Coalizão contra Venezuela é difícil de acontecer.

 

 

O sonho dourado norte-americano de uma coalizão militar contra a Venezuela parece muito longe de se realizar. Insistentemente os militares e o governo civil norte-americano pensa na terceirização de uma invasão na Venezuela que seria feita através de uma coalização. Repetindo o que tem sido feito no resto do Mundo, eles seriam responsáveis pelo importantíssimo apoio aéreo em uma guerra convencional e quem entraria com as tropas para invadir seriam, por exemplo, a Colômbia e o Brasil.

 

A Colômbia sabe que entrar numa fria desta representa assoprar as brasas dos movimentos tipo FARC e outros com um agravante, armados com equipamento mais pesado que facilmente poderia ser contrabandeado para dentro do seu país. Ou seja, alguns mísseis do tipo terra-ar fariam um estrago fantástico na Força Aérea Venezuelana que tiraria a grande vantagem da mesmo perante os movimentos de resistência, sem falar na possível entrada de fuzis antitanque que num cenário de guerra numa floresta, deixa dois ou três combatentes no nível das mais sofisticadas viaturas militares.

 

O interesse brasileiro também parece extremamente desdenhoso, pois poderiam pensar nos dois cenários possíveis dos governos civis, se este ingresso fosse feito no desacreditadíssimo governo Temer, seria quase uma garantia de que o mesmo ficasse mais próximo a um pelotão de fuzilamento (em tempo de guerra a constituição brasileira prevê pena de morte por fuzilamento) do que uma vitória.

 

Se uma intervenção durante o governo Temer seria um desastre para o mesmo, num governo militar ou mesmo por pessoas desequilibradas como Bolsonaro, no lugar de um desastre seria uma tragédia para as forças armadas, pois poderiam levar com o tempo a própria dissolução da instituição.

 

A falta de interesse das forças armadas brasileiras em entrar num conflito deste porte, pode ser vista como uma continuidade de uma prática que já houve no passado. Durante a guerra do Vietnã, duas vezes os USA solicitaram a intervenção de tropas brasileiras naquele país, em 1964 (governo Castelo Branco), em que foi condicionado um empréstimo ao ingresso do Brasil naquele país e em 1973 (governo Médici). Nas duas situações os governos militares de extrema direita não aceitaram.

 

Os fatos da falta de vontade em entrar em conflitos armados (1964 e 1973) o importante é entender os motivos da não aceitação da intervenção.

 

Os militares brasileiros sabem que qualquer intervenção do Brasil em outros países é uma verdadeira faca de dois gumes, ou seja, por mais apoio norte-americano que recebem, armamentos e dinheiro, quando se abre um conflito com outro país fronteiriço, como a Venezuela, é muito mais grave do que no caso do Vietnã. No caso de um país com extensas fronteiras com o Brasil como a Venezuela estas fronteiras tornam-se permeáveis para movimento de armas em ambas as direções! Se entram tropas e armas brasileiras na Venezuela, nada impede que num número bem menor, porém significativo de armas façam o caminho no sentido inverso.

 

Ao mesmo tempo que armas podem entrar no país, a possibilidade de baixas consideráveis nas tropas nacionais geram tensões internas que ninguém pode prever o futuro, não custa lembrar que num caso de conflito mais intenso a maioria das tropas enviadas são de RESERVISTAS, ou seja, soldados civis ou mesmo oficiais da reserva, não oficiais das tropas regulares. Estes reservistas, por menor número que sejam nas tropas, não ficarão bem revoltados com as baixas e pensarão diferente depois de defrontar com tropas regulares ou não de outros países, não podemos esquecer que logo no fim da segunda grande guerra o governo Getúlio caiu apesar de todo apoio que a população deu a entrada do país na guerra.

 

Vamos supor, que um apoio aéreo norte-americano intenso, permita que tropas nacionais vençam tropas convencionais venezuelanas, estas poderão simplesmente aceitarem no início a capitulação e posteriormente manter uma resistência forte como ocorrem em outros países.

 

Com o acima descrito podemos citar diversos problemas:

 

1)                 Com a permeabilidade das fronteiras durante o conflito, armamento militar pode facilmente ser introduzido no Brasil, que com um grupo relativamente pequeno de pessoas, alguns até desmobilizados dos combates em terras estrangeiras. Dentro das próprias forças combatentes brasileiras ter-se-á uma tendência ao questionamento com altas baixas da entrada do Brasil num conflito externo. Podem com isto criar uma imensa perda de estabilidade em todo o país, e o Brasil com a sua superfície não é um país que é facilmente vigiado.

 

2)                 O número de tropas brasileiras preparadas para o combate é pequeno compostos de forças especiais profissionalizadas, como fuzileiros navais e outras, e criando-se um verdadeiro dilema, ou se envia estas tropas, e o resto do país fica sem proteção, ou se manda tropas convencionais que não tem o mínimo treinamento para combate e podem no seu retorno, agora com experiência de combate, terem maus pensamentos.

 

3)                 Um fator extremamente grave, é que com o país em guerra, a constituição brasileira permite a pena de morte, e os réus são julgados por tribunais militares que serão compostos por oficiais que estiverem no poder, contra ou favoráveis a guerra.

O que chamo atenção é que os USA possui um número significativo de tropas profissionalizadas e IDEOLOGIZADAS para defender os interesses de seu país, mas mesmo estas tropas começam a deixar de aceitar todo e qualquer tipo de intervenção. Já o Brasil nem tropas deste tipo possui.

 

Os militares brasileiros sabem perfeitamente que uma intervenção na Venezuela, vitoriosa ou não podem tirar por completo a capacidade das forças armadas em intervir no Brasil, e principalmente se esta intervenção ocorrer num regime de exceção ou mesmo num regime em que o presidente seja um extremista de direita. Ou seja, uma guerra pode colocar em cheque a própria instituição militar. Não esqueçam que os militares argentinos depois das Malvinas até hoje não se recuperaram do descrédito da população.

 

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3 comentários

  1. Menos tática e mais conspiração

    Se continuarmos com governantes suficientemente abjetos, nada impede que nos juntemos à Argentina, por exemplo e como na guerra do Paraguai, façamos uma “intervenção” na Venezuela, mediante abençoada ,  particular  e pessoal  paga do Tio do Norte aos seus “colaboradores”.

    Não acho difícil, não. Essas coisas de lojinha, de repente entram em liquidação.

      

  2. Pago pra ver os milicos

    Pago pra ver os milicos brasileiros numa guerra. E se for contra os nacionalistas do exército venezuelano vão levar uma surra como a que levaram os americanos no Vietnã. Quem sabe assim a gente se livra deles de uma vez pois que só servem para apoiar corruptos e dar golpes políticos. 

     E de brinde no futuro não teremos mais bolsonaros batendo continência pra bandeira americana em Miami. 

    • O problema dos dias de hoje não é vencer a guerra, é manter…..

      Cara Vera.

      O problema atual não é vencer as grandes batalhas, pois com uma força aérea forte, por exemplo, com dois porta-aviões norte-americanos pode destruir as defesas do país e de quebra o próprio país, mas a ocupação é outra coisa. Um governo popular pode fazer antes de perder uma guerra assimétrica, espalhar armamentos para uma parte da população, não precisa mais do que 1000 pessoas armadas, isto dá um desgaste incrível em termos de baixas.

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