quem trabalha no Instituto: tem medo?
O Instituto tem mais de 30 colaboradores regulares e dezenas de outros que passam por aqui diariamente para participar de reuniões e atividades. Alguns mais engajados politicamente, outros nem tanto, são profissionais em suas áreas. Todos estão muito preocupados com a não apuração do atentado. Mas satisfeitos com o serviço de segurança particular que contratamos e com a solidariedade dos metalúrgicos. Mas um dos choques que ficou foi com a ausência da solidariedade de importantes setores ditos democráticos de nossa sociedade. Você acredita que não recebemos nenhum telefonema de dirigentes do PSDB, do PP e de muitos ilustres democratas brasileiros? O que fica, é que compraram a versão dos colunistas globalizados.
Créditos da foto: reproduçãohttp://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/-Lula-continua-na-mira-dos-irmaos-Marinho-/4/34231
Webster Franklin
13 de agosto de 2015 6:41 amCuritiba ainda mira Lula e planta “descoberta” velha em O Globo
Tijolaço
Curitiba ainda mira Lula e planta “descoberta” velha em O Globo
12 de agosto de 2015 | 12:29 Autor: Fernando Brito
Uma velha e improvada acusação, feita em dezembro do ano passado, foi ressuscitada hoje pelo O Globo, a partir da “soprada” de alguém da “turma de Moro”.
É a história do tal “triplex” de Lula num edifício no Guarujá, cuja propriedade o ex-presidente nega e o proprio jornal não tinha como provar, na ocasião, pois o imóvel pertence, segundo o registro em cartório, à Construtora OAS.
Virou manchete de novo.
Algum integrante da República Curitibana ou do MP paulista “soprou” ao jornal que o “apartamento de Lula”, que não é de Lula, foi dado em hipoteca a uma empresa que teve negócios com uma empresa de Alberto Youssef.
Reparem: deu o “apartamento de Lula” em hipoteca! Como, se “é do Lula”?
Não “é do Lula”, como ele se cansa de repetir, desde o ano passado, confirmando que comprou um cota do condomínio, financiada e na planta, à época da construção, e nem exerceu ainda seu direito de assumir uma unidade ou receber a quantia aplicada de volta.
A história é fraca, fraquinha, tanto que os demais jornais nem “correram atrás”.
Todo mundo percebeu que é “requentada”.
Apartamento no Guarujá, afinal de contas, não chega a ser bem um apartamento na Avenue Foch, em Paris, não é?
E para que o curioso leitor possa matar de vez a curiosidade sobre a “mansão” lulista, posto abaixo o video de um corretor tentando vender os imóveis, com “unidades promocionais a partir de R$ 450 mil, sendo 25% deste valor como entrada e o restante financiado”. Mesmo que o tríplex custasse o triplo,
Nem multiplicando por três dá para chamar de algo nababesco.
[video:https://youtu.be/ZKCo6WRK7hY%5D
http://tijolaco.com.br/blog/?p=28889
Webster Franklin
13 de agosto de 2015 7:47 amO “custo Brasil” de uma Justiça injusta, por Fernando Brito
Tijolaço
O “custo Brasil” de uma Justiça injusta
12 de agosto de 2015 | 14:04 Autor: Fernando Brito
Dá medo de dizer que o Brasil precisa urgente de uma reforma no Judiciário poque, infelizmente, o espírito de casta “meritocrática” é tão forte nesta corporação que pretender mexer em alguma coisa é quase que a garantia de que teremos mais privilégios e mais despesas públicas.
Mais, porque um trabalho do professor Luciano Da Ros, publicado na última edição da revista do Observatório de Elites políticas e Sociais do Brasil, dá números espantosos aos gastos de nosso país com a Justiça, para termos tão pouca, cara e lenta.
Vou, para evitar alguma imprecisão, transcrever trechos literais da publicação:
O orçamento destinado ao Poder Judiciário brasileiro é muito provavelmente o mais alto por habitante dentre todos países federais do hemisfério ocidental. Tal despesa é, com efeito, diversas vezes superior à de outros países em diferentes níveis de desenvolvimento, seja em valores proporcionais à renda média, seja em valores absolutos per capita.
o orçamento anual per capita do Poder Judiciário brasileiro é equivalente a cerca de US$ 130,32 ou €94,23. Estes valores são superiores aos de todos os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) com exceção apenas dos gastos de tribunais suíços (€ 122,1) e alemães (€ 103,5)
A burocratização, a morosidade gerada por uma imensa carga de procedimentos e a “terceirização” informal para assessores das tarefas dos juízes talvez sejam a causa do número absurdo de servidores encontrado pelo professor Da Ros:
Esta enorme força de trabalho soma cerca de 412.500 funcionários no Brasil e equivale a 205 deles para cada 100.000 habitantes (CNJ 2014, 33), dando vazão, esta sim, a uma proporção muito elevada comparativamente, como se pode observar no Gráfico 3, abaixo.
