O calvário da Globo, vítima do excesso de poder, por Luis Nassif

Dia desses vou desenterrar uma coluna que escrevi para a Folha, no final dos anos 90, mostrando como o superpoder transformaria a Globo em um paquiderme acomodado, perdendo toda a vitalidade criativa que marcou a era Bonifácio de Oliveira Sobrinho.

As Organizações Globo continuam em uma corrida insana, na qual os cortes de despesas não têm sido suficiente para compensar a queda de receitas.

São muitas as razões.

Em seu período de quase monopólio da mídia, montou uma operação bastante onerosa, própria de estruturas monopolistas. Mantinha casts permanentes de artistas, embora só utilizasse parte deles em cada temporada. A idéia era simples. Aparecer na telinha da Globo conferia prestígio, transformava a pessoa em personalidade pública, graças à extraordinária audiência que detinha no período áureo. Ela  não queria que concorrentes se beneficiassem do investimento feito em artistas e jornalistas. E tinha bala na agulha para mantê-los a todos como reserva de mercado.

Eram tempos de tanta abundância, que não havia preocupação em identificar sinergia entre os diversos produtos. Jornalistas da Globonews poderiam ser contratados pela CBN, por exemplo, mas como se ambas fossem empresas independentes. Além da alta remuneração, a Globo oferecia ainda o ganho adicional, da abertura para o mercado de palestras, graças à visibilidade proporcionada por sua audiência.

Nesse período, manteve-se absoluta nas novelas e no noticiário. Concorrentes tiveram que cavar espaço em programas populares de auditório ou em uma segunda linha de jornalismo. Concorrentes como Bandeirantes, SBT e Rede TV tiveram que vender espaços para igrejas para conseguir se equilibrar.

Nesse período, a Record foi a mais bem sucedida. Em parte, pelos recursos da Igreja Universal, e pela complementaridade dos negócios. Mas há um ponto interessante na montagem do jornalismo. Em pouco tempo, o R7 se tornou um dos maiores portais de notícias. E o jornalismo conseguiu emplacar programas de domingo para enfrentar o Fantástico e telejornais diários, seguindo o padrão Globo de jornalismo. A montagem dessa estratégia foi de Douglas Tavolaro, que saiu da Record para se tornar sócio da CNN Brasil.

Agora, a análise do modelo CNN, ainda que incipiente, permite identificar melhor as fragilidades do modelo Globo.

No caso da CNN Brasil, há uma intensa integração entre os veículos, uma enorme sinergia que fortalece o conjunto. Por exemplo, entre a rádio CNN (montada em parceria com uma rede nacional), e o jornalismo televisivo. Junto com o jornalismo, a montagem de empresa de eventos, para seminários especializados. Há uma “modernidade”, de disponibilizar repórteres para comerciais, que não cheira bem. Mas é uma exceção. E há o uso intensivo de todas as formas de produtos digitais, endereços nas principais redes, podcasts etc.

A rapidez com que montou seu modelo de negócio mostra uma das grandes vantagens das empresas americanas, a capacidade de montar modelos de negócio eficazes.

Por exemplo, cada passo é tratado com intensa auto-promoção. Celebra por semanas e semanas a contratação de um jornalista conhecido. No final de cada bloco, os apresentadores repetem o slogan de “maior do mundo”. E cada editoria montada é tratada como se fosse uma enorme subsidiária.

Por exemplo, a CNN montou uma editoria de finanças. Deu-lhe o nome pomposo de CNN Business e entregou-a nas mãos competentes de Fernando Nakagawa. Não sei qual a estrutura que tem por trás. Mas o marketing transformou-a em quase um produto independente. Enquanto isto, a Globo controla o principal veículo econômico-financeiro do país, o jornal Valor Econômico, com aproveitamento mínimo no conjunto de veículos do grupo.

