Jurista diz que Bolsonaro trilha caminho do “bolivarismo” e critica HC do Weintraub

Ao pedir habeas corpus para Weintraub, o Ministério da Justiça transformou uma ofensa pessoal ao STF em ofensa institucional, do governo

Jornal GGN – O jurista Miguel Reale Junior afirmou nesta quinta (28) que “não é papel” do Ministério da Justiça advogar para outros membros do primeiro escalão do governo. Ele também avaliou que Jair Bolsonaro inventa uma “crise artificial” com outras instituições para justificar sua escalada autoritária.

Autor do pedido de impeachment de Dilma Rousseff, Reale Junior afirmou que o ministro da Justiça está proibido de advogar. Quando André Mendonça pede ao Supremo um habeas corpus em favor de Abraham Weintraub, o governo então assume que as ofensas aos magistrados do STF não eram um problema pessoal do titular do MEC, mas uma ofensa “institucional”, por parte do próprio governo.

“Weintraub fez uma ofensa pessoal, mas no momento em que ministro da Justiça – proibido de advogar – impetra um habeas corpus para outro ministro que ofendeu gravemente o STF, ele transforma a ofensa pessoal em institucional. Ele assume essa ofensa pessoal como ofensa do governo”, disse Reale Junior.

Para o jurista, Bolsonaro está criando uma “crise artificial” para justificar seus arroubos autoritários e ampliar a escalada rumo a um governo ainda mais extremista. “É o caminho do bolivarismo o que estamos assistindo”, advertiu.

O ministro da Educação Abraham Weintraub defendeu, durante uma reunião ministerial, a prisão dos ministros do Supremo. O vídeo foi divulgado no âmbito do inquérito que investiga interferência de Bolsonaro na Polícia Federal.

Mas o ministro da Justiça pediu habeas corpus no âmbito do inquérito 4781 (o chamado “inquérito das fake news”), depois que o relator no STF, Alexandre de Moraes, convocou Weintraub para explicar as ofensas e ameaças aos membros da Corte.

A declaração de Reale Junior foi feita ao jornalismo da CNN Brasil.

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