E é obvio que a quantidade de servidores cria problemas quando se pressionam para cima as suas aspirações remuneratórias, até porque todos sabem que não é raro que sejam eles, na prática, os verdadeiros “juízes” na carga de processos inviável que se gera. O custo de cada decisão fica altísimo:
o custo por cada decisão judicial é, em média, de R$ 2.248,93 ou € 691,98 no Brasil, e não passando de R$ 1.679,15 ou € 516,66 na Itália, e R$ 2.093,98 ou € 1.824,52 em Portugal.
O Ministério Público não fica atrás do Judiciário em matéria de gastos:
O orçamento total destinado ao Ministério Público no Brasil em 2014 – incluindo, a exemplo de como calculamos para o Poder Judiciário, todos os seus “ramos” e todos os seus vários níveis hierárquicos – foi de R$15,4 bilhões, o equivalente a 0,32% do PIB. Trata-se também de um percentual muito elevado, representando proporcionalmente mais do que a maioria dos países dispende com (todo)o próprio Poder Judiciário.
Somando os valores gastos com as defensorias públicas, advocacia da União e procuradorias públicas, afirma o trabalho que:
podemos realizar uma estimativa da despesa total do sistema de justiça no Brasil. Esta “burocracia jurídica”, com efeito, consome a cada ano cerca de 1,8% de toda a riqueza produzida anualmente no país, ou cerca de R$ 87 bilhões em valores atualizados.
O que dá aquela proporção absurda do gráfico lá de cima. E isso sem contar as despesas decorrentes das atividades que se conectam com a Justiça: a policial e a prisional, nas quais o gigantismo no Brasil é semelhante.
O pior é que, quando se fala nisso, só o que vem á cabeça é aumentar estruturas e remunerações – de fato, em alguns casos, necessária para muitos servidores – e jamais em desburocratizar a Justiça e, também, diminuir a judicialização da vida social.
http://tijolaco.com.br/blog/?p=28895
Webster Franklin
13 de agosto de 2015 8:44 amA presença de Cunha na presidência da Câmara é um escárnio e uma
Do DCM
A presença de Cunha na presidência da Câmara é um escárnio e uma ameaça. Por Kiko Nogueira
Postado em 12 ago 2015 por : Kiko Nogueira
Ele
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A presença de Eduardo Cunha na presidência da Câmara é um escárnio e uma ameaça à democracia. Sob a proteção dos suspeitos de sempre, ele simbolizou a aposta no quanto pior, melhor. Deu no que deu.
Isolado, mas ainda contando com seus gângsteres, Cunha comprou briga com toda a república. Em circunstâncias normais, a acusação de receber propina de 5 milhões de dólares num processo como a Lava Jato deveria fazer com que ele saísse para as investigações ocorrerem sem obstrução.
No regime teocunhacrático, isso não existe. Ele tudo pode. Considera-se normal que obstrua a Justiça e que parlamentares, a soldo dele, partam para intimação de traficante de favela.
Desgostoso com a aproximação entre Renan e Dilma, seu alvo agora é o presidente do Senado. Os apaniguados vão incentivar os grupelhos da manifestação do dia 16 a incluir Calheiros na lista dos políticos corruptos de que o país precisa se livrar.
Ordenou também a seu pessoal na CPI da Petrobras que pedisse a quebra de sigilo telefônico do ministro José Eduardo Cardozo e do procurador Rodrigo Janot — este, parte de uma conspirata com o Palácio do Planalto para destruí-lo.
É o homem pauta bomba. Na terça, dia 11, a Câmara concluiu a votação em primeiro turno da PEC que vincula salários de integrantes da Advocacia-Geral da União, delegados civis e federais a 90,25% da remuneração de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O impacto é de cerca de 2,4 bilhões reais.
Vai cometendo barbaridades e negando, negando, negando. Seu comportamento lembra o de Collor às vésperas da queda.
Visivelmente descontrolado, agressivo, o olhar rutilante, vendo inimigos em todo lugar, um Macbeth de casa de saúde, declarando-se abandonado pelos amigos, Cunha é um incêndio em si mesmo.
“Ele é arrogante, autoritário e usa o cargo para debilitar o governo, em um gesto que muitas vezes se confunde com chantagem”, disse Jarbas Vasconcelos à BBC Mundo.
É esse chantagista, montado nos evangélicos, na bancada da bala, no PSDB, que está sendo canonizado pelos movimentos golpistas e por milhares de adeptos da indignação coletiva.
A posição de EC é insustentável e só se explica pelo momento caótico que atravessamos. Não durará muito tempo. Até lá, continuará no papel de Nero que lhe foi outorgado por brasileiros.