Um outro ponto do modelo CNN – aí no plano editorial – é o equilíbrio entre jovens jornalistas e jornalistas seniores. Há uma tecnologia muito bem assimilada de jornalismo.  Todos eles têm um foco permanente na busca de furos e na construção coletiva do fato do momento. Surge determinado tema. Praticamente toda a estrutura de repórteres se mobiliza em torno do tema, contextualizando, trazendo cada peça do quebra cabeças. Repórteres trazem informações. Apresentadores ou acrescentam comentários ou entrevistam os repórteres, procurando arrancar o máximo possível de explicações.

Nem imagino qual seja o trabalho de bastidores, por trás das câmeras, de direção da TV, editores, repórteres apuradores, jornalismo de dados etc. Mas impressiona a sincronização entre os apresentadores, conduzindo os temas, a entrada dos repórteres, as chamadas para novas reportagens, as perguntas feitas pelos apresentadores, que parecem combinadas com o que os repórteres estão trazendo de notícias. Há uma enorme fluidez, passando a sensação de que não existe sequer teleprompter para conduzir as falas.

Tem ciência aí, metodologia das boas. Mas, confesso, não tenho a menor ideia sobre como montaram esse máquina.

Há também, uma boa agilidade na definição das duplas que comandam os diversos horários de programas. Há uma espontaneidade cativante nos jovens apresentadores dos programas matutinos. Depois, gradativamente, uma certa solenidade necessária visando um público mais maduro dos programas da tarde e vespertinos. À noite, a parte analítica pesada, conduzida pelas mãos experientes de William Waack.

Juntar uma redação de jornalistas e dar o devido equilíbrio, entre os mais jovens e os veteranos, a mistura racial e de gênero, não é coisa que se aprende na escola.

Por exemplo, na fase inicial, havia uma preponderância de jovens jornalistas, e algumas âncoras de jornalismo mais experiente, mas apenas nos jornais noturnos. Com o tempo, foram contratados apresentadores seniores para a programação da tarde, para dar equilíbrio ao grupo e refrear um pouco a ansiedade dos mais jovens por uma carreira rápida.

Provavelmente para mostrar que tem feeling jornalístico mais apurado que a concorrência, Tavolaro trouxe dois sólidos jornalistas, desprezados ou mal aproveitados pela Globo, Carla Vilhena e Márcio Gomes. Foi como se dissesse: olha aqui, eu vi o que vocês não viram.

Enquanto isto, a Globonews tenta se repaginar, em cima da competição com a CNN, mas com enorme dificuldade em se reinventar, e enfrentando o esvaziamento da TV aberta, em crise em todo o mundo.

Por aqui, além da nova tendência contrária às TVs abertas, a Globo perdeu a exclusividade do futebol, da Fórmula 1, a preponderância massacrante do jornalismo. Mantém em sua espinha vertebral o modelo das novelas, cada vez mais mexicanizadas, mas vê a TV aberta se esvaindo a cada dia.

Agora, joga todas as fichas no Globoplay. O produto tem o que mostrar. Há um trabalho excepcional feito nos últimos anos no Multishow e GNT, com produtoras nacionais de diversos calibres. Há espaço para parcerias com grandes grupos globais, que disputam mercado com a Netflix. Com o Globoplay, a emissora conseguiu segmentar o público de TV do público de computadores e celulares, exigindo assinatura para assistir os programas da emissora. Mas, pela frente, tem competidores extraordinariamente maiores. E abriu mão, por questões familiares, do executivo que montou a impecável produção dos canais da Globosat.

Sofre, também, uma perseguição implacável de Bolsonaro, com o CADE (Conselho Administrativo de Direito Econômico) proibindo os Bônus de Veiculação exclusivamente para ela; a Receita investindo em cima da pejotização dos salários. Justo ela, que sempre conseguiu o que quis de governos tucanos e petistas. E que montava guerras políticas mundiais contra as mínimas medidas que pudessem afetá-la, como a incrível campanha contra a classificação indicativa, ou os petardos contra a Secom, quando se dispôs a desviar migalhas de publicidade oficial para veículos do interior ou independentes, como se fosse propriedade privada exclusiva dos grupos de mídia e, especialmente, dela, Globo..

