4 de junho de 2026

Google doa publicidade para clínicas anti-aborto que enganam mulheres

Ação que viola as diretrizes do próprio Google foi denunciada pelo jornal The Guardian em reportagem exclusiva

Jornal GGNReportagem exclusiva divulgada no The Guardian nesta segunda (13) mostra como mulheres grávidas nos Estados Unidos – que têm, por lei, direito ao aborto eleitivo na maioria dos estados – são enganadas na internet por grupos anti-aborto que contam com ajuda do Google.

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Segundo a matéria, o Google tem feito doação de publicidade e utilizado até seus mecanismos de busca para favorecer clínicas anti-aborto que propagam informação falsa: elas atraem mulheres prometendo orientação e acesso ao aborto, mas na verdade são grupos que não apoiam qualquer método contraceptivo.

Nos últimos anos, o Google doou 150 mil dólares em publicidade gratuita somente à empresa Obria, que administra uma rede de clínicas financiadas por organizações católicas.

A Obria exibe anúncios fraudulentos, que não correspondem à realidade, pois quando a mulher chega na clínica, a equipe tentam dissiadí-la de recorrer ao aborto.

O Google afirma que fez o aporte para aumentar o alcance de organizações sem fins lucrativos em todo o mundo, embora a empresa anti-aborto tenha usado o dinheiro para fazer anúncios que violam as diretrizes do próprio Google.

Entre 2014 e 2015, o Google sofreu críticas de grupo “pró-escolha”, quando destinou a maior parte dos recursos (120 mil dólares) para a Obriga, mas os protestos não surtiram efeito.

De acordo com Guardian, as clínicas anti-aborto, “conhecidas como centros de gravidez em crise (CPCs)”, ficam próximas de unidades da Planned Parenthood – uma rede que, de fato, auxilia mulheres com informação e com assistência médica em caso de aborto legal – e também fornece alguns tratamentos médicos, como testes de gravidez, ultrassonografias e aconselhamento pré-natal.

Alice Huling, advogada da Campanha pela Responsabilização, disse que o Google geralmente é o primeiro recurso para uma mulher com gravidez não planejada, e não deveria permitir que “CPCs usem sua plataforma para servir desinformações.”

Em sua defesa, o Google disse que disponibilizou “bolsas de publicidade” para “um grupo diversificado que representa muitos pontos de vista diferentes”, e que grupos contra o aborto e grupos “pró-escolha” foram beneficiados.

“O Google não quis comentar sobre a concessão do Obria, mas disse que todos os destinatários devem cumprir suas políticas. Uma dessas políticas proíbe falsas declarações em anúncios, bem como anúncios que ‘pretendem enganar os usuários ao excluir informações relevantes ou fornecer informações enganosas sobre produtos, serviços ou empresas’.”

Guardian ressaltou também que, em 2017, Google foi forçada a remover os anúncios enganosos. Além disso, foi atacada com indícios de que direcionava mulheres procurando aborto para os CPCs também em seu mecanismo de busca.

“Em 2018, o Google foi criticado por apontar mulheres procurando abortos no Vale do Silício para CPCs através de seu serviço de mapas, enquanto demorava os resultados para as clínicas da Planned Parenthood.”

Obria, que recentemente teve problemas na Justiça envolvendo o recebimento de 1,7 milhão em verbas federais, não quis comentar o assunto.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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