4 de junho de 2026

O armistício de Natal na Primeira Guerra

Waldyr, se me permite, gostaria de tecer algumas considerações sobre a confraternização do Natal de 1914. Na verdade, esse fato está bem documentado em inúmeros livros, inclusive com fotos. Claro está que, na época da Guerra, essas informações foram abafadas, mas, hoje em dia, e pelo menos a partir da década de 1960 (se não me engano), relatos dessa confraternização passaram a aparecer com mais freqüência na bibliografia especializada. Já li bastante sobre o tema (Primeira Guerra Mundial). É verdade que já vão lá quase uns vinte anos, mas posso lhe garantir que não há nenhum tabu por parte dos historiadores em discutir o assunto.

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Eis alguns livros (não vou copiar trechos, senão vai dar um trabalho danado) que tratam do tópico:

1) The War the Infantry Knew – 1914-1919 (ISBN: 0747403724), do Capitão J. C. Dunn. No capítulo V, páginas 100 e 101, ele descreve a “trégua” e o encontro, no meio da terra de ninguém, entre um outro capitão do exército britânico com um oficial do exército alemão. O livro foi publicado originalmente (500 exemplares) em 1938. A edição que tenho é de 1991.

2) The First World War 1914-18 (0333379136), de John Terraine. No capítulo V, página 58, ele descreve as lembranças de um oficial britânico da trégua de Natal. O livro foi publicado originalmente em 1965.

3) Rites of Spring – The Great War and the Birth of the Modern Age (ISBN: 0395937582), de Modris Eksteins, no capítulo III, cita em várias passagens a trégua de Natal. Este livro é de 1989.

4) Death’s Men – Soldiers of the Great War (ISBN: 0140168222), de Denis Winter. No capítulo XIII, páginas 220 a 222, ele menciona a trégua de 1914 e, inclusive, fala de eventos similares nos anos seguintes, até 1917. Fala ainda que um jornal (Sphere) quase consegue dar o furo em janeiro de 1915, mas foi censurado. A história da trégua de Natal de 1914, segundo Winter, só é publicada após a guerra, por um certo Capitão Chudleigh, no jornal Telegraph. O livro foi publicado, provavelmente, na década de 1980 (esqueci de ver a data e já guardei o volume – o meu escritório é bastante bagunçado).

Quer dizer, só aí, você já tem quatro exemplos de livros que tratam do tema originalmente publicados nas décadas de 1930, 1960 e 1980. Se houve censura e condenação por parte do alto comando durante o período da guerra, o mesmo não ocorreu após o fim das hostilidades. O tema não era sigiloso no passado, assim como não o é atualmente, quando temos livros específicos sobre a trégua de Natal, além de documentários. Só me ative, por limitação minha, à bibliografia de que disponho em inglês. Certamente, haverá livros sobre o assunto em francês e alemão. Há, também, uma vasta iconografia do período que inclui fotos dessa confraternização.

Não consegui achar o meu exemplar da autobiografia do Robert Graves, Goodbye to All That. Assim, puxando lá do fundo da memória, acho que há alguma referência à trégua de Natal.

Nessa trégua, os dois lados trocavam presentes (basicamente, comida, bebida e tabaco). Houve partidas de futebol na terra de ninguém (epa!) no dia de Natal. Em alguns locais, a trégua se estendeu até o Ano Novo. Mas ocorreu principalmente na véspera e no dia de Natal.

Ah, sim, o excelente livro da Barbara Tuchman, Os Canhões de Agosto, pode ser encontrado nas livrarias.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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