5 de junho de 2026

Carol Proner e Pedro Serrano defendem cautela em denúncias midiáticas que reforçam cerco ao STF

Juristas alertam para riscos de julgamentos morais contra o STF sem o devido processo legal; leia a manifestação na íntegra

Juristas Pedro Serrano e Carol Proner alertam para a necessidade do devido processo legal em denúncias contra ministros do STF.

Ministro Alexandre de Moraes negou que encontros com presidente do BC tratassem do Banco Master, alvo de escândalo.

Nota destaca papel fundamental do sigilo da fonte e alerta para manipulação midiática em casos como a Operação Lava Jato.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

Uma nota assinada pelos juristas Pedro Serrano e Carol Proner, divulgada nesta terça (23), reacende o debate sobre os limites entre liberdade de imprensa, sigilo da fonte e o devido processo legal diante de denúncias que envolvem ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Para os autores, a gravidade dos fatos atribuídos a integrantes da Corte exige tratamento rigoroso pelas vias institucionais, sem atalhos que comprometam garantias constitucionais.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

A manifestação ocorre após a jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, divulgar que o ministro Alexandre de Moraes teria se encontrado com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para supostamente interceder em apoio ao Banco Master. A instituição financeira foi arrastada para um escândalo de fraude. A grande mídia também divulgou que o escritório onde trabalha a esposa de Moraes atua em defesa do banco. Nesta terça, Moraes negou que os encontros com Galípolo tenham sido para tratar do Master.

Apesar da negativa do ministro, a extrema-direita e setores da grande mídia começam a criar uma atmosfera para pedido de impeachment contra Moraes.

Em nota, Serrano e Proner defendem que o sigilo da fonte jornalística é um direito fundamental previsto na Constituição e desempenha papel central na proteção da liberdade de imprensa e do direito à informação. Ao mesmo tempo, os juristas ponderam que informações sigilosas obtidas por meio de vazamentos contribuem para formar a opinião pública, mas não podem substituir os critérios da justiça nem o respeito ao devido processo legal.

A nota também resgata episódios recentes da história política e jurídica do país para sustentar a necessidade de cautela. Os juristas lembram que a sociedade brasileira, que se beneficiou do exercício da liberdade de imprensa, também foi alvo de manipulação midiática em nome do combate à corrupção. Nesse contexto, citam a exaltação pública de personagens centrais da Operação Lava Jato, como Sérgio Moro, Marcelo Bretas e Deltan Dallagnol.

Para os advogados, é fundamental distinguir o combate legítimo à corrupção dos métodos empregados pela Lava Jato, que, segundo eles, contribuíram para a desestabilização de setores estratégicos da economia brasileira. As revelações conhecidas como “Vaza Jato”, afirmam, indicaram o papel determinante de veículos de imprensa em uma engrenagem que teria instrumentalizado o sistema de justiça para a perseguição de adversários políticos.

“Desconfiamos porque temos memória”, concluem Serrano e Proner, ao defender que o país aprenda com experiências recentes e preserve, simultaneamente, a liberdade de imprensa e as garantias fundamentais do Estado de Direito.

Leia a nota completa abaixo:

DESCONFIAMOS PORQUE TEMOS MEMÓRIA

Carol Proner e Pedro Serrano*

Os fatos atribuídos a Ministros do STF são muito graves para que sejam tratados sem o devido processo legal. O sigilo da fonte jornalística é um direito fundamental que protege a identidade do informante de um jornalista. É garantia constitucional que guarda tanto o direito à informação quanto a liberdade de imprensa. As informações sigilosas filtradas ajudam a compor o imaginário da opinião pública, mas não substituem os critérios de justiça. É bastante óbvio dizer, mas – não faz muito tempo – essa mesma sociedade que se beneficiou da liberdade de imprensa e do sigilo da fonte foi vítima de manipulação midiática com o propósito alegado de livrar o Brasil da corrupção. Ou alguém se esquece da campanha glorificando figuras como Sérgio Moro, Marcelo Bretas, Deltan Dallagnol? Advogados pela democracia distinguem o necessário combate à corrupção do método usado pela Operação Lava Jato, responsável por desestabilizar setores estratégicos da economia brasileira. As informações filtradas na “Vaza Jato” indicam o papel determinante de veículos de imprensa na trama farsesca que usou a justiça para perseguir adversários. Desconfiamos porque temos memória.

*Carol Proner é advogada, doutora em direito, professora de direito internacional da UFRJ. Pedro Serrano é advogado, doutor em direito, professor de direito constitucional da PUC/SP.


Confira também:

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

4 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. WRamos

    23 de dezembro de 2025 5:18 pm

    Esse é o problema de não se processar e punir jornalistas que fizeram política com a Lava Jato e formaram quadrilha com a república de Curitiba para ganhar dinheiro em eventos e publicidade.

  2. lygia

    23 de dezembro de 2025 5:39 pm

    “Desconfiamos porque temos memória.”
    Exatamente memória, a cautela é o melhor caminho

  3. Maria Madalena

    24 de dezembro de 2025 4:25 pm

    Essa louca precisa ser barrada, a imprensa yirnou uma terra sem lei.Basta

  4. Fernanda

    24 de dezembro de 2025 5:19 pm

    COM CERTEZA TEM UM GILPE EM ANDAMENTO AOS MOLDES
    DE EDUARDO CUNHA E CIA.
    ALERTA ESSA MIDIA BANDIDA GLOBO, ESTADÃO, FOLHA COMO SEMPRE. FORA USA POR TRÁS. NÃO TEMOS SOSSEGO

Recomendados para você

Recomendados