10 de junho de 2026

EUA avançam para classificar PCC e CV como terroristas; tema será debatido na TV GGN

Proposta discutida no governo Trump levanta preocupação no Brasil por abrir espaço para ações extraterritoriais
Imagem: Shutterstock

A possível classificação de facções brasileiras, como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos será tema de debate nesta segunda-feira na TV GGN. Confira o link abaixo.

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O tema ganhou repercussão após reportagens indicarem que o governo de Washington analisa a possibilidade de enquadrar esses grupos na lista norte-americana de organizações terroristas estrangeiras, medida que pode gerar sanções internacionais e trazer implicações diplomáticas, jurídicas e econômicas para o Brasil.

A informação foi revelada inicialmente pela jornalista Mariana Sanches, em coluna publicada no portal UOL. Segundo a reportagem, o tema já vem sendo discutido dentro da administração do presidente Donald Trump e estaria em fase avançada de análise técnica, faltando ainda etapas políticas para eventual formalização.

Caso a medida seja confirmada, isso permitiria, na prática, o bloqueio de ativos sob jurisdição norte-americana, restrições ao uso do sistema financeiro dos EUA e sanções contra indivíduos ou empresas acusados de manter vínculos ou prestar apoio às organizações.

Além das consequências econômicas, a proposta também desperta preocupação no campo diplomático. A legislação norte-americana prevê que grupos classificados como terroristas possam ser alvo de operações de segurança fora do território dos Estados Unidos, o que levanta receios sobre possíveis ações extraterritoriais envolvendo organizações brasileiras.

Itamaraty acompanha debate

O tema chegou ao governo brasileiro e passou a integrar as conversas diplomáticas com Washington. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, discutiu o assunto com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em meio às tratativas para uma eventual visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Casa Branca.

Nos bastidores da diplomacia brasileira, a preocupação é que a classificação das facções como organizações terroristas crie um precedente político e jurídico para iniciativas unilaterais dos Estados Unidos. A avaliação é de que a medida poderia alterar o equilíbrio da cooperação internacional no combate ao crime organizado e tensionar a relação bilateral.

A proposta também faz parte de uma estratégia mais ampla do governo norte-americano de tratar o narcotráfico como uma ameaça equivalente ao terrorismo internacional. Nos últimos anos, Washington já adotou esse enquadramento para outros grupos ligados ao crime organizado na América Latina, incluindo cartéis mexicanos e organizações criminosas da região.

Guerra às drogas foi principal aliada para ascensão do PCC

O debate internacional sobre o combate ao crime organizado ocorre em paralelo a questionamentos sobre o próprio modelo de segurança pública adotado no Brasil nas últimas décadas.

Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) aponta que a chamada guerra às drogas custa cerca de R$ 50 bilhões por ano aos cofres públicos. Apesar do volume de recursos e das operações policiais constantes, facções como o PCC ampliaram significativamente sua presença econômica e territorial.

Pesquisas do Ministério Público de São Paulo indicam que a organização expandiu suas atividades para além do tráfico, criando redes de lavagem de dinheiro e conexões com mercados internacionais de drogas. Esse crescimento está ligado, em parte, à estrutura transnacional do comércio ilegal e aos altos lucros gerados pela própria ilegalidade do mercado.

Para o pesquisador Bruno Paes Manso, autor do livro A fé e o fuzil: Crime e religião no Brasil do século XXI, o fortalecimento das facções também está relacionado à dinâmica do sistema prisional brasileiro e ao modelo de repressão baseado no encarceramento em massa.

Segundo ele, a expansão do número de presos nas últimas décadas contribuiu para fortalecer organizações que nasceram dentro das cadeias e passaram a coordenar redes criminosas fora delas. “Quanto mais se prendia, mais se fortaleciam essas gangues prisionais”, afirma o pesquisador. Veja parte da entrevista aqui >> Guerra às drogas foi principal aliada para ascensão do PCC.

Confira ao programa desta segunda abaixo:

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

2 Comentários
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  1. Carlos

    9 de março de 2026 6:23 pm

    Oportuno o debate.
    Interessante que o miliciano postulante a presidência comemorou a notícia. Porém hoje, 9 Março, a PF prendeu o ex-Secretário Estadual de Esportes do Rio de Janeiro, Alessandro Pitombeira Carracena, durante a Operação Anomalia, que é mais uma das fases das investigações que apuram um núcleo criminoso que atuava na negociação de vantagens indevidas e na venda de influência para favorecer os interesses do Comando Vermelho,
    E quem indicou o sujeito para o Claudio Castro?
    Exato, Flavio Bolsonaro.
    Será que os eua irão deportar o irmão? Afinal, o senador parece indicar nomes para grupos terroristas, conforme o país mais cínico do mundo quer enquadrar o CV.

  2. Rui Ribeiro

    10 de março de 2026 9:17 am

    Eu vou achar bacana quando os barões brasileiros forem bombardeados nos seus iates de luxo pelo Tio Sam. Depois é só dizer que eram traficantes e estavam transportando drogas para os EUA, sem qualquer prova.

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