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/a-presenca-de-cunha-na-presidencia-da-camara-e-um-escarnio-e-uma-ameaca-por-kiko-nogueira/
Mailson
13 de agosto de 2015 8:59 amAçougueiros da medicina agridem estudante que elogiou Dilma
Por que xingam Ana Luiza?
12 de agosto de 2015 | 10:50 Autor: Fernando Brito no Tijolaço
Ana Luiza é quase uma menina, como se pode ver na imagem.
Quase, porque é uma mulher e vai ser uma médica de verdade, não uma comerciante da saúde.
Ela fez, no aniversário do Programa Mais Médicos, um discurso de agradecimento pela instalação de um curso de medicina em sua cidade: Caicó, no sertão do Rio Grande do Norte.
E curso pra lá de concorrido: foi, na primeira parcial do Sisu este ano, a escola de medicina com a maior nota de corte: 868,98.
Lá, ela está no segundo ano de medicina.
O que ela disse que pudesse ofender alguém?
Falou que uma neta de agricultores, como ela, agora pode realizar o sonho de estudar medicina.
Que pode fazer algo de bom por sua comunidade.
Que tem orgulho do que faz.
Por isso, Ana foi pessoal e violentamente agredida em mensagens do Facebook, onde ela narrou, num desabafo:
“Fui atacada em minha página pessoal brutalmente por MÉDICOS E FUTUROS MÉDICOS, além de outras pessoas. O machismo e a elite mostraram sua cara. Fui chamada de vadia, de MÉDICA VAGABUNDA DE POBRE, ignorante, não merecedora de cursar medicina. Me foi dito que iam fazer de TUDO pra que eu não conseguisse emprego depois de formada. De que eu não sabia com QUEM estava lidando. Que eu merecia LEVAR UMA SURRA pra aprender a deixar de ser corrupta. Me mandaram CALAR MINHA BOCA NOJENTA DE POBRE E DE VADIA.”.
Depois, por conta de gente capaz de dizer isso a uma menina do interior que sonhou com a profissão e caminha para ela, a categoria médica não quer que surjam situações como a publicada ontem pelo UOL, que registra uma pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais apontando que “Em dois anos, cubanos ganham preferência a médicos brasileiros“.
E na injustiça que isso representa com milhares de médicos brasileiros que merecem este nome, como o meu querido José Carlos, que, quando médico do Hospital da Posse, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, desabafou comigo que tinha colegas que sentiam “nojo do paciente”. Ou com a Dra. Diane, que nem desconfia que sou blogueiro ou que fui do Governo e tem a delicadeza de me levar até a porta do consultório do posto de saúde – a mim e a todos – perdido na beira de uma lagoa.
Ana Luiza é quase uma menina, mas não precisa de defesa de ninguém, porque sabe se defender.
Sabe que é inútil falar ao ódio e o melhor que podemos pretender é que o ódio se cale, desmoralizado, e vá minguando, como deve ser, para minúscula condição dos vícios humanos, contra os quais a gente tem de se vacinar todos os dias.
Assim como fez a Ana:
Minhas palavras foram pros profissionais de saúde que dão o sangue todo dia, mesmo com condições péssimas de trabalho, com salários atrasados, numa saúde abandonada e caótica. Eles sim, são verdadeiros heróis.Minhas palavras foram direcionadas àqueles que acreditam e lutam por um mundo transformado a partir da educação e do amor. Minhas palavras foram um agradecimento aos professores, a classe Trabalhadora com T maiúsculo!! Que têm seu serviço desvalorizado ao máximo, mas toma a linha de frente na luta pela transformação diária do futuro de milhões de jovens sem oportunidade no país.
[video:https://www.youtube.com/watch?v=zBY3NwHbfgs align:center]
BRAGA-BH
13 de agosto de 2015 11:12 amGrupo ‘leva bronca’ dos Titãs ao entoar coro contra Dilma em sho
Grupo ‘leva bronca’ dos Titãs ao entoar coro contra Dilma em show
Postado em 12 de agosto de 2015 às 8:16 pmin
O blogueiro Fabio Ramirez narrou em seu blog o que viu num show dos Titãs em Cuiabá. Segundo ele, uma patota que comprou um camarote — 2 mil reais — tentou puxar o clássico grito de guerra “Ei, Dilma, vai tomar no cu!”
O resto da plateia não embarcou. Ao final, segundo Ramirez, a turma ainda levpu um sabão do vocalista Paulo Miklos.
O relato de Ramirez:
Quase no fim do espetáculo surge um coro do camarote que tenta ecoar pelo salão: “Ei, Dilma, vai tomar no c#”. O grito não pegou, ficou só no camarote com meia dúzia gritando. Pouco antes, o Titãs havia tocado a música ‘Fardado’, lançado em 2014 e inspirada nas jornadas de junho de 2013, quando milhares saíram às ruas por saúde, transporte e educação, enfrentando a repressão dos ‘fardados’.
