A recente viagem do presidente Lula à Índia para a cúpula em Nova Délhi é um marco importante no cenário global, avaliou Rey Aragon, jornalista especializado em geopolítica da informação e da tecnologia e pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Disputas e Soberania Informacional (UFF). Em entrevista a Luís Nassif, Aragon analisou que a cúpula se diferencia da lógica do capital do Vale do Silício, focando em aplicações da inteligência artificial em áreas como medicina, defesa, indústria e comércio, e buscando uma abordagem contra-hegemônica.
A parceria do Brasil com a Índia, costurada desde a cúpula do BRICS do ano passado, visa diversificar os parceiros comerciais do Brasil. Além disso, Lula expressou apoio à concepção de uma nova governança global para a internet, parte de um projeto chinês que integra iniciativas de desenvolvimento, segurança e civilização global, reformulando a ONU e defendendo a soberania tecnológica do Sul Global.
Aragon destacou que o século XXI será impulsionado por tecnologias como terras raras, semicondutores, software, redes soberanas e infraestruturas de comunicação. A computação em nuvem, por exemplo, traz desafios como a mineração de minerais críticos, que se tornará um ativo fundamental.
A mídia tradicional, no entanto, não tem dado a devida atenção a esses temas, o que, para Aragon, reflete a falta de interesse em um debate público amplo sobre soberania e desenvolvimento, áreas onde o governo Lula tem um discurso forte. Ele apontou que as grandes empresas de tecnologia, com sua influência no Congresso, não têm interesse em discutir a soberania tecnológica.
No que tange às políticas públicas, o Brasil, historicamente vanguardista na internet com o CGI, enfrenta desafios. Apesar de ter tido grandes investimentos em ciência e tecnologia nos primeiros governos Lula e Dilma, a instabilidade democrática do país compromete projetos de longo prazo, como o desenvolvimento de tecnologias de litografia. O baixo investimento atual em ciência, tecnologia e inovação, com recursos bloqueados pelo Congresso, também é um obstáculo. No entanto, o Brasil possui alta capacidade em programação, matemática e sistemas, com um movimento forte de software livre e militância pela soberania digital.
Aragon ressaltou a importância de programas como o Redata, que visam a implementação de data centers, mas questionou a forma como são conduzidos. Ele defendeu que o Brasil deveria investir em sua própria infraestrutura e oferecer serviços, em vez de entregar o controle total a grandes empresas de tecnologia.
O Brasil, segundo maior detentor de reservas de minerais críticos, precisa de uma estatal e regulação para o setor, a fim de negociar a venda desses minerais com valor agregado, em vez de exportar apenas a matéria-prima bruta, evitando que estados e empresas privadas negociem diretamente com potências estrangeiras sem a participação da União.
Assista a entrevista abaixo:
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AARON vive SCHWARTZ
21 de fevereiro de 2026 11:00 amMUITO EMOCIONANTE E SURPREENDENTE A DECLARAÇÃO DE NOVA DÉLI,DEVE SER “REZADA”TODO SANTO DIA E QUEM SABOTAR.CHICOTE NO LOMBO,BEM VINDOS AO FUTURO,VIVA AOS BRICS,VIVA AO SOFTWARE LIVREEE !!!
brunobgl
22 de fevereiro de 2026 11:14 amPeraí! Um governo que destinou à ainda inexpressiva indústria nacional de semicondutores menos de 1 milésimo do necessário pra fazer uma única fundição de chips (1/4 de século XXI já passado!!!), ao passo que premiou com empréstimos do BNDES para “descarbonização” multinacionais que estão sendo multadas em TODOS os países que se prezam por FRAUDE justamente em emissões e ainda mandou seu ministro da Fazenda a um obscuro “think tank” em Los Angeles (???!!!!????!!!) prometer às gigantes do Vale do Silício que nosotros vamos pagar a conta se elas vierem fazer aqui o que qualquer político dos EUA com um pingo de vergonha na cara não quer que elas façam lá: datacenters. Aí a redação do GGN estampa que o chefe desse governo agora, em ritmo de carnaval rebaixado “desafia hegemonia tecnológica”?
Ah, Nassif, assim o GGN cai no ridículo. Eu hein!