Um artigo de opinião do jornalista Jamil Chade, publicado no portal UOL na manhã desta quarta-feira (6), após a consagração da volta de Donald Trump à Casa Branca, chama atenção para a fragilidade do sistema democrático no mundo ocidental em meio a uma quadra história onde a mentira e os planos de governos neoliberais abrem caminho para que a população vire mera massa de manobra na mão de políticos da ultradireita.
Chade afirma no texto que “a ideia de que a derrota de Trump em 2020 e a de Jair Bolsonaro em 2022 tinham virado a página da história não é apenas míope como irresponsável”.
Para o jornalista, Trump retorna ao poder mesmo após ser condenado criminalmente e ter surfado em fake news e discursos de ódio e discriminatórios. Nenhuma instituição foi capaz de detê-lo.
Ao contrário disso, parecem ter delegado à população o destino de Trump, que saiu por cima porque o “sonho americano” está esfacelado. As pessoas, “humilhadas por um sistema econômico cruel”, acabam mirando nos inimigos apontados pelas elites. E soma-se a isso o fato de que o governo Joe Biden foi incapaz de dar uma resposta à essa falta de perspectiva e aos anseios da população.
Trump, segundo Chade, é enxergado pelos seus apoiadores como “o anti-herói que supostamente enfrentou as maiores injustiças do sistema e, ainda assim, resistiu”, quando na verdade não passa de um “bilionário que usou o sistema para dar vantagens à elite americana”, e que “recorre a essa população apenas como massa de manobra para chegar ao poder.”
Para o jornalista e escritor, a reeleição de Trump “sinaliza às demais forças políticas americanas e ao mundo que a democracia não sobrevive à desigualdade e à mentira”.
“A vitória de Donald Trump nas eleições americanas deve ser ouvida, estudada e examinada por democracias de todo o mundo para entender como o sistema político que abandonou suas bases e uma parcela da população está sendo manipulado para permitir a chegada ao poder de movimentos com pouco compromisso com a democracia.”
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