Favoritismo de Lula pode cair com ataques de Bolsonaro no campo das pautas morais, analisa diretor da Quaest

Na visão de Felipe Nunes, da Quaest Pesquisas, Lula tem que "se preocupar com o efeito negativo que ainda está por vir"

Bolsonaro x Lula
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil – Daniel Pinheiro/Agência Brasil

O cientista político e diretor da Quaest Pesquisas, Felipe Nunes, publicou uma thread no Twitter onde analisa os resultados da pesquisa eleitoral divulgada nesta quarta-feira, 11 de maio, cujo resultado mostra que Lula lidera a corrida presidencial com 46% de intenções de voto e tem possibilidade de ganhar no primeiro turno, sobretudo se Ciro Gomes (PDT) abandonar a disputa.

No fio no Twitter, Felipe Nunes analisa como Lula e Jair Bolsonaro conseguiram se manter no mesmo patamar de intenções de votos das pesquisas anteriores, sendo que ambos se envolveram em polêmicas nas últimas semanas – Bolsonaro, ao escalar a crise com o Supremo Tribunal Federal e o Tribunal Superior Eleitoral, e Lula ao ser alvo de matérias da grande mídia sobre problemas de comunicação após entrar em pautas como o aborto.

A análise de Felipe Nunes indica que o favoritismo de Lula segue firme em virtude da economia real. O desemprego e a inflação são a principal preocupação do povo brasileiro. Porém, esse favoritismo pode diminuir no decorrer da campanha, conforme Bolsonaro usar a chamada “pauta moral” – que reafirma comportamentos de cunho conservador – para deteriorar a imagem de Lula junto ao eleitorado.

O que diz a publicação de Felipe Nunes, diretor da Quaest:

1 – ECONOMIA EXPLICA VANTAGEM DE LULA

“O favoritismo de Lula continua sendo explicado pela relevância da economia real na vida do cidadão. Para 50%, a economia é o principal problema enfrentado pelo país hoje.” O protagonismo da inflação é “preditor de eleição de mudança”, avalia Nunes. “Não por acaso, 58% dos brasileiros acham que Bolsonaro não merece um segundo mandato como presidente, enquanto 53% acham que Lula merece voltar a ocupar o Executivo federal.”

2 – LULA CRESCE ENTRE MULHERES, MAS CAI ENTRE EVANGÉLICOS

Lula ganhou 3 pontos entre as mulheres: passou para 50% o percentual de mulheres que votam no petista, enquanto apenas 24% votam em Bolsonaro. “Por outro lado, Lula perdeu 4 pontos entre os evangélicos e viu Bolsonaro crescer 9 pontos. Ou seja, os 3 pontos a mais dentro do eleitorado feminino (1.6 pontos no total), foram anulados pelos 4 pontos a menos dentro dos evangélicos (1.2 pontos no total).”

3 – LULA E BOLSONARO NO RINGUE DAS PAUTAS MORAIS PODE AFETAR O PETISTA

Na visão de Nunes, Lula tem que “se preocupar com o efeito negativo que ainda está por vir.”

“Ao contrário do que muitos disseram, 53% dos eleitores não sabem ainda das falas polêmicas de Lula sobre o aborto. No público evangélico, 47% ainda não sabem do assunto.”

“Ou seja, com o decorrer da campanha, e o uso da fala pela campanha de Bolsonaro, a rejeição do eleitorado à legalização do aborto deve diminuir o atual favoritismo de Lula”, apontou Nunes.

Para 50% dos eleitores, uma posição favorável ao aborto afeta negativamente a chance de voto em um candidato, enquanto para 40% não altera nada. Mas entre evangélicos, 62% dizem que podem mudar o voto em função do aborto.

4 – MODERADOS SE AFASTAM DE BOLSONARO

A pesquisa Genial/Quaest de maio ainda detectou que o eleitorado mais moderado tem se afastado de Bolsonaro, à medida em que o atual presidente escala a crise com as instituições.

O estudo sondou o impacto da graça concedida ao deputado Daniel Silveira, condenado pela Suprema Corte por ataques à democracia. “A graça presidencial ao deputado Silveira engajou os setores radicais da campanha (64% aprovaram a medida), mas afastou o eleitor moderado que vinha se aproximando do presidente (54% reprovaram a medida).” No extrato geral, 45% acham que Bolsonaro errou ao decretar o perdão a Silveira.

“O afastamento dos moderados explica por que caiu o número de eleitores que votaram em Bolsonaro em 2018 que defendem a sua reeleição. Eram 63% em abril e são 58% hoje (-5 pontos)”, observou Nunes.

5 – CAI A REJEIÇÃO A BOLSONARO E SEU GOVERNO

Apesar disso, é o terceiro mês seguido de queda na avaliação negativa do governo Bolsonaro (de 51% em fev/22 para 46% agora em maio). “Também é boa notícia para o presidente a queda contínua de sua rejeição. Entre fev/22 e mai/22, a rejeição à Bolsonaro caiu 7 pontos percentuais.”

6 – CAI DESCONFIANÇA NAS URNAS ELETRÔNICAS

O levantamento mostrou ainda que a faixa de brasileiros que desconfia das urnas eletrônicas caiu de 29% para 22% desde setembro de 2021. “A desconfiança só é mais alta entre os eleitores que torcem pela reeleição de Bolsonaro (36% não confia x 23% confia). No eleitor nem-nem, a confiança nas urnas é de 45%. Ou seja, a agenda de conflito institucional diminui as chances de Bolsonaro atrair o eleitor da 3ª via.”

7 – TERCEIRA VIA NÃO CRESCE

Em todos os cenários testados, nenhum dos nomes da chamada terceira via tem demonstrado potencial de romper a polarização entre Lula e Bolsonaro.

Apesar Ciro Gomes (PDT) chega no máximo a 10% das intenções de voto. O melhor desempenho de João Dória (PSDB) é 5%; de Simone Tebet (MDB), 4%. Os demais estão abaixo dos 3%.

Além disso, o voto em Lula e Bolsonaro está bastante consolidado, com 75% e 76% dizendo que com certeza votam neles; a consolidação do voto de eleitores da terceira via é mais baixa (29%).

A pesquisa Genial/Quaest foi feita entre 5 e 8/05, 2.000 entrevistas presenciais domiciliares em 120 municípios nas 5 regiões do país. A margem de erro é de 2 pontos percentuais com 95% de nível de confiabilidade. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-01603/2022.

1 Comentário

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Murilo Mazur

- 2022-05-11 12:42:24

Se o povo é facilmente manipulável pela pauta moral, então o problema não é o miliciano genocida, mas o povo! Tem que parar de botar a culpa de fake news, guerra híbrida, etc., apenas na extrema direita! A verdade é que o povo brasileiro é banana demais!!!!!!

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