Por Amorazia Morais
comentário no post “Xadrez da escolha de Sofia: impeachment ou não impeachment”
Finalmente fui entender o sentido de “macabéas da polícia federal” a quem tanto se refere o articulista Armando Coelho Neto.
Aproveito para abrir um parêntese e responder ao comentário do SOARES:
-“Caríssimo, se as armas forem liberadas, os milicianos deixarão de trabalhar nas sombras, sem medo e sob as bênçãos do estado.”
Como quase todos os comentários foram no sentido de se apreciar as duas vias propostas, vou tentar raciocinar sobre a terceira opção:
“Cenário 3 – queda do governo e novo governo mediado pelo presidente da Câmara Rodrigo Maia. Aí, se trata do imponderável. Antes de apostar no fator Mourão, dificilmente o sistema aceitaria a hipótese Rodrigo Maia.”
Primeiramente, é de se ter em conta os objetivos dos grupos que planejaram o golpe.
Grupos coesos, num só conglomerado, orientados de fora, ainda que muitos não tenham conhecimento dos objetivos ou resultados de sua participação, a partir do presidente eleito.
Penso, como alguns aqui, que um destino de Grécia ou Líbia é o que nos foi perpetrado, porém, a estupidez do governante foi capaz de nos assinalar novas alternativas.
Partindo do entendimento de que nos queriam Grécia ou Líbia, a destruição do estado e do bem estar social é inevitável.
A humilhação do povo enquanto nação também é inevitável, embora menos sensível, quer pelo fato de que em poucos períodos na história termos levantado a cabeça, quer pelo fato de a maioria da população estar anestesiada pelo ódio aos governantes anteriores.
Assinale-se ainda a ilusão de “boas novas” e até mesmo a “evangelização do país, como o povo escolhido”.
Mas, suponhamos que haja a queda do governo e que surja um novo governo mediado pelo presidente da câmara Rodrigo Maia.
O “fofucho”, tão severamente menosprezado em seus meios desde a infância, pôde com isso, desenvolver as habilidades de perseverança, tolerância, simpatia e conciliação, sem perder a capacidade de reação e sem se deixar levar pela sensação de vitória antecipada, tão presente nos vencedores e vaidosos.
Assim, ele conseguiu ser aceito e respeitado no seu mister na câmara dos deputados.
Dos primeiros insultos quando de sua estréia, Rodrigo Felinto Ibarra Epitácio Maia conseguiu ser eleito e reeleito presidente da câmara dos deputados principalmente por se fazer respeitar até pelos seus adversários:
Exemplo:
“Ao tomar posse como presidente da Câmara na madrugada desta quinta-feira (14), Rodrigo Maia se emocionou ao falar de sua família. Ele agradeceu seus apoiadores, entre eles líderes da oposição a exemplo de Orlando Silva (PCdoB-SP) e Afonso Florence (PT-BA)…. – Veja mais em https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2016/07/14/saiba-quem-e-rodrigo-maia-presidente-da-camara-ate-2017.htm?cmpid=copiaecola”
Assim, a hipótese de um governo mediado por ele não seria desprezível.
No cenário do poder, embora esteja cercado pelo exército, pelo STF e MPF, ele conseguiria fortalecer o espírito de corpo do legislativo e se tivesse juízo, poderia compor e convocar novas eleições, dando tempo para a formação de uma base razoável de governo.
Ou ainda, na ausência ou corrosão total do bozo, ele figuraria como um primeiro ministro moderador.
Se, eventualmente, o bozo cair e lhe sobrevier o mourão, permanecendo o Maia, ele teria habilidade suficiente para conter os arroubos do mourão, a ansiedade dos militares em quererem fechar o congresso e o judiciário e levaria o governo em banho maria até o final do mandato.
No mais, o povo sofrerá as perdas que lhe foram destinadas, tanto de patrimônio quanto de bem estar.
maria nadiê rodrigues
26 de maio de 2019 8:29 amNão deixa de ser uma análise sobre a personalidade, ações e posturas de Rodrigo Maia, no mínimo, coerentes. De fato, nesse momento em que tudo se faz de qualquer jeito com o propósito de lascar a Nação e o povo brasileiro em nome do Imperialismo de Trump, o Presidente da Câmara, apesar de tudo, tranquiliza um pouquinho com o seu modus operandi. Consegue ser a única voz distante das loucuras e bravatas dos imbecis, e, no seu auto-controle, vem conseguindo impor respeito, sensatez, e uma leve esperança de que pode, senão mover ideia, pelo menos brecá-las, em quarentena, para a formalização de novo cenário.
Wagner F. S.
26 de maio de 2019 8:29 amVerdade. Rodrigo Maia,com todos os seus defeitos, ao menos é um sujeito tolerante e conciliador, pois sofreu bullying na infância e na adolescência. Fui colega de graduação de um amigo dele lá do condomínio Novo Leblon, na Barra. Ele me contou que o Rodrigo era aquele elemento da turma que é sempre zoado. Não se esquecer, além disso, que na adolesceência do Rodrigo o pai dele era brizolista, o que já motivava uma certa ojeriza por parte da classe média da Barra.
MAAR
26 de maio de 2019 12:09 pmMaia é um plano b atraente para a direita e o imperialismo predatório. E fato é que desacreditar e desestimular a capacidade de mobilização da sociedade em prol da democracia é um grande desserviço às causas populares. As desastrosas práticas adotadas pelo governo federal violam a Constituição e têm causado danos crescentes, de difícil reparação, de modo que a desídia diante do descalabro caracteriza conivência e a única atitude coerente é clamar pelo impeachment, denunciar a deforma da previdência, e exigir a anulação das eleições 2018, bem como a convocação de Eleições Gerais 2020.
Anônimo
26 de maio de 2019 3:51 pmNão tenho a mesma visão do povo aqui não. Torço pra que as investigações contra ele achem provas de crimes e que ele seja processado, perca o mandato e condenado. O cara que conhece o Cunha, diz que ele é o “meu presidente”, que ainda apoiou o golpe contra a Dilma não merece presidir a câmara não.
Creio que só teremos bons políticos/juízes/servidores-públicos se tirarmos 1º os velhos ruins, depois tirarmos os novos ruins (é obvio que o sistema corrupto vá substituir os velhos por novos), pra só então os bons terem chance de disputar e ocupar esses cargos.
Qual a diferença de apoiar o Gilmar Mendes quando julga certo e o Maia quando age certo? Os 2 tem que perder o cargo corretamente.