(…)
Quando os Titãs anunciaram o encerramento do show, decidiram voltar após uma pequena pausa (o retorno faz parte da programação, mas a bronca que viria não). Paulo Miklos pega o microfone e dá o recado: “decidimos tocar essa música de 87, por que ela está muito atual”. A música anunciada era “desordem”, composição feita em momento político de greves gerais pelo país e luta contra a Ditadura Militar.
(…)
Mas o grupinho do camarote parecia não ter entendido o recado, e, após a música, tentam puxar mais um grito de fora Dilma. Novamente sem sucesso, o coro não ecoou pelo salão. Mas Paulo Miklos decide desta vez desabafar no microfone: “vamos manter a ordem democrática! Lutamos por isso, democracia acima de tudo!”. Calando de vez o cantinho do camarote, certamente povoado por parte da elite cuiabana.
bfcosta
13 de agosto de 2015 12:11 pmAlguém se lembra da reforma política ? Pois é…
http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2015/08/camara-aprova-doacao-de-empresas-a-partidos-e-conclui-reforma-politica-9795.html
DISTORÇÃO
Câmara aprova doação de empresas a partidos e conclui reforma política
Proposta será encaminhada para votação no Senadopor Agência Câmara publicado 13/08/2015 08:57Comments GUSTAVO LIMA/CÂMARA DOS DEPUTADOS
Texto que regulamenta doações de empresas a partidos foi aprovado por 317 votos a 162
Brasília – O plenário da Câmara dos Deputados concluiu as votações, em segundo turno, da proposta de emenda à Constituição da reforma política (PEC 182/07). Na votação de ontem (12), os deputados aprovaram o financiamento de campanhas com doações de pessoas físicas a candidatos e a partidos e de empresas a partidos. O texto foi aprovado por 317 votos a 162.
Inicialmente, destaques do PT e do PPS pediam a retirada apenas da parte do texto que permite a doação por empresas. No entanto, esses destaques foram indeferidos após decisão do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, na qual acatou questão de ordem dos deputados Leonardo Picciani (PMDB-RJ) e Mendonça Filho (DEM-PE).
Para garantir a votação em dois turnos do tema, o artigo todo foi votado novamente e não somente a parte pretendida pelos partidos contrários ao financiamento privado de campanhas.
No primeiro turno, a matéria foi aprovada por 330 votos a 141. Com o encerramento das votações em segundo turno, a PEC será enviada ao Senado.
A votação em primeiro turno sobre o financiamento de campanha está em contestação no Supremo Tribunal Federal (STF), que foi acionado pelos partidos contrários ao financiamento privado.
A ministra Rosa Weber negou pedido de liminar de 61 deputados questionando a votação, mas o Pleno do STF poderá julgar novamente o caso.
Os deputados questionaram a decisão do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, de colocar em votação nova emenda sobre o tema depois que texto semelhante foi rejeitado por insuficiência de votos.
Mandato igual
O segundo turno começou a ser votado em julho, quando a Câmara decidiu manter o mandato de quatro anos para presidente da República, governadores, prefeitos, vereadores e deputados e de oito anos para senadores.
De acordo com a redação do primeiro turno, os mandatos seriam de cinco anos para todos os cargos, com uma transição nas próximas eleições. A mudança ocorreu devido a resistências do Senado na mudança da duração do mandato daquela Casa.
Como o texto excluído em segundo turno estava ligado à mudança na data de posse de governadores e presidente, essa alteração também caiu. Assim, a posse para esses cargos permanecerá em 1º de janeiro. A proposta previa 4 de janeiro para governadores e 5 de janeiro para presidente.
Sistema proporcional
Um dos pontos polêmicos votados na reforma política foi o sistema de eleição de deputados e vereadores. O plenário manteve o sistema proporcional usado atualmente, que preenche as cadeiras de acordo com os votos recebidos pela legenda e pelos candidatos, possibilitando o acesso de candidatos menos votados devido às coligações partidárias.
Todas as alternativas apresentadas foram rejeitadas pelos deputados, desde o distritão (eleição apenas dos mais votados segundo um sistema majoritário) até a lista fechada (legendas indicando os candidatos), passando pelo distrital misto (mistura entre esses dois sistemas).
Fim da reeleição
A PEC aprovada pelo plenário acaba com a reeleição para prefeitos, governadores e presidente da República. Pela proposta, os eleitos em 2014 e 2016 que estiverem aptos a se reeleger pela regra atual terão esse direito preservado.
Cláusula de desempenho
Os deputados resolveram ainda limitar o acesso ao Fundo Partidário e ao horário eleitoral gratuito de rádio e TV apenas aos partidos que tenham concorrido com candidatos próprios à Câmara e tenham eleito, ao menos, um congressista (deputado ou senador).
Hoje, 5% do fundo são distribuídos entre todas as legendas existentes, que também podem ir ao rádio e à TV. Com a proposta, esses direitos só caberão aos que tiverem representação no Congresso.