Além das perseguições bolsonarianas, a Globo tem uma espada de Dâmocles permanente, nos inquéritos que o Ministério Público Federal mantêm engavetados, dos escândalos da compra de direitos da Copa Brasil. Aí se entende a adesão quase obsessiva da Globo à Lava Jato e de se colocar como uma voz tonitruante de combate à corrupção dos outros. Só que, agora, não tem fantasmas bolivarianos, cubanos, para se fortalecer. Sem o álibi bolivariano, terá que enfrentar a ferro frio os verdadeiros adversários – Google, Facebook, Apple, Netflix.

Há apostas consistentes no mercado que, dentro de algum tempo, a Globo começará a fazer campanha pela abertura do mercado ao capital estrangeiro. Vai ser irônico, principalmente partindo de uma empresa que sempre condenou qualquer defesa de mercado… para os outros.

Dia desses vou desenterrar uma coluna que escrevi para a Folha, no final dos anos 90, mostrando como o superpoder transformaria a Globo em um paquiderme acomodado, perdendo toda a vitalidade criativa que marcou a era Bonifácio de Oliveira Sobrinho.

Agora, está sendo devorada pelo monstro que ela própria ajudou a parir quando, na véspera do cataclisma, se vangloriava de seu poder de derrubar presidentes e reescrever o Brasil.

22 Comentários

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Edson Ribeiro da Silva

- 2020-12-21 03:05:06

A Globo ainda experimentou essa vitalidade criativa após a saída do Boni, durante a década de 90. Era o auge de alguns novelistas importantes, da novela rural; ela valorizava a música de qualidade, mantendo programas musicais por definição e não por acidente, mesmo que já tivesse começado a exacerbar a visibilidade para o puramente comercial; havia clássicos da animação; ela fazia adaptações de clássicos da literatura que até viraram filmes; criava formatos, como o "Você decide". As coisas desandaram quando ela passou a achar que precisava conquistar um novo público, o jovem das redes sociais ou que enlouqueceu com o "kitsch" tecnológico, e esqueceu que existia um público acostumado a ver grandes nomes da música, a assistir a novelas que tinham uma intenção estética relevante, que já tinha superado o humorismo da claque e do bordão. Foi se tornando infantiloide, fazendo de sua teledramaturgia e do humorismo o reflexo de memes e de séries americanas que eram modismos. Foi encostando os grandes autores e atores sem ter percebido que, depois deles, não apareceu mais ninguém. A televisão por assinatura trouxe ao brasileiro o fim da sacralização da Globo ou de qualquer emissora. Troca-se de canal a todo instante. Já não havia o "maior da nossa história" em quase nenhuma área da televisão quando o século 20 acabou. Não há nada de extraordinário na televisão por assinatura. Apenas canais com especialidades, o que a televisão aberta não se pode permitir.

Juruna

- 2020-12-17 21:33:08

Se a alternativa à Globo é a CNN Brasil, estamos realmente ferrados. Não entendo esse reiterado fascínio do Nassif pela CNN Brasil. Para mim, já nasceu velha: visão financista, "Grande [anódino] Debate", um exército de ex-Globo conservadores (Waack, Alexandre Garcia) e a partir de determinado horário não há mais notícias, só calhao (até o falecido Bourdain aparece) e muitas defecções de pessoal em pouquíssimo tempo no ar. Após a CNN, a GloboNews virou de "centro", assim como o DEM para a grande imprensa (Globo e CNN inclusas).

Marcelo

- 2020-12-17 18:50:39

Melhor comentário.

