A criação de um espaço comum de paz, estabilidade e prosperidade na Eurásia é uma “componente inalienável” da “formação de uma nova e mais justa ordem mundial”, naquilo que constitui a “tendência dominante da fase moderna de desenvolvimento global”, acredita o presidente russo, Vladimir Putin.
Em declarações ao periódico russo Kazakhstanskaya Pravda, se antecipando à visita ao Cazaquistão que realizará nesta quinta-feira (9), o presidente russo sublinhou que “o cumprimento de tarefas tão grandes e globais em escala é impossível sem unir forças, reforçar a confiança mútua, estar disposto a cooperar e buscar soluções coletivas”.
As declarações ocorrem em um momento turbulento da geopolítica com duas guerras em curso, uma entre Ucrânia e Rússia e outra envolvendo um ataque sem precedentes de Israel contra a Palestina, em resposta ao ataque do movimento Hamas ocorrido no último dia 7 de outubro. Os dois países do Oriente Médio em conflito compõem a Eurásia.
“Acreditamos que um passo importante para atingir este objetivo é a criação de um amplo circuito de integração – a grande parceria eurasiática -, combinando o potencial de todos os Estados e associações multilaterais da região, contando principalmente com a União Econômica Eurasiática (EEU) e a Organização de Cooperação de Xangai (OCS)”, disse Putin.
A OCS foi fundada em 2001 em Xangai pelos líderes da China, Cazaquistão, Quirguistão, Rússia, Tajiquistão e Uzbequistão. Estes países, à exceção de Uzbequistão, tinham sido membros dos Cinco de Xangai, fundado em 1996. Após a inclusão do Uzbequistão em 2001, os membros rebatizam a organização. Em 9 de junho de 2017, a Índia e o Paquistão tornaram-se membros plenos. Em 2023, foi a vez do Irã.
O serviço de imprensa do presidente russo confirmou nesta terça-feira (7) que o presidente chegará ao Cazaquistão nesta quinta para se encontrar com o presidente do país, Kasim-Yomart Tokayev, com quem discutirá questões-chaves das relações bilaterais e as perspectivas de interação no âmbito das alianças de integração no espaço eurasiano, bem como problemas regionais e internacionais urgentes.
Na contramão do Ocidente
O chefe de Estado russo destacou o amplo espaço ocupado pelos países participantes da OCS – do Sul e Sudeste Asiático ao Oriente Médio e Europa – o que lhe confere um poderoso potencial econômico e político.
A atratividade da OCS, afirmou, consiste na sua orientação para a criatividade e a cooperação multilateral, a consideração mútua de interesses, a igualdade, a abertura e o respeito pela diversidade cultural e civilizacional.
“Isto distingue vantajosamente a nossa organização das estreitas estruturas de bloco promovidas pelo Ocidente, que têm uma composição limitada e seletiva de participantes”, disse ele.
Putin também mencionou a Comunidade de Estados Independentes e a Organização do Tratado de Segurança Coletiva como outros formatos importantes para manter a paz e a estabilidade no espaço eurasiano.
“No atual difícil ambiente geopolítico, a ênfase está na garantia da soberania tecnológica, na criação de uma infraestrutura financeira independente e no aumento da participação das moedas nacionais nas liquidações mútuas”, aprofundou.
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