Idade mínima
Outro ponto da reforma política é a redução da idade mínima para a disputa de cargos. Os candidatos a deputado federal, estadual ou distrital poderão disputar as eleições com 18 anos e não mais com 21.
Para os cargos de governador, vice-governador e senador, a idade passará a ser de 29 anos. Atualmente, a Constituição Federal determina que, para ser governador e vice-governador de estado e do Distrito Federal, é preciso ter 30 anos e, para se eleger senador, é preciso ter 35 anos.
Fidelidade partidária
A Constituição não traz regras de fidelidade partidária, mas o texto da PEC determina que perderá o mandato aquele que se desligar do partido pelo qual foi eleito, exceto nos casos de “grave discriminação pessoal, mudança substancial ou desvio reiterado do programa praticado pela legenda”.
Esse texto é semelhante ao de uma resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o assunto, que vigora no momento.
Entretanto, a proposta de emenda permite a desfiliação partidária sem perda de mandato em 30 dias após a promulgação da futura emenda constitucional, sem prejuízo ao partido que perdeu o filiado quanto à distribuição de recursos do Fundo Partidário e ao acesso gratuito ao tempo de rádio e televisão.
Voto impresso
A PEC trata ainda de assuntos como o voto impresso para conferência, que permitirá ao eleitor conferir seu voto antes de concluir a escolha. A impressão ficará em local lacrado, sem contato com o eleitor.
O texto também permite ao policial ou ao bombeiro retornar à atividade se não for reeleito e garante a contagem do tempo de mandato para efeitos legais, exceto promoção por merecimento.
Reserva de vagas
Entre os pontos rejeitados nas votações da reforma política está a emenda apresentada pela bancada feminina que garantia um percentual de vagas no Legislativo para as mulheres. Foram apenas 293 votos a favor do texto, mas o mínimo necessário era de 308.
BRAGA-BH
13 de agosto de 2015 5:08 pmGilmar Mendes vota pela aceitação de recurso de impugnação do ma
Gilmar Mendes vota pela aceitação de recurso de impugnação do mandato de Dilma
13/08/201512p6
Sergio Lima/Folhapress
O ministro Gilmar Mendes, do STF
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julga nesta quinta-feira (13) um recurso apresentado pelo PSDB contra decisão da ministra Maria Thereza de Assis Moura, que havia rejeitado uma ação que pedia a impugnação do mandato da presidente Dilma Rousseff à Corte eleitoral. O caso foi retomado nesta manhã após pedido de vista feito pelo ministro Gilmar Mendes em março.
Até o momento, os ministros Gilmar Mendes e Luiz Fux indicam um voto pela aceitação do recurso. O presidente do Tribunal, ministro Dias Toffoli, não participou do julgamento, alegando que tinha compromisso agendado com parlamentares.
Mendes deu início à análise do caso fazendo um duro voto pela aceitação do recurso. O ministro aproveitou o julgamento para dirigir críticas à relatora do caso, ministra Maria Thereza de Assis Moura, que havia decidido pelo arquivamento do processo. Em seu voto, Gilmar disse que a ministra rejeitou o recurso apresentado pelo PSDB “sem instruir o processo, sem, portanto, sequer citar os investigados”, argumentou.
Em tom de crítica, ele disse que a ministra “daria uma brilhante contribuição ao Brasil esclarecendo esse fenômeno. Corrupção na Petrobras resulta em lavagem de dinheiro nas doações eleitorais, veja, isso precisa ser esclarecido. Se não com efeito prático, para a história desse país”, disse.
Para justificar a demora em devolver o processo ao Plenário do TSE, Mendes disse que levou cinco meses porque “a toda hora tinha que fazer atualizações” no caso devido à evolução da Lava Jato. “A cada nova operação, há fatos conexos aqui”, argumentou. “Puxa-se uma pena e vem uma galinha na Lava Jato.”
Quanto às investigações sobre o esquema que desviou recursos da Petrobras, disse que “não se cuida em transportar para o Tribunal Superior Eleitoral análise de todos os fatos apurados na operação Lava Jato”, mas “busca-se tão somente verificar se, de fato, recursos provenientes de corrupção na Petrobras foram ou não repassados para a campanha presidencial”, argumentou.
Gilmar citou então os depoimentos prestados por três delatores da Lava Jato: o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, o doleiro Alberto Youssef e o empreiteiro e dono da UTC, Ricardo Pessoa.
Ao citar os desvios de 3% dos contratos da Petrobras para o esquema que envolvia empreiteiras e políticos, Gilmar disse que “não é difícil adivinhar que parte desses recursos pode ter vindo para a campanha. As triangulações têm sido reveladas e isso precisa ser no mínimo investigado”, argumentou.
