Eduardo Bolsonaro defende “novo AI-5” e membros das instituições reagem

"O que faz um país forte não é um Estado forte. São indivíduos fortes", diz o filho do presidente. Rodrigo Maia e Marco Aurélio, do STF, criticam

Foto: Agência Brasil

Jornal GGN – O deputado federal Eduardo Bolsonaro afirmou em entrevista divulgada no Youtube nesta quinta (31) que a “esquerda” culpa Jair Bolsonaro por todo e qualquer problema que surge no noticiário e que se ela “radicalizar”, a resposta será “um novo AI-5”.

“Se a esquerda radicalizar a esse ponto, a gente vai precisar ter uma resposta. E uma resposta pode ser via um novo AI-5, pode ser via uma legislação aprovada através de um plebiscito como ocorreu na Itália. Alguma resposta vai ter que ser dada”, afirmou o filho do presidente.

Na mesma entrevista, Eduardo disparou mais uma frase autoritária: “O que faz um país forte não é um Estado forte. São indivíduos fortes. A conjectura não tem que ser futura, ela tem que ser presente.”

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, reagiu às declarações de Eduardo. Ele afirmou que elas merecem repúdio e que são passíveis de punição na Casa.

“O Brasil é uma democracia. Manifestações como a do senhor Eduardo Bolsonaro são repugnantes, do ponto de vista democrático, e têm de ser repelidas como toda a indignação possível pelas instituições brasileiras. A apologia reiterada a instrumentos da ditadura é passível de punição pelas ferramentas que detêm as instituições democráticas brasileiras. Ninguém está imune a isso. O Brasil jamais regressará aos anos de chumbo”, afirmou em nota pública.

Já o ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello comentou à Folha: “A toada não é democrática-republicana. Os ventos, pouco a pouco, estão levando embora os ares democráticos”, afirmou Marco Aurélio em mensagem enviada à Folha.

O ex-presidenciável Fernando Haddad (PT) também defendeu que a punição cabível para Eduardo é a cassação do mandato.

DITADURA

O AI-5, ou Ato Institucional Número 5, foi assinado pelo marechal Arthur da Costa e Silva durante a Ditadura Militar, e resultou no fechamento imediato e indeterminado do Congresso e das assembleias legislativas dos Estados, com exceção de São Paulo.

O AI-5 também renovou poderes do presidente para cassar mandatos e suspender direitos políticos em caráter permanente. A garantia do habeas corpus em casos de crimes políticos, contra a segurança nacional, a ordem econômica e a economia popular também foram suspensos.

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