9 de setembro de 2026

É preciso impor limites ao STF para conter “selvageria jurídica”, diz juiz à TV GGN

Rubens Casara defende “constrangimentos democráticos” contra a espetacularização da Justiça e decisões afastadas da Constituição

A criação de “constrangimentos democráticos” para limitar a exposição e a atuação do Judiciário pode ajudar a recuperar a segurança jurídica no país. A avaliação é do escritor e juiz de direito do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), Rubens Casara, que analisou os desdobramentos da crise do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF).

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“Eu acho que há espaço para construção de constrangimentos democráticos que impeçam, por exemplo, essa superexposição ou a espetacularização de investigações, de processos judiciais, não só no Supremo, como em todo o sistema de Justiça”, diz Casara, em entrevista ao programa TVGGN 20H desta terça [confira abaixo].

A fala ocorre após o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, determinado pelo ministro André Mendonça nesta terça-feira (08). A decisão foi submetida ao plenário da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), em sessão virtual, e mantida pela maioria formada pelos ministros Nunes Marques e Luiz Fux, que acompanharam o voto de Mendonça. Nesta quarta, porém, o ministro Flávio Dino determinou a reintegração imediata de Andrei ao cargo.

Durante a análise, Casara cita como exemplo legislações de outros países que restringem a divulgação de imagens de pessoas investigadas antes de uma condenação. Para ele, medidas semelhantes poderiam ser discutidas no Brasil para impedir que a exposição pública produza efeitos antes do julgamento.

A proposta também poderia alcançar situações envolvendo familiares de ministros. O jurista menciona a crítica existente na advocacia sobre a atuação de escritórios que tenham filhos de integrantes do Supremo. A ideia não seria impedir que esses profissionais exerçam a advocacia, mas estabelecer limites para que seus escritórios não atuem no tribunal em que o pai ou a mãe exerce jurisdição.

“Se é advogado, ele tem o direito de advogar, mas poderia criar, por exemplo, um obstáculo para que escritórios que contem com filhos de ministros não tenham como atuar no órgão em que o pai exerce a sua jurisdição.”

De acordo com o juiz, mecanismos desse tipo poderiam ajudar a recuperar a credibilidade dos tribunais. A preocupação está ligada também à forma como decisões judiciais vêm sendo tomadas. Segundo ele, magistrados têm cada vez mais decidido de acordo com o que consideram melhor para cada caso, afastando-se de regras, princípios constitucionais e precedentes.

“Quando ele abandona o que diz a regra, quando ele abandona o que diz o princípio, quando ele abandona os precedentes às vezes do próprio tribunal do qual ele faz parte, isso gera uma instabilidade que é terrível quando a gente pensa na necessidade de segurança jurídica“.

Assista à entrevista abaixo:

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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