O ministro disse ainda que a Justiça eleitoral “não pode ficar indiferente a esse tipo de exame ou liminarmente indeferir um pedido que busca esclarecer. Não se trata de cassar mandato aqui, mas de ver o que ocorreu”, argumentou. O magistrado pediu ainda que Ricardo Pessoa seja ouvido para esclarecer o caso. “Imagine que se possa demonstrar a partir desse depoimento que esse senhor Ricardo Pessoa, que os R$ 7 milhões que sua empresa doou foram claramente fruto de propina?”, disse.
Além disso, o ministro citou a prisão do ex-ministro José Dirceu, na semana passada, dizendo que, ao fundamentar a detenção dele, o juiz Sérgio Moro falou em “lavagem de dinheiro”. Com isso, Gilmar afirma que o argumento apresentado pelo PSDB, acompanhado de “mínimo suporte probatório pode, sim, qualificar-se como abuso de poder econômico, o que, a meu ver, justifica a necessária instrução do feito, em busca da verdade dos fatos, respeitando as garantias do contraditório e da ampla defesa”, disse.
Já o ministro Luiz Fux elogiou o voto de Gilmar Mendes e disse que talvez tivesse votado diferente no ano passado, quando o Tribunal aprovou as contas de campanha de Dilma, devido ao aparecimento de novos fatos envolvendo a Lava Jato. “Se muitos de nós soubessem o que sabemos agora, nem teríamos acompanhado o relator que aprovou as contas com ressalvas”, disse.
O caso foi proposto pela Coligação Muda Brasil, pela qual o senador Aécio Neves (PSDB-MG) concorreu às eleições presidenciais no ano passado. O partido argumenta na ação que houve abuso de poder político na campanha de Dilma, com convocação de rede nacional de rádio e televisão, manipulação na divulgação de indicadores sociais, uso indevido de prédios e equipamentos públicos para atos próprios de campanha e veiculação de propaganda institucional em período proibido. Além disso, o PSDB aponta a existência de suposto abuso de poder econômico com realização de gastos de campanha acima do valor limite, financiamento de campanha com doações oficiais “contratadas pela Petrobras como parte da distribuição de propinas”, entre outros.
joao
13 de agosto de 2015 11:05 pmJanot acusa Cunha de usar a Câmara para se beneficiar
Procurador diz que Cunha confunde público com privado em pedido para anular provas
Jornal do Brasil
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a resposta ao pedido da Câmara dos Deputados por meio da Advocacia-Geral da União (AGU), para anular provas colhidas contra o presidente da Casa, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no sistema de informática do Congresso. Janot diz que a Câmara atuou em exclusivo interesse particular de Cunha ao recorrer ao STF e fala em “confusão entre público e privado” no caso.
“O inquérito investiga criminalmente a pessoa de Eduardo Cunha, que tem plenitude de meios para assegurar sua defesa em juízo e, como seria de se esperar, está representado por advogado. O investigado solicitou a intervenção da advocacia pública em seu favor, sob o parco disfarce do discurso da defesa de prerrogativa institucional. O que se tem, então, é um agravo em matéria criminal em que a Câmara dos Deputados figura como recorrente, mas cujo objeto só a Eduardo Cunha interessa. O agravo em questão evoca, em pleno século XXI, decantado vício de formação da sociedade brasileira: a confusão do público com o privado”, afirma Rodrigo Janot.
O procurador diz ainda que a Câmara não foi afetada ou teve prejuízo gerado em razão da diligência cumprida e que é “terceiro alheio” à investigação. Janot destaca que não ocorreu busca e apreensão, mas sim uma solicitação autorizada pelo ministro Teori Zavascki para recolher dados do sistema de informática da Câmara. A intenção da medida foi apurar a autoria de um requerimento apresentado que teria servido para “pressionar” o lobista Júlio Camargo. A finalidade era comprovar tese baseada em elementos iniciais de que Cunha fora o verdadeiro autor do requerimento.
A AGU alegou imunidade da sede da Câmara e também a necessidade de autorização prévia da Casa para a coleta de dados e documentos. Além disso, argumentou que a diligência violou o sigilo de fonte de informação da então deputada Solange Almeida, suposta autora do requerimento. “Sucede que a Câmara dos Deputados não é parte na ação cautelar em foco, muito menos figura como investigada no inquérito. Não houve, portanto, para a Câmara dos Deputados, um efetivo prejuízo decorrente da diligência – prejuízo que não foi nem sequer indicado pela agravante”, escreveu Janot.
O procurador-geral citou a discussão pública entre Cunha e o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, sobre quem teria teria tido a iniciativa da ação para defender que não há interesse da Câmara em jogo, mas apenas do presidente da Casa, que é investigado na Lava Jato.
