“É pra colocar medo nas pessoas”: Sara Winter e os planos da extrema-direita no Brasil

Sem poder usar armas para defender Bolsonaro, ativista faz "treinamento" de militantes de direita e incentiva escrachos contra autoridades: "Compra 20 quilos de estrume e joga na casa do Gilmar"

Publicada originalmente em 14 de maio de 2020

Jornal GGN – A ativista Sara Winter afirmou que o acampamento “300 pelo Brasil” é só o primeiro passo de um projeto maior de organização da militância de extrema-direita, com a finalidade de “ocupar as ruas” e “colocar medo nas pessoas” que contrariam o bolsonarismo.

Numa live no Youtube, Sara falou em tom de lamento que os brasileiros não portam armas de fogo, como nos Estados Unidos, para defender suas ideologias, e incentivou escrachos com direito a “estrume na porta” do ministro Gilmar Mendes, da Suprema Corte, e outras autoridades.

Sara virou alvo do Ministério Público do Distrito Federal nesta semana, por organizar e liderar um acampamento em Brasília em plena pandemia de coronavírus, quando as recomendações sanitárias são para evitar aglomerações. A Justiça do DF rejeitou pedido do MP para desmobilizar o grupo, alegando que a saúde pública, neste caso, ainda não se impõe ao direito à liberdade de expressão.

Na transmissão ao vivo, no canal do blogueiro de direita Oswaldo Eustáquio, Sara chamou os promotores do DF de “meninos criados com pera e leite com ovomaltine” e negou a acusação de encabeçar a organização com pretensões paramilitares, apesar de ostentar um discurso inflamado sobre “treinamento de guerra” para lutar contra o “comunismo” e a “ditadura em curso” no Brasil.

“É [um treinamento] em guerra não violenta, ou seja, não utiliza armas de fogo, utiliza armas ideológicas, econômicas, táticas e culturais, que são uma outra maneira de mudar as coisas”, defendeu.

Sara afirmou que no dia 2 de maio aconteceu o treinamento do grupo acampamento perto do Congresso, “com os melhores do Brasil na área de estratégia, geopolítica e investigação.”

Ex-ativista do grupo feminista radical Femen, “formada na Ucrânia”, Sara deu aos bolsonaristas algumas instruções sobre “técnicas de ação não violenta e desobediência civil, para organizar a direita para começar a colocar medo nas pessoas.”

“A gente entende que se faz mudança por vias do respeito ou por vias do medo”, justificou. “Foi isso que eu aprendi na Ucrânia e é isso que estou ensinando aqui: como conseguimos derrubar uma ditadura em curso mesmo sem utilizar armas [de fogo].”

Na visão da bolsonarista, “é impossível conseguir a mudança, o respeito das instituições por vias respeitosas. A gente vai agir de forma violenta? Não, mas existe uma coisa chamada coerção popular. É quando o povo levanta e começa a encurralar essas autoridades de maneira que elas já não têm mais para onde ir, e vão ser obrigadas a fazer o que nós estamos pedindo.”

Para ela, “aqui no Brasil há uma ditadura em curso porque todas as instituições estão aparelhadas e organizadas numa ideologia de esquerda que impossibilita a governabilidade do presidente.”

Quando questionada pelo blogueiro sobre ações envolvendo “o endereço dos presidentes da Câmara e Senado, e dos ministros do STF em Brasília”, ela respondeu: “Pô, aí você vai dar spoiler das minhas ações.” Na sequência, acrescentou que possui alguns endereços e instigou os seguidores a praticarem atos de escracho contra autoridades. “Compra 20 quilos de estrume e joga na porta do Gilmar Mendes, na porta do Doria, do Witzel. Merda se joga na merda. Lixo se joga no lixo.”

ARMAS DE FOGO

No começo do bate-papo, Sara insistiu que não há militarização no acampamento. Mas lamentou que os brasileiros não tenham porte de arma de fogo como nos Estados Unidos, para defender seus ideais.

“Muitas das bizarrices políticas que existem no Brasil, elas não existem nos EUA porque as pessoas não vão permitir, justamente porque elas podem carregar armas. Só que nosso caso, não podemos. Então temos que construir outra maneira de fazer revolução ou, no nosso caso, a contrarrevolução.”

A contrarrevolução, segundo ela, começa emulando as “estratégias da esquerda” de organização da militância de base, com sinais trocados.

“Pela primeira vez a direita começou a organizar uma militância de rua, a base da governabilidade do nosso presidente. Esse é o primeiro start de muito que vem por aí”, prometeu a ativista.

 

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