Congresso quer retomar projeto que pune abuso de autoridade para esvaziar poder de Moro

Após impor série de derrotas ao ministro da Justiça, parlamentares querem impor travas ao pacote anticrime; movimento responde ataques via redes sociais

Ex-juiz da Lava Jato e atual ministro da Justiça, Sergio Moro. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Jornal GGN – Segundo informações da coluna Painel, da Folha de S.Paulo, uma ala do Congresso, apoiada pelo presidente das duas Casas, quer aproveitar a desarticulação que o governo demonstrou nesta quinta-feira (9) para incluindo como pauta de discussão o projeto de lei sob relatoria do senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG) que pune o abuso de autoridade.

A estratégia é impor travas ao pacote anticrime do ministro da Justiça Sérgio Moro. A movimentação dos parlamentares, em sentido da base do governo, acontece como resposta a pressão que sofreram em redes sociais e grupos de WhatsApp contra a retirada do Coaf das mãos de Moro.

“Nesta quinta, o líder de um dos maiores partidos da Câmara contou que recebeu mensagens de mais de 600 números desconhecidos. Uma delas trazia texto que ele interpretou como ameaça. Dizia que, caso votasse pela saída do Coaf da pasta de Moro, o deputado “acabaria PRESO!”, com a palavra em caixa alta”, escreveu Daniela Lima que assina a coluna Painel.

Também ontem, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) se irritou com a cobrança do deputado Diego Garcia (Pode-PR) que, na tentativa de ganhar tempo para evitar a saída do Coaf do Ministério da Justiça, entrou com uma questão de ordem pedindo para que Maia votasse, antes da Medida Provisória 870, outras cinco MPs que tinham entrado antes no Congresso.

“As medidas provisórias devem ser apreciadas seguindo a ordem de trancamento da pauta, e não pode o presidente se valer desse momento. Isso é desleal com o Parlamento e com os parlamentares desta Casa”, disse Garcia.

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Em seguida, Maia rebateu: “Vossa excelência não tem o direito de me chamar de desleal, nunca fui desleal, e agora vossa excelência acabou de derrubar a MP 870. Vou ler todas as MPs e todas serão votadas antes da 870. Vossa excelência será responsável pela retirada do Coaf do Ministério da Justiça”, disse.

Se o Plenário da Câmara não votar a MP dos ministérios até dia 3 de junho, as mudanças realizadas pelo governo Bolsonaro não terão mais efeito e a estrutura do Planalto voltará a ter 29 pastas, como no governo Temer.

Segundo a coluna Painel, ao adiar a votação da MP 870, Maia expôs a desarticulação do governo ainda mais. Pouco antes, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, disse em nome do Planalto que as mudanças acertada na comissão especial que analisou a MP 870 tinham sido aprovadas, incluindo a migração do Coaf para o Ministério da Economia. Entretanto, Moro continuava brigando junto a parlamentares para recompor a base de simpatizantes que pudesse impedir a mudança.

“A atuação em direções opostas dos integrantes do governo provocou risos na oposição e certa surpresa entre líderes de partidos de centro, que se chocaram com a bateção de cabeça”, completou Daniela Lima. Para ler a coluna Painel na íntegra, clique aqui.

6 comentários

  1. Bolsominions são um grupo de criminosos fascistas, se colocam em defesa da “moral e dos bons costumes” mas na internet divulgam fake news criminosas contra pessoas de imaculada índole, cadê o ministério público que não investiga as fake news desde a campanha de 2018? Acusar o Haddad de estrupar uma criança de 11 anos é de crueldade insana, cadeia nesses doentes!

  2. O título erra quando atribui a criação de lei para punir abuso de poder à intenção de esvaziar poder de Moro. Erra e dá argumentos ao juiz medíocre e provinciano para posar de vítima e, quem sabe, criar um ambiente de aparente dignidade para a sua fuga desse governo de aleijados mentais. A propósito, é preciso se assegurar de que Sérgio Moro não possa retornar ao Judiciário; agora que ele conheceu o mundo real, deve estar louco para retornar ao seu ambiente de fantasia, protegido de críticas. Não(!), as únicas opções que Moro pode ter são entrar para a Política (vai conhecer ainda mais o mundo real) ou fugir para os Estados Unidos, se esconder sob a saia daqueles que o criaram.

