Mensagens inéditas apreendidas na operação Spoofing e divulgadas nesta terça (28) pelo site Metrópoles mostram que Deltan Dallagnol, então coordenador da força-tarefa do Ministério Público Federal na Lava Jato do Paraná, pediu para a Transparência Internacional Brasil financiar a viagem de procuradores venezuelanos ao Brasil.
A intenção de Dallagnol era que os procuradores tivessem alimentação e hospedagem pagas pela TIB, para que pudessem vir ao País compartilhar sigilosamente informações contra o governo de Nicolas Maduro. Segundo o site, o próprio regimento interno da Transparência Internacional proíbe a ONG de financiar agentes públicos.
Era agosto de 2017 quando Dallagnol acionou o então diretor da TIB, Bruno Brandão, para fazer o pedido. “Bruno: sigiloso. TI bancaria a hospedagem e alimentação de promotores da Venezuela para passar uma semana conosco, de modo confidencial, trabalhando nas investigações da Venezuela? Não comente com ninguém. Se for necessário autorização superior, adiamos pra ver no momento necessário e da forma certa”.
O portal ainda afirma que Dallagnol não parecia preocupado que a parceria não rendesse alguma ação jurídica, pois o intuito era divulgar as informações para causar um impacto político na população venezuelana, que à época vivia um caos social.
Ainda de acordo com a reportagem, Bruno Brandão teria pedido autorização para a anunciar em evento na Fundação Fernando Henrique Cardoso que a Transparência Internacional Brasil estaria trabalhando junto com a Lava Jato para abrir “processos extraterritoriais contra autoridades venezuelanas”. Porém, após o evento, Brandão avisou a Deltan que o pedido para financiar a vinda de procuradores venezuelanos teria de ser postergado.
A reportagem também lembrou conversa de Deltan com outros procuradores, avisando que Sergio Moro havia lhe pedido para divulgar a delação da Odebrecht no que diz respeito à Venezuela. Deltan ficou receoso. Dias depois, o procurador Paulo Galvão advertiu que esse tipo de ação poderia intensificar o caos social e levar a Venezuela à beira de uma “guerra civil”. Deltan desdenhou da preocupação. “É algo que cabe aos cidadãos venezuelanos ponderarem. Eles têm o direito de se insurgirem.”
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