“Eleitor tende a dar voto útil em momentos decisivos”, diz diretor da Quaest Pesquisa

Para Felipe Nunes, a grande pergunta da eleição 2022 é se o eleitorado de Ciro vai migrar no 1º turno. Assista

Felipe Nunes, diretor da Quaest Pesquisa, em entrevista à TVGGN. Foto: Reprodução/Youtube
Felipe Nunes, diretor da Quaest Pesquisa, em entrevista à TVGGN. Foto: Reprodução/Youtube

A terceira via foi um “sonho de verão” e não tem mais tempo para romper a polarização entre dois grandes líderes populares, Lula e Jair Bolsonaro, que disputarão a preferência do brasileiro em outubro de 2022. A grande pergunta da eleição, agora, é se o eleitorado de Ciro Gomes, terceiro colocado nas pesquisas, debandará para o lado de Lula na última semana, para tentar, através do voto útil, definir o jogo ainda no primeiro tuno.

Segundo o cientista político e diretor da Quaest Pesquisa, Felipe Nunes, se o eleitorado de Ciro abrir mão da preferência pessoal para depositar um voto estratégico na urna, não será surpresa. Estudioso da “sociologia eleitoral”, Nunes afirma que “o eleitor tende a dar voto estratégico ou voto útil em momentos decisivos.”

“Dado que a rejeição a Bolsonaro no eleitorado do Ciro é próxima de 80%, enquanto a rejeição a Lula é próxima de 52%, não me surpreenderia se esse eleitor [cirista], para tentar resolver a eleição, fizesse um voto útil na última semana. Não me surpreenderia e há evidências na ciência política de que isso já aconteceu em outros casos”, comentou Nunes em entrevista à TVGGN.

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Segundo a última pesquisa Genial/Quaest, divulgada em 11 de maio, faltando menos de 5 meses para o primeiro turno da eleição de 2022, Lula tem 46% das intenções de voto e possibilidade de vencer no primeiro turno. Bolsonaro tem 29% e Ciro, 7%. Quando Ciro desiste da corrida eleitoral, Lula vai a 50% ou 51% das intenções de voto, em dois cenários testados. Veja mais aqui.

O resultado da pesquisa, associado aos indícios de que o PDT poderá sair dividido entre Lula e Ciro em alguns estados, colocaram mais pressão sobre a candidatura de Ciro, que tem reafirmado que não irá desistir da disputa.

Para Felipe Nunes, a eleição está polarizada entre Lula e Bolsonaro, com mais de 70% dos eleitores de cada um deles afirmando que não mudarão de voto. “Não acredito que a terceira via se viabilize mais. Lula e Bolsonaro são muito grandes para ter outro nome no meio deles.”

Na última quinta-feira (12), dia em que a entrevista foi gravada, Felipe Nunes sofreu um ataque nas redes sociais por parte do ex-ministro do governo Bolsonaro, Osmar Terra, que tentou colocar a credibilidade das pesquisas eleitorais em xeque.

Na entrevista conduzida por Luis Nassif e Gustavo Conde, Felipe Nunes explicou como funcionam as pesquisas eleitorais e defendeu a ciência por trás dos levantamentos da Quaest.

“Bater nos institutos, como se o mensageiro fosse o culpado de alguém não crescer nas pesquisas, é desnecessário porque não constrói um processo democrático. As pesquisas fazem parte da democracia porque ajudam o eleitor a ter informação. Por exemplo, se o eleitor quiser dar um voto estratégico e deixar de votar no candidato que prefere para votar em outro, a culpa não é da pesquisa”, comentou.

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