Ex-presidente da Câmara dos Deputados e pivô do impeachment de Dilma Roussef, Eduardo Cunha reapareceu no noticiário nesta quinta (13), após ser flagrado pela coluna de Guilherme Amado, do site “PlatôBr”, em um jantar “discreto” com os deputados federais Arthur Lira (ex-presidente da Câmara) e Guilherme Derrite, licenciado da secretaria de Segurança de São Paulo para ser o relator do PL Antifacção. Ao jornal O Globo, Cunha declarou que é comum jantar com Lira, mas que o encontro com Derrite foi totalmente “fortuito”. Os dois estavam no restaurante e Derrite apareceu, disse Cunha.
Aliado de Tarcísio de Freitas, Derrite é cotado para disputar o Senado por São Paulo em 2026. Cunha, por sua vez, tentará uma vaga de deputado federal por Minas Gerais, mesmo estando inelegível até 2027. A amizade de Cunha e Lira é antiga, segundo reportagem do site UOL. Lira foi um dos poucos deputados que tiveram coragem de votar contra a cassação do mandato de Cunha antes de sua prisão por Sergio Moro em 2016.
Hoje com a filha eleita deputada federal, Cunha ainda tenta influenciar a política nacional a seu favor. Segundo reportagem do site O Fator, Cunha tem expectativa de que a alteração na Lei da Ficha viabilize seu registro de candidato no próximo ano.
De acordo com a coluna de Amado, o que Cunha, Lira e Derrite conversaram no jantar, ninguém sabe afirmar. Eles se recusaram a falar com a imprensa na saída do restaurante de comida portuguesa. Os três conversaram em tom tão baixo que quem passada ao lado da mesa, nada entendia. Mas, segundo Cunha relatou ao jornal O Globo, o PL Antifacção, relatado por Derrite, foi comentado na mesa.
Nesta semana, Derrite sofreu reveses na relatoria do PL Antifacção, principalmente por ter ousado subordinar a atuação da Polícia Federal à aprovação de governos estaduais no que tange investigações contra o crime organizado, e por ter feito confusões nas tipificações e enquadramentos penais. Após pressão e críticas, Derrite recuou e alterou o texto em diversos pontos, o que foi considerado uma “vitória gigantesca” da base do governo Lula. Atualmente em sua quarta versão, o texto de Derrite segue sendo protelado pela Câmara. Nas redes sociais, ele passou a divulgar vídeos e mensagens afirmando que estão “distorcendo” seu trabalho.
Para analistas, a pauta da segurança pública deve ser estendida e explorada nas eleições 2026, com o governo Lula e a extrema-direta duelando pelo protagonismo. Segundo apuração da jornalista Andreia Sadi, da GloboNews, alas do PT já defendem a criação de um órgão especial vinculado ao Ministério da Justiça para investigar e combater o crime organizado. A ideia vem à tona após uma pesquisa realizada pela Genial/Quaest mostrar que o tema da segurança pública está travando a provação de Lula junto à opinião pública.
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Victor Lima
13 de novembro de 2025 6:54 pmEsse jantar indigesto é a definição mais acabada da palavra “conspiração”. Deveria ser incorporada aos dicionários da língua portuguesa.O Governo Federal devia ter criado um grupo especial de combate ao crime organizado já no primeiro dia do mandato de Lula 3. Os acontecimentos de 8 de janeiro seriam justificativa bastante para tal medida. Mas quem seria nosso “Eliot Ness”? Quanto aos “Al Capones” a fila é extensa!