“A aparente tentativa do presidente da Câmara dos Deputados de dissociar seu nome do agravo interposto é reflexo direto da repercussão bastante negativa da iniciativa da Advocacia da União. Não é para menos: é óbvio, até para leigos, que a tentativa da Advocacia da União de invalidar provas colhidas no cumprimento da decisão do STF beneficia somente ao parlamentar”, disse.
http://www.jb.com.br/pais/noticias/2015/08/13/janot-acusa-cunha-de-usar-a-camara-para-se-beneficiar/
Nexus6
13 de agosto de 2015 11:22 pmFisco brasileiro vai à luta!
Diário do Pará
Fisco brasileiro vai à luta!
Charles Alcantara*
A aprovação em primeiro turno da Proposta de Emenda Constitucional 443/2009, que vincula a remuneração das chamadas carreiras jurídicas à de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), consagra uma injustificada precedência remuneratória das carreiras jurídicas no âmbito do Executivo e, por conseguinte, o desprestígio das carreiras de auditoria e fiscalização tributárias.
Essa precedência das carreiras jurídicas em detrimento das tributárias colide não apenas com o bom senso, mas com a própria Carta Magna, que conferiu à Administração Tributária o atributo da essencialidade ao funcionamento do Estado.
Está lá no Capítulo VII (da Administração Pública), Seção I (das Disposições Gerais), artigo 37, inciso XXII: “(…) as administrações tributárias da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, atividades essenciais ao funcionamento do Estado, exercidas por servidores de carreiras específicas, terão recursos prioritários para a realização de suas atividades e atuarão de forma integrada, inclusive com o compartilhamento de cadastros e de informações fiscais, na forma da lei ou convênio”.
Antes, no inciso XVIII do mesmo artigo 37, a Carta Constitucional já reconhecera outro atributo, desta feita à administração fazendária e a seus servidores fiscais: a precedência: “A administração fazendária e seus servidores fiscais terão, dentro de suas áreas de competência e jurisdição, precedência sobre os demais setores administrativos, na forma da lei”.
Nenhum outro segmento da esfera pública, em quaisquer dos poderes da República, fez por merecer atributos constitucionais comparáveis aos estabelecidos para as administrações tributárias. O primeiro (a precedência), de alcance delimitado aos setores administrativos no âmbito do Executivo; o segundo (a essencialidade) – e mais potente -, de largo alcance, por envolver todo o escopo da Administração Pública, em todos os níveis e esferas de poder.
Se o “(…) Ministério Público é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado…”, de acordo com o artigo 127 da CF; e, se o advogado público “(…) é indispensável à administração da Justiça…”, conforme preceitua o artigo 133 da CF, então o que dizer das autoridades tributárias, cujas atividades são essenciais ao funcionamento do Estado em sentido lato?
Se a função jurisdicional do Estado não sobrevive sem o Ministério Público; e, se a administração da Justiça depende do advogado público; o Estado sequer poderia existir sem a existência da Administração Tributária. Destituído das funções de exigir e arrecadar tributos, o Estado restaria destituído da mais elementar condição de existir.
Mas, quando supunha que a insatisfação partisse justamente das autoridades tributárias, flagrantemente desprestigiadas no texto da PEC 443, eis que o presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros, João Ricardo Costa, de pronto manifestou-se contrário à aprovação da medida. Subscritor de uma áspera nota, Costa anunciou que vai lutar pela reversão da PEC, inclusive pela via judicial se necessário.
Supondo representar uma categoria portadora de uma superioridade – talvez divina, porque não encontrável no texto constitucional -, Costa encerra a nota com um disparate: “É inadmissível tal equiparação pelo que representa nas estruturas das carreiras de Estado. É um atentado ao país. O momento é difícil, mas temos condições de enfrentar”.
Sobre os ombros das autoridades tributárias pesa a responsabilidade pelo combate direto ao maior crime que se perpetra contra sociedade brasileira: a sonegação, que rouba dos brasileiros pelo menos R$ 500 bilhões por ano. À Administração Tributária incumbe a missão constitucional de arrecadar os recursos financeiros que nos permitem ao menos sonhar com uma sociedade solidária, próspera e socialmente justa.
Sem as atividades da Administração Tributária, essenciais ao funcionamento do Estado, não haveria médico na rede pública de saúde e sequer as unidades de saúde; não haveria professores na rede pública de educação e sequer as escolas; não haveria delegados e policias e sequer a ideia de segurança pública; não haveria advogados públicos; não haveria promotores e juízes e sequer a ideia de justiça.
Dos diálogos constantes que tenho travado com os meus pares do Fisco federal, estadual, distrital e municipal, posso inferir, sem margem de erro, que a PEC 443 acionou o estopim de uma crise institucional nas administrações tributárias de todos os níveis de governo.
A crise que se instalou na Receita Federal já começa a alastrar-se pelos demais Fiscos, porque as autoridades tributárias brasileiras não aceitarão tratamento remuneratório inferior às carreiras jurídicas ou a quaisquer outras carreiras de servidores públicos no âmbito do Executivo.
