Governo compra satélite que não tem utilidade para Amazônia

Avaliação foi enviada por técnicos do Inpe em setembro; aparelho foi comprado sem licitação por R$ 175 milhões e contrato foi tornado sigiloso

Jornal GGN – O Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) informou ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações em setembro de 2020 que o satélite-radar da banda X “não é apropriado para o monitoramento do desmatamento da Amazônia”.

As informações a respeito do satélite foram elaboradas pela OBT-Inpe (Coordenação-Geral de Observação da Terra) e encaminhadas ao ministério para fornecerem material para responder a um questionamento do deputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ).

“A equipe técnica do Inpe, a partir da experiência acumulada em mais de 40 anos de trabalhos científicos com dados de radar, entende que tal banda [X] não é apropriada para o monitoramento do desmatamento na Amazônia. Esta limitação justifica-se pelo comprimento de onda em banda X, que fica próximo os 3 cm, e por isso não tem condições de penetrar no dossel da floresta, e nem permite distinguir a floresta em pé de uma área recém desmatada. Diante disto, um instrumento em banda X não oferecerá o grau de exatidão requerido para o monitoramento do desmatamento e emissões de alertas”, afirma o documento elaborado pelo Inpe.

Em artigo publicado no portal UOL, o jornalista Rubens Valente lembra que o Comando da Aeronáutica fechou contrato com a empresa finlandesa Iceye pelo qual pagou US$ 33,8 milhões (cerca de R$ 175 milhões) por um satélite-radar.

Embora a Aeronáutica tenha se recusado a informar a banda do aparelho sob a justificativa de sigilo por cinco anos, em outubro foi cogitada a possibilidade de comprar um satélite-radar da banda X (considerada mais simples e barata, de acordo com especialistas).

 

 

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3 comentários

  1. Nassif: de que se importam os AzulTanajuras se serve ou não esse treco aéreo? O dindim não é deles. Pouco importa se vai vigiar ou não. A droga do tal SIVAM (com o subproduto SIPAM), lembra, prestou prá quê? Pra avisar ao narcotráfico quando poderiam voar à vontade, com CéuDeBrigadeiro? Tem gente achando estranho que o pessoal da Colônia, aparentemente, não está envolvido. Já pesquisaram quem são os beneficiários da aquisição? Os de Pindorama não têm que esquentar. Foi só um bom negócio milico-financeiro desses parceiros dos VerdeSauvas. “Auriverde…”

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