  3. Certamente o Sejumoro deve comparecer à CÂMERA, acompanhado de sua CONGE, para fazer pressão sobre os deputados e defender o seu direito de utilizar o COAF como ferramenta de chantagens contra seus opositores. Mesmo sendo analfabeto ignorante ele tem o direito de defender-se contra seus inimigos.
    https://www.youtube.com/watch?v=YRc7lFM__e0
    https://reinaldoazevedo.blogosfera.uol.com.br/2019/04/02/linguistas-e-juristas-moro-na-maria-da-penha-por-espancar-lingua-e-direito/

  4. Brasil 247

    Moro só não se demitiu por não ter para onde ir, aponta Veja
    Ag. Senado | Reuters

    A revista Veja revela que o ministro da Justiça, Sérgio Moro, encontra-se em uma encruzilhada após sofrer uma grande derrota no Congresso e ser atropelado por Bolsonaro; agora o ministro não tem para onde ir, já que ele não pode voltar a ser juiz e não existe a vaga esperada no STF; “Incomodado ainda pela perda do Coaf, o ex-juiz avaliou, de fato, um pedido de demissão. Sem muitas opções no momento, decidiu ficar”, revela a revista

    10 de Maio de 2019 às 10:53

    247 – Segundo aponta o jornalista Maurício Lima na coluna Radar, da revista Veja, o ministro da Justiça, Sérgio Moro, encontra-se em uma encruzilhada e não tem pra onde ir. Ele não pode voltar a ser juiz e não existe a vaga esperada no Superior Tribunal Federal (STF). “Incomodado ainda pela perda do Coaf, o ex-juiz avaliou, de fato, um pedido de demissão. Sem muitas opções no momento, decidiu ficar”, revela.

    A coluna ainda aponta que “Não foi uma mera divergência. Sergio Moro lutou o quanto pôde para que Jair Bolsonaro não assinasse o decreto sobre porte de armas. A decepção do ministro foi total com a decisão do chefe”, informa o jornalista.

    Bolsonaro anunciou decreto de armas mesmo sem parecer do ministério de Moro

    A consultoria jurídica do MJSP (Ministério da Justiça e Segurança Pública) teve menos de 24 horas para avaliar o decreto que flexibilizou as regras para a posse e o porte de armas, assinado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) na terça-feira (7).

    Segundo informa o Portal UOL, pareceres da equipe jurídica do ministério comandado por Sergio Moro mostram que a minuta do decreto só foi encaminhada ao órgão no final do dia 6 e que os pareceres foram assinados no dia 7. Bolsonaro, porém, já havia anunciado que iria assinar o decreto no dia 5, dois dias antes de o ministério de Moro dar o seu aval.

    Apesar de ser um tema próximo à pasta de Sergio Moro, o ministro disse na quarta que o decreto não fazia parte de uma “política de segurança pública” e ainda revelou que a proposta era uma dívida político-eleitoral à base bolsonarista.

    O decreto

    O decreto assinado por Bolsonaro altera as regras para a compra e o porte de armas no país. Entre as novidades, estão a possibilidade de que menores de idade possam participar de clubes de tiro com a autorização de apenas um dos pais e a extensão do porte para diversas categorias profissionais, incluindo conselheiros tutelares e até jornalistas.

    No total, o decreto de Bolsonaro poderá armar 19 milhões de brasileiros.

    https://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/392962/Moro-s%C3%B3-n%C3%A3o-se-demitiu-por-n%C3%A3o-ter-para-onde-ir-aponta-Veja.htm

  5. pois é,os mentirosos andam à solta por aí enviando
    fake news infames e o stf deixou tudo pra 23 –
    congelando e escondendo o assunto que mais difama
    as instituições no país…
    uma vergonha…
    infamia…
    blasfemia…
    e por aí vai o sstado de exceção.

  6. Sergio Moro errou indiscutivelmente ao sair do judiciário. O poder na democracia sob o comando de qualquer facção partidária sabidamente é impossibilitado de governar sem o pragmatismo político. Os governos próximos passados foram uma prova disso. O bla, bla, blá de Bolsonaro nas suas promessas de campanha com sua “nova política” é conversa para boi dormir. O juiz supostamente foi muito pueril em imaginar que o “parlamento” brasileiro iria baixar a guarda diante de sua figura popular e simbólica. No mínimo, Moro divide o número de seus amigos e inimigos.

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