5 de junho de 2026

Xi, Putin e uma nova ordem mundial

Proximidade entre China e Rússia sinaliza uma divisão geopolítica que pode inclusive influenciar o confronto de Israel com o Hamas
O presidente russo, Vladimir Putin, se encontra com o presidente chinês, Xi Jinping. Foto: Xinhua/Zhang Ling - via Xinhua em Português

A proximidade entre o presidente da China, Xi Jinping, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, não só tem colocado os Estados Unidos em estado de atenção como pode ser um sinal mais concreto em torno de uma nova organização geopolítica.

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Reportagem do jornal The New York Times destaca uma conferência promovida pela China onde Jinping reuniu representantes de aproximadamente 150 países, em sua maioria emergentes, além da presença de Putin, com quem conversou com cerca de três horas em reunião particular.

“Em Putin, Xi tem um parceiro com ideias semelhantes, movido por queixas partilhadas em relação ao Ocidente, que está disposto a reagir contra o que ambos consideram ser a hegemonia americana”, destaca a publicação norte-americana citando ainda o confronto em andamento na Ucrânia há quase dois anos.

Ao lado do presidente russo, o líder chinês chegou a culpar os Estados Unidos pelo aumento das tensões no Oriente Médio ao enviar navios de guerra para a região, e afirmou que esses conflitos regionais eram “ameaças partilhadas que apenas fortalecem as relações russo-chinesas”.

Para especialistas, o encontro de autoridades mostrou que a Rússia segue com “recursos enormes” e muito longe do isolamento proposto por Estados Unidos e União Europeia, já que a Ásia e o Sul Global se preocupam menos com a guerra e mais em fazer negócios com os russos.

O ponto a se questionar é que até que ponto o alinhamento China/Rússia se estende, principalmente quando o foco envolve a ajuda humanitária aos palestinos da região da Faixa de Gaza, já que a resposta pode ser mais uma barreira entre Washington e Pequim.

Putin e Xi não condenaram o Hamas de forma direta pelo ataque feito contra Israel, ao mesmo tempo em que criticaram os ataques aéreos feitos pelos israelenses e a retomada das negociações para a criação de um Estado palestino.

Enquanto isso, o presidente dos Estados Unidos Joe Biden se reuniu em Israel com o premiê Benjamin Netanyahu para tentar evitar a escalada das tensões no confronto com o grupo armado Hamas, principalmente após um ataque a bomba em um hospital que matou cerca de 500 palestinos – em ataque que Biden e os israelenses creditam à Jihad Islâmica.

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Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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