*O autor é auditor fiscal de Receitas Estaduais do Pará e diretor de Comunicação da Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital (Fenafisco)
Anarquista Lúcida
13 de agosto de 2015 11:40 pmJá nao basta a farra irresponsável atingir tantos, vc quer mais
E todos funcionários já altamente remunerados… Passa fora!
Anarquista Lúcida
13 de agosto de 2015 11:37 pmObesidade, doença (quase incurável) do capitalismo
Do site Outras Palavras, Blog da Redaçao. Link: http://outraspalavras.net/blog/2015/08/12/obesidade-doenca-quase-incuravel-do-capitalismo/
a
É muito mais difícil livrar-se dela que deixar o crack, demonstram novos estudos científicos. Por isso, proteção a crianças deveria ser máxima. Mas seria preciso contrariar certos interesses…
Por Antonio Martins
Na última década, a obesidade migrou para o centro das atenções de Saúde Público. Em países com o Brasil – para não falar dos norte-americanos… – ela tornou-se um problema muito mais generalizado que a desnutrição. Ao abordá-la, o enfoque é muitas vezes comportamental. Sugere-se que as vítimas do mal precisam de mais responsabilidade ao se alimentar e de determinação para corrigir atitudes inadequadas. Um conjunto de novas pesquisas científicas acaba de demonstrar que esta abordagem é, além de impiedosa, contraproducente. Ela busca objetivos inalcançáveis e deixa, por interesse, de perseguir outros, que seriam perfeitamente factíveis.
Quem relata as novas pesquisas, num texto brilhante, é o jornalista George Monbiot. No artigo, publicado ontem (11/8) no Guardian londrino, ele conta que:
a) Deixar a obesidade é muito mais difícil que usar crack e não se viciar. Estudos anteriores revelaram (esqueça os mitos a respeito) que entre 10% e 20% das pessoas que fumam a droga derivada da cocaína tornam-se dependentes. A nova pesquisa, que examinou 176 mil pessoas obesas, descobriu que, destas, 97,8% das mulheres e 98,3% dos homens foram incapazes de deixar esta condição, ao longo de nove anos. A probabilidade não se aplica a pessoas que vivem em sobrepeso, mas não atingiram a condição de obesas.
b) Os mecanismos essenciais que produzem dependência à ingestão compulsiva de alimentos são idênticos aos que levam à adição ao álcool e outras drogas, revela outro estudo. Incluem, essencialmente, mudança biológica, desconforto com abstinência, incapacidade de controlar impulsos, sensação de recompensa, ao consumir a substância causadora do vício. Porém, a obesidade é mais tirana que o uso de drogas, mesmo entre ratos. Submetida a um experimento diz o estudo, a maioria deles “preferiu uma recompensa em açúcar a outra, na forma de cocaína”.
c) As campanhas morais voltadas aos obesos produzem muita culpa, mas nenhuma melhora. Na verdade, quanto mais conscientes do seu mal, mais as pessoas tenderão a afundar nele. Há um único tratamento razoavelmente eficaz: as cirurgias bariátricas – que submetem os pacientes, em muitos casos, a riscos e sequelas graves.
Que mudanças deveriam ser desencadeadas por tais evidências? Para Monbiot, a resposta está evidente: “a tarefa crucial é proteger as crianças antes que elas desenvolvam dependências ao consumo abusivo de comida”. O problema, ressalta ele, é que isso exigiria uma abordagem muito menos tolerante frente a quem lucra com a dependência: uma indústria global de alimentos cada vez mais poderosa, concentrada e voraz.
Monbiot sugere: o avanço da obesidade é tão onipresente, e tão cruel, que deveria suscitar, em resposta, medidas duras. Entre elas, restrições à propaganda e marketing tão severas quanto as que limitam a indústria do fumo. Comida trash e refrigerante, por exemplo, só deveriam ser vendidos em locais pouco acessíveis dos supermercados, e em embalagens repletas de advertências.
O problema é que, até agora, a abordagem é a oposta: implica responsabilização das vítimas. No Reino Unido, o governo conservador fala em proibir acesso dos obesos ao sistema público de Saúde, “até que aceitem tratar-se”. No mesmo país, acrescenta Monbiot, as doenças ligadas à obesidade (diabetes, por exemplo), consomem 10% do orçamento nacional de Saúde.
Até quando – pergunta o autor – as sociedades pouparão os verdadeiros responsáveis pelo problema, apenas pelo fato de serem poderosos, e contribuírem generosamente com as campanhas eleitorais dos políticos?
a
Adendo meu (Anarquista Lúcida): E é mesmo quase incurável. Nao sei se é mais difícil de se livrar do vício da comida que do crack, mas a técnica usada para alvoolismo, por ex (só mais 24 de abstinência a cada vez) simplesmente nao pode ser aplicada, sem comer ninguém passa. E, comendo, a compulsao se instala.