+almeida

- 2020-12-17 14:37:44

Eu imagino que quem se associa com más companhias e vende sua isenção, sua ética e a sua credibilidade para uma ditadura e para outros poderosos demonstra ter gostado e/ou estar viciado pelo fruto proibido do abuso de poder. Também demonstra aceitar a conivente missão de fazer vista grossa para as barbaridades de diversos políticos, de diversas instituições dos três poderes, de diversos empresários, de diversos parceiros de grande mídia e ainda de ser eterno submisso das oligarquias golpistas e escravocratas, que se sucedem. O transe napoleônico, faz da sua existência uma novela em horário nobre que imita a arte influenciada por suas premiadas produções. Em plenos capítulos finais, sabe que chega a hora do fim da maldade e o início do ajuste das contas devidas e como sempre acontece, se dará no capítulo final que se aproxima.

André Oliveira

- 2020-12-17 14:30:45

O maior perigo é no vácuo dos Marinho entrar um Murdoch. Ai será o caso de pular da frigideira para cair de bunda direto no fogo aceso.

Antonio Uchoa Neto

- 2020-12-17 13:28:16

Talvez haja uma solução para os irmãos Marinho. Seria bom que eles dessem uma passada, de leve, no Quarto do PC. https://www.metropoles.com/colunas-blogs/leo-dias/oscar-magrini-revela-existencia-de-quarto-do-po-e-do-cu-na-globo É só tomar cuidado para não topar com o Sr. Jensen, por lá. https://www.youtube.com/watch?v=hhGZ-PV6YUM

[email protected]@ [email protected]

- 2020-12-17 13:08:57

um dia após a votação no stf sobre se valia ou não a literalidade do CF no que se referia às presidÊncias das casas legislativas (no Brasil, quando se discute, em direito, a hermenêutica, logo abra-se uma ojeriza à "literalidade" em favor das técnicas de interpretação, tais como princípios gerais de direito, analogia, interpretação extensiva etc. como se a literalidade não fosse, também, uma das técnicas), o ministro de barro lançava seu livro de brasilidade na globo news. o poder da globo sobre o judiciário é gigantesco...

Renato Cruz

- 2020-12-17 12:39:37

Televisão é poder. Por isso não sei se o que virá depois da Globo, talvez no lugar dela, será necessariamente melhor, considerando os poderosos interesses em jogo. O SBT conseguiu ser pior do que a Globo, quando chegou perto de ameaçar a hegemonia, nos anos 80. E a Record é poder do Edir Macedo.

alfredo machado

- 2020-12-17 11:51:57

Nassif, Os três herdeiros Marinho são dirigentes muito fracos, amadores que nunca se interessaram realmente pelo excelente negócio montado pelo pai, um misto de ótimo empresário e parceiro importante dos governos militares, ao ponto de proibir a transmissão do comício das Diretas Já que mostrou o grande Sobral Pinto para o mundo. No governo de lululá, o grupo teve problemas com uma expressiva dívida em U$ dólares, mas conseguiu se livrar com a ajuda do governo de então, e alguns anos à frente repete o mesmo erro, como se percebe, não pode haver melhor sinal para deixar à mostra a notável inaptidão dos irmãos para gerir a herança que lhes caiu na cabeça. O mais indicado seria a negociação de fatia ou o todo do grupo com Carlos Slim, que já é sócio deles há muitos anos.

Jossimar

- 2020-12-17 10:52:34

Não tenho dó não. Durante décadas esta empresa fez um mal enorme para o país e gerações de brasileiros. Além de quebrar seus donos deveriam ir direto para a cadeia pois a globo é uma das empresas mais corruptas do mundo. Já vai muito tarde.

Luis Fernando

- 2020-12-17 10:45:47

A Globo com total apoio dos milicos, dinheiro do governo para pagar os empréstimos da Time-Life, falso domínio de audiência criado pelo IBOPE chegou onde sabemos. Mas, teve uma ajuda que poucos lembram que foi o enterro da TV Tupi e TV Exelcior. Como PHA dizia os filhos do Roberto Marinho não tem nome, porque não tem competência, e sem ajuda, chegar ao buraco é só questão de tempo. O povo só será beneficiado o dia que tivermos uma TV pública honesta para fazer jornalismo de ponta e programação inteligente, fora isso vai ser assim, sai a Globo e entra outra merda no lugar Bom Fim de Ano

nender, o tal

- 2020-12-17 09:31:39

A leitura de que o gigantismo é a causa preponderante da queda do paquiderme não é correta. Foi justamente este gigantismo que a manteve até agora, e com considerável relevância dentro da estrutura de controle ideológico da periferia capitalista brasileira. A Globo parece a França na primeira metade do século XX, ou seja, no cenário global tinha alguma influência, mas subsidiária, alguma inserção internacional (como as colônias francesas), enfim, era uma sub-potência que dava equilíbrio regional, a França na Europa, e a Globo aqui no cone sul... Eu sei, as comparações de um país e uma empresa são desaconselhadas, mas faço isso só para ilustrar. Sim a Globo imaginou que a Linha Maginot a manteria a salvo da mudança estrutural do capitalismo após 1990/2000...e se f*deu. O fim da Globo se anuncia não pelas suas estruturas de negócio, não, muitas outras empresas menores ou maiores que ela já se reciclaram ou recuperaram parte de seu poder e alcance, ainda que acossadas por outras plataformas. O fim se dará (ou melhor, se deu) pelo encerramento do ciclo de alteração do eixo de produção de informação: Antes, grandes grupos como a Globo monopolizavam o mercado de opinião em uma cadeia vertical de produção, onde havia pouco ou nenhum espaço para oposição, como diz a lenda, se Cid Moreira falasse no JN que capim curava câncer, não estaria mais um jardim ou pasto no outro dia. Dizer que hoje só se veiculam mentiras ou fakes é outra idiotice: Os grandes grupos de comunicação sempre usaram boatos e matérias falsas ou tendenciosas para moldar as opiniões de acordo com seu interesse. Então a morte da Globo ou da mídia não é a morte do "jornalismo" cuidadoso e ciente de um papel democrático... Bah, isso é só auto-engano, ou auto-elogio de pobres jornalistas que já não sabem seu lugar no mundo, e vivem desta nostalgia de algo que nuca existiu. A morte da Globo e das demais é o deslocamento completo da mentira vertical, contada com fleuma e editorial, para o afogamento da verdade em um oceano de mentiras propagadas por algoritmos. Nos dois casos, os interesses que movem estas versões da realidade são os mesmos, só que a Globo e grupos regionais ainda faziam o meio de campo, e recebiam por isso, como uma comissão por se alinharem ao estamento global de notícias. Bom lembrar a historinha da origem da Globo e o acordo Time-Life e ditadura, que lógico, esta última também servia também a Washington. Agora os donos do "tutu", os fundos e empresas e plataformas digitais não querem mais a "intermediação" dos grupos de mídia, e fazem elas mesmas o direcionamento de conteúdos baseados da exatidão que só a psicometria de dados (Cambrige Anaytic) permite, tornando as medições de audiência coisa do passado... Então, voltando a metáfora da França, depois da 2ª Guerra, os donos do mundo deixaram de ver utilidade em potências regionais tipo França, Inglaterra, Alemanha, etc... Viraram meros enfeites geopolíticos, assim como Globo e outras empresas serão meras visões arqueológicas, algo como um tipo de mercado vintage de comunicação... Como a França, linda, culta, mas que não apita p*rra nenhuma em lugar algum...

Fábio de Oliveira Ribeiro

- 2020-12-17 09:21:16

Com trabalho e perseverança Roberto Marinho conseguiu se elevar de jornalista à condição de bem sucedido empresário de comunicação. Tudo que ele ganhou foi investido com esperteza a fim de garantir o crescimento sustentável das empresas que ele foi adquirindo e criando. Com o tempo, Roberto Marinho desenvolveu uma relação promíscua com o Estado, adquirindo um poder político imenso. Em virtude de estar em condições de fortalecer ou destruir presidentes da república, ele passou a ser reverenciado como se fosse uma divindade viva. Enquanto estava vivo, Roberto Marinho exercitou seu poder com suavidade a pragmatismo levando em conta sempre as necessidades reais do complexo empresarial. Quando herdaram o império construído pelo pai, os filhos dele acreditaram que aquele poder politico era absoluto e inquestionável e começaram a colocar tudo a perder. Ao que parece, a saga do clã Marinho repete o enredo do romance The Good Earth, de Pearl S. Buck. Com trabalho e perseverança, o chinês Wang Lung, de humilde camponês transforma-se em um grande proprietário. Ele atribui às suas terras uma importância maior do que aquela que deveria ter sua família e os deuses. O sucesso econômico se transforma em fracasso humano. No final do livro, os filhos de Wang Lung planejam vender a terra e desperdiçar tudo o que foi conquistado pelo pai. Velho e alquebrado o protagonista da obra não está mais em condições de impedir os filhos de cometer esse erro. Em virtude de serem viciados em ópio e de levarem uma vida dissoluta e preguiçosa, os herdeiros dos Hwang desperdiçam toda a riqueza da família. Wang Lung vai comprando as terras deles aos poucos até se tornar proprietário de tudo aquilo que eles tinham. No livro de Pearl S. Buck, os filhos de Wang Lung parecem fadados a repetir o ciclo de decadência dos Hwang. Na vida real brasileira, os filhos de Roberto Marinhos exercitaram o poder conquistado pelo pai como se fossem viciados. Eles se tornaram prisioneiros das relações promiscuas com um Estado que a Rede Globo ajudou a esfacelar durante o golpe de 2016. Os filhos de Roberto Marinho e os de Wang Lung são duplos dos remanescentes da poderosa e rica família Hwang. Impotentes, eles são incapazes de reverter o processo de decadência em que foram enredados pelo sucesso dos pais.

j.marcelo

- 2020-12-17 08:52:16

O inimigo do meu inimigo é meu amigo(serve p os dois q estão brigando agora)tem um partido q tá com a bola toda,pensem fora da caixa!!!

Antonio Lopes

- 2020-12-17 08:24:27

Tenho 56 anos e não tenho interesse em tv a cabo e tv aberta, deixei de pagar e assistir tudo isso.Jornais e revistas a pelo menos 20 anos nunca mais comprei ou li. A rede globo pode falir e será um dia de festa aqui em casa.A única mágoa é que ela falirá pela mão da direita mas tudo bem os meios justificam esse fim. O que me deixa triste é que esse dia chegará e o Paulo Henrique Amorim não estará aqui para rir na cara deles.

Vera Lucia Venturini

- 2020-12-17 08:14:59

Entre tantas péssimas notícias enfim uma ótima e gozosa notícia. Pois como disse o filósofo, vidente e nas horas vagas juiz Barroso “o modelo vencedor chegou ao Brasil com atraso...e avisto um horizonte promissor pois o velho morreu”. É que morram junto com a Globo todos os fdp que mandam nesse país e transformaram esse país nesse inferno de loucura e morte.

Valério Carvalho

- 2020-12-17 08:13:12

Encanto fácil de perigoso potencial imbecilizante O grupo Globo (complexo midiático formado por jornal, televisão, rádio, revista e outras empresas conexas), após as repercussões dos eventos ocorridos em junho de 2013 em diversos lugares do Brasil, fez uma singela 'mea culpa' admitindo que havia apoiado o golpe militar de 1964; foi quase emocionante, quase digno de um final de novela televisiva... Só faltou o necessário complemento de sinceridade para explicar que, apesar do seu "lamentável equívoco editorial de apoio à ditadura militar", nunca fez parte dos planos da empresa devolver ou compensar o espólio auferido como prêmio por sua atuação em prol da sustentação e conservação do regime. Claro, isso jamais seria justificado de forma convincente. Evidentemente essa 'auto-penitência' tardia não faria devolver os anéis; isso de perder anéis ou dedos nunca entra no cálculo do criminoso que "confessa" o crime: o que realmente lhe interessa é conservar o butim da maneira mais simples; nessa circunstância, admite seus erros e, naturalmente, espera ser de novo acolhido entre os 'remidos'. É flagrante o delito de contradição que coloca em xeque falsos arrependidos. Diluir questões políticas, culturais e comerciais de real interesse público (ou simplesmente de interesses econômicos particulares das oligarquias) e confundir tudo isso na ladainha da "defesa da liberdade de expressão" é manobra tão despudorada quanto antiga, e continua a ser utilizada. Os interesses econômicos não têm relação necessária com os interesses públicos, basta citar a propaganda de cerveja na televisão (sem qualquer restrição de horário para sua exibição) e o efeito devastador na formação de novos consumidores a médio e longo prazo — justamente a faixa etária infantil que deveria por lei ser mais protegida dos estragos no seu desenvolvimento psíquico e social. Há quem considere de verdade que as crianças não sofrem influências de forma proposital e deliberada para se tornarem (potencialmente) futuros alcoólatras? Um tácito e mal disfarçado conluio de delinquentes de baixa extração conduzirá os mentecaptos enquanto se mantiver essa aliança formada pelo 'establishment' político/econômico que define a estratégia e a prática de segregação real. O controle social da mídia sofre sabotagem imediata e sistemática (e é tratado como tema tabu), o que torna impossível qualquer tentativa de regulamentação democrática das concessões de radiodifusão e televisionamento que, em tese, são temporárias e podem, ou não, ser renovadas a critério do executivo federal, como determina a Constituição. Questões estratégicas de soberania são primordiais na definição da "batalha da ponte", aquela que resolve a guerra. Pessoas honradas só podem exercer sua liberdade em uma Democracia, o que não se alcança por outorga ou beneplácito dos poderosos de plantão. ............................ Valério Carvalho

José Cláuver de Aguiar Júnior

- 2020-12-17 07:42:53

Ótima análise. Só faltor citar Paulo Henrique Amorim, que falo durante anos sobre isso.

Bruno Cabral

- 2020-12-17 06:57:59

Depois que tudo que a Globo fez na ditadura, a infame edição do debate Lula x Collor, sua participação no golpe contra Dilma e na farsa a jato contra Lula digo com todas as letras Não tenho empatia com a emissora Tomara que feche. Como dizia Brizola, ou o Brasil acaba com a Globo ou a Globo acaba com o Brasil. O incrível é ser pelas mãos de Bolsonaro e não pela esquerda tanto combatida pela emissora.

Rafael Ramos

- 2020-12-17 06:57:00

Muito bom o texto! Realmente, a Globo se perdeu desde que o tal do Boni saiu. Ali, o padrão Globo de qualidade se perdeu e ela virou uma paródia dela mesma. A rede de televisão tinha uma estratégia de melhoria contínua que se perdeu, cada ano havia uma bobeirinha vendida como novidade, como progresso. Agora, é ancorada no que ela já foi, tanto no jornalismo lento e tendencioso como nas novelas. Só não sei se o destino dela será a venda para um grupo estrangeiro. Eu imagino o Jornal Nacional comprando uma Veja em uma banca de jornais do Leblon num domingo qualquer e dizendo: eu sou você amanhã. Para mim, a Globo será vendida para algum BTG da vida.

Lúcio Vieira

- 2020-12-17 03:31:05

A soberba é a um só tempo o vício e a pedra de tropeço dos tolos

Vladimir

- 2020-12-17 00:25:33

Segundo um dos donos da mais golpista das emissoras ,papai sempre dizia que empresa que não cresce, morre. Conforme pode-se aferir no próprio post,parece que os golpistas abriram seu guarda-chuva em outra área que englobará tanto sua expertise em teledramaturgia como as produções independentes. Também, assim como a elite mundial, descobriu que ganha -se mais e trabalha-se muito menos no financiam o,o que lhe garantirá a mesada dos pimpolhos por muitas gerações. Do velho poder golpista usará sua marca e ainda tirará muito suco dessa fruta. Seja como for,de uma coisa ela não abrirá mão: de ser golpista.

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