O cheiro de operação política na Lava Jato contra Cid Gomes e Camilo Santana

Lava Jato faz operação que ataca a imagem de Cid Gomes (PDT) e Camilo Santana (PT) em meio ao calendário eleitoral de 2020, sendo que a delação que sustenta a investigação tem 3 anos e meio

Jornal GGN – A grande mídia ajuda a Lava Jato a bater bumbo nesta sexta-feira (16) para uma operação da Polícia Federal contra o “grupo de Cid Gomes no Ceará por caixa 2”, segundo a manchete de O Globo. Na verdade, o que o Ministério Público Federal criminaliza, ancorado em delação premiada, são doações oficiais.

Na matéria publicada às 11:27, o leitor vê que Cid Gomes (PDT) ganha todos os louros pela suposta corrupção, mas a batida policial passou longe da casa dele.

A fase ostensiva da investigação mirou empresas que trabalharam para a campanha do governador Camilo Santana (PT) em 2014, e à reeleição de Cid em 2010. Santana também não sofreu busca e apreensão hoje.

De acordo com as informações iniciais, o que a PF procura são provas de que empresas de marketing eleitoral receberam recursos nas duas campanhas por meio de contratos fictícios, custeados pela J&F.

Sim, a denúncia contra o “grupo político de Cid” foi montada em cima da delação premiada de Joesley e Wesley Batista, donos da holding.

A imprensa tomou conhecimento da delação em maio de 2017. Aqui a primeira dúvida: por que Lava Jato demorou 3 anos e meio para buscar provas independentes? O timing também é curioso. Age em meio ao calendário eleitoral de 2020, quando a família Gomes testa o poder de fogo na Prefeitura de Fortaleza.

Neste ínterim, entre a delação e a ação policial, a Justiça autorizou a quebra de sigilo fiscal e bancário de Cid Gomes e Camilo Santana. Analisaram as contas de ambos por 1 ano e meio. Nenhuma irregularidade foi encontrada ou vazada até agora. Mas são eles os alvos de questionamentos perante a opinião pública e publicada hoje.

Se é lawfare ou não a nova operação da Lava Jato, a conferir. Mas que ajuda a mudar a pauta logo depois que um senador aliado de Jair Bolsonaro foi flagrado com R$ 33 mil na cueca, ajuda.

A DENÚNCIA

A Lava Jato acredita, a partir da delação dos Batista, que o “grupo de Cid Gomes” recebeu R$ 25 milhões em propinas disfarçadas de doação eleitoral.

Em 2010 o então secretário da Casa Civil do Ceará, Arialdo Pinho, teria pedido R$ 4,5 milhões para a reeleição de Cid. “R$ 3,5 milhões [teriam sido pagos] por meio de notas frias, e R$ 1 milhão por meio de doação oficial.” Em troca, o governo teria liberado alguns créditos que empresa da holding tinha a receber no Estado.

Em 2014 o próprio Cid teria pedido R$ 20 milhões para a campanha de Camilo Santana, ao que Wesley Batista respondeu que era difícil contribuir sendo que havia R$ 110 milhões em créditos de ICMS acumulados a receber.

O então deputado federal Antônio Balhmann teria prometido liberar os créditos. A grande mídia não deixa claro se a contrapartida foi executada ou não, nem como e quando. Há dois anos e meio, Cid disse à imprensa que não há lógica nem cronologia na denúncia dos Batista.

Dos R$ 20 milhões doados, “R$ 10,2 milhões [saíram] por via oficial para vários candidatos do Ceará, e R$ 9,8 milhões por meio meio de notas fiscais frias.”

Cid Gomes e Camilo negam irregularidades.

A Lava Jato divulgou a setores da imprensa o número de 17 mandatos de busca em três capitais (Fortaleza, São Paulo e Salvador). Até o fechamento desta publicação, o nome das pessoas jurídicas e físicas envolvidas na ação desta quinta (16) era desconhecido.

A DELAÇÃO DOS BATISTA

Vale lembrar: a delação da J&F foi considerada imprestável pela própria Procuradoria-Geral da República sob Rodrigo Janot, além de ter sido maculada pela participação do então procurador Marcelo Miller. O Supremo Tribunal Federal julga se os benefícios concedidos aos irmãos serão anulados.

Joesley foi autor de histórias esdrúxulas, como a conta bancária no exterior “para Lula e Dilma Rousseff” – sendo que o empresário era o único com acesso ao fundo, usado inclusive para bancar seus luxos e despesas pessoais em Nova York.

PDT EM FORTALEZA

O candidato do PDT na disputa pela Prefeitura de Fortaleza está em terceiro lugar, e a estratégia para aumentar a intenção de voto em José Sarto é justamente ligá-lo aos feitos da família Gomes no Ceará. Lideram a disputa o capitão Wagner (PROS) e a petista Luizianne Lins.

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