Investigação independente não encontra indícios de corrupção nos financiamentos do BNDES à JBS

Escritórios de advocacia contratados pelo BNDES não encontraram evidências de que Mantega e Palocci influenciavam processos internos

Jornal GGN – Uma investigação independente feita por dois escritórios de advocacia a pedido do BNDES não encontrou provas de influência de Guido Mantega ou Antonio Palocci nas operações do banco relacionadas às empresas de Joesley Batista, da JBS.

A informação consta no relatório que expõe a metodologia e os resultados da investigação conduzida pelas bancas Cleary Gottlieb Steen & Hamilton e Levy & Salomão Advogados.

Joesley delatou às autoridades brasileiras pagamento de propina no exterior a Guido Mantega, que foi presidente do BNDES de 2005 a 2007. O petista supostamente teria aceitado dinheiro para influenciar nos empréstimo e outros investimentos que favoreceram a JBS. Depois, quando Luciano Coutinho assumiu o banco, de 2007 a 2016, Mantega teria continuado exercendo influência nas negociações. Coutinho não foi implicado em pagamento de propina.

O delator – que admite não saber como Mantega poderia influenciar o BNDES depois de deixar o comando da instituição – também afirmou que era propina o montante de R$ 500 mil que Antonio Palocci teria recebido a título de assessorar a JBS numa tentativa de adquirir a Pilgrim’s, uma empresa do ramo de alimentos dos EUA.

De acordo com a investigação independente, não foram encontradas evidências de que “Mantega, Coutinho ou qualquer outra pessoa tenha exercido influência indevida sobre os processos do Banco.”

“Sobretudo, a investigação mostrou que cada operação foi analisada, negociada e aprovada por meio de uma série de decisões tomadas em diversos níveis de autoridade dentro do Banco.”

“A Equipe de Investigação não identificou influência ou pressão indevida que sugerisse corrupção, suborno ou tratamento preferencial indevido à JBS, à Bertin ou à Eldorado nas decisões do Banco”, afirmaram os advogados.

No caso de Palocci, também não encontraram “evidências, na posse do Banco”, de seu envolvimento como consultor da JBS, nem de que “tenha tido qualquer influência sobre os funcionários do BNDES durante o período relevante.”

Os advogados explicam no documento (em anexo, abaixo) que tiveram acesso a milhões de dados do BNDES e seus funcionários e ex-funcionários, compreendendo principalmente o período de 2010 em diante. As transações da JBS junto ao BNDES, contudo, começaram em 2005, e boa parte do material não está mais arquivado.

Por conta dessas e de outras limitações (como, por exemplo, não ter tido acesso a pessoas e documentos externos, da JBS ou dos fundos de pensão cintados por Joesley), o relatório faz uma ressalva: a de que não é possível “descartar por completo que essa influência [dos ex-ministros petistas] indevida tenha ocorrido, considerando as limitações da investigação e a probabilidade de que muitas das comunicações possam ter ocorrido oralmente ou por meio de aparelhos pessoais aos quais a Equipe de Investigação não teve acesso.”

Além disso, “a análise da Equipe de Investigação confirmou que houve diversas instâncias nas quais os funcionários do BNDES cometeram desvios ou abriram exceções às políticas do BNDES ou aos contratos relevantes” com a JBS e os grupos Bertin e Eldorado. Contudo, não vislumbrou elementos que provem que esses desvios tenham acontecido por corrupção ou pressão para conceder tratamento preferencial às empresas de Joesley.

Relatório BNDES